Por mais incômodo que seja o Barulho da... Alessandro Teodoro

Por mais incômodo que seja o Barulho da lata vazia, jamais roubará a Paz daqueles que sobreviveram ao Caos da própria lata cheia.
Há barulhos que incomodam porque são muito estridentes, repetitivos, insistentes.
Mas há outros que assustam pelo que carregam dentro: o peso de uma consciência inquieta, o ruído das próprias contradições, o eco de escolhas que já não podem ser desfeitas.
Quem um dia precisou conviver com a própria lata cheia, sabe reconhecer muito bem a diferença.
Aprendeu que nem todo Barulho merece resposta e que, muitas vezes, o silêncio não é ausência de argumentos — é apenas a serenidade de quem já não precisa provar nada para ninguém.
A lata vazia quase sempre faz questão de anunciar sua presença.
Bate, reverbera, chama atenção.
Confunde volume com conteúdo e movimento com importância.
Mas o tempo tem uma maneira estranha e implacável de revelar o que existe por trás do estrondo: algumas coisas fazem barulho justamente porque não têm nada dentro.
Quem sobreviveu à própria lata cheia, ao próprio caos, entretanto, já atravessou tempestades muito mais difíceis.
Já ouviu o barulho dos próprios medos, enfrentou o peso das próprias escolhas e aprendeu, a duras penas, que paz não é viver sem ruídos — é não permitir que eles determinem o que acontece em nós.
Por isso, há um momento em que o barulho externo perde o poder.
Não porque tenha ficado menor, mas porque a nossa atenção deixou de ser grande demais para ele.
A lata pode continuar batendo…
Pode até reunir uma plateia para aplaudir o estrondo.
Ainda assim, quem encontrou a paz depois de sobreviver ao próprio caos não se assusta com qualquer barulho.
Sabe que, no fim, conteúdo não precisa fazer tanto barulho para existir.
E vazio nenhum se torna profundo apenas por aprender a ecoar.
