Maria Luiza Silveira Teles

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A morte é o portal para a vida verdadeira.

Maria Luiza Silveira Teles
Inserida por Malisa

Só uma vida com sentido e reslizações pode evitar os fantasmas das neuroses,depressão e estresse.

Maria Luiza Silveira Teles

ESPERANÇA



Quando vemos a noite passar

Sem que o sono venha

é porque estamos a pensar:

alguns em preocupações

outros nas dores do coração.



Quando a madrugada aponta

noite e dia se misturam

Os segredos que a ninguém se conta

Começam a gritar em nossas almas.



E a gente se põe a lembrar

De entes queridos que se foram

Da leveza da infância e da mocidade

Tudo que mora hoje na saudade.



Ah vida linda, vida louca, vida torta,

Que fizeste ao bater-me na cara tua porta?

Eu que amo passarinho, chuva, estrelas,

Flores e cheiro de terra molhada,

Eu que tenho alma de criança

Sonho, amo e não perco a esperança...



Eu que vivo como pastor da noite

A escutar sonhos, gemidos

e dores de almas alheias...

Que fizeste comigo, ó vida?

Por que me negaste

O amor com que sonhei?



Por que me deixaste

Sozinha e perdida na noite do passado

Sentindo n’alma o açoite

Do frio cortante

Da dor e da agonia?





Engolindo as lágrimas,

Preparo a face

Para o dia que se anuncia.

Encontrarei, por fim,

Em qualquer de tuas esquinas

A surpresa e o espanto

De uma sonhada alegria?



A vida prossegue

Em cascatas e remansos.

E eu acalento a esperança

De ser plena um dia...

Maria Luiza Silveira Teles
Inserida por Malisa
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O SILÊNCIO DA BATUTA DO MAESTRO







Morreu Artur da Távola. Calou-se para sempre sua voz tão cheia de sensibilidade que, em seus escritos ou apresentações televisivas, nos tocava, ensinava e encantava. Aquela que traduzia o clássico em linguagem popular.

No seu último programa “Quem tem medo de música clássica?”, olhei triste seu rosto abatido e, temerosa de que a morte se avizinhasse, fui tomada de emoção, pois não conseguia imaginar o momento de não tê-lo mais entre nós. Era uma premonição ou constatação, não sei...

E, no dia nove de Maio, seu espírito deixou seu corpo, enquanto dormia.

Costumo dizer que poucas pessoas merecem morrer dormindo. E, com certeza, ele era uma destas. Exemplo de ser humano, de cidadão, de político correto, em um tempo em que os indivíduos de caráter parecem ser uma rara exceção.

Sempre haverei de lembrar-me dele ao ouvir os clássicos. As palavras ária, sonata, piano, pianíssimo, allegro, cantante, e outras tantas do ramo haverão de remeter-me às suas belas lições, às suas análises criteriosas das músicas, que tanto mexiam com a sua e a nossa emoção.

Eu o admirava muito como jornalista, cronista, político e, ultimamente, como apresentador e analista musical. Aprendi muito com ele e as palavras com que terminava sempre o seu programa estarão caladas dentro de mim: “Música é vida interior e quem tem vida interior jamais padece ou padecerá de solidão.”

Recebendo pela televisão a notícia de sua partida, repeti o que costumo dizer quando morre alguém extraordinário: “Existem homens que jamais deveriam morrer.” Mas, pensando bem, qual o grande homem que morre, realmente? Todos eles deixam rastros de luz em nossos caminhos e, assim, vivem para sempre.

Acho que meu comentário usual deveria mudar para a constatação de que certos homens não morrem nunca. O certo, provavelmente, é dizer como o nosso grande autor do sertão, Guimarães Rosa: não morrem, “ficam encantados”. Assim, posso dizer que Artur da Távola “ficou encantado”. Em outras paragens, ele estará, decerto, despertando a sensibilidade daqueles que partiram sem alcançar a plenitude de sua humanidade.

Ah, meu prezado maestro, sentirei muito sua falta, mas pode ter certeza que, também, por ter lido seus livros, seus artigos, ouvido seus belíssimos comentários sobre Beethoven, Mozart e outros tantos, tornei-me uma pessoa melhor e cresci muito como ser humano. Você, em sua simplicidade, provavelmente, nem sabia que iluminava a vida de tantos.

Também porque o conheci e, junto com você, continuando as lições que recebi de meu saudoso pai, aprendi, mais e mais, a amar a música e sei que, desta forma, jamais haverei de padecer de solidão.

Enquanto existir a música, as auroras e crepúsculos, os amores e desamores, encontros e desencontros e meu coração continuar batendo, com a emoção tomando conta de meu ser, serei muito rica de vida interior. Poderei, inclusive, ouvir as músicas das esferas celestiais e, até nos meus silêncios, estarei ouvindo os sons da Divindade.

Sabe, grande maestro, repetindo palavras suas, citando não me lembro quem, devo dizer-lhe: “A dor da gente não sai no jornal”. E a minha dor pelo silêncio de sua batuta não pode ser traduzida em pobres palavras de jornal. Mas ficam aqui registradas.

E, como diz o Pe. Fábio de Melo, brincando com o poema de Drummond: “A festa acabou, a luz apagou e, agora, é você e Deus”. E Deus, certamente, gostará de ter em seu regaço um grande homem, um filho muito amado, que soube perseguir a Sua Luz e dignificar a arte e a política.

Maria Luiza Silveira Teles
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O MEDO


Não temo a maioria das coisas que as pessoas temem. Não tenho medo da doença, pois a tenho driblado toda uma vida. Não temo a morte: para mim, ela nada mais é do que a janela para outra vida. Não temo assaltos, pois já doutrinei bandido com arma em meu estômago. Não temo perder bens materiais, porque já os perdi muitas vezes e nunca fui ligada a eles. Não tenho medo de perder entes queridos, pois sei que todas as chagas um dia cicatrizam e fica apenas a saudade. Não temo a solidão, pois gosto muito de minha companhia. Não temo luta alguma, pois, embora pacata, tenho alma de guerreira.

Mas temo as pessoas que não me olham nos olhos. Elas são perigosas, pois são falsas. Temo as pessoas infelizes, que vivem amarguradas, sempre se queixando, sem o deslumbramento diante da vida, pois costumam ser cheias de fel e derramam o seu veneno por onde passam. Temo as pessoas cheias de si, pois sabem enganar os tolos com palavras empoladas e poses de reis. Temo as pessoas usurárias, pois vivem em torno do próprio umbigo. Temo, também, as pessoas que ficam “em cima do muro”, sem jamais se posicionarem.

Não temo os animais, pois eles sabem perceber a brandura de um coração humano. Tenho medo dos homens! Da sua arrogância, da sua ambição, da sua hipocrisia, da sua raiva contida, de seus desejos frustrados, da ausência de compaixão e amor. Ah, pode haver coisa mais perigosa que um ser humano, cujo coração é um deserto, sem fontes e plantas? Há coisa pior que o desamor? Ele é o pai de todos os desatinos, de todas as guerras, de todos os relacionamentos mal-sucedidos. O desamor é perigosíssimo. Ele promove a injustiça, a desigualdade, a tirania, o apego, a usurpação das identidades, os preconceitos.

Peço sempre a Deus que perdoe essas criaturas, pois não sabem o que fazem e nem conhecem a si próprias. Entretanto, peço, também, que me livre delas, pois não lhes suporto a vibração.

Hoje, é muito comum escutarmos a frase: “O mundo está um horror!”. Mas não é o mundo! Embora ferida de morte, a Mãe-Terra continua se doando a seus filhos. Continua em sua órbita, obedecendo às leis do Universo. Todo o horror está no coração dos homens secos, áridos, impiedosos.

Amo pessoas! De toda a Criação o ser humano é a que mais me encanta. Ele é o único capaz de coisas grandiosas. Mas o temo quando ele perde a ética e vive sem Deus no coração. Quando ele perde o respeito, a dignidade, a esperança.

Entretanto, ainda não perdi a fé, pois, afinal de contas, em todos nós mora a Centelha Divina. Assim, sou uma mulher que ama a vida e vive sem medo, pois não construí minha casa sobre a areia, mas sobre a rocha. E os anjos estão sempre a me visitar. Além disso, procuro espalhar as sementes do bem e, com certeza, só poderei colher Amor.

Maria Luiza Silveira Teles
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PRANTO NA MADRUGADA



No vai e vem das horas

Me ponho a meditar

Tempo que me foge

E amor que me arde

Saudade como o vento

Batendo na janela

Na janela de minh’alma

Rostos, gestos e nomes

Tudo morto e levado pelo tempo

Mas, bem viva esta dor

Que me queima o coração

Dor de quem vive

de quem espera

de quem ama

E nas asas do tempo e do vento

Minh’alma viaja

Por ermos lugares

Lá no passado.

Por tão grande amor

E por tão grande dor

Criam-me asas

Não sou apenas mulher

Mas pássaro ferido

Em tempestade perdido

Sou noite, sou dia,

Sou primavera e outono

Sabiá e cotovia

Meu canto triste

Se perde em madrugadas frias

E na solidão de meu quarto

Fantasmas me visitam

E ouvem tristes

Este meu canto...

Maria Luiza Silveira Teles

" Na verdade todos nós somos como uma colcha de retalhos. Explico: as experiências, os exemplos, as pessoas com quem convivemos, seja por toda uma vida, uma estação, alguns dias, os livros que lemos, os estudos que fazemos, tudo isso se mistura de uma forma harmoniosa fazendo-nos ser quem somos. Pequenos ou grandes, nobres ou rasteiros, pessoas que fazem a diferença ou não, na sociedade como um todo ou em uma área qualquer; pessoas que se impõem por sua dignidade, honestidade e competência ou aquelas que jamais se distinguem ou chamam a atenção pelo seu vazio interior.!

Maria Luiza Silveira Teles
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"Ah, as pessoas! Pessoas que sempre nos ensinam tanto, com simples gestos, silêncios, palavras na hora certa".

Maria Luiza Silveira Teles
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"A verdadeira amizade não é aquela em que estamos apenas ao lado do amigo nos momentos de sofrimento, mas, também, nos momentos de suas glórias, alegrando-nos com suas vitórias".

Maria Luiza Silveira Teles
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"Sabemos que os medíocres não suportam o brilho, a grandeza e a nobreza dos outros. Ao invés de se beneficiarem com sua luz, tentam jogar lama sobre seus nomes impolutos. Assim tem sido sempre em toda a história da humanidade".

Maria Luiza Silveira Teles
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Bendito outono com sua mensagem de esperança! Bendito outono, fase de gestação de novas vidas! Ouço-lhe a música e os silêncios e me rendo diante do mistério do sagrado. Será o outono uma presença profética?

Maria Luiza Silveira Teles
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Não conseguia conter as lágrimas diante daquelas velhas fotos. Fiquei imaginando que todas as fotos que eu e todos tiramos hoje, marcando momentos importantes e felizes de nossas vidas, poderão um dia ser apenas lixo do qual se deve livrar...

Maria Luiza Silveira Teles
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Triste seria o nosso destino de nos tornarmos pó se não fosse a crença na vida eterna, de um Amor Maior, de mudança de dimensões!...
A gente vive, sofre, caminha trazendo no peito saudade, esperança e fé e, no futuro, ninguém se importará se vivemos e tivemos uma história...
Todos nós seremos apenas fotos envelhecidas

Maria Luiza Silveira Teles
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Nenhuma convivência é fácil, mas tudo depende da intensidade do amor, do respeito, do companheirismo, da compreensão.

Maria Luiza Silveira Teles
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Nada, nem ninguém pode substituir os sentimentos de afeto, de convivência, de perdão, de acolhimento, que desenvolvemos dentro do núcleo familiar.

Maria Luiza Silveira Teles
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É verdade que nossa personalidade é formada de facetas de todos os que passam por nossa vida e nos marcam, assim como por nossas experiências, valores e crenças que vamos incorporando ao longo de nossa caminhada.

Maria Luiza Silveira Teles
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LOUCURA DA CRIAÇÃO

Musa que me visita.
Em noites de desencanto,
Serás apenas o delírio
De um psiquismo doente?
Tu que despertas em mim
Emoções sempre novas
E me descortinas
Horizontes nunca vistos;
Tu que és os óculos coloridos
Através do qual eu vejo a vida;
Tu que és amor, saudade e pranto,
Serás apenas o produto
De um elemento da mente
Semelhante à mescalina?
Acaso não serei nada, nem ninguém,
Senão sangue, nervos e pó?
Não terei em mim uma alma,
Que anseia, ama e lamenta,
Que é o sopro do Criador?
Ou não existe Deus nem nada
E não serei poeta,
Mas apenas louca?!...

Maria Luiza Silveira Teles
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"O mais bonito na natureza humana, talvez seja a maior prova de que somos feitos à imagem e semelhança do Criador, é o poder de superação que existe em todos nós. Tanto a dor como a alegria podem se transformar em poesia, artes plásticas, música, doação e entrega ao próximo, o que vai enfeitar a vida de todos os demais e mostrar a face da Beleza, que é a face do próprio Deus.!

Maria Luiza Silveira Teles
Inserida por MLST73

"Vivemos em uma sociedade em que os alaridos histéricos do mundo exterior, muitas vezes, abafam os espaços internos. Esses barulhos ensurdecedores costumam emudecer os silêncios da natureza, dos olhares, das estrelas, da respiração, dos gestos de ternura. E, o pior, nos ensurdecem às falas de nossa essência, levando-nos a perder o contato conosco, com a natureza".

Maria Luiza Silveira Teles
Inserida por MLST73

"Somente no silêncio vamos conseguir a relação com o nosso ser mais profundo; é este silêncio que abre as possibilidades da paz interior. É na calmaria e no remanso do silêncio que vamos encontrar aquela fonte inesgotável onde estão e se revelam as energias e potencialidades múltiplas.
É preciso que nos treinemos para ouvir os doces sopros do silêncio, para as escutas mais leves e sutis, pela abertura do coração e da mente em estados de calmaria e serenidade".

Maria Luiza Silveira Teles
Inserida por MLST73

"O silêncio vivifica e fertiliza. Somente no estado de intenso silêncio, somos capazes de ouvir os mistérios do sagrado e comunicarmo-nos com a beleza do cosmos. Tudo de mais profundo só se revela no silêncio. É no silêncio que se revelam os valores mais nobres da vida: a fraternidade, a solidariedade, a justiça, a humildade, a beleza, a alegria, o amor verdadeiro"...

Maria Luiza Silveira Teles
Inserida por MLST73

"Esta a sabedoria a que as bonecas tildas nos remetem. Falar com o coração. Ah, que mundo melhor teríamos se todos falassem com o coração! Se não escondessem através da palavra os seus verdadeiros sentimentos, emoções, pensamentos e intenções"...

Maria Luiza Silveira Teles
Inserida por MLST73

Os japoneses apreciam tanto as flores das cerejeiras não apenas porque elas são belíssimas, mas porque são efêmeras como a própria vida e sempre voltam na outra primavera. Isto é o melhor: apreciar a vida enquanto ela existe e saber que ela só termina aqui, mas que muitas e muitas primaveras haverão de fazê-la florescer em outras paragens.

Maria Luiza Silveira Teles
Inserida por MLST73

"O amor é a própria essência do universo. É a força coesiva, que liga os átomos e faz girar os astros em suas devidas órbitas. O amor é vida, é união, é fé, esperança, mudança, movimento, recomeço, ressurreição. É a força maior que governa a vida. E, se ele é a essência da vida, é, também, a nossa própria natureza".

Maria Luiza Silveira Teles
Inserida por MLST73

"Embora seja de nossa natureza amar, por muitos motivos podemos não amar corretamente. Sentimento de posse, carência, egoísmo não são amor, ou melhor, são formas tortas, doentias, patológicas de se amar".

Maria Luiza Silveira Teles
Inserida por MLST73