Versos sobre Mim
Magistral é teu olhar
As vezes penso nele me afogar
Rindo feliz de ser seu
Idôneo é para mim teu amor
Efêmero?
Lírico
Lábaro do meu desejo
Yang do meu Yin
Não importo com o que você pensa de mim, isso não muda quem sou, como vou agir e pensar.
Quem eu sou, quem eu carrego, só diz respeito a mim, a minha consciência.
Talvez o tempo possa me livrar da culpa
Que eu não sei se vem de mim ou da cruz de Jesus
Mas eu tenho ainda um grande amor pra te dar
Quero saber se você aceita ele como for
REENCONTRO
Quis escrever sobre mim. Não me achei.
Fui me procurar. Não me encontrei.
Eu estava perdida entre as minhas ilusões.
Entre os sonhos e devaneios deixei minhas sensações.
E, na ausência de quem fui, fui, de mim, um divã.
Meu afã.
Eu fui minha própria vilã.
Não!
Não foi possível ser eu!
Tão longe de mim eu estava,
Que aos poucos eu não me encontrava.
Alucinei. Gritei. Esbravejei.
Fiz baderna, algazarra.
Eu chorei.
Ganhei forças, reagi, resisti.
Voltei à tona.
A mim reencontrei.
E eu me amei.
E no amor entre mim e quem sou,
Descobri que só sabe de si
Quem verdadeiramente amou.
Nara Minervino
Mesmo que a poesia seque em mim
Entre espinhos, lamentos e emoção
O poeta é como o sequioso cerrado
Sobrevive as intemperes do sertão
Duma gota tem o embrião brotado
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Rio de Janeiro, RJ
E onde cabe esse vazio em ti?
E onde se encaixa esse vazio em mim?
A gente se completa ou se causa danos?
EU ASSIM
Fiz pedaços de mim e me distribuí inteira.
Já não sou mais sozinha.
Em cada canto da cidade eu existo,
Eu resido,
Eu vivo.
Sou assim:
Metade inteira e metade completa.
Não sou por acaso.
Sou o meu próprio suado.
Sou o meu intenso,
O meu avesso e o meu relento.
Em cada parte que me dou,
Eu penso
Em ser um pouco do que sou
E do quem já não estou.
A quem me entrego inteira
Sou a história primeira.
Sim!
Sou essa mesmo, assim:
Assim meio eu,
Assim meio outra,
Mas verdadeira,
Faceira
E louca!
Nara Minervino
porto
há uma saudade em mim no cerrado
ancorada nos barrancos ressequidos
são arrancos no peito em ronquidos
num espectral sentimento entalado...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
*Existem Pessoas Melhores do Que Eu!*
É fácil achar homens que se deferênciam de mim,
Basta abrir uma rede social
Um aplicativo de mensagem
Ou sair na rua,
Será fácil achar homes mais bem trajados do que eu,
Com capital estético mais elevado,
Com rendas per capita mais significativa que a minha,
Homens mais aristocráticos que eu,
Mas nenhum é igual a mim.
O que me diferencia de todos?
Tal vez à minha legitimidade,
O meu caráter ilibado, meus princípios meus ideais,
Poderia ser qualquer um desses requisitos mencionados
Como também os são,
Mais o que me diferencia de todos
É a essência
Eu sou essencialmente diferente!
Olha..eu sei o que é se sentir mal assim..
Acredite em mim...
Todos os dias..todo tempo meus erros tem me atormentado...
Se essa vida de ser normal fosse plano de Deus para mim eu não teria nascido tão eu, tão incrivelmente eu.
Incrível mesmo!
Essa autoafirmação não é “está se achando”, pois se nós não nos acharmos ninguém vai, porque a maioria não se aceita e consequentemente não aceita o outro.
A normalidade é padrão e padrões nasceram para serem quebrados, o que fica são os princípios.
O abrigo da frustração
Está escondida, as vezes sim, explícita em mim, ela está no medo de existir, na enfermidade, no astuto covarde, queira a Deus que ela fuja de ti, é uma pancada forte, é a bússola sem norte, antecipada morte, uma velhice indesejada, o cansaço, a luta calejada, tudo isso por uma semente mau plantada, ou não, por outra desconhecida questão, destino, está escrito, a conduta hereditária, a sensatez precária, foi a própria manifestação das atitudes eloquentes, sem prever o dano da mente, de como é, de como sucedeu, o mistério é o apogeu, desastres, catástrofes, seria apenas uma melodia sem sintonia, letra sem alegria, porém a dança é particular, alegrar sem titubear, simplesmente aceitar, aprender, navegar e seguir o vento, porque onde se exalta o não, por vezes se viaja na contramão, encontrando o abrigo da frustração.
Giovane Silva Santos
Na lua
Mar
Em mim
Raiz
Empreguinado
No sol
Ar
Presente no tempo
Lembranças
Idas
Vindas
Na poeira
No vento
Em mim na dor
Letras
Loucuras
Mania
Tardes...
Silêncio
Ontem músicas
Outrora
Saudade doída
Versos
Na pele sonhos
Outono
Verão
Amor tatuado...
Canção !
19/09/2019
OS TEUS EUS DE MIM
Entre risos e salto agulha
Minha desajeitada ironia
Rápidas chamas
Entre olhares Indesfrutáveis
Compacto num sentir
Exagerado de amar
Lá mesmo me distraio
nos seus eus de mim
Ainda me restam
Tua rasa intensidade
afogadas em maldade
SONETO NA PRIMEIRA PESSOA
O nosso eu, está em constante luta
Que eu em mim, agora vai portento?
Se sou quem sou, não sou momento
Pra ser quem sou, no eu tive conduta
Em nada fiz pro eu estar desatento
De fora ou de dentro, da vida recruta
Se não vago, eu, sempre na labuta
Pois, o tempo é eterno ensinamento
Quem é este em mim que o ser imputa
Pois, o diverso é mais que juntamento
É sentimento, num tal zelo sem disputa
Não hei sabê-lo se houver "divisamento"
Afinal, se há partilha há também permuta
E meu eu: é fé e amor num só complemento
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
10 de agosto, 2016
Cerrado goiano
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