⁠A quantidade de Salvadores da Pátria... Alessandro Teodoro

⁠A quantidade de Salvadores da Pátria de última hora é quase proporcional aos Eleitores Apaixonados. Em ano de Eleições — especialmente as gerais —, o Brasil, q... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠A quantidade de Salvadores da Pátria de última hora é quase proporcional aos Eleitores Apaixonados.


Em ano de Eleições — especialmente as gerais —, o Brasil, quiçá o mundo, costuma assistir a um curioso fenômeno: quanto mais apaixonados os eleitores, maior parece ser a produção de salvadores da pátria.


Alguns surgem de última hora, outros são requentados, e há ainda os que passam anos criticando o messianismo alheio para, na primeira oportunidade, vestir a própria capa de herói.


É compreensível, ou ao menos deveria ser.


A paixão política tem pouca paciência para soluções complexas.


Ela prefere personagens…


Precisa de alguém para encarnar a esperança, concentrar a indignação e, de preferência, carregar sozinho a “responsabilidade” por aquilo que deveria ser uma tarefa coletiva.


O problema é que democracia não combina muito bem com Salvadores.


Combina com instituições, limites, fiscalização, alternância de poder e, sobretudo, cidadãos capazes de desconfiar também de quem diz estar lutando exatamente por aquilo em que acreditam.


O Eleitor Apaixonado costuma enxergar a eleição como uma batalha entre o bem e o mal.


E, quando a política se transforma em guerra moral, o candidato deixa de ser alguém a ser avaliado e passa a ser alguém a ser defendido.


Seus erros viram justificativas; suas contradições, estratégias; seus aliados inconvenientes, males necessários.


Enquanto isso, o adversário deixa de ser apenas um adversário: torna-se uma ameaça existencial.


É nesse ambiente medonho que prospera o Salvador da Pátria, especialmente o de última hora.


Ele não precisa necessariamente apresentar um grande projeto.


Basta oferecer uma narrativa — suficientemente convincente ou não — para que seus seguidores possam acreditar que, desta vez, finalmente apareceu alguém capaz de consertar tudo.


Talvez a reflexão mais incômoda e necessária seja justamente esta: o problema não está apenas em quem se oferece para salvar a pátria, mas também em quem continua procurando alguém para fazê-lo.


Uma Democracia madura talvez comece quando o eleitor troque a pergunta “quem vai nos salvar?” por outra, bem menos sedutora e muito mais importante: “quem merece receber uma parcela limitada do poder — e como faremos para continuar cobrando essa pessoa depois da eleição?”


Porque Salvadores costumam pedir fidelidade e fé.


Governantes deveriam receber votos — e fiscalização.