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Textos sobre Carnaval que capturam a magia dessa festa

O CARNAVAL QUE VIVE EM MIM

Dentro de mim, vive uma escola de samba,
que é puro carnaval!
Na bateria, o coração, que arrebenta
com seu tum-tum-tum imperial!

Nas veias, com emoções à flor da pele,
a Ala das Paixões, contagia.
Na Ala das Travessuras e Aventuras,
a falta de juízo é só alegria.

Já a Ala do Bom Senso, meio que tímida,
vai passando, observadora.
Enquanto a Ala da Meninice,
vai surgindo encantadora!

Eis que brilha a Ala da Peruísse,
cheia de glitters e purpurinas.
E em seguida a Ala da Vaidade,
deslumbra com suas fantasias!

A Ala do Bom Humor,
faz a platéia incendiar.
E que rodem as baianas
quando o bicho for pegar!

E é carnaval o ano todo,
me guiando da cabeça aos pés.
Mas é tão bonita a minha escola
que todo ano é nota dez!

Inserida por MellGlitter

O CARNAVAL

Assisto a pobre alma pelo relampejar da fantasia, tentativa frustada de preencher o vácuo individual.

Assisto o pobre habitantante da região em gigantesca agitação, refúgio interior do imenso conflito.

Assisto ainda muitas almas a se consumir pela a acanhada alegria surperficial, mas era de se esperar.

O indivíduo é imensamente simples ao tentar se descobrir em penachos e paetês, intensa demonstração de desgastado coração.

São os momentos temporais que fazem o momento afortunado, ou apenas originam a traiçoeira ilusão de alucinado prazer.

Existem os que se libertam ao amanhacer sem nada temer, mesmo sem esquecer a miséria de sua alma.

Necessito lembrar que existem apenas os que lamentam as suas misérias interiores a cada folia, alfinetando a falsa alegria, que as consomem a cada quarta-feira de cinzas.

Inserida por JorgeMello

É carnaval. O grande circo está empilhado de BICHOS, e os PALHAÇOS desempenham as suas tarefas, - cada uma mais bizarra que a outra. Uns gargalham a humilhar em suas piadas; outros, gemem em gargalhadas e gritos, e prantos, e dor. Mas haverá sempre uma quarta feira de cinzas para apagar as chamas de uma Fogueira Santa da esperteza, ilusão e sofrimento.
(evangelista da silva)

Inserida por Rjevangelista

O carnaval está chegando,
é tempo de diversão,
pessoas de toda idade,
em uma só curtição,
mas eu vou ficar de fora,
só na observação.
-
aquí eu deixo um recado,
prá toda a rapaziada,
que fiquem longe das drogas,
pois isso não leva a nada,
vão cheirar mulher bonita,
e beber cerveja gelada.
-
que brinquem tranquilamente,
num carnaval animado
respeite o seu semelhante,
prá também ser respeitado,
na quarta feira de cinza,
a festa tem encerrado.

Inserida por wanderleibatista

(Um Carnaval Qualquer)

Só sei para, pensar, recordar, e escrever bobagens pra um carnaval qualquer te encontrar por ai. Dançado vibrando sorrindo ou chorando. Vendo-te de longe assim como quem não quer nada ou nunca quis e sem sabe por que quis um dia. Caindo pelas esquinas e dizendo a si mesmo "eu cheguei aqui só e assim irei ficar". Só para te encontrar em um carnaval qualquer.

Inserida por Thiagovds

Carnaval no Guarujá.

O carnaval é uma festa pública originária da Grécia de meados de 600 a 520 a.C.
Por incrível que pareça, passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 520 d.C. como “adeus à carne” daí o nome “carne vale”.
O carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX.
A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas.
De um tempo para cá, principalmente no Brasil, o carnaval é muito mais lembrado como Sodoma e Gomorra, pelos excessos sexuais e etílicos. E nem se fale de adeus à carne porque o que mais se vê são churrascos antes, durante e depois da festa, o que custa aos cofres públicos um dinheiro que não existe para contratar médicos, aparelhar hospitais e minorar o sofrimento da maioria daqueles foliões que gastam grande parte dos salários de muitos meses para aparecerem como pequenos pontos coloridos nos desfiles das escolas de samba.
O carnaval está mais para circo do que para festa, pelo tamanho da palhaçada que os administradores do dinheiro público fazem.
Há verbas de todos os tipos, com todos os nomes e sempre para os mesmos bolsos. Não se vê gente séria envolvida com essa palhaçada porque se era ou foi sério algum dia deixa de sê-lo quando alguém é homenageado, agraciado, paparicado ou qualquer outro nome que se dê a tamanha insuflação do ego.
Nos próximos dias vamos ler no Diário Oficial do Município o tamanho das verbas destinadas ao carnaval e os gastos com a montagem dos palanques. Os mesmos palanques usados para as campanhas eleitorais, os mesmos cabos eleitorais, os mesmos foliões com o dinheiro público.
E os hospitais? Bem isso é para nós, os palhaços de sempre!
Isso é fantástico!

Inserida por marinhoguzman

Antônimos...



Fazes impune a festa de seu carnaval
Leve, pés que quase não tocam o chão
Delicados, flutuam no compasso
De meu insano e apaixonado coração


Sem planos de ser aclamada ou quista
Com teu olhar fitando o vago vazio chão
Estrela da noite, quiçá, a mais bela que há
Metade brilho, metade cais e solidão


Voas no ritmo, com o passar dos janeiros
Atriz, dona dos suspiros de minha alma
Tens de mim o reverso de cada meu verso
Quase santo, quase herege, em mim imerso


Me tomo por desabitado em minha natureza
Fico a admirar-te, capitã de meu lamento
E parto, estradeiro, cafuzo, sem norte
Me entregando silente ao revés da sorte

Inserida por mucio_bruck

se apresente CARNAVAL, traga a folia
venha de alma pintada, purpurina
chegue, ornado de samba e alegria
tire a tristura de sua rotina
que venha mais ousadia
mas, sem pressa
passe tal as marchinhas
que seja bom à beça
nas ruas ou pracinhas
beijos e calor
ritmos e promessa
e os segredos: - de amor
na quarta feira de cinzas, á Deus
o que resta
afinal!
fevereiro! é festa
é carnaval!...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/fevereiro/2020 - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

"Vamos viver

Vamos viver no Carnaval e em todos os dias de nossas vidas, como protagonistas que somos nesse surpreendente e esplêndido espetáculo que é a vida, com leveza, doçura, com humildade, com solidariedade, com o brilho divino, com um colorido inigualável e com uma pitada intensa de amor."

Inserida por teresa_kodama

OUTRO CARNAVAL

Longe do agitado turbilhão da rua
Eu, num oco silêncio e aconchego
Do quarto, relembro, num sossego
Os carnavais com a folia toda nua

Mas a saudade palia de desapego
De desdém, mas numa trama sua
De tal modo que a solidão construa
Lembranças, e assim eu fique cego

Teima, lima, este fantasiado suplício
Dum folião, com o seu efeito de ter
Que no tempo não tenho mais início

Porque a disposição, gêmea do querer
A alegria pura, tão inimiga do artificio
Agora é serenidade e fleuma no viver...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
21 de fevereiro de 2020, Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Inserida por LucianoSpagnol

A festa já acabou

É carnaval,
E a minha alma pula, inquieta,
Sem paz.

É carnaval,
E as alegrias só restaram nos carros alegóricos,
Nos enfeites brilhantes,
Nos comas alcoólicos.

É carnaval,
E as alegrias só ficaram
Nos instantes, efêmeros,
Intervalos
De dor.

É carnaval,
E a banda passa,
E a vida passa,
Diante dos seus olhos.


Acabou-se o carnaval,
E só restaram os confetes,
No chão.

Inserida por bittencourtlarissa

CARNAVAL

Final de carnaval, rasgam-se as fantasias.
Isso virou tradição,amores de carnaval
também se vão.

Talvez, no outro carnaval voltem a se encontrar
e da mesma forma brincar para depois se despedirem.

Hoje, os amores em sua maioria são iguais aos de folia,
mal começam já acabam como o carnaval, são apenas euforia.

Amor real, brinca o carnaval,vive a páscoa,comemora o natal,
e espera o outro carnaval.


Roldão Aires

Membro Honorário da Academia Cabista
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E

Inserida por RoldaoAires

E agora é carnaval
e agora é só folia,
no meio dos seus problemas, você encontra alegria.

Tudo agora é festa,
festa que contagia,
que empurra os seus pesadelos para baixo de uma alegoria.

E agora você se prepara pra se divertir, pra aproveitar.
E agora você só repara no que vai vestir, no que vai postar.

E no meio da multidão, com tanta música e tanta diversão, você vai parar e você vai lembrar que talvez a solidão te espere em casa quando voltar.

E no meio de tantas fantasias, você vai brincar de ter felicidade e relembrar, durante quatro dias, como é uma vida sem ansiedade.

Como é uma vida sem tanta pressão, como é uma vida sem tanta cobrança, como é viver sem ter preocupação, como é voltar a ter esperança.

E na quarta-feira, ao final da tarde, mesmo cansado, você vai lembrar dos últimos dias e sentir saudades desses momentos que não vão mais voltar. .
Pois volta a vida do jeito que é, volta o alarme de toda manhã, volta a rotina, volta o café, voltam as curtidas no seu instagram. .

O que não volta é a sua essência, que há algum tempo já ficou pra trás.
E o que volta é a sua procura por um pouco de justiça, por um pouco de paz.

E essa fuga da realidade é uma forma de seguir em frente, pois viver preso dentro da liberdade é a maior fantasia que criaram pra gente.

E volta tudo como tem que ser, como se sofrer fosse tão normal, e o alento é a gente saber que no próximo ano tem mais carnaval.

Inserida por Crasso

UM DIA DIFERENTE ENTRE OS DIAS DE CARNAVAL

Frustrações, ilusões, cores sem vida com falsos amores, é o que vi
Toda essa energia se afastou quando eu te encontrei
Vamos sair daqui e construir uma viagem mais interessante
Sabores, amores, vidas com cores, conexão de verdade com amor e amores
É bom ter você aqui, a sua positividade e o seu sorriso tomaram conta de mim
As estrelas, as árvores, a lua e todo o multiverso então olhando para nós
Desejosos em saber se hoje iremos cantar, se amar, viajar além do tempo ou navegar para outra dimensão, somos um, uma perfeita conexão
Acordamos mais uma vez no meio do nada e construímos uma nova ideia de vida totalmente livre de tudo que era entendido como o conceito de realidade, sem perceber na nossa simples troca de olhares observou-se que a energia que vibrávamos um para o outro era algo muito maior que uma simples amizade, mudamos a nossa perspectiva de realidade, avançamos muito no tempo e no fim concluímos que o tempo nem existia
Essa realidade que criamos a partir da nossa perspectiva nos ouviu e nos permitiu se conectar com toda a energia positiva disponível em nosso universo, mas queríamos ainda mais, queríamos sentir todo o multiverso e toda sua energia, então decidimos se esvaziar de nós mesmos, tiramos de nós tudo que tínhamos de valor em nossos corpos, tiramos nossas roupas, deixamos tudo no quarto e fomos caminhar totalmente descobertos na madrugada totalmente despreocupados; foi então que sentimos uma conexão intensa com o multiverso, éramos tudo e tudo fazia parte nós
Na madrugada enquanto caminhávamos conseguimos escutar todo o multiverso, estávamos totalmente conectados com tudo ao nosso redor, uma energia incrível, uma sensação e poder que eram difíceis de se descrever
O rio coberto pela neblina nos convidava para se banhar em suas águas que naquele momento não estavam geladas
As árvores incansavelmente nos convidavam para conversar sobre o seu papel na natureza e elas mesmas nos diziam formas melhores para se cuidar da natureza
Os poucos animais que encontrávamos na madrugada eram bem harmoniosos e alguns deles nos conduziam para mais profundo na floresta e na medida que percebiam que não temíamos nos revelavam verdades que na cidade não se compreendia
Continuamos a caminhar na madrugada e percebermos que o fato de ser era muito mais gratificante e verdadeiro que ter, pensávamos sobre nossos caminhos, escolhas, verdade, realidade, ilusão e a nossa conclusão foi que nada existia, era tudo uma ilusão
Apenas eu, você e tudo que estávamos construindo e vendo naquele momento a partir da nossa perspectiva poderia ser algo que daríamos o nome de realidade
A lua estava lá, com toda a sua majestade, mas dessa vez foi ela que parou para nos observar
Criávamos e moldávamos a realidade da maneira que queríamos e quando tentávamos falar de nosso multiverso aos residentes, nenhum deles nos entendiam e diziam entre si “Eles são diferentes dos seguidores do sol e adoradores da lua, olhem para essa grande massa de energia, eles não são limitados ao espaço-tempo, eles não são daqui.”

Resende, 05 de março de 2019.

Inserida por meuspensamentosBruno

Era mais um dia de sol, era carnaval quando teu olhar pousou no meu,
como quem não queria nada, enquanto a vida vibrava naquela praça.
Aquele ambiente vivo, alegre e colorido,
novamente teu olhar pousou no meu.
Eu que respondia cada um deles, desfoquei, brinquei, conversei.
Você riu das minhas piadas com um sorriso bobo e uma gargalhada afiada,
foi quando descobri que do mesmo humor se tratava.

Calor de 40º no Rio de Janeiro, procurávamos sombra,
estávamos ali sentados, soberbos e agitados.
Dessa vez, meu olhar pousou no teu,
tua mão pousou na minha,
meu riso caiu no teu e teus lábios permaneceram nos meus.

Olha isso, olha aquilo e a gente ria,
em uma gargalhada infinita,
jurava que aquele dia não acabaria.
Corre para cá, corre para lá,
até que corremos para tua casa,
roupas no chão misturadas,
corpos em brasa,
então deixa a faísca,
nos deixamos pistas,
para quando precisarmos,
corrermos um para o outro,
com fôlego de quem quer e faria tudo de novo.

Inserida por klarawingler

O PASSAGEIRO DA AGONIA

Nunca gostei de carnaval. E depois dessa paradinha... Num sábado de Zé Pereira resolvi pagar uma fatura do IPTU, tinha esquecido, podia ter deixado para quarta-feira, mas, muito certinho, pontual em meus compromissos, com medo de pagar juros, fui no sábado mesmo, quase carnaval, mas no Brasil tem isso não, de depender é carnaval o ano inteiro. Resolvi ir, fui no guarda roupa e peguei a primeira camisa que me veio a mão, casualmente uma camisa do Náutico, time pelo qual nutro alguma simpatia, torcedor muito sem graça que eu sou, nem de pé de rádio, não sei nem quando o time joga, as vezes por acaso, é que eu confiro no outro dia no Esporte Espetacular, o resultado. Essa camisa dez reais me custou, da marca peba mesmo, pus uma bermuda jeans e chinelas havaianas, tava arrumado. Chegando ao terminal de ônibus, embarquei no coletivo, coletivo de arruaceiros, todo mundo vestido de galo, com chapéu de galo, camisa de galo, e eu o estranho do ninho , naquele bloco em movimento, a caminjo do desfile do Galo da Madrugada, sentei-me na ultima cadeira, maior algazarra, gente pulando e gritando, feito uns selvagens enlouquecidos. Logo que a condução saiu, um fortão trajando uma camiseta do Sport, desses bombadões, exibidos, de academia plantou-se no degrau da porta trazeria com uma lata de cerveja na mão a ameaçar o motorista: - Motorista, filho de alguma coisa... Vá direto viu, se parar, vai ver! Oxi já não ia descer mais onde eu queria. E aquele expresso da agonia chegando nas imediações de Água fria, um moreno disse pro fortão: - Ei cara! Tu não pode fazer isso não. Impedir que os outros desçam. Boa Moreno! O fortão gritou: - Vai me impedir? - Vou, vou descer agora! Eita, fechou o tempo! Dá-lhe moreno! Mas... Ahhhhh.... Era brincadeira! Muito engradados, morri de rir. Mais adiante uma mocinha desse grupo, disse manhosa: - Ai fortão, tão mexendo comigo, um cara do Santa Cruz na rua, ai o fortão esbravejou: - Se eu pega um torcedor do Santa Cruz ou do Náutico, eu rasgo a camisa e deixo ele nu! Eita, lembrei que eu tava vestido com a camisa do náutico bem na cadeira ao lado dele, rapidamente, a fiz desliza, num movimento contrario a lei da gravidade, devagar por fortão não perceber, a fiz deslizar, subir minha cabeça, feito uma cobra coral rodeando meu corpo. Cala boca, cobra coral é o mascote do Santa Cruz, que desceu e se escondeu entre mim é um rapaz do lado que não sei de que time era e fiquei sem camisa. Na rua, em hipótese alguma, ficaria assim, mas dada a circunstâncias , vale tudo, é carnaval, sou folião desde que nasci. Que agonia! Queria que chegasse logo a hora de desembarcar e rir disso tudo, mas na ocasião tava tenso mesmo, torcendo que acabasse logo aquele pesadelo, correndo risco de morte, e o motorista nem ai, parar nem tava doido, Galo da Madrugada direto, expresso. Chegando finamente no centro da cidade, desceu todo mundo, só ficou eu, o cobrado e o motorista, ai que me encorajei de vesti a camisa. Quando o ônibus saiu, desci na agencia bancaria que ia anteriormente no meio do caminho, aconselhado por um senhor, do lado de fora, que saísse logo por causa de arrastões. Por isso, na semana de carnaval, eu hiberno na sexta feira e só saio prana quinta, e olhe lá.

Inserida por Fg7r85

SONETO DE CARNAVAL (de outrora)

Distante da folia, o cerrado me afigura
A saudade como um saudoso tormento
Lembrar dela é uma sôfrega tal tristura
Esquece-la é nublar o contentamento

Ausentar de ti é a mais pura amargura
Todo momento é gosto sem fomento
Máscaras sem brilho nem alegre figura
Uma fantasia no samba sem afinamento

E no saudosando os tempos de outrora
Enquanto fugaz vão-se os anos, enfim
O que tenho pra agora, só silêncio afora

De toda a diversão a quietude em mim
É regente, pois já não sou parte da hora
E meu carnaval vela o traje de arlequim

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Fevereiro de 2017
Carnaval
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

Carnaval.

Não lembro, a não ser pelas fotos, como foram meus carnavais na infância em São Paulo na Rua Pamplona, nem no Clube Palmeiras onde me levaram e tinha também o corso pela Avenida Atlântica em Santos onde meu pai tirava as portas traseiras do Chevrolet 1.956 para que pudéssemos entrar e sair rapidamente quando o cordão andava.
Lembro pelas fotos, mas vejo que não adiantou ter sido fantasiado de Zorro, Arlequim ou de Superman porque meus heróis sempre foram e são mais reais, mais pé no chão, mais gente de verdade.
Na juventude, época dos dezoito aos vinte e poucos anos, ensaiei tímidos passos carnavalescos nos salões, do Tênis Clube de Vera Cruz e mais tarde no de Marília, Sempre empurrado pela molecada para ficar o mais perto possível das garotas de shorts e bustiê, pegar na mão de alguma ou colocar o braço nos seus ombros. Isso era o máximo da ousadia.
Tudo isso era feito meio entorpecido pelo rum com Coca-Cola ou pelo wisky Old Eight que o barman despejava sobre pedras de gelo sujas, arrancadas de barras depositadas no chão de qualquer maneira, como era usual na época. Não raro havia séria revolta estomacal na molecada, até mais de uma vez por noite.
Quando eu tinha meus trinta anos meu espírito carnavalesco esteve ainda mais recolhido na época da festa do povo e houve um tempo que eu justificava dizendo que a minha vida era um verdadeiro Carnaval o ano inteiro.
Nesses dias de Carnaval eu montava na minha Honda Setegalo e depois na Honda Gold Wing 1.000cc e fosse no Itararé em São Vicente ou no Castelinho em Ipanema, meu Carnaval e de muitos motoqueiros era paquerar, colocar uma garota na garupa da moto e “arrastar” para o apê...
Não me lembro de ter ido uma única noite num salão mas há uma lembrança generalizada de grandes noitadas.
Em toda e qualquer época para mim os desfiles das escolas de samba poderiam ser mudos e eu surdo, porque a maioria das letras não passam de um amontoado de palavras que algum inculto recolhe nuns livros e tentam, num arremedo nem sempre harmonioso, contar com suor e purpurina a história feita de com sangue, suor e lágrimas.
Mais ainda, no Carnaval pobres de todo o gênero, gastam boa parte do orçamento numa fantasia tosca, para viver numas poucas horas de euforia e um ano inteiro, como diz a letra do Chico, desengano...

Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano
Carnaval, desengano
Essa morena me deixou sonhando
Mão na mão, pé no chão
E hoje nem lembra não
Quarta-feira sempre desce o pano

Esse ano meu Carnaval não vai ser muito diferente dos últimos. Ler um pouco, escrever um pouco e refletir muito porque logo chegará a quarta-feira... e qualquer hora, desce o pano!

Inserida por marinhoguzman

O que é
o carnaval...
senão uma
frustração escondida,
por trás de uma
fantasia da alegria?
Na quarta-feira de cinzas...
todos se
vestem de depressão!
Contas para pagar...
Gasolina no topo...
Cheques sem fundo...
Corrupções.
Gestações.
Medo do real...
Queriam viver
365 dias de folia?
Carnaval.
Fantasia.
Mas a realidade
convida para viver...
Viver o real.
Jornal nacional.
Pena de morte.
Assaltos.
Política.
Política...
Já tiraram a máscara?
Não sei...
Acho que o
carnaval continua...
E o bloco do Fora Dilma...
Dia 15 de Março, sai à rua...
Quem vai brincar
nesse carnaval real?
O povo está dormindo.
Bêbados...
Alguns nas esquinas.
Mas que o bloco sai ...sai!
Vamos ver quem vai!!
Se aqui tiver...
Eu vou!

Inserida por daysesene

É noite de carnaval, faz chuva, ouço trovões e pingos d' água que caem no forro de um telhado com goteiras. Não há energia e aqui dentro esta tão escuro.
Ao som dos carros passando em meio as possas que se formam pela rua, sinto levar um pedaço de mim para algum lugar que não sei ao certo onde irá chegar ou mesmo se haverá um final. Pela janela vejo seus faróis de luzes branca, um flash à cada passada, enxergo um fio de esperança e uma luz para me guiar nesta escuridão.
O tic-tac do relógio me avisa que posso explodir a qualquer momento, uma explosão de sentimentos que se colocado em fogo causará grande impacto em vida.
As batidas ficam mais forte, lá fora a chuva aperta, aqui dentro é incerteza.
É noite de carnaval, enquanto muitos transbordam em maresias, me junto aqueles que não tem tantos motivos assim para festejar.

Inserida por 2Rodrigues