Algodão
UMA REDE PRA DEITAR
Não importa se malha ou algodão,a cor a forma o jeito a estampa ...
Ela sempre te convida a deitar,
No balanço entre meus sonhos e deleitoso bocejo, fico aqui a me embalar;
No ronco do punho ouço o balançar na rede, o movimento que me leva a pensar vaguear sem parar.
Nessa manhã tão linda aqui de frente ao mar fico pra lá e pra cá ...
Na busca dos meus desejos ouso sempre sonhar,
Eu e a paz no vai e vem,
no meu soninho, testemunho do azul do céu que tem ...
Na varanda me balanço em tua vistosa chita colorida, em minha cor branco preferida tiro um cochilo meu bem.
Minha mãe tem cabelo de algodão-doce cansado,
daquele que o tempo foi soprando devagar…
e mesmo assim ainda adoça o dia de quem chega perto.
O rosto dela é estrada de barro batido,
listrado pelas chuvas que já enfrentou…
mas firme, como quem nunca saiu do lugar que ama.
O café dela nunca é só café,
é colher batendo na xícara marcando o tempo…
como relógio simples ensinando a vida a não parar.
Minha mãe mexe o açúcar devagar,
como quem tenta adoçar o mundo…
sem fazer barulho pra não assustar a dor.
Ela é dessas que conversa com planta,
e jura que o sabiá responde…
porque quem tem fé entende até o silêncio cantar.
Minha mãe é livro que não pode empoeirar,
porque cada página esquecida…
é um pedaço da gente que deixa de existir.
Saudade dela não é ausência,
é presença que não cabe no abraço…
e por isso transborda pelos olhos.
Tem dia que ela é rede na varanda,
balançando entre o cansaço e a fé…
sem nunca deixar ninguém cair.
Se um dia ela for embora,
vai ficar espalhada nas pequenas coisas…
no barulho da colher, no canto do sabiá, no balanço de uma rede.
Feitos de amor
a primeira visão,
Foi com os teus
lábios de algodão
Que conquistaste
o meu coração,
Somos sedução,
paixão e festa
para fazer qualquer
um morrer de inveja.
Nós abrimos fronteiras para a produção de soja, algodão e cana e levamos a ferrovia a Mato Grosso vinte anos atrás.
Brasil, sol e alegria! Soja, milho, algodão, café e minérios! Riquezas e belas mulheres! Que felicidade!
ALGODÃO DOCE
Já pensou se um dia a vida fosse de algodão doce?
Leve, macia e a segurássemos na mão...
Se o inverno não surgisse, se o verão não acabasse...
Se não ficasse escuro quando a luz se apagasse...
Se quando alguém se fosse, nascesse de novo na hora
Como se bastasse voltar para não haver ido embora...
Se amar fosse fácil, se todo ser humano fosse dócil...
Se bastasse o trabalho para sanar nosso ócio...
Se... se... se...
Se conselhos e saúde pudessem ser comprados,
Se o filme da vida pudesse ser rebobinado...
Se sonho pudesse ser sonhado acordada...
Talvez esse algodão eu comeria calada.
Não troque bolhas por algodão
Bicho de sete cabeças
Faça a chama flamejar
Me queime logo
Sinto o gosto de sangue na boca
Eu quero morder
Quero arrancar
Triturar você
Me sinto uma amante
Me sinto suja e usada
Me sinto violentada e desejada
Estou coberta de sangue
Estou coberta de nojo
Estou coberta de poros
Costure-me logo
Me segure com força
Eu vou pirar
Estou me revirando
Vou te rasgar
Te encravar até sangrar
Bicho de sete cabeças
Me morda
Me chupe o sangue
Me faça estar viva
Me queime
Agora! Agora!
A carne está viva
Delacerada
Esse é o resultado
De uma heroína
Estou pronta
Estou quente como o fogo
Estou esculhambada
Estou despedaçada
Me toque não troque
Não troque bolhas por algodão
Bicho de sete cabeças.
Homem gostoso não é só aquele com "algodão doce" nos braços, nem aquele com açúcar no corpo, ou com mel dentro da cueca...
(Mulher não quer saber de kit viril)
Homem gostoso é aquele que tem habilidade nas mãos, é aquele que sabe saborear na medida certa todas as demandas óbvias de uma mulher...
É aquele que sabe devorar o momento, e, ao mesmo tempo, sabe fazer uma mulher sentir-se de-li-ci-o-sa. Sempre!
Quando criança,
eu achava que algodão doce,
era feito de algodão.
E que se dissessem: (eu te amo),
era amor de verdade.
...os dois, bem que deveriam ser não?!
E lá longe - escondidinho nesses tais pedaços de algodão - Ele de abraços abertos. (Sobre: Cristo Redentor visto do Pão de Açúcar - Rio de Janeiro)
Meu coração,
cabe todos os poetas!
Eles são leves como plumas.
Doce como nuvem de algodão...
E perfumados como flores.
Meu coração cabe todos os poetas....
por que eles sabem nos beijar, como beija-flores.
Sabe o lugar certo de em nossa vida entrar.
Nos acarinhar.
Nos alertar.
Nos chamar a uma reflexão.
Mas logo vai embora...
deixando-nos com a força de uma decisão.
Com as palavras coloridos que deixaram em nós...
para pintarmos a nossa vida em aquarela.
Meu coração cabe todos os poetas... e eu!
Ele tem cheiro de canela, mãos macias como algodão e lábios em forma de coração.
Cabelo sedoso, olhos negros intensos que se fecham quando sorri, uma pele perfumada, e faz o meu sorriso mais bonito florescer todos os dias sabe?
E meus olhos amendoados se enchem de estrelas cada vez que ele me abraça me fazendo pequena, e suga todos medos e receios me deixando a alma leve e em paz - porque estar com ele é estar em paz - aquela calmaria que se sente em uma manha de primavera, com cheiro a eucalipto e flores colorindo o chão.
Ele é a minha parte mais doce, mais delicada, mais pura.
Minha ( ins)piração.
A minha canção favorita, minha história de amor mais bonita, minha reticência...
Ao lado dele todas as manhas são azuis, todos os caminhos são floridos, todo dia há por-do-sol, todos os versos tem sentido, e a entrelinhas se tornam desnecessárias.
Porque ele é a estrofe perfeita do meu poema sem fim...
Sou uma criança que esqueceu de crescer, gosto de desenho animado, gosto de parque, gosto de algodão doce, gosto de brinquedos e gosto de colo.
NATURA
Hidratante.
A suavidade e o conforto
do algodão
na pele.
O cheiro da natureza;
do frescor
das árvores
e a
mata verde...
O ar puro
que meu ser
respira... aspira...
Apesar de ser
apenas
um hidratante,
a satisfação
é tanta
que
me transporta
adiante...
NUVEM DE PRAZER
Vamos voar em nuvens de prazer?
São iguais a algodão, macio esse prazer!
Então de amor aterrissaremos um no outro...
E no suor que escorre em nossos corpos
Gotas de amor permanecerão!
De suaves nuvens nosso voo de prazer
Da lembrança nunca mais sairá!
A DIVERGÊNCIA DO MILAGRE
No instante certo o milagre acontece
Bruta pedra vira algodão
Deus mostra toda sua face
Quando o sangue da mulher desce
No choro do menino não há disfarce
Todo pecado vira perdão
Mas, o decurso do tempo vive-se de incoerência.
A morte da vida externa toda sua contradição:
“No sepultamento a divergência,
do extintivo vivo num caixão”.
Caminho pela vida como quem pisa em algodão...
Não quero acordar o silêncio que grita.
Prefiro eu, sentir somente a vibração
Vinda do lado de fora...
Poderia eu, tocá-lo, se quisesse, agora;
Mas, não quero.
Permaneço quieta para não acordar o vácuo ao meu redor
Minha cabeça não quer o rufar de nenhum tambor...
Nem o estilhaço luminoso dos fogos de artifícios...
Ou as falas desconexas da multidão ensimesmada
Minha mente, saturada
Reluta em aceitar o que eu não posso mudar.
O que não mudo, permanece a assombrar minh’alma...
Que ainda se contorce em espasmos por um lugar ao sol.
Meio torto o lugar; meio às avessas!
Só um cantinho que abrigue as minhas dores...
Que me devolva às cores;
Que transforme em flores;
Todos os versos que encontrar...
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