Nem Otimista, nem Pessimista: o... Alessandro Teodoro

Nem Otimista, nem Pessimista: o primeiro é Ingênuo, o segundo, Amargurado. Prefiro ser Realista Esperançoso.
Não quero fechar os olhos para a realidade apenas para enxergar um mundo mais bonito.
Mas também não quero enxergar apenas o que há de feio, como se a lucidez nos exigisse desesperança.
O Otimista Apaixonado, muitas vezes, confunde esperança com certeza.
Acredita que tudo dará certo porque precisa acreditar.
O Pessimista, igualmente Apaixonado, por sua vez, transforma decepções em método: espera o pior para não ser surpreendido — e, quando o pior acontece, sente-se legitimado em sua amargura.
Entre os Dois Apaixonados, prefiro caminhar por um terreno menos confortável: o da Realidade.
Ser Realista é reconhecer os problemas sem maquiá-los, admitir as derrotas sem transformá-las em destino e perceber as limitações sem fazer delas desculpas.
É olhar para as circunstâncias como elas são, inclusive quando não correspondem ao que gostaríamos que fossem.
Mas ser realista não significa abandonar a esperança.
A esperança, quando madura, não é a crença ingênua — quase infantil — de que tudo dará certo.
É a decisão consciente de que, mesmo quando não há garantias, ainda vale a pena agir.
É saber que talvez não possamos controlar o resultado, mas podemos escolher a atitude diante dele.
O Realista Esperançoso não ignora a tempestade.
Ele quase sempre tem o guarda-chuva ao alcance das mãos.
Não nega a possibilidade da derrota, mas também não se entrega a ela antes da batalha.
Não espera milagres para começar a fazer a sua parte.
Não precisa acreditar que o futuro será necessariamente melhor; basta acreditar que ele ainda pode ser construído.
Porque há uma diferença enorme entre ingenuidade e esperança: a ingenuidade depende de não conhecer os riscos; a esperança nasce mesmo depois de conhecê-los.
Talvez seja essa a forma mais honesta de otimismo: não acreditar que tudo ficará bem, mas acreditar que, apesar de nem tudo ficar bem, ainda podemos fazer alguma coisa boa com o que temos.
Nem o entusiasmo cego de quem não enxerga os obstáculos, nem o desencanto de quem já não enxerga possibilidades.
Olhos abertos…
Pés no chão.
Disposição na mão.
E muita esperança no coração.
