Um Estranho Impar Poesia
CACHAÇA NA TAÇA
Essa taça, na qual me perco
em doze que obedeço
ao me tocar, me traça e tacha
os olhos turvam, eu padeço
o fundo da taça, me tasca
e eu me perco do endereço
nesse fundo da garrafa.
Essa taça que me acha...
Com esse gole de cachaça
envolve-me e me embaça
me lança, ao meio fio da praça
atiça-me, o som d'arruaça
embebido por essa taça...
O mundo me esconde a graça.
Essa taça cheia, tacha...
Meu ego perante as raças
a ebriedade a pirraça
a perdição dos sonhos meus,
o paralelo do meu fiasco
no cambaleado dos meus passos,
e nas margens do meu adeus.
Antonio Montes
OLIVEIRA
Meia dúzia de luas cheias
se estapeiam pelas candeias
pelas praias, e espumas
pelas brumas e areias
e ao encanto expelindo o canto,
sonoro das encantadas sereias.
Meia dúzias de luas cheias...
Noite de urros, cios de lobo
d'alvas alvas, elos marítimos
baleias nas águas turvas
moedas de senhores proscrito.
Lua cheia lá no horto
lagrimas nas oliveiras
beijos no escorrego,
dormente de cedro prego...
Prego os mandos, do meu ego,
com meus sentimentos apego...
Cego certo, em certo tédio.
Antonio Montes
SEM PRIMAVERA PARA ISABEL
E quando chegará a primavera para Isabel
Se os céus para ela baixaram as cortinas?
Se a flor que conheceu foi de cetim e papel
Buquês murchos; festivais sem serpentinas...?
Pedem sorrisos à moça triste e espectral?
Não veem os seus olhos marejados de dor?
Isabem descansa senão sobre o velho umbral
Primavera para ela?_ Apenas a morta de flor.
Pois o corvo volta mais uma vez do inferno
De onde não se ouve senão voz de agonia
Qual solstício para ela, além do inverno?
Pois para Isabel o amor não sorriu jamais...
A orquídea negra pauta o verso da sua poesia
E pelos seus sonhos grasna o corvo: "Nunca mais".
Anna Corvo
(pseudônimo de Elisa Salles)
(19´/10/2017)
Eu ouço tua voz!
Eu ouço tua voz!
E, mesmo na tempestade
Tenho certeza da calmaria do seu amor...
Eu ouço tua voz!
E, mesmo diante da escuridão
Tenho certeza que a lua estará lá...
Eu ouço tua voz!
E, mesmo diante da distância
O tempo não pode nós separar...
Eu ouço a tua voz!
E, mesmo diante da gélida contingências existenciais.
O sol sempre me aquecerá...
Eu ouço a sua voz!
E, isto já me basta
Pois, Tu és a verdade!!!
Lamúria
Não lamurie
falto vintém.
Propalar a
reminiscência
vivida é
mais valioso que
qualquer cabedal.
(Gabriel Marques)
Até mais, vou embora
Embora o que eu mais queria era ficar
Ficar perto de você
Você que tanto diz me amar
Amor esse que não existe
Existe apenas desejo
Mas desejo mais que isso
Desejo viver intensamente
Intensos amores
Amores que mesmo que acabe, exista.
O retrato teu,
rasguei em mil pedaços,
não queria te esquecer
ou te apagar da minha vida,
apenas te multipliquei
e te espalhei pelo meu caminho
para que não me falte nunca
um pedaço da mais doce
lembrança de minha vida.
Maio
Olha, amor,
Já é Maio,
Da Primavera em festa,
embriagada de aromas.
Manhãs frescas
De orvalhos límpidos,
Cintilantes,
Tardes mornas,
doces, de promessas
aconchegantes.
Já floriram as laranjeiras
E os goivos lilás
perfumam o cantinho do jardim.
Olha, amor,
Já é Maio,
Da Primavera das flores,
Das sinfonias de chilreios,
Do amor de ramo em ramo,
dos ninhos aveludados
das flores nos caminhos,
como que à espera
de procissões.
Olha, amor,
Já é Maio
e não tardam os beijos de amoras,
lábios de cerejas,
abraços de jasmim
e êxtases de rosas, enfim.
"A beleza do amor,
não está na palavra,
nem na estética.
A beleza do amor, não está no fato de existir.
A beleza do amor,
é sua existência,
na sua inexistência,
que o faz viver na falta da presença,
na falta de sorte
e também na falta de amor."
Sofri tanto p amor que vomitei cacos de mim coisas íntimas que não ei de viver
arranquei essa minha "ovularidade" de novas sensações,
amei
CAMA DE AMOR
Esse travesseiro brega
de fronha estampada
que ilude minhas coxas todas...
Atrapalha depois que o calor se espalha
E feito um corte fino me escapa
Descruzo as pernas e empurro a trouxa
Embolando a colcha
Caindo da cama
Que me engana
Sem sono pra deter
Esse fogo de palha!
André Luz Gonçalves & Cézar Ray Oliveira
Pequenas Mudanças
(Victor Bhering Drummond)
Que tal pelas calçadas sujas
De lixo, misérias e alienações
Espalhar luz, amores e corações?
Sim, eu sei que é difícil; mas com um simples gesto de atenção, uma conversa mais íntima em que as pessoas ouçam os sonhos umas das outras, ou através de um abraço forte, uma voz mais sussurrada ao invés de gritos; um post fofo ao invés de mostrar as últimas conquistas materiais, ir a um museu, teatros ou à bienais, ou com uma leitura mais aprofundada ao invés dos stories vazios e habituais, sim, podemos mudar o mundo, uma vida de cada vez.
•
••
•••
Indescritível
Me perguntaram porque te amei
Ciente de não ter resposta
De minha ignorância não dei mostra
E qualquer coisa falei
Falei de teu olhar
Mas nada do que se explique
Que de pronto se identifique
Dão a razão de se apaixonar
De tua doçura lhe disse
Mas não notei em quem ouvia
Que a ternura lhe floria
Ou que o amor o peito lhe abrisse
A verdade, sabia-o antes
Não há quem domine palavras
Nem quem ao cargo de muita lavra
Descreva o que vai no coração amante
Amo-te, em um não sei como
De dia a sonhar com teu beijo
Enternecido ao sentir teu cheiro
E à noite, imagino velar teu sono
Teu rosto imagino, suavemente pousado
Em brancos lençóis, teus negros cabelos
Amar é abismo, às vezes dá medo
É estar entregue, e nem sempre ser amado
UTOPIA
Em cada manhã
Acordo sempre
pensando com seria bom viver na utopia,
longe da tristeza
e da agonia,
dormir e acordar
no abraço da amada,
Quem me dera,
disfrutar da segurança
que oferecem essas ruas,
sair as madrugada
sem medo
das vozes gritantes,
nem das sombras
humanas.
Massvi Suburbano Odisseia
Numa batalha jamais nos entregamos por derrotados.,
não nos desafiem porque podemos ser grandes marados.
o meu povo vai encher avenida dos aliados,
para projetamos rimas verbais de pesos pesados.
A vida não se tem valor
se não se vive com intenso amor
A vida não tem sentido
se não se vive com o que se tem aprendido
A vida não teria ousadia
se no mundo não existisse poesia
Eu amo e você gosta;
Eu falo, tu ingnoras;
Eu chamo, mas tu não olhas;
Eu grito...
Eu choro...
Eu canso ...
E vou embora.
Só eu que me sinto sozinho
Só eu que fico a chorar
Só eu que te quero comigo
Mas não posso te esperar
Só eu que faço charminho
Só eu que quero brincar
Só eu que amo sozinho
E prefiro me calar
Só eu, apenas eu!
O vento parou
As ondas calaram
O tempo passou
As lágrimas rolaram
Hoje entendi
O que me falaram
Das coisas da vida
Que me anteciparam
Teu corpo que eu quero
Sem ver teu passado
Hoje só espero
Estar do teu lado.
Motoristas buzinam;
Gritos calados.
Olho meu relógio,
Estou atrasado.
Pego meu "Mobil",
Procuro o contato.
-Amor, sinto muito!
Chegarei atrasado.
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