Pouquíssimas Mentes Barulhentas se... Alessandro Teodoro

Pouquíssimas Mentes Barulhentas se incomodam com o Barulho deliberado dos outros.
Talvez porque reconheçam naquele ruído uma espécie de cumplicidade: quando o barulho deixa de ser consequência e passa a ser estratégia, já não importa o volume, mas a intenção.
Há quem faça questão de incomodar, provocar, tumultuar e transformar qualquer silêncio em oportunidade para chamar atenção.
O curioso é que, muitas vezes, quem mais reclama do barulho alheio é justamente quem passou a vida inteira acreditando que sua própria algazarra era opinião, coragem ou personalidade.
Mas maturidade também é aprender a distinguir aquilo que merece resposta daquilo que só deseja plateia.
Nem todo ruído exige confronto.
E nem toda provocação merece explicação.
E, sobretudo, nem todo barulho precisa atravessar a porta da nossa paz.
Há pessoas que vivem de produzir incômodo porque descobriram que, sem ele, talvez ninguém as escutasse.
Por isso insistem, repetem, exageram e provocam.
Não necessariamente porque tenham algo importante a dizer, mas porque precisam desesperadamente sentir que ainda ocupam algum espaço na cabeça dos outros.
A verdadeira serenidade talvez esteja justamente em não oferecer esse espaço.
Porque existe uma diferença enorme entre ouvir o barulho e permitir que ele faça morada dentro de nós.
O primeiro é inevitável; o segundo é uma escolha.
E, às vezes, a resposta mais elegante para quem deliberadamente faz barulho é simplesmente continuar em silêncio — não por falta de argumentos, mas porque já não existe nenhuma necessidade de transformar paz em disputa.
