A maior Desgraça de muitos que têm... Alessandro Teodoro

A maior Desgraça de muitos que têm a Caneta ao alcance das mãos é se apaixonar por Dinheiro.
Porque a Caneta, quando colocada a serviço do interesse próprio, deixa de ser instrumento de trabalho e passa a ser arma contra o bem comum.
Com ela, assinam-se decisões, autorizam-se gastos, criam-se regras, distribuem-se oportunidades e, muitas vezes, silenciam-se consciências.
O problema nunca foi — apenas — o dinheiro.
É aquilo que o dinheiro consegue comprar quando encontra uma consciência disposta a se vender: princípios, lealdades, convicções e até o silêncio diante da injustiça.
Quem se apaixona pelo dinheiro começa, quase sempre, justificando pequenos desvios.
Depois aprende a chamar privilégio de direito, favorecimento de competência e corrupção de oportunidade.
Aos poucos, aquilo que deveria causar vergonha passa a parecer apenas parte do jogo.
E talvez essa seja uma das formas mais perigosas de pobreza: ter a caneta nas mãos, mas não ter mais caráter suficiente para decidir onde colocá-la.
Dinheiro pode comprar conforto, mas não compra dignidade.
Pode comprar influência, mas não compra respeito verdadeiro.
Pode construir muros, mas não consegue impedir que, um dia, a própria consciência cobre a conta.
Porque toda canetada deixa marcas…
Algumas ficam nos papéis; outras, na história.
E, quando alguém recebe o poder de escrever o destino de muitos, deveria lembrar que nenhuma assinatura é tão valiosa quanto a tranquilidade de saber que não precisou trair seus princípios para colocá-la no papel.
