Coleção pessoal de M2810

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Esses homens que nasceram na ilha e nem chegaram a beijaram a África e seus lábios se tornaram negras, local onde sai a desumanidades. Esses homens que andaram a vender o Amílcar e os restos dos dignos homens, com conversa fiada. Esses homens que falaram de Cabral e os outros pretos lideres de algum povo do continente e nem sentiram o nome desses homens que morrerem de boca vermelhas e lábios negros, mas, morto. Esses homens que nem descobriram que falar custa alguma coisa, ainda que a boca seja negra, enrabichado pelo fumo e consumo de idolatria, idiotia, desvario…
Esses homens que falam barato, que negaram certas indumentarias, ainda vão vestir factos e gravatas iguais aos homens antes condenados pelas suas bocas negras. Aí, esses homens que acham que ser africano e destratar os africanos para serem alguém. Esses homens quando perceberem que não é desta forma que um homem se torna homem, ganharão uma certa humanidade, mas, já não estarão prontos. É que a palavra mata e marca um homem.

Mário Loff
Tags: homens humanidade

Esses homens que nem beijaram a África e os lábios se tornaram negras. Esses homens que andaram a vender o Amílcar e os restos dos dignos homens, com conversa fiada. Esses homens que falaram de Cabral e nem sentiram o nome do homem morto, esses homens que nem descobriram que falar custa alguma coisa. Esses homens que falam barato, que negaram certas indumentarias ainda vão vestir fatos e gravata. Ai esses homens que acham que ser africano e destratar os africanos para serem alguém. esses homens quando perceberem que não é desta forma que um homem se torna homem, ganharão uma certa humanidade, mas, já não estarão prontos.

Mário Loff
Tags: africa ignorancia

Antes de os nossos olhos ajustarem um, no outro, a nossa casa era vazia e só sentíamos um certo aperto no coração, como se as nossas peles escondessem a palavra. Amor. Meu amor, sente isso, a febre fresca que adoece o corpo e alma em nome de alguém, quando contava os amigos na rua, as flores da praça que compete com a tua beleza, a minha imagem no espelho e, aos poucos entraste por dentro de mim e adoeça-me como se existissem boas doenças que curam um homem de cabeça aos pés e, de pés a cabeça.
Penso em ti ao amanhecer e, a minha cabeça não cansa e ao anoitecer procura as tuas mãos e o crepúsculos se faz noite e todas as estrelas entram em guerra porque já escolhi a maior que me ilumine por perto e por dentro. Acho que eu te amo. Não é esses eu amo-te e pronto, eu amo-te mesmo, porque te amo, amo-te porque “é di mé de vera”.
Quando os nossos olhos Chocaram, percebi. Percebi o mundo, o próprio mundo tem milhões de mulheres eu consegui escolher uma. Aquele que algum dia chora de sorrir porque a piada era boa, aquela que esta disposta a misturar a sua cara na minha e os nossos filhos, aquela que quebra os partos porque anda a pensar nos nossos dias felizes. Aquela que vê o passado e diz esta tudo bem, aquela que quando esticarmos as nossas peles e mãos, já estarão velhas e ainda assim direi. Amo-te meu amor. Amo-te, porque não sei dizer que não te amo.
Há dias tive certeza sobre a genialidade do seu pai, é verdade, ele é um grande botânico porque soube inventar a melhor das rosas e enquanto cresce em direção ao céu, roubas a voz das aves e, é essa cantiga da sua voz que me mata toda a preguiça de vivera ao ter lado. Hoje e sempre, cada dia que passa, algumas das nossas felicidades fazem anos, as palavras que usamos fazem anos. Amo-te, amarei, todos os dias, amarei-te porque amar também é uma forma de passar os anos ao seu lado.

Mário Loff
Tags: palavras amor

Não ame só por amar. Ame porque o amor também faz anos.

Mário Loff

"Olha o dia que rompe a tua volta. E as noites desistem de fechar a boca, os olhos
É que tu andas em cima da terra. Ainda que os seus olhos miram o sol, e tu sorrias como se as ondas cavalgam em teus cabelos que corre no vento. Olha atrás de ti, todas as terras do mundo morre de amor por ti menina" se aparecerem nas festas dos astros. A tua presença cobrirá o sol. Aí sim. É o golpe da terra em todo universo em seu nome.

Mário Loff
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"Não há nada mais poderoso, assustador e fingidor do que o vermelho morto na boca da mulher. Mas é necessário para o stress do canto e desencanto"

Mário Loff
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"Foste a andar sem saber que as pedras não falam, foste a andar sem ouvir a pergunta dos ventos, a cara grossa da graciosa. Em silêncio a pedra te chamava rosa e o vento te dava cravo para o desespero de graciosa. Vê a cara dele"

Mário Loff
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Tags: pedras caminhar

É. atirávamos a adolescência no jato de papel. Sorriamos sem preço, no final do dia ainda cheirávamos a leite de quem é caloiro. Coisas sem preso. Jamais te chamaram cativa a não ser. Em voz ativa. Tomásia, Ana.
O tempo tem nos asfaltado a cara com acordos, nós mesmo partilhamos os papéis em notas e citações, nomes, substantivos inactivos. Tu menina. Enquanto dormia nunca morreu a tua magreza. Ainda que o tempo de caloiros se transformou em gente crente com filhos, com nossas caras desafiando o coração. Não há de morrer os motivos dos nossos dentes abrirem quando mal avistamos as nossa caras já adultas.

Mário Loff
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Tags: recordação caloiros

...provavelmente se Amílcar Cabral estivesse vivo teria mais de um milhão de amigos no Facebook, dava palestras pelo mundo todo, e era um conselheiro habitual da Republica.

Mário Loff
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Tags: amílcar cabral

Mário Loff começou a delinear, na cidade da Praia, o seu percurso académico através da História e do Património. Naturalmente, estes componentes encontram-se unidos e formam um todo praticamente indissociável quando se associam à Cultura. Este poeta Tarrafalense de raiz, alma e coração, é um verdadeiro crente na criação artística enquanto motor do desenvolvimento do património cultural.

Ativo na cena cultural do seu Concelho, sempre procurou contribuir para um ambiente dinâmico, criativo e inovador em todos os domínios das artes. Escreveu dezenas de peças de teatro, dos quais cinco foram encenadas no grupo teatral Komikus de Tarrafal no qual Mário Loff é o seu diretor. Certamente, a prática artística ao mais alto nível passa pelo interesse precoce pelo universo das artes do espetáculo e pela integração em organismos culturais. Por isso, concebeu o projeto “Despertar”, com o intuito de envolver os jovens Tarrafalenses e sensibilizá-los para a cultura. Esta iniciativa também tem o condão de se aproximar de públicos socialmente desfavorecidos, procurando a sua integração, também na componente artística da sociedade.

Professor e formador, de 2004 a 2006 e entre 2014 e 2015, Mário Loff assume como um ato de responsabilidade a divulgação da cultura. Assim, tem levado a cabo a produção da “Rádio Praça” na cidade de Tarrafal de Santiago que, para além do puro entretenimento, procura reforçar a cidadania enquanto promove livros e autores. É notório o incentivo à leitura, numa meritória campanha de informação e sensibilização, que ao promover o acesso às obras do património cultural, Loff procura incutir a qualidade na educação artística.

Entre o pensamento e a expressão, mostra a sua força criativa e perseverança na escrita. Contribuiu, em 2018, no livro de contos infantil “A viagem mais fantástica do mundo” da escritora Natacha Magalhães e para a comemoração do Centenário da sua cidade natal escreveu e ofereceu à sua cidade sete poemas. Participou em várias antologias como, por exemplo, a antologia dos poetas de Tarrafal de Santiago (que em parceria com jovens poetas foi o precursor), a antologia de poesia da língua portuguesa ”Mil Poetas”, a antologia “Palavras da Alma”, foi colaborador do boletim da Altas, onde é membro-fundador da Associação Literária de Tarrafal de Santiago e da qual é o atual presidente.

Em 2017 foi convidado pelo CITCEM e pelo DCTP da Universidade do Porto, no âmbito do Colóquio Internacional “A Glimmer of Freedom. Tarrafal - Silêncios, Resistências e Existências”, para contextualizar o Antigo Campo de Trabalho de Chão Bom e os seus presos políticos através de um poema da sua autoria.

Inquestionavelmente, Mário Loff é um poeta prismático e um ativista cultural que com o seu olhar crítico, centrado na comunidade, envolve e contextualiza os diversificados aspectos da sociedade e da cultura Cabo-verdiana.

Marzia Bruno
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Avisem me quando passar o Bacan de barba branca.

Não sei se estou me parecendo como os poetas, mas, cada vez mais tenho dificuldade em desejar Boas festas. Como tinha dito o Fernando pessoa, deve ser esta pele que me vestiram e já esta bastante ultrapassada e gastada.

Já há muito tempo troquei e nem dei conta que a verdade que tinham me mostrado mudou de forma, que o pai natal que me mostraram há muitos anos é idoso de barba branca e sempre vem. Uma por ano. É muito querido. Passa ano inteiro escondido na toca enquanto o mundo arrebenta com as crianças inocentes e os homens de bem, e no Dezembro volta a aparecer, ele é imutável, mas não morre quando da um ohohoo, assim como o último suspiro de um corpo atingido por uma bala perdida, quando fugia para a fronteira mais perto do seu país.

Ele sai de patagónia (há muito que dizem isso) entra pelos lares publicitadas pela Igreja e coca cola com "conformecida" e algumas vezes glorificando as crianças que já nascem mandando no mundo, ai, para comemorar de melhor forma esquecem, que de forma intencional nasce o fogo de artifício em Alepo, Darfur, Ancara... de algum Matador de nome Falcon, Bulldog, brinquedinhos lindos, bonitos, de estimação e por ultimo, de destruição. O bacan de barba branca é conivente e cínico.

Chega o natal e o Cristo nasceu há dois mil anos e tal, em cada ano ele glorificara o seu corpo e mente com esses inocentes de Dezembro, realmente, o mês de Natal tem o hábito de ser fatal, e boas festas para o esquecimento num mundo feroz.
E eu aqui em silêncio tenho uma única certeza, que os presidentes e os ministros de mundo todo irão falar de conquistas e de como conseguiram baixar os gastos, de como conseguiram despedir pessoas, "inúteis".

E mesmo la no fim do discurso, vem a minha certeza, dizem assim.

- Boas festas e votos de bom ano. E de novo para o ano voltara o mesmo pai natal e os mesmos votos de boas ... não sei la o quê.

Mário Loff
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Tags: natal bombardeamento

Para homens e mulheres

Neste natal mulheres... Já agora fiquem a saber. É chato nascer com poder. É chato inventar poder nos lábios. Estar demasiadamente feliz também é um pouco infeliz.

Se o homem pintar os lábios com palavras ácidas, ríspidas meio clássicas. Já não é lá muito, meio termo para poema. Poemas também tem serventia e des-senventia.
Coisas dos homens. Coisas de um mundo partido.
Mulheres!
Ponham aquilo de nome batom 💄. Que seja vermelha. Forte, meio lume a fogo e Inferno.
Àquilo nesta quadra não será a cor nem a dor.
Será o poder que levam na boca e com amor. Magia contra o mau hálito infeliz. Bom ano

Mário Loff
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Esperávamos por este momento.para. -Cozinhar o cansaço de um ano de desgaste. -Primeiro.
Retiraremos a mesa vazia de conteúdo no canto da casa.

A esposa já perdeu o medo da barata e o próprio marido tem esquecido de esfregar um soco na cara dos ratos. O filho já não chega a casa nesta quadra. No canto da casa é só de vez em quando que apaga a alegria e depois acende o dia com o nome próprio.

É Natal!

De manhã o filho veio em quimeras e com ferras a galope para fazer o papel de um tal homem gordo e de barbas antigas cor de neve.

O pai e a mãe daria tudo para arrumar a casa e acender a alegria todos os dias e descansar as mais no dia que o filho foi levado em galope por terem desejado demais neste dia. Feliz dia dos seres humanos.

Mário Loff
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É proibido sonhar sem poesidiotia

Já não tenho muitas certezas de coisas que me eram presas na mente. Ler, reconsiderar a ignorância! É que cada vez mais faço perguntas idiotas e diálogos surdos, as vezes, fico ouvindo certezas do primo que conseguiu inventar a primeira forma de poesidiotia. Sim coisas mínimas que abatem, mas se esqueceu da sua poesia. Eu me lembro no tempo da minha disfuncionalidade como o céu-aberto de cara desesperada ou a Rossana de lente no Jornal da noite: talvez eu de florzinha numa parada homofóbica. As vezes desaqueço em dizer que sou feliz assim: a arte de não dizer os porquês das coisas!
A minha invenção da poesia idiotia se baseia nas perguntas meramente obtusas: a onde é que se deve fotografar á morada do trovão? Porquê que a cidade vive num estado de ataque cardiorespirasorte? Porquê que a minha prima vera tem que ter afinidades com essas gentes de peleja? Sim a prima vera árabe. Porquê que os desempregados acham que deveriam sonhar? Esta ultima, respondo eu. É proibido sonhar sem aprender as nossas ignorâncias. Ainda que eu tenha que amar o Israel de jesus ou colecção das suas fotografias, já o vi tantas vezes desenhando a poesidiotia. Eles têm a poesidiotia bíblica, terra de tombamento, um arrebentamento desfigurado inventando somente a cargo de Deus, versado num Japão de olhos de Einstein. As vezes eu adoro os mestres-de-obras de poesidiotia, mas partam as matérias felizes e cai os sonhos intactos

Mário Loff
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Tags: poesidiotia

Tudo vai passar. A menina da rua estreita que entregava pedaços de fartura. O choro da criança dos anos trinta e a fome que finta aquelas datas marcadas de desnutrição. Tudo vai passar. A fome cantada na década de quarenta, homens de "enta" que foram na vinda sem antigos abrigos na barriga. Tudo vai passar, aqueles arames farpados, o primo português, o preso sem peso, feiuras do estado novo. Tudo passará, até eu que nem sei escrever um poema que cabe numa grande mulher. Tudo passará. Essas peles da antiga juventude, num tempo que se ilude. Ou morre-se, ou vive-se morrendo. Tu já não morre. Tudo passa, até morte passa de uma só vez. O mundo tem girado no canto da boca, num mundo à parte, ao norte que sopra vitupérios. E tudo passará. Quem saberá escrever um poema para um livro vivo. É necessário antes que tudo passa e a memória perca glória.

Mário Loff
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Tags: memoria ansiães

São só dês cêntimos no bolso, e dedos resgatando o preço do crepúsculo menina. Fundo do bolso é escuro e profundo igual a um rio e a próprio alma humana. Antigamente se transformavam um fascista num fadista por dês cêntimos. Aí se transformavam em mitos, canela de falsas folhagens. Quem venderá a alma de um homem por dês cêntimos e com um único compromisso. descobrir um nada nele mesmo. Dês cêntimos terá sempre préstimos e o homem. Não. Quando tudo acabar quem vem em prova e lamento são os rios nos olhos.

Mário Loff
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Tags: cêntimos fascista

Todas as luzes entram em combinação na tua presença, miram-te a máquina e lentes que calculam a tua imagem para além de um click. O resto da cidade tem dado chilique na presença da tua imagem. Esses iPhone jamais passarão fome. Tu o alimentas. Basta o teu riso menina, que os prédios mudos, jamais passarão a te chamar em silêncio enquanto dorme a cidade na tua foto.

Mário Loff
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Tags: fotografia poesia

ser mãe é estar num tribunal com leis amaras ao coração
mãe é das poucas que sabe contar como é que se costura a magoa da vida
sentindo que polir os filhos é estar em constante pânico e amor sempre a descarregar da
alma.

Mário Loff
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Tu é as ilhas e todo o atlântico
entendi a dispersão das ilhas de cabo verde,
em ti vive as ilhas e a morabeza selvagem em seu silencio,
é na alegria dos pássaros felizes que se tem traduzido os teus silêncios,
varredura das ondas das rochas que chamo teu nome,
no choro de um outono morto no horizonte. uma só melodia que sai do teu corpo.
assume isso, disso me tem feito feitiço.
o enguiço desejado e solitário,
usufruo da certeza da única fonte.
o teu riso, menina.
quando sorrias,
as ilhas dispersam, as ondas desrespeitam essas negras rochas,
e eu só faço isso.
Balançando o atlântico nos olhos,
Descrevendo-te dentro de mim mesmo,

Mário Loff
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Tags: morabeza mulher

Me dói a cabeça. As tantas da noite, a própria madrugada tem sentido tal dor, tem chorado agarrado às ondas da praia mais perto da cidade, e às ondas falam frustrações, quando é assim, também me dói o pensamento e o coração. a cabeça me tem feito aquilo, reagir quando escrevo

Mário Loff
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