Textos de Lua

Cerca de 4114 textos de Lua

"Hoje quando o relógio marcar meia noite,vá até a janela e olhe para o céu,notarás que lua estará com um brilho mais especial do que de costume,pois além de ser Natal,estarei pensando em ti,olhe sem pressa cada estrela,e na qual o brilho for mais intenso e ofuscar seu olhar,serei eu te amando,e se fechar os olhos vai sentir no sussurrar do vento o beijo que te mandei,para que me deixe em seus pensamentos.
Fiquei imaginando o que te dar de presente,cheguei a conclusão que não necessitas de nada material,então pedirei a Deus que sempre te proteja,abençoe,e te dê muita saúde.
Numa frase de Bob Marley ele diz que em algum lugar distante existe alguém olhando para o mesmo céu, contemplando a mesma estrela e murmurando baixinho: "Que Saudade",assim estaremos nós até que o universo resolva dar uma mãozinha e conspire a nosso favor.
E mesmo que passem dias,meses,anos ou no silêncio das palavras,meu olhar de amor sempre vai ser pra você.
Feliz Natal !

Quando a Lua Chama


Há alguém que só desperta quando a noite vem,
surge entre as estrelas, quando dorme alguém.
Não sei se é lembrança, mistério ou ilusão,
mas deixa sua sombra presa ao coração.


De dia, é silêncio perdido pelo ar,
uma imagem distante que não sei alcançar.
Mas quando o sol se rende e começa a partir,
há qualquer coisa nela que me faz sentir.


A lua, testemunha do que não confessei,
guarda entre suas sombras tudo o que calei.
E quando a maré vem beijar a areia,
seu nome se dissolve na espuma da sereia.


Procuro no espelho alguma explicação,
mas vejo somente a minha expressão.
Quanto mais eu procuro saber quem ela é,
mais o mistério me prende de pé.


Talvez seja um sonho que insiste em ficar,
talvez seja a noite querendo me enganar.
Talvez seja alguém que eu nunca encontrei,
ou uma parte de mim que um dia abandonei.


E quando amanhece, ela deixa de existir,
como uma estrela cansada que decide partir.
Mas quando a noite retorna e a lua vem me chamar,
eu sinto sua presença outra vez no meu olhar.


Se é sonho, por que parece tão real?
Se é lembrança, por que ainda é tão igual?
Se a lua conhece o segredo que escondi,
por que toda noite ela a traz de volta a mim?


E se ela só existe quando a noite vem,
se só vive no escuro, distante de alguém...
quem é que desaparece quando nasce o dia:
ela, ou a parte de mim que por ela sorria?

Ela é Sol! Eu sou Lua!


Ela é o Sol,
eu sou a Lua,
duas almas diferentes
sob a mesma imensidão.


Ela chega trazendo luz,
eu chego trazendo mistério;
ela ilumina o que toca,
eu guardo o que sinto em silêncio.


Ela é calor,
eu sou maré;
ela desperta sentimentos
que eu nem sabia que havia em mim.


Talvez seja por isso
que eu escreva tanto sobre ela:
porque há pessoas que simplesmente passam,
e há aquelas que deixam o céu diferente
depois que chegam.


Ela não precisa saber
quantas constelações acendeu em mim.
Talvez nem perceba
que, quando penso nela,
até minhas noites encontram claridade.


E eu, Lua,
continuo orbitando meus próprios pensamentos,
tentando transformar em versos
aquilo que não consigo dizer.


Porque o Sol não sabe
o quanto a Lua o observa.


E a Lua talvez nunca conte
o quanto é bonito receber sua luz.


Mas existe algo que o céu sabe
e nós talvez ainda não:


há encontros que não precisam acontecer no mesmo instante
para pertencerem ao mesmo universo.


Ela é o Sol.
Eu sou a Lua.


E, entre a luz dela
e as minhas fases,
existe um céu inteiro
guardando aquilo que somente nós
poderíamos entender.

O SOL E A LUA DE ASSIS.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Ó Sol de Assis, seráfico arauto da alvorada,Que fizeste da pobreza tua púrpura sagrada,Ergueste ao céu a voz de tua harpa peregrina,E a criação inteira tornou-se ladainha divina.

Ó Lua de Assis, Claríssima entre as claridades,Espelho da mansidão e das eternidades,No claustro floresceste em silêncio e oração,Como lírio celeste guardando o coração.

Juntos, irmãos no Cristo, em fraternura perfeita,Tecestes sobre a terra uma esperança eleita;Ele, qual fogo ardente, em júbilo fecundo;Ela, qual lâmpada alva velando sobre o mundo.

E vieram convosco os irmãos da criação:O Irmão Sol em fulgor, a Irmã Lua em mansidão;As estrelas, em silêncio, a bordar o firmamento;O vento, monge errante, a cantar no movimento.

A irmã Água chorava em cristalina pureza;O irmão Fogo tremia em rubra gentileza;A irmã Mãe Terra, em seu fecundo regaço,Guardava as sementes do eterno abraço.

Os pássaros ouviam a palavra peregrina,E o lobo, outrora fero, curvou-se à lei divina;As árvores erguiam seus braços ao Senhor,E as pedras aprendiam o idioma do amor.

Mas eis que a humanidade, em delírio homicida,Cobriu de ferro e cinza a face da própria vida;E sobre o lenho augusto da suprema redenção,Derramou sangue insano em cruel exaltação.

Então chorou a Terra em noturna agonia,E o céu velou seus astros na mais profunda aridez;As fontes soluçaram em líquida tristeza,E os montes estremeceram diante da aspereza.

As rosas desfizeram-se em rubicundo pranto,Os rios carregaram um silencioso canto;O vento repetia, em lúgubre gemido,O nome do Justíssimo, na cruz escarnecido.

Ó lágrimas da natureza ante a cruz erguida!Ó sangue desvairado ferindo a própria vida!As aves emudeceram nos ninhos do arrebol,E a Lua empalideceu ao contemplar o Sol.

Francisco, Sol de Assis, beijou as santas chagas;Clara, Lua de Assis, velou as noites vagas;E ambos, como dois círios diante do Redentor,Fizeram da existência um cântico de amor.

Eles chamaram irmãos os homens e os animais,Os pobres, os enfermos, os pequenos e os mortais;Chamaram irmã a morte, e irmão cada vivente,Pois viam Deus oculto no pó e na corrente.

Que o Irmão Sol nos desperte do orgulho e da ambição;Que a Irmã Lua derrame brandura no coração;Que a Água nos purifique, que o Fogo nos dê ardor,Que a Terra nos ensine o labor e o louvor.

E quando o mundo inteiro, cansado de seus erros,Ouvir de novo o brado que ressoa pelos cerros,Francisco e Clara, unidos na celeste comunhão,Farão de cada lágrima uma estrela em ascensão.

Então a cruz, outrora banhada em sangue humano,Será jardim de paz sobre o deserto insano;E todos os irmãos, em jubilosa harmonia,Cantarão com Assis a eterna cortesia.

Ó Sol de Assis! Ó Lua de Assis! Em vossa claridade,Aprenda a criatura a santa fraternidade;E cesse finalmente a loucura dos conflitos,Para que a Terra inteira seja um coro de benditos.

Porque onde houver amor, ali floresce a aurora;Onde houver mansidão, o céu sobre nós vigora;E o universo, reunido em um só resplendor,Entoará eternamente o cântico do Senhor.

Hoje a Lua brilha
Sobre o meu quintal.
A luz do Sol que trilha,
Mas não deixa rastro
Sobre a escuridão.

Eu penso nas noites passadas,
Penso sobre densos nevoeiros,
Flechas atravessadas
Quando os olhos pouco viam.
Do pouco que viram,
Traduziram pouco… ou quase nada.

Um cinzeiro sobre a mesa,
A luz da Light na calçada,
Tantas diferenças,
Tênues relevâncias.

A noite flutuante
Paira sobre a noite enluarada.
Madrugada avança sobre horas de sonhos,
Meu sono acanhado,
Meus olhares, cada vez mais poucos,
Traduzindo a cada noite
Muito mais do que enxergam —
Pouco ou quase nada.

O silêncio da noite
Chega a ser maior, mais denso
E mais abrangente que a própria noite.
Até que sobre pouco:
Muita luz, muita neblina, silêncio demais.

Paz por sobre a rua,
Luz do poste, que,
Goste ou não goste, não passa da esquina.
Meus olhares cansados também não.

Edson Ricardo Paiva

Tem uma lua diferente
Que só nasce na minha rua
Ela pode parecer igual
Pra toda gente
Não pra mim, que a vejo de lá
E quando eu saio da minha rua
Levo junto meus olhares
E prossigo vendo as coisas do meu jeito
Pois desse jeito, eu sei, não sofro tanto
Não ponho leveza onde não há
Não aumento a tristeza onde há
Tem um azul claro vibrante
Tem um céu assim, pra mim
Quando eu o olho de lá
E quando eu me molho na chuva de lá
Não me sinto menos rico
Por não ter um guarda-chuva igual
Não desejo nunca mais ultrapassar as portas
De cujas maçanetas
Eu jamais devia ter me aproximado
Às vezes, fico até de madrugada
Olhando estrelas da calçada
A lua brilha na areia do chão
Como na areia da praia
Mas é preciso olhar pro chão
Como quem olha pro céu, para vê-las
E não desejar que caiam estrelas
Todas elas vão cair um dia
Nesse dia, eu vou morar na estrela
Para ver minha rua distante
Como distantes serão meus olhares
E vai tudo estar do mesmo jeito
Ou, talvez, até melhores
Não sei
O melhor lugar do mundo
Fica atrás dos meus olhares
Sob a chuva sem guarda-chuva
Na qual, fatalmente, eu apenas me molho
Eu apenas vivo assim
As emoções pequenas
Nas asas da ilusão, eu viajo pra bem longe
Mas, quando eu saio da minha rua
Levo junto meus olhares
Minha paz, meu coração
E o melhor lugar deste mundo
Será sempre onde eu estiver
Pois estou contente em minha companhia.


Eds

ESPELHOS PARTIDOS À BEIRA DO MAR.
A cena ocorre à beira da praia, numa noite em que a lua se desfaz sobre a água, refletida em pequenos fragmentos de mar como se o próprio céu tivesse quebrado um espelho. O narrador, dilacerado pela ausência, conversa com a amada que já não está entre os vivos e com o filho que o oceano tomou. O vento arrasta vozes indistintas, confundindo-se com o soluço incessante das ondas.
NARRADOR:
Meu filho me amava... Sim, ele verdadeiramente me amava. Agora, diante de nossos espelhos partidos, sorrimos como quem ainda tenta recompor os fragmentos de um impossível. E eu sei... sei que, nesta hora, ele me procura, lá em alto-mar, onde repousam segredos que nenhum de nós ousou desvendar.
AMADA (voz etérea, surgindo entre as rajadas da brisa):
Não chores tanto, meu bem. O mar apenas devolve aquilo que nunca nos pertenceu inteiramente.
NARRADOR:
E que me resta, senão ir buscá-lo? Ele me encantava com aqueles olhos de esmeralda viva... Ah, não partas, meu amor! Se fores, talvez nunca mais me encontres. Foi aqui, nesta praia, que nosso filho te esperou durante quatro noites, sustentado apenas pela fé — essa última lâmpada dos desesperados — de que regressarias.
Mas tu jamais voltaste ao nosso casebre, tão singelo, tão pequeno, e ainda assim aceso pelas chamas de um amor que parecia capaz de desafiar o próprio destino.
AMADA:
A esperança que nele ardeu também me sustentou. Mas o tempo é breve para aqueles que se amam demasiadamente e parece infinito para aqueles que permanecem esperando em silêncio.
NARRADOR (ajoelhando-se na areia):
Por isso te suplico: não vás!
Mas aqueles olhos... Ah, aqueles olhos! Deus os quis para Si antes mesmo que tivéssemos aprendido a compreendê-los. Foram uma dádiva breve, como as flores que desabrocham somente para adornar um instante e, depois, entregam ao vento a sua última fragrância.
AMADA (a voz se afastando, quase confundida com o rumor das ondas):
Então espera...
Espera-me como esperaste o retorno impossível. Espera-me até que as ondas levem a última chama que ainda te arde no peito.
Porque, quando a brisa cessar e a noite recolher seus últimos murmúrios, nós três seremos apenas um só sopro — indivisível, silencioso — respirando eternamente no coração de Deus.
NARRADOR (em lágrimas, contemplando o mar):
Eu esperarei.
Pelo filho que partiu.
Por ti, meu eterno amor.
Esperarei enquanto houver mar, enquanto houver lua, enquanto alguma estrela se atrever a permanecer acesa sobre estas águas.
E, quando a última brisa me levar...
quando a areia apagar meus passos...
quando já não houver voz capaz de chamar por ninguém...
restará apenas o mistério.
E talvez, no centro desse mistério, eu finalmente encontre vocês dois.

Sentir os detalhes:

O vento atravessando o corpo,
o sol aquecendo em uma manhã fria,
a lua brilhando e fazendo sonhar com um amor,
o abraço que faz carinho na alma,
a flor que envolve delicadamente com o seu perfume.
Porque, às vezes, a felicidade mora nas coisas simples,
nos instantes que passam despercebidos,
e é na delicadeza de cada pequeno encanto
que a vida, silenciosamente, floresce em mim.

Priscila de Araújo

Te amar dói


Eu te amo de um jeito que não sei explicar, como o mar ama a lua, sem poder tocar, como a noite abraça a luz do luar, como quem nasceu para ficar, mas precisa se afastar.


O meu coração te procura em silêncio, mesmo quando estar contigo me causa tormento. É que teu abraço é meu lugar preferido, mas é nele que sinto o amor mais doído.


Porque te amar é a parte mais bonita, mas estar perto de ti é uma dor infinita. É sorrir com os olhos, enquanto a alma chora, é querer que o tempo pare e desejar ir embora.


É ter você tão perto, podendo te sentir, e, ainda assim, sentir que estou prestes a te perder. É querer morar nos teus braços para sempre, mas saber que esse amor pode me destruir lentamente.


E eu não sei como se esquece alguém que o coração escolheu amar tão bem. Não sei como fugir de quem me faz querer ficar, nem como ficar perto sem, aos poucos, me quebrar.


Eu te amo. E talvez esse seja o meu castigo: querer você perto, mesmo sofrendo contigo. Porque a distância me mata, mas a proximidade também… E, no fim, dói te amar tanto sem saber se esse amor me faz bem.

O Sol, a Lua e Eu ☀️🌜


Já era adolescente.


Sabia exatamente o que desejava, embora talvez não soubesse o motivo...


Meu pai me perguntou o que eu queria e disse que me daria qualquer coisa.


Duvidei, é claro...


E, talvez por já carregar dentro de mim um certo fascínio pelo impossível, respondi sem pensar muito:


— Eu quero a Lua. 🌜


Como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo, respondeu:


— Tá bom. De hoje em diante, a Lua é sua.


Sorri.


Agradeci.


E, nesse momento, ele tentou me testar. Talvez a minha sanidade ou a dele, não sei, e completou:


— Vai lá pegar a sua Lua.🌜


Olhei para o céu e respondi:


— Não precisa. Gosto dela assim, exatamente como e onde está.


E, sabendo que ela é minha agora, ela se tornou ainda mais bonita.


Talvez porque as coisas não precisem nos pertencer para serem nossas.


Talvez porque o amor nunca tenha sido posse.


Talvez porque a beleza exista justamente na distância que nos permite admirá-la.


Sempre achei que tudo possui um lugar, um tempo e uma lógica.


Não preciso mexer nas obras de Deus. Elas são perfeitas. Até uma flor que se arranca precisa de um motivo, uma razão, uma circunstância; caso contrário, é matar em vão.


Desde então, sempre disse que a Lua era minha.


A minha Lua.🌜


Livre.


Inteira.


Brilhando para todos.


O que eu não sabia era que sempre fui a própria Lua.


Nasci Lua.


Cresci Lua.


Era a Lua da família...


Admirava-a através das grades da janela, como um segredo absoluto...


E, enquanto outras pessoas corriam em direção ao Sol, eu me recolhia.


O Sol queimava minha pele.☀️


Fazia meus olhos arderem.


Seu brilho intenso me incomodava.


E, sem perceber, passei boa parte da vida tentando me esconder.


O que não entendia era que precisava dele para viver.


Afinal, a Lua não existe sem o Sol.


Seu brilho não nasce dela.


É reflexo.


É encontro.


É dança silenciosa entre opostos que parecem distantes, mas que dependem um do outro.


Porque talvez, só talvez, sem a presença da Lua, o Sol também não tivesse motivo para existir.


Porque há luzes que brilham sozinhas.


E há luzes que só descobrem a própria grandeza quando encontram algo digno de iluminar.☀️🌜

Romance Lunatic o

O Sol guardava a Lua debaixo da língua.
Por isso, ao anoitecer,
sua voz se tornava prata.
Ela lhe escrevia nas costas dos pássaros,
mas as cartas chegavam cheias de inverno.
Um dia, a saudade quebrou os relógios.
O Sol atravessou a noite descalço,
a Lua abriu uma porta em pleno fogo,
e os dois se abraçaram tão devagar
que ainda hoje
o horizonte não conseguiu fechar os olhos.


Descrição:

Este poema transforma o amor entre o Sol e a Lua numa experiência em que a saudade consegue alterar as leis do universo. Os dois representam aqueles que se amam, mas encontram na distância ou no tempo uma dificuldade para viver esse sentimento.
Quando “o Sol guardava a Lua debaixo da língua”, a imagem sugere um amor íntimo, mantido no lugar onde nascem as palavras, como um nome que se deseja pronunciar. Sua voz se tornar prata mostra que a presença da pessoa amada transforma até a maneira de se expressar: o Sol passa a carregar algo da Lua dentro de si.
As cartas escritas “nas costas dos pássaros” representam a tentativa de atravessar a distância. Elas chegarem “cheias de inverno” sugere a demora, a ausência do abraço e a tristeza que acompanha uma mensagem quando ela não pode trazer consigo quem a escreveu.
A mudança acontece quando “a saudade quebrou os relógios”. Nesse instante, o desejo de encontro ganha força para romper o tempo que os separava. O Sol atravessa a noite descalço, numa imagem de entrega e vulnerabilidade; a Lua abre uma porta no fogo, criando uma passagem onde parecia impossível entrar.
O abraço final se prolonga além de qualquer medida. Ao dizer que “o horizonte não conseguiu fechar os olhos”, o poema transforma a paisagem numa testemunha encantada. O encontro permanece suspenso, como se o universo quisesse continuar olhando. É essa a liberdade surrealista do texto: dar corpo à saudade e permitir que um amor, antes separado pelas horas, invente o próprio instante de existir.

A Lua e o Feminino


A Lua, com suas diferentes formas através de suas fases, sempre despertou fascínio e mistério.


Ela é um símbolo de transformação, mutação e renovação, capaz de despertar a imaginação e a espiritualidade de diferentes povos, culturas e épocas.


Muitos ainda acreditam que a Lua possui luz própria. Mas seu brilho é, na verdade, um reflexo da luz do Sol — uma doação de amor entre dois corpos celestes que, em equilíbrio, iluminam a escuridão.


A Lua é como a esposa, a mulher. Representa o sagrado feminino, ligado aos ciclos, à fertilidade, às marés, ao plantio, à colheita e aos ciclos menstruais.


Os antigos observavam atentamente seus movimentos. Antes dos calendários que conhecemos hoje, os ciclos da Lua serviam como referência para medir o tempo e organizar diferentes atividades da vida.


O ciclo lunar, com aproximadamente vinte e nove dias e meio, também guarda uma forte simbologia com o ciclo menstrual, fazendo da Lua um dos grandes símbolos da natureza feminina e de seus processos de transformação.


Por seu conhecimento dos ciclos da natureza, muitas mulheres se tornaram importantes conselheiras dentro de suas comunidades, orientando sobre os períodos adequados para o plantio, a colheita e até mesmo para as caçadas.


Em tempos antigos, dentro da visão que essas tradições preservam, masculino e feminino caminhavam em parceria. Enquanto alguns cuidavam da caça e do cultivo da terra, outros administravam o lar, observavam os ciclos da natureza e compartilhavam seus conhecimentos com a comunidade.


Havia uma relação de respeito e cooperação, guiada pela compreensão de que cada pessoa possuía uma função dentro do equilíbrio da vida.


As antigas celebrações também estavam profundamente ligadas à natureza, às estações do ano e às fases da Lua. Eram momentos de encontro, agradecimento e celebração, nos quais a energia e a intenção do coletivo eram direcionadas ao universo.


O masculino e o feminino, juntos, seguindo os ciclos da natureza e a orientação da Grande Deusa, a Mãe Terra.


Mas, com o passar do tempo, a imposição, o medo e as más intenções afastaram parte da humanidade dessa percepção de espiritualidade e conexão com a natureza.


Hoje, muitas pessoas celebram tradições sem sequer conhecer sua origem ou compreender por que determinados costumes existem.


E talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes perdas: quando repetimos sem compreender, celebramos sem conhecer e seguimos sem questionar.


Ah, povo de Deus... se pudéssemos compreender a verdadeira causa de tanto sofrimento.


Vivemos em um mundo de tanta abundância e, ainda assim, muitas vezes escolhemos ouvir apenas aquilo que nos é imposto, contentando-nos com pequenas migalhas de conhecimento enquanto permanecemos presos à ignorância.


Talvez seja preciso voltar os olhos para aquilo que sempre esteve diante de nós:


a Lua, a Terra, os ciclos, a natureza e o conhecimento que nossos ancestrais encontraram ao observar o mundo.


Porque, quando aprendemos novamente a olhar para o céu, talvez também comecemos a enxergar aquilo que existe dentro de nós.

A lua daqui

Eu não vou mentir: por onde quer que eu vá, sinto que o luar nunca é igual ao de minha cidade, Apodi. Aqui não há montanhas gigantes, nem encostas que façam o luar ser único. Mas, no Calçadão da Lagoa do Apodi, na parte meridional da cidade, a lua se matiza de prata, refletindo sobre a água como se o céu tivesse derramado um bujão de gás luminoso. Ela fica tão reluzente que encanta, apaixona e já fez gente simples se tornar famosa só por morar na cidade da lua platinada.

Percebo que as grandes cidades, com suas selvas de pedra ou litorais recortados por ilhas, nem de longe produzem luas como a daqui. Nossa jaci é uma verdadeira belezura: casais se enamoram e até brigam, mas, ao perceberem o luar, desarmam-se das intrigas e voltam a se amar.

Aqui nem pensar em lobisomens. Pelo contrário, o que a lua enfeitiça são os gatos, que deixam de ser apenas gatos e ganham nomes dignos de celebridade: Nâno, Tufão, Fábio Assunção, Nega Véia, Melissa Mel, Florinda, Bob Mel, Frida Mel, Pedro de Canoanés, Ceguinha, Morcego e até Paulo Jorge. Longe de quererem se tornar feras, eles só se deixam encantar. E, assim como nossos felinos se transformam em personagens, nossa cidade carrega consigo uma rica gama de apelidos, que vão desde as crianças até os idosos, passando por todos que têm história e memória por aqui.

A lua daqui parece tornar nosso povo ainda mais hospitaleiro, e quem bebe da água de Apodi tende a não sair jamais, encantado pelo luar, pela lagoa e pelo calor silencioso da nossa gente.

O dia em que Vênus encontrou a Lua,
ambos incandescentes.
Não era uma Lua minguante,
e sim uma Lua crescente.
Apareceram quando o Sol se escondia,
no poente.
Conjunção inconfundível,
atraente.
Nunca tinha visto um planeta,
nem mesmo numa luneta.
Mas agora, vejas tu,
eu posso ver Vênus,
não pela luneta,
mas sim a olho nu.
Registrei no meu olhar
e, depois, na fotografia,
uma imagem rara.
Eu nem sabia que existia.
E ali, logo abaixo, Júpiter,
tímido diante da luz reluzente da dupla que brilhava e reluzia.

Caminhar Cigano 💃


Caminhe sob a luz do Sol,
da Lua e das Estrelas;


com a leveza da Brisa
e a impetuosidade do Vento;


com a solidez e a força da Terra;


com o frescor,
a fluidez e a fertilidade da Água;


com o ardor e a coragem do Fogo;


e siga sempre caminhando
com gratidão na alma,
amor no coração
e paz nos pensamentos.


Caminhe cantando
e dançando
que a tristeza,
para longe de ti,
vai caminhar.


Que seus caminhos sejam livres,
seus passos firmes
e sua alma leve.


Que a Estrada lhe ensine,
que o Vento lhe conduza,
que a Terra lhe sustente,
que a Água lhe renove,
que o Fogo lhe fortaleça
e que o Céu jamais deixe
de iluminar seus caminhos.


✍@MiriamDaCosta

Sol e Lua, fogo de amor e escuro de lado


Uma vez, a Lua olhou para o Sol e lhe perguntou:


— Ô, Sol, troque de lugar comigo uma vez e verá o inferno que eu sofro.


O Sol lhe respondeu:


— Ah, você nunca falou comigo antes. Na realidade, ninguém nunca falou comigo antes. Pois o planeta com vida mais próximo de mim é o planeta com vida mais longe de mim.


A Lua, inquietante, retornou sua pergunta:


— Sol, queres trocar de lugar comigo?


E o Sol respondeu:


— Não, estou bem em minha solidão vasta. Afinal, sou quente, diferente de você, que és gelada. Onde tem fogo, ninguém pisa. Onde tem mistério, todos querem desvendar.


A Lua não se enfureceu. Ela só disse seus problemas para o Sol:


— Meu amigo, ainda não sei como estou viva. Eles dizem que sou domínio deles. Eles brigam para pisar em mim, ameaçam-se matar uns aos outros. E eu vejo isso com olhos atentos, esperando que algo aconteça, mas nunca acontece. Outros proclamam a paz e muito a guerra.


O Sol lhe responde:


— Que bom, você tem algo a ver. O máximo que eu consigo enxergar são os asteroides passando por cima de mim e na minha frente. Na realidade, eles nunca passam por mim. Quando um está vindo, ele evapora. Meu calor é tão grande que o planeta mais próximo de mim se tornou pequeno.


A Lua se cala por exatamente doze anos humanos.


Se passou o tempo.


A Lua e o Sol não conversavam, até que a Lua retornou e fez a mesma pergunta que fez na primeira conversa:


— Sol, lhe suplico, por favor, troque de lugar comigo, pelo menos um único dia. Quero descansar de tudo isso.


E o Sol lhe responde:


— Oh, jovem, querias muito, mas, para aquele que viveu solitário por toda a sua vida, ver pequenos seres seria uma maravilha. Mas logo ficaria chato.


E a Lua retruca:


— Para quem vê eles todos os dias, pelo menos um dia seria bom.


E o Sol rebate:


— Os outros dias seriam inquietantes e você pensaria em voltar.


A Lua não se cala. Ela volta e pede novamente:


— Sol, por favor, se compadeça de mim e troque de lugar, pelo menos duas horas, três segundos. Quero respirar desses humanos. Eles pensam que sou objeto.


Riu o Sol:


— Jovem, queria ter esse direito de escolha que você tem. Se sair daqui, os planetas fogem. Imagine um homem malhado e caminhões amarrados por cordas que vão às mãos do moço. Se ele fizer um pouco mais de força, o caminhão mais próximo dele é devorado. Se ele levar a mão a ser leve, o mais distante foge. Aproveitas quando pode. Sua única missão é proteger criaturas.


Mas a Lua retruca:


— É melhor dar minha vida para proteger, digo, para segurar planetas, do que proteger criaturas que pouco a pouco vão me destruir.


O Sol responde:


— Não lhe entenda mal. Esses humanos fazem isso porque, bem, está em sua natureza. Quando eu fui criado, foi para uma missão. E quando tu foste criada, foi para outra missão. Lua, não se desfaça deles. Acreditas que é em eles, mesmo eles querendo lhe derrotar. Bem, voltando à sua pauta, se eu fosse aí, tudo o que estivesse em minha frente seria destruído.


A Lua então pede novamente:


— Por favor, Sol, troque de mim. Esse fado me deixa. Para mim parece mais tranquilo.


E o Sol lhe responde:


— Se eu fosse aí, este planeta seria minha Lua. Ou nem existiria. Para ele, eu sou como a menor das formigas olhando para uma baleia-azul, a maior de sua espécie.


— Nossa, o planeta dele é tão pequeno assim? — exclamou a Lua.


— Aos teus olhos, eles são grandes. Aos meus, eu nem enxergo.


A Lua cita:


— Mas aqui tu és tão pequeno. Se parece com meu tamanho.


E o Sol lhe diz:


— Veja como a vista engana. Eu sou um milhão de vezes maior do que a Terra, talvez um trilhão, um quilhão.


A Lua se surpreendeu. Talvez, naquele momento, ela tenha entendido que o Sol nunca foi abençoado com sua solidão.


Ela deu uma última olhada aos homens e, para que não aperreasse o Sol novamente, chorou sem que os pequeninos a vissem.


Ela girou seu rosto ao lado escuro do espaço.


E assim, as estrelas que brilhavam distantes perguntaram a ela:


— Ô, Lua, por que choras do lado mais obscuro do espaço? Do outro é melhor, tem luz.


E a Lua responde às estrelas:


— Se olhar para lá, vou ver a minha dor, que faz eu chorar. Vendo vocês, de certa forma consigo paz.


As estrelas olham para a Lua e dizem novamente:


— Estamos tão longe umas das outras. Somos tão grandes, mas ainda não conseguimos nos tocar. E conversamos como se não houvesse leis que proibissem nosso diálogo, de tão distante. Olha, Lua, se pudéssemos ver esses moços destruindo pelo menos uma lata, adoraríamos. Mas estamos distantes. Você deveria estar orgulhosa de ter na posse de seu território o único planeta com vida.


— E, na realidade, você chora. Entendemos, claro. Eles lhe destroem por fora. Mas lembre-se: tu és uma rocha brilhante à noite. E eles são carne e osso. Também somos luz, luz distante.


Mas a Lua exclama:


— É porque não são vocês no meu lugar. Se fossem, já teriam pedido a rico.


Então uma estrela velha lhe disse:


— Sabia que muitas de nós já estão mortas?


A Lua questiona:


— Por quê?


E responde a estrela:


— Para que a nossa luz chegasse a eles, demora milhões, até mesmo trilhões de anos. E, até lá, nosso fado já morre. Aqui lhe falo que minha vida se vai. O que começa contigo não é minha matéria, é minha luz. O espaço é tão vasto que qualquer planeta com vida deve ser vangloriado.


A Lua fala novamente:


— Sinto pena de vocês. Mas, se estivesse no meu lugar, preferiam ficar isoladas umas das outras?


E a estrela diz:


— Está vendo aquela grande estrela ali? Ela que mantém tudo vivo. Se ela pelo menos se mexer um pouco para trás ou um pouco para frente, tudo o que seu olho ver desaparece.


— Por quê? — disse a Lua.


— Consulte-lhe — diz a estrela.


E a estrela, com rapidez, lhe responde:


— Oras, não vê? Ela é grande porque ela tem tantas densidades que os outros planetas se acolhem nela. Imagine que ela é sua mãe ou seu pai. Ficará melhor como pai? Ele é o Sol, no caso. Quando tu estás triste, quem lhe levanta? Seu pai. Claro, às vezes, como, por exemplo, nós, asteroides, não temos pais. Temos criador.


A Lua pensa, agradece e retorna ao seu rosto aos humanos e dá-lhes novamente um bom dia ao Sol.


Fim.Sol e Lua, fogo de amor e escuro de lado


Uma vez, a Lua olhou para o Sol e lhe perguntou:


— Ô, Sol, troque de lugar comigo uma vez e verá o inferno que eu sofro.


O Sol lhe respondeu:


— Ah, você nunca falou comigo antes. Na realidade, ninguém nunca falou comigo antes. Pois o planeta com vida mais próximo de mim é o planeta com vida mais longe de mim.


A Lua, inquietante, retornou sua pergunta:


— Sol, queres trocar de lugar comigo?


E o Sol respondeu:


— Não, estou bem em minha solidão vasta. Afinal, sou quente, diferente de você, que és gelada. Onde tem fogo, ninguém pisa. Onde tem mistério, todos querem desvendar.


A Lua não se enfureceu. Ela só disse seus problemas para o Sol:


— Meu amigo, ainda não sei como estou viva. Eles dizem que sou domínio deles. Eles brigam para pisar em mim, ameaçam-se matar uns aos outros. E eu vejo isso com olhos atentos, esperando que algo aconteça, mas nunca acontece. Outros proclamam a paz e muito a guerra.


O Sol lhe responde:


— Que bom, você tem algo a ver. O máximo que eu consigo enxergar são os asteroides passando por cima de mim e na minha frente. Na realidade, eles nunca passam por mim. Quando um está vindo, ele evapora. Meu calor é tão grande que o planeta mais próximo de mim se tornou pequeno.


A Lua se cala por exatamente doze anos humanos.


Se passou o tempo.


A Lua e o Sol não conversavam, até que a Lua retornou e fez a mesma pergunta que fez na primeira conversa:


— Sol, lhe suplico, por favor, troque de lugar comigo, pelo menos um único dia. Quero descansar de tudo isso.


E o Sol lhe responde:


— Oh, jovem, querias muito, mas, para aquele que viveu solitário por toda a sua vida, ver pequenos seres seria uma maravilha. Mas logo ficaria chato.


E a Lua retruca:


— Para quem vê eles todos os dias, pelo menos um dia seria bom.


E o Sol rebate:


— Os outros dias seriam inquietantes e você pensaria em voltar.


A Lua não se cala. Ela volta e pede novamente:


— Sol, por favor, se compadeça de mim e troque de lugar, pelo menos duas horas, três segundos. Quero respirar desses humanos. Eles pensam que sou objeto.


Riu o Sol:


— Jovem, queria ter esse direito de escolha que você tem. Se sair daqui, os planetas fogem. Imagine um homem malhado e caminhões amarrados por cordas que vão às mãos do moço. Se ele fizer um pouco mais de força, o caminhão mais próximo dele é devorado. Se ele levar a mão a ser leve, o mais distante foge. Aproveitas quando pode. Sua única missão é proteger criaturas.


Mas a Lua retruca:


— É melhor dar minha vida para proteger, digo, para segurar planetas, do que proteger criaturas que pouco a pouco vão me destruir.


O Sol responde:


— Não lhe entenda mal. Esses humanos fazem isso porque, bem, está em sua natureza. Quando eu fui criado, foi para uma missão. E quando tu foste criada, foi para outra missão. Lua, não se desfaça deles. Acreditas que é em eles, mesmo eles querendo lhe derrotar. Bem, voltando à sua pauta, se eu fosse aí, tudo o que estivesse em minha frente seria destruído.


A Lua então pede novamente:


— Por favor, Sol, troque de mim. Esse fado me deixa. Para mim parece mais tranquilo.


E o Sol lhe responde:


— Se eu fosse aí, este planeta seria minha Lua. Ou nem existiria. Para ele, eu sou como a menor das formigas olhando para uma baleia-azul, a maior de sua espécie.


— Nossa, o planeta dele é tão pequeno assim? — exclamou a Lua.


— Aos teus olhos, eles são grandes. Aos meus, eu nem enxergo.


A Lua cita:


— Mas aqui tu és tão pequeno. Se parece com meu tamanho.


E o Sol lhe diz:


— Veja como a vista engana. Eu sou um milhão de vezes maior do que a Terra, talvez um trilhão, um quilhão.


A Lua se surpreendeu. Talvez, naquele momento, ela tenha entendido que o Sol nunca foi abençoado com sua solidão.


Ela deu uma última olhada aos homens e, para que não aperreasse o Sol novamente, chorou sem que os pequeninos a vissem.


Ela girou seu rosto ao lado escuro do espaço.


E assim, as estrelas que brilhavam distantes perguntaram a ela:


— Ô, Lua, por que choras do lado mais obscuro do espaço? Do outro é melhor, tem luz.


E a Lua responde às estrelas:


— Se olhar para lá, vou ver a minha dor, que faz eu chorar. Vendo vocês, de certa forma consigo paz.


As estrelas olham para a Lua e dizem novamente:


— Estamos tão longe umas das outras. Somos tão grandes, mas ainda não conseguimos nos tocar. E conversamos como se não houvesse leis que proibissem nosso diálogo, de tão distante. Olha, Lua, se pudéssemos ver esses moços destruindo pelo menos uma lata, adoraríamos. Mas estamos distantes. Você deveria estar orgulhosa de ter na posse de seu território o único planeta com vida.


— E, na realidade, você chora. Entendemos, claro. Eles lhe destroem por fora. Mas lembre-se: tu és uma rocha brilhante à noite. E eles são carne e osso. Também somos luz, luz distante.


Mas a Lua exclama:


— É porque não são vocês no meu lugar. Se fossem, já teriam pedido a rico.


Então uma estrela velha lhe disse:


— Sabia que muitas de nós já estão mortas?


A Lua questiona:


— Por quê?


E responde a estrela:


— Para que a nossa luz chegasse a eles, demora milhões, até mesmo trilhões de anos. E, até lá, nosso fado já morre. Aqui lhe falo que minha vida se vai. O que começa contigo não é minha matéria, é minha luz. O espaço é tão vasto que qualquer planeta com vida deve ser vangloriado.


A Lua fala novamente:


— Sinto pena de vocês. Mas, se estivesse no meu lugar, preferiam ficar isoladas umas das outras?


E a estrela diz:


— Está vendo aquela grande estrela ali? Ela que mantém tudo vivo. Se ela pelo menos se mexer um pouco para trás ou um pouco para frente, tudo o que seu olho ver desaparece.


— Por quê? — disse a Lua.


— Consulte-lhe — diz a estrela.


E a estrela, com rapidez, lhe responde:


— Oras, não vê? Ela é grande porque ela tem tantas densidades que os outros planetas se acolhem nela. Imagine que ela é sua mãe ou seu pai. Ficará melhor como pai? Ele é o Sol, no caso. Quando tu estás triste, quem lhe levanta? Seu pai. Claro, às vezes, como, por exemplo, nós, asteroides, não temos pais. Temos criador.


A Lua pensa, agradece e retorna ao seu rosto aos humanos e dá-lhes novamente um bom dia ao Sol.


Fim.

ENTRE A LUA E O SEGREDO


Há quem goste da Lua,
eu gosto do que ela esconde.
Do silêncio que ilumina,
mas nunca revela de onde
vem aquilo que se sente
quando ninguém está olhando.


Há quem prefira o Sol,
eu prefiro o seu calor.
E talvez seja por isso
que eu tenha tanto medo do amor:
porque algumas coisas aquecem
antes mesmo de serem chamadas de amor.


Tem o café,
sempre quente entre as mãos,
e aquele gosto amargo
que guarda doces intenções.
Tem livros abertos sobre a mesa,
páginas cheias de histórias,
enquanto uma coruja observa
como quem conhece todos os mistérios
que eu ainda não tive coragem de contar.


Talvez seja no ensino
que eu tenha aprendido a esconder.
Ensinar palavras,
ensinar caminhos,
ensinar tantas coisas...
menos a mim mesma
a explicar o que sinto.


E existem as crianças,
com seus olhos sinceros,
que ainda não aprenderam
a disfarçar sentimentos.
Talvez por isso eu tenha medo delas:
porque criança pergunta,
percebe,
e às vezes enxerga
o que adulto passa a vida tentando esconder.


Há girassóis,
que insistem em procurar o Sol.
E há orquídeas,
que florescem em silêncio,
como certos sentimentos
que ninguém vê nascer,
mas que, quando percebidos,
já criaram raízes.


E então existe você.


Sem explicação.
Sem aviso.
Sem motivo que eu consiga nomear.


Eu apenas sinto.


E talvez esse seja o meu maior segredo:


não ter medo de sentir,
mas de descobrirem
por quem eu sinto.


Porque se alguém perguntar,
talvez eu fale da Lua.
Do Sol.
Do café.
Dos livros.
Das flores.
Das crianças.
Do ensino.
Da coruja...


Falarei de tudo,


menos de você.


Porque existem sentimentos
que não precisam ser confessados
para serem verdadeiros.


Alguns só precisam
continuar florescendo
onde ninguém consegue ver.

Quando a noite escura se aproxima,
logo a chama ardente vem.


Num quiosque qualquer, vejo a lua brilhante.
Dá-me a sensação de quem?
Do sopro quente do teu cigarro,
das pessoas que andam cá pela noite.


Perco-me num fraseado de memórias boas.
Ela esconde-se como se tivesse medo,
vergonha das nuvens que a rodeiam.


Noite tão escura,
que qualquer fonte de luz me alumeia
perante a imensidão que haverá de ter.


Sozinho, repenso no sopro de uma luminária sem lume,
como se a madrugada não fizesse parte de mim.


Das cinzas, renasce a nova chama,
ardente e formosa.


Surge um torpedo,
surge a elegância
desta noite tão oblíqua.


Não tenho nada,
nada para mostrar.


Perco-me outra vez
num mar infinito de lembranças más,
com um significado feliz.


Ricardo Mendes - 2026

Saudade de Você, Lua


Em uma noite de Lua cheia
Me pego pensando em você,
E que saudade eu sinto
Saudade de me perder nas palavras que você dizia,
De suas invasões em meu lar,
Saudades das tardes em que conversávamos sobre tudo e sobre nada.


Me pego olhando para lua e pensando em você,
Todos os meus pensamentos foram tomados por ti,
Minha cabeça e meu coração entram em confusão,
E tudo o que consigo me lembrar,
Tudo o que consigo pensar,
E tudo o que consigo dizer é que sinto sua falta,
Então volte,
Eu odeio dizer isso, mas eu estava errada,
Eu estava enganada,
Volte para casa, volte para mim.

Lua ou Arco-íris

Qualquer um que me perguntasse no que penso
Eu diria seu nome
Porque a saudade invadiu todos os meus sentidos
E agora não consigo pensar em outra coisa senão você
Olho para as mensagens antigas
Querendo que você me mande uma, apenas uma
E eu me pergunto se responderia
Ou se novamente meu orgulho me trairia
Eu te quero perto novamente,
Mas de que adianta falar?
Se isso não acontece imediatamente.


A vida já não é a mesma desde que você saiu
Ela parece... como algo que esbarrei e caiu
Ela parece sem cor, como se você, quando ainda estava aqui a pintasse
Será que não é mesmo isso?
Era você?
Que colocava em meu coração todas as emoções boas ao te ver?
Você que as vezes me fazia perder a paciência sem querer?
Era você que me lembrava das coisas boas de em viver?
Acho que foi você, que este buraco deixou
Não entende o estrago que fez, mesmo sem intenção?
Meu coração anseia pela sua volta sem pretensão.
Só peço que volte, que volte e me perdoe
Mas sou orgulhosa de mais para pedir
Para me ajoelhar, e lhe implorar.