Algodão
Que seja doce como nuvens de algodão
Que seja belo como borboleta em flor
Que seja suave como brisa em folhas ao chão
Que seja amparo, consolo, alívio da dor
Que seja sincero como sorriso de criança
Que seja terno como carinho de vó
Que seja afeto, cuidado, esperança
Que seja abraço. um laço, nunca um nó
Que seja festivo como pássaros na janela
Que seja iluminado como chama de uma vela
Que seja amor como a música que ecoa do seu ser
Que sejamos nós todos, os outros, eu e você!
Que seu dia seja gracioso, que você leve penas e traga algodão, misturando fala e riso em seu trabalho.
POEMA DA DESINTOXICAÇÃO
Foi olhando a pluma de algodão
que a luz acendeu meu coração
na manhã fria de verão
senti toda atração.
Atração por olhar para mim
e perceber que eu precisava mudar
na intenção de desintoxicar
o que tentei deixar aflorar.
Desintoxicar o olhar
é pensar na essência da vida
e deixar espalhar
para se sentir fortalecida.
Na Fila do Algodão Doce
Esperei, como quem guarda o mundo,
Com olhos de criança, puro e profundo.
Um pedaço de tempo só pra nós dois,
Um instante onde nada fosse depois.
Mas a fila parou, o doce escapou,
E o que era espera virou amargor.
Vi o tempo levar o que era meu,
Como quem roubou o lugar que escolheu.
A raiva subiu, feroz, inclemente,
Um furacão que tomou minha mente.
Não foi só o atraso que me fez,
Mas o sonho quebrado da nossa alegria.
Agora, sozinho, tento entender
Que o amor também sabe perder.
Que em meio à fúria, há espaço pra ver
Que eu só quis você, e não sabia dizer.
Perdoe minha pressa, meu jeito menino,
Que espera demais no amor sem destino.
Ainda sou aquele na fila a sonhar,
Esperando o momento de te encontrar.
Quero que me entenda, não caia no esquecimento que flutua sobre algodão doce e que esquece de voltar para a Grécia.
Essa tal loucura sã
Fico a imaginar como seria voar,
entre nuvens de algodão;
Nas estrelas repousar sob um canto de ninar, conhecido por trovão;
De carona em alto mar com golfinhos mergulhar, mil tesouros encontrar numa antiga embarcação;
E no fundo desse mar bons amigos encontrar,
uma festa vamos dar para então comemorar a chegada do verão;
E quando a noite chegar, carneirinhos vou contar, e com eles vou brincar até no sono pegar;
Quando enfim o sol raiar, bem ligeira vou estar entre campos perfumados muitas flores ao meu lado, meu perfume a exalar;
Margaridas ou jasmim?
Beija-flor ou bem-ti-vi?
Fico aqui ou volto lá, para o mundo encarar?
Tenho muito pra viver, bons lugares conhecer;
Que loucura vão achar, posso mesmo louca estar,
mas aqui é meu lugar,
aqui ei de ficar.
OS IPÊS
Eles todos floridos
Quem olha se encanta
Parecem algodão doce
Com trajes coloridos.
Enfeitando ruas e calçadas
São os belíssimos ipês
Espalhando perfumes
Pelas madrugadas.
E quando amanhece o dia
Com sua linda floração
Parece uma tela pintada
Com as cores da poesia.
Irá Rodrigues.
LEVEZA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Agora sou de algodão;
já fui de aço,
mas o peso do passo
me afundava
no próprio chão.
As ondas vem, as ondas vão...
O céu é azul, com as nuvens de algodão.
E se amanhã chover, na chuva vou sapatear.
Porque tanto o sol, como a chuva, vão passar.
Você não é um bruto
Você é o que tem de mais sensível, que já vi
É como se fosse um algodão doce, que cai na água e logo se desfaz
Você se vestiu nessa armadura quase perfeita
De diamante
Mas até o elemento mais forte da natureza, que se estilhaça
Ao ser duramente lapidado
Ou simplesmente norteado
Ele se quebra
E sua armadura quando trinca
É em meu coração e alma, onde eles vão parar
E sempre que sou atingida, dói, e muito
E com isso vou morrendo aos poucos
Aliás, minha alma já se foi
E aqui no meu corpo
Jas o coração que ainda bate
Em uma casa que já não existe
Quando sua armadura em fim, você tirar
Eu não estarei mais aqui
Como de clichê
Poderá ir visitar meu túmulo
E cada vez que for
Leve uma lasca de diamante
E lapide minha mais linda memória, você.
O que posso te dizer neste dia tão especial?
Você é o algodão doce da minha vida, você
é a alegria de um dia frio e nublado. Você é
o amigo perfeito que todo mundo quer por
perto, ter a sua amizade foi o maior presente
que ganhei da vida. Jamais deixe que a vida te
roube o brilho do teu sorriso, e a pureza da tua
linda e bela amizade.
Dois tipos de pessoas
Observando um ancião,
com seus cabelos de algodão,
vi uma boa ocasião
para uma bela reflexão...
vivemos numa grande guerra social
cujo lema principal
não é matar nem morrer,
é tão somente sobreviver.
Há dois tipos de pessoas
que pela luta da vida concorrem,
num paradoxo do mundo moderno,
o primeiro é a dos "jovens"
o segundo a dos "velhos".
Nossos velhos estão se acabando,
nossos jovens estamos perdendo,
a violência está aumentando
e a sociedade continua sofrendo.
Nosso futuro está comprometido,
a juventude em decadência,
enquanto os moços estão diminuídos
os velhos são vencedores da sobrevivência.
o jovem não deseja
tornar-se velho prematuramente,
coisa que mais anseia
é aproveitar a vida naturalmente.
O jovem luta para viver,
O velho vive caminhando e lutando.
Da velhice o jovem tenta se esquecer,
da juventude o velho está se lembrando.
Viver é necessário por vários motivos,
por isso, o jovem sonha com seus objetivos,
histórias tristes ou felizes que nos comovem,
que falam de um mundo mais externo,
o objetivo dos velhos é ser sempre jovem
e dos jovens de morrer de velho.
UMA REDE PRA DEITAR
Não importa se malha ou algodão,a cor a forma o jeito a estampa ...
Ela sempre te convida a deitar,
No balanço entre meus sonhos e deleitoso bocejo, fico aqui a me embalar;
No ronco do punho ouço o balançar na rede, o movimento que me leva a pensar vaguear sem parar.
Nessa manhã tão linda aqui de frente ao mar fico pra lá e pra cá ...
Na busca dos meus desejos ouso sempre sonhar,
Eu e a paz no vai e vem,
no meu soninho, testemunho do azul do céu que tem ...
Na varanda me balanço em tua vistosa chita colorida, em minha cor branco preferida tiro um cochilo meu bem.
Minha mãe tem cabelo de algodão-doce cansado,
daquele que o tempo foi soprando devagar…
e mesmo assim ainda adoça o dia de quem chega perto.
O rosto dela é estrada de barro batido,
listrado pelas chuvas que já enfrentou…
mas firme, como quem nunca saiu do lugar que ama.
O café dela nunca é só café,
é colher batendo na xícara marcando o tempo…
como relógio simples ensinando a vida a não parar.
Minha mãe mexe o açúcar devagar,
como quem tenta adoçar o mundo…
sem fazer barulho pra não assustar a dor.
Ela é dessas que conversa com planta,
e jura que o sabiá responde…
porque quem tem fé entende até o silêncio cantar.
Minha mãe é livro que não pode empoeirar,
porque cada página esquecida…
é um pedaço da gente que deixa de existir.
Saudade dela não é ausência,
é presença que não cabe no abraço…
e por isso transborda pelos olhos.
Tem dia que ela é rede na varanda,
balançando entre o cansaço e a fé…
sem nunca deixar ninguém cair.
Se um dia ela for embora,
vai ficar espalhada nas pequenas coisas…
no barulho da colher, no canto do sabiá, no balanço de uma rede.
Céu de algodão,
café na mão.
O mundo lá fora em câmera lenta,
enquanto a paz aqui dentro se sustenta.
Sem pressa de ser,
só o prazer de agradecer.
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