Textos Arte
No jazz, os melhores solos são emocionantes, mas um acompanhamento eficiente (acompanhar ou complementar o que os outros músicos estão fazendo) é também uma parte essencial da arte. Afinal, trata-se de uma atividade em grupo, um processo contínuo de dar e receber. Artistas que querem para si todos os holofotes e não apoiam os outros músicos não são convidados de novo para a apresentação seguinte.
Se por ventura, eu me desventurar aos olhos de quem não tem ventura nenhuma, não digam que eu me espalhei ao comprido, apenas porque em parte alguma um homem pode ser ofendido, por se aventurar de modo emancipado ao horizonte que nos é imposto. Mas que, por suposto, ou por uma hipotética altivez de nos aventurarmos todos de uma só vez, seria uma patética atitude por parte de muitos daqueles que exercem o direito de todos não exercerem o direito de ninguém. E para não chamar desventurado ao procedimento de alguém, nem tão pouco me meter onde não devo ser chamado, limito-me a fazer desta minha desventura o que um fado faz de uma aventura num engraçado entretém. Se me excedi, convém juntar todos os vocábulos daqueloutros retirados dos estábulos antigos, onde se fazem mais amigos, nos retábulos ecuménicos, onde os anjos académicos aparentam as dores que não têm, demonstrando que as mesuras convêm às dissimuladas aventuras nesta arte de viver…
Preciso de acertos. Ultimamente tenho esquecido de ir aos shows, comprar cd's, comprar quadros (mesmo que a prestação), comprar livros, assistir palestras e lançamentos de outras coisas como a morte da idiotice. Eles que criam coisas com esforço e as vezes com linguagem por detrás da palavra. Pessoas que passam tempo a criar arte, a pensar. Sobretudo a inventar concertos do grande público. Eles não dão concerto. Dão acertos na alma.
Eu escrevo pra desancorar emoções. Escrevo pra tentar controlar o caos daqui de dentro, pra peneirar um porto nessa tempestade. Escrevo pra suicidar no vento o peso das palavras. Escrevo para me libertar. Escrevo pra transpassar fronteiras, pra alcançar certos ouvidos, e me perder no meio daquela barba. Ahhhh minha excitação por barbas! Já se sabe quem provocou. Eu escrevo aqui porque a poesia tatuou em mim o gosto pela vida, pois essas palavras são quociente das minhas experiências. Talvez eu escreva para máquinas e robôs. Ninguém lê mesmo. A vida acontece no virtual dos corações frios e se desmancha no grito de horror proclamado na esquina dos contos, (a)casos, (des)encontros. Escrevo para sentir a mim mesma e não sentir a maldade alheia que permeia, que espreita. Escrevo porque se eu gritasse ecoaria apenas aos mudos. Neste mundo de poucas cartas e muitas selfies todo diálogo é de surdos. Eu escrevo porque escrevo, não há explicação.
"O mais bonito na natureza humana, talvez seja a maior prova de que somos feitos à imagem e semelhança do Criador, é o poder de superação que existe em todos nós. Tanto a dor como a alegria podem se transformar em poesia, artes plásticas, música, doação e entrega ao próximo, o que vai enfeitar a vida de todos os demais e mostrar a face da Beleza, que é a face do próprio Deus.!
Barbozeira: Antologia Textual, é um livro que reuni tudo que forma um ser humano: alegria; tristeza; amor; sexo; fé; ilusão; realidade; santo; profano; guerra; paz; humildade; maldade; passado; presente; futuro; culpa; perdão... A natureza mais forte e profunda que torna a arte uma imitação da vida.
A bem da verdade não é fácil contrapor-se ao sistema, mas ainda assim é a única forma de presentear o mundo com o seu talento e a si mesmo. Talvez, muitos não entendam, mas a arte para os artistas é algo visceral, vem de dentro e precisa ser colocada para fora. E precisamos da arte para abrilhantar o mundo ou para não morrer da verdade como dizia Nietzsche.
Na condição de patrimônio da humanidade, e fazendo parte da formação psíquica evolutiva da espécie humana, a arte vai de encontro também com processos psicológicos mais profundos, dos nossos arquétipos em que simbolicamente confirmamos determinadas características e condições que diz respeito ao inconsciente coletivo, tendo também importância contributiva na formação da nossa personalidade individual.
Vivo o teatro, vivo ele como se fosse meu mundo, sou normal, sou humano, passo desapercebido na multidão, mas tenho uma dádiva, sou ator. Na verdade não me sinto normal, não me sinto humano e no palco sou capaz de tocar profundamente uma ferida não cicatrizada na alma, sou capaz de ver gargalhar aquele que já não senti graça na vida, sou capaz de fazer chorar aquele que desprovido de emoções, sou capaz de mudar o rumo de histórias, de fortalecer o que já perdeu as esperanças, de incentivar o medroso, de fazer amar o decepcionado, de fazer simplesmente sorrir, de fazer simplesmente pensar, de não fazer nada, aparentemente, eu vivo um mundo que quisera Deus deixar o humano viver por um momento. Eu vivo o teatro, e o teatro vive em mim. Viva o teatro, não viva o teatro viva, viva o teatro de viver.
Capoeira rasteja e dá bote igual cobra, voa igual morcego, é coice de uma mula, é pulo macio igual gato, é a leveza de uma arraia, é feroz igual uma onça, é foleira igual macaco. É poesia, é jogo, é arte, é expressão, é luta. A luta de resistência à violência é uma característica marcante na capoeira. Notamos que apesar de toda violência e repressão envolvendo a capoeira, alguns capoeiristas e mestres deixaram verdadeiros tesouros filosóficos capazes de incentivar a eclosão de uma cultura de paz na capoeira. Percebemos, também, a influência da capoeira sobre as nossas funções psíquicas: sentimento, pensamento, sensação e intuição. Resumindo tudo capoeira é um Show! É cria de brasileiros para o Brasil e para o mundo, ou melhor, é patrimônio cultural da humanidade. Orgulhe-se do que é nosso.
Segundo Sócrates, existem quatro tipos de loucura: a profética, a ritualística, a amorosa e a poética. A única regra é o desregramento! A insânia é fundamental para a inteligência, para a arte, para a ciência... A loucura é o preço que se paga pela genialidade, já a ignorância, é o presente dado pela mediocridade.
"O Impossível: uma teoria, um conjunto arquitetado e orquestrado de ideias geniais, uma obra... Absolutamente nada disto citado pode dar conta da REALIDADE! Mas, estamos nela, vivenciamos, sentimos, pensamos... Mesmo mergulhados nela e fazendo parte da mesma não é possível dar conta do que percebemos, conjecturamos... Mesmo assim, a estrada humana baseada na Arte, na Filosofia, na Ciência, e para muitos, na Religião, pode, cada vez mais, dar conta desta complexidade em movimento..."
“As tradições tendem ser: sedutoras, imperiosas, dogmáticas, resistentes ao novo e logicamente a toda ou quase toda mudança, vivem num estado de existência parecido com o estilo rococó da Arte... Pura busca de aparência e exaltação! Continuidade! E, ao estudarmos suas origens, encontramos um grupo, por vezes seleto, de pessoas, formuladores e mantenedores de suas ideologias, ou, a ideologia predominante da tradição!“.
Gosto de gente assim, sabe? Gente que corre atrás dos seus sonhos (mesmo todo mundo dizendo que não vai dar certo), gente que troca rios de dinheiro numa profissão que detesta, por sorrisos e aplausos fazendo o que sempre quis, (gente que toca em praças, faz show na rua, se veste de palhaço e vai alegrar os doentes em hospitais).Eu gosto disso! Admiro gente que se realiza, sem medo de ser feliz!! Ah, eu amo essa gente que vive pra valer, que vive de verdade!! Que eu permita-me ser também essa gente!!
Subam no palco com toda coragem que puderem vestir. Finjam que o que estiverem prestes a dizer nunca houvera sido dito; finjam que o que estiverem na iminência de fazer jamais tivera sido feito por quem que que seja. Prometo-lhes, ao ouvir o som de aplausos, esta absoluta certeza do quanto houveram sido extraordinários, tendo nos propiciado ouvir e ver o que, de fato, não tivera sido contemplado antes da tua existência.
A falta e a constante escassez de novos brilhantes e grandes talentos da criação nas artes, nos pensamentos e na própria cultura obriga o mercado cultural brasileiro a propor novas releituras, novos estudos de um passado recente e a revalorização de grandes obras,seus autores e criadores, não tão.mais esquecidos, então.
A boa curadoria sempre advêm da improvável criatividade e inter-relação encontrada pelo curador por uma nova e inusitada visão perante a obra, o período ou o personagem exposto, retratado, celebrado e reverenciado muito alem dos limites históricos, culturais e reconhecidos da gravidade e universo na atmosfera curatorial.
Pelos caminhos de livre pensador tenho a liberdade de pensar. Pelos caminhos de artista tenho a liberdade psicodélica de ousar. Pelos caminhos de sonhador tenho a liberdade de ver e crer nas utopias. Pelos caminhos do ativismo cultural tenho a liberdade de acreditar que cada um faça a sua parte. Pelos caminhos do direito e da justiça como advogado tenho a liberdade de lutar diuturnamente por uma sociedade humanitária mais igualitária, feliz e unida.
Gurdjieff por sua obra assim me dizia. Todo o ser em busca da unidade passa por diversas personalidades reconhecidas dentro dele mesmo e eu por entendimento refletia que o artista é um pouco diferente, foge em si da unidade, é todo aquele ser que tem incontáveis desconhecidas personalidades criativas mutantes dentro da perpetua e indomável liberdade. São tantas as personalidades de um artista que geralmente no meio de um processo criativo, o artista inventa, re cria e deriva se outras múltiplas possibilidades e vertentes diferentes a partir do que já estava fazendo. Sendo assim, para chegar ao fim de uma obra de arte, o artista deve exercitar a difícil disciplina de iniciar, fazer, acabar, assinar e entrega la a vida. Pois se assim não o faz vive sob o risco de ter incontáveis obras iniciadas e inacabadas espalhadas em seu atelier quase atormentadas por não terem chegado ao sentido.
Cabe a Sociedade Civil cultural, intelectual e cidadã dividir no mesmo compasso com o Estado Cultural, o cívico dever da responsabilidade na preservação e guarda do patrimônio histórico, artístico, cultural e identitário nacional, pertencente a todo o povo brasileiro para as novas soberanas gerações.
