Viver Nao e Tarefa Facil e ser Feliz menos ainda
Daqui a mais ou menos quinze dias, você vai se apaixonar por mim pra valer. Você vai rir das minhas complicações. Vai aturar minha bipolaridade. Vai aceitar meus berros e meus surtos incontroláveis. Vai admitir meu ciúme. Vai segurar a minha mão e dizer: eu estou com você a todo momento. E eu, insuportavelmente encantado segundo a segundo, vou acreditar que você nunca vai enjoar de mim e nem vai embora.
Firmamento adiante
Se pedires, coloco menos maquilhagem e mostro-te o meu rosto. Levo-te bem longe, onde a chuva cairá igualmente entre nós; se desejares, carrego-te ao colo pelo caminho e penduro estrelas para que possas caminhar na escuridão e, se precisares, há fendas nas rochas onde poderás chorar em privacidade.
Quando chegar a primavera e as flores estiverem em toda sua opulência, preparo-te um banho onde irás lavar-te de toda a dor e vergonha. No outono, varro o teu jardim para que possas deitar-te e ver todos os astros. No inverno, prometo-te a minha pele.
Prometo-te amor sem paixões e deslumbramentos, só amor e liberdade, sem desejo de pureza.
Se quiseres, livro-me de todos os ataques de silêncio rabugento e dos acessos de fúria epilética, concedo-te tudo e não desisto. Quando precisares, crio falsas desculpas para te confortar e apago em mim as reminiscências sentimentais do teu passado.
Se pedires, mostro-te as qualidades da dor, que te fazem ter consciência do que és.
Se quiseres, alimento-te de toda minha poesia.
Se desejares, mostro-te o meu planeta…
Maria clara gostava de nadar. Todo fim de semana, pelo menos nos que havia sol, colocava um top, uma saia rodada, sandália rasteira e ía ao clube. Por baixo seu biquíni florido. Gostava de deitar nas cadeiras de sol e ler seu livro, ouvindo seu disc-man enquanto simultaneamente observava as pessoas. Pra ser mais específico, as outras mulheres e o modo como agiam. Maria Clara sempre teve isso de dividir seu cérebro em vários pedacinhos. Prestava atenção em como se bronzeavam no sol durante horas lambuzando-se com protetores e, em alguns casos, até usavam com coca-cola com urucum, lembrou. Evitavam na maioria das vezes mergulhar pra nadar, e quando o faziam, era sempre aquele ritual: Primeiro as pontinhas dos pés, depois as canelas, um pouquinho de água no pescoço, um pouquinho mais nos braços e depois iam entrando bem devagarinho, sempre na parte rasa. E não passava disso, algumas caminhadas na ponta dos pés com pavor de molhar a espinha já eram o suficiente. Era um "quase-mergulho" cheio de postura. Se é que isso pode ser dito. Maria Clara não gostava assim, Não gostava dessa coisa de quase, ou mais ou menos. Mas as observava atentamente. E tinha seu ritual próprio: Tomava seu sol, ouvia seus cd's e quando a piscina estava próxima de fechar ia dar seu mergulho. Transbordava de vontade de tomar distância e dar um daqueles mergulhos bomba onde jogasse água pra tudo que é lado, exatamente como fazia antes. Mas lembrava-se sempre da vez em que, ao estatelar-se na água, todas as pessoas do clube a torceram o nariz. Diziam: O que essa menina tem? Além do mais havia também as vezes em que batia com a barriga ou as costas na água, deixando aquelas marcas vermelhas e doloridas. O clube também estava cheio e não poderia fazer isso de forma alguma. E então, mais uma vez cumpriu o ritual, começou com a pontinha dos pés, experimentou a água, pescoço, braços, entrou até a cintura, caminhadinha na ponta dos pés. Tão sem graça, no fundo sentia vontade de poder mergulhar como quisesse. Antigamente, era bonito de ver Maria Clara mergulhando. Corria e se jogava na piscina como uma bigorna. Estatelava-se na água, que respingava pra todo lado. Às vezes se machucava, e isso no fundo acabava sendo motivo de risada, porque o que realmente gostava era da sensação de se jogar, daqueles poucos milésimos no vazio. Nem se importava se os braços daquela piscina seriam os melhores para a segurar ou não, e fazia todas aquelas mulheres "quase-interessante" parecerem tão superficiais quanto seus bronzeados no fim do dia. Era lindo ver como se divertia em ser simplesmente ela. Era tão lindo, e pensei: Porque não mais?
Resolvi aproveitar a oportunidade, já que estava lá deitada com seu disc-man e seu livro, e a perguntei:
- Já percebeu como essas mulheres fazem? Tudo na pontinha dos pés...
- Sim, já reparei
- Sem graça né?
- Um pouco
- E porque faz igual?
- Porque eu quero, pode parar de me incomodar?
- É porque eu gosto de te ver mergulhar
- Você gosta de me ver cair de barriga não é?
- Gosto. E você não gosta?
- Sim... Talvez
- E porque tem que se culpa por gostar?
- Porque às vezes dói. Sem contar que o clube está cheio e eu não estou afim de que fiquem falando idiotices sobre mim.
- E não sente falta daqueles poucos instantes em que está no vazio e que nada mais importa?
Não me respondeu. Recolheu suas coisas e foi embora. Fiquei algumas semanas sem ver Maria Clara, mas um ou dois meses depois ela reapareceu. Mais bonita. Não estava mais magra, nem mais gorda. O cabelo era exatamente o mesmo, a pele da mesma cor e até o disc-man era o mesmo. Mas tinha um sorriso no rosto que começava pela testa, dando-a um leve franzido, e descia inquietando as sobrancelhas e dando brilho aos olhos, contagiando as maçãs do rosto, esticando covinhas, escancarando o sorriso e terminava na pontinha do queixo, onde aparentemente não mudava nada, mas sei lá, com certeza havia um pouco do seu sorriso no queixo. Deitou-se tranquilamente na cadeira de sol, tirou seu livro, seu disc-man e leu durante toda a tarde. Já perto de fechar a piscina, levantou-se recolheu suas coisas e ao invés de fazer o que sempre fazia, somente foi embora. Passou por mim, e me desejou uma : Boa Tarde. Me deu mais uma amostra do seu lindo sorriso e se foi. Embora eu esperasse poder ver, mais uma vez, Maria Clara se jogando nos braços do nada, fiquei feliz por ela entender que, naquele dia, não falávamos propriamente sobre água, mergulhos ou piscinas. No fundo eu sei que ela entendeu, seu sorriso não poderia mentir
Quando paro pra observar, nem todos falam, sentem tão menos pensam na verdade. Estão tão atrelados a sua verdade, que é absoluta, tirana. Quem me dera um dia ter tanta audácia e astúcia pra trazer a mim tanta determinação e bravura pra acusar qualquer um com o olhar ou até mesmo fuxicar coisas sem nexo porque me convém. Tenho assistido ouvido um povo que não presta atenção na própria verdade, mas sabe impor e julgar a verdade de tudo quanto é gente ao redor!!
Mano, coloca seu fone de ouvido, ouve sua música preferida e esquece o resto, você merece pelo menos 4 minutos ou mais, de paz!
Sem julgar ninguém, muito menos a si mesmo, o que de melhor podemos fazer é continuar na luta pelo aprendizado diário.
Nunca esqueça de ouvir mais, falar menos, observar bastante, aprender o possível e praticar o impossível, a final, para quem tem Deus no coração o impossível não existe.
morro
em haver um quase,
morro
por saber mais ou menos,
morro
em ouvir nem tanto assim.
morro
quando me tocam as palavras
eu tambem
tô viva
só se for para
virar
meu mundo de cabeça para
baixo.
e deixar derramar
escorrer
pelo chão o que havia
de dentro
mesmo sem
saber
o que queres
então....
Eu gostaria que as mulheres que tanto amo, cobrassem dez coisas de mim e fizesse por mim, pelo menos uma das cobranças que me faz. Eu seria eternamente grato.
Olhos Cor do Céu
CAPÍTULO 8:
Quando acabou a aula, todos saíram rápido, como sempre. Menos Gabriel e eu, claro. E ,mais uma vez, ele veio até mim.
- Então, você costuma dormir á que horas?
- Depende. Mas costuma ser entre às uma e meia e as duas da manhã.
- E faz o que até essa hora?
- Internet, livros, músicas, poesias...
- Poesias?
- Ah, droga. Esqueça disso.
- Não, não. Você disse que faz poesias? Você escreve?
- Hum... É. Não sou boa, apenas gosto de escrever, então...
- Cara, você é demais. Sério.
- Ah, valeu.
Nós estávamos já em frente às nossas casas. Eu ia me despedir quando ele perguntou:
- Você tem facebook?
- Aham.
- E qual é o seu sobrenome?
- Findemberg.
- Amanda Findemberg. Vou procurar você no facebook agora. Você vai entrar?
- Bom, já que tenho um propósito, sim.
- Legal. Até daqui a pouco então, Findemberg.
- Até.
Entrei em casa. Fui para a internet. Cerca de dois minutos depois, um pedido de amizade. Era dele. Gabriel Alvarez. Aceitei. Ele logo me chamou no bate-papo.
- Oi.
- Oi.
- Achei você.
- É, acho que sim.
- Então, Amanda, onde você deixa suas poesias?
- Eu salvo elas num site que tenho. Ninguém além de mim e da Andi sabem da existência dessas poesias.
- Legal. Será que você pode me enviar o link?
- Ah, não me peça isso.
- Que tal então nós trocarmos links? Eu ainda não disse, mas eu também tenho um site de poesias.
- Não brinca. Sério? Então passa aí.
- Passa o seu primeiro.
- Vamos passar juntos. Vou enviar agora, o.k.?
- O.k. Já.
Nós trocamos os links. Li as poesias dele. Incríveis. E como eu queria ser as garotas para quem ele deve ter escrito essas maravilhas. Então comentei:
- Você parece ter sofrido muito na mão de algumas garotas. Ou será apenas mentiras de poetas?
- Pra ser sincero, é mais a segunda opção.
- Sério? Nenhuma fala dos teus sentimentos?
- Apenas uma. Que eu me referi ao meu pai.
- Acho que sei qual é. Parece doloroso. Você o perdeu?
- Sim. Leucemia.
- Lamento muito.
- Não lamente. É a vida, não é?
- É. Mas às vezes a vida é injusta. E algumas vezes só o que podemos fazer é lamentar.
- É. Falou a poeta. Você também parece ter sofrido bastante. Ou será apenas mentiras de poeta?
- É mais a primeira opção. Raras vezes a segunda.
- Uau. Isso significa que vou conhecer bastante sobre você aqui, certo?
- É, acho que sim. Já eu não sei muita coisa sobre você.
- Você sabe algo que muitas pessoas não sabem. Esse assunto, meu pai, eu não falo muito sobre. Nem com a minha mãe. Eu não cheguei a conhecer ele, sabe.
- Sério?
- É. Duas semanas depois do enterro de meu pai, minha mãe descobriu que seria mãe. Ele se foi sem se quer saber que seria pai.
- É realmente uma história... triste. Imagino que deva ser difícil para você.
- Na verdade não. Saudades eu não posso dizer que sinto, pois não o conheci. Eu apenas fico pensando como seria ter um pai presente. Ou mesmo como seria ter um pai... Mas vamos mudar de assunto, por favor. Então, foram um ou mais caras para quem você fez essas poesias?
- Foram cerca de uns 3 ou 4.
- É. Não é muito para uma poeta. Isso significa que quando você se apaixona, seus sentimentos duram bastante tempo, certo? Ou você muito tempo sem se apaixonar?
- Na verdade as duas opções. Quando eu gosto de alguém, gosto mesmo. E um sentimento verdadeiro demora para sumir do dia pra noite. Então levo um certo tempo para esquecer. E depois mais um tempo até aparecer outro alguém... Mas eu também não quero falar sobre isso...
Nós dois ficamos até tarde conversando sobre poesias e livros. A noite passou serena e tranquilamente enquanto eu me apaixonava mais.
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