Texto Sobre Silêncio

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Quando a Alma se Sente Sozinha

Há dias em que o silêncio pesa mais do que qualquer palavra. A solidão parece ocupar todos os espaços, e a humilhação tenta convencer-nos de que perdemos o nosso valor.

Mas Deus nunca mede uma vida pelas rejeições que ela sofreu. Ele vê o coração que permanece íntegro quando ninguém o aplaude, as lágrimas derramadas em segredo e a força de quem continua a caminhar, mesmo cansado.

O cansaço não significa derrota. Muitas vezes, é apenas o sinal de que carregámos fardos demasiado pesados durante demasiado tempo.

Quem hoje nos despreza não conhece toda a história que Deus ainda está a escrever. Há sementes que germinam debaixo da terra, invisíveis aos olhos, mas vivas diante do Criador.

Se hoje te sentes sozinho, lembra-te: a presença de Deus não depende da presença das pessoas. Quando todos se afastam, Ele permanece. Quando as palavras ferem, Ele cura. Quando as forças faltam, Ele sustenta.

Não deixes que a dor roube a tua esperança. O Senhor continua a transformar lágrimas em aprendizado, feridas em testemunho e noites longas em amanheceres de paz.

Permanece firme. A tua dignidade não está nas mãos de quem te humilhou, mas nas mãos de Deus, que te conhece pelo nome e jamais abandona aqueles que n'Ele confiam.

Márcia Reis Nazar

© Márcia Reis Nazar. Todos os direitos reservados.

Sou o silêncio dos inocentes, o barulho dos corruptos e a paciência dos honestos.
Sou um país que inveja o governo do outro, sou a vitoria de uma guerra sem sentido, sou o choro de uma criança amedrontada.
Sou a tempestade de um dia intenso e desespero de perder tudo.
Sou um dia quente de chuva e a intensidade da covardia de um estado sem nação.
Sou o amor, o ódio, o carinho e a frustração procurando a chave da minha liberdade.
Posso ser tudo mais só quero ser apenas um o seu sincero amigo...

Autor: Julio Aukay

Meu silêncio é a saudade de um sentimento intenso que se fez amplo em meu coração.
Minhas mãos se fazem trêmulas com a aproximação de seu corpo que traz a beldade e a certeza do romantismo direcionada á você.
Meus suspiros saltam de meus lábios com palavras sutilmente e carinhosas á você.
Trago uma rosa e um verso inspirado em você que se faz bela e sincera.

Vivo sem saída de te encontrar, mas te desejando no meu silêncio preferindo te olhar nas minhas intensidades;
Tô querendo sua vida e seus passos para te dá um caminho de felicidade e sem demora para vivermos nossa inspiração;
Me perco e me acho para você se satisfazer para que eu ligue em meias verdades;

O medo se vai para se encontrar com a coragem de me declarar, falando de amor com o meu silêncio hesitando em dias que se perdem em chances desperdiçadas;
Nunca deixei de acreditar na minha capacidade de estar em felicidade e plenitude que me cerca;
Mas por não saber viver de forma plena e sim vivendo na dor o tempo não volta do início para tornar acontecer;

Rascunho


Gostaria de ser a voz que o seu silêncio faz ecoar,
A luz dos seus olhos quando resolvesse me olhar.
Ser a escada das conquistas que você alcançou,
E o abraço seguro onde o seu medo descansou.


Gostaria de ser amada, vista e compreendida,
O porto da sua alma, o amor da sua vida.
Ser amparada, protegida, sem precisar implorar,
Ter um amor verdadeiro que escolhesse ficar.


Um amor que nasce na alma antes de chegar à boca,
Onde os poemas não se escrevem... simplesmente transbordam, gota a gota.
Um amor sem máscaras, sem medo, sem medida,
Daqueles que transformam dois corações em uma só vida.


Mas essa não sou eu...


Você enxerga o mundo inteiro com os olhos do coração,
Enquanto para mim reserva apenas a indecisão.
Sou o rascunho esquecido, coberto de rasuras no papel,
Onde você despeja as frustrações, como quem risca um céu.


Você aplaude os sonhos de quem passa pelo caminho,
E faz do meu amor um lugar vazio e sozinho.
Talvez eu nunca tenha sido a história que quis escrever...
Fui apenas a página que você cansou de reler.

Envelhecer talvez seja contemplar, em absoluto silêncio, a lenta dissolução de todos aqueles que um dia conferiram ao mundo a íntima aparência de um lar. É descobrir, com uma lucidez quase insuportável, que o tempo não nos rouba apenas pessoas, mas também as paisagens invisíveis que elas sustentavam dentro de nós, até que, um dia, permanecemos vivos em um lugar que continua o mesmo para os olhos, mas se tornou irremediavelmente irreconhecível para a alma.


- Tiago Scheimann

A HUMANIDADE MORRE EM SILÊNCIO: A INDIFERENÇA TEM MÃOS LIMPAS
A cidade fede.
Não por causa do esgoto.
É o cheiro da consciência apodrecendo devagar.
Você aprende isso quando passa dos sessenta.
Os anos deixam marcas onde antes havia certezas. O espelho passa a contar verdades que ninguém pediu para ouvir. Alguns amigos viram fotografias, outros apenas silêncio. Os cães que juravam amor eterno descansam sob a terra. Os balcões onde você gastou madrugadas cedem lugar a farmácias e franquias. Algumas mulheres levam consigo os planos que um dia pareciam indestrutíveis. E a vida, insolente, sequer diminui o passo. Amanhece do mesmo jeito, como se nenhuma ausência merecesse um minuto de luto.
O problema nunca foram os assassinos.
Eles são poucos.
O problema sempre foi essa multidão de gente decente.
Os que dizem:
"Não é comigo."
Essa frase matou mais gente do que qualquer exército.
Todo império foi construído sobre ela.
Toda cruz.
Toda bomba.
Toda criança enterrada antes do tempo.
Você quer encontrar o diabo?
Não procure chifres.
Procure conforto.
Ele mora ali.
Na poltrona.
No controle remoto.
No dedo que desliza pela tela para não olhar uma fotografia de guerra por mais de três segundos.
A alma não morre de uma vez.
Ela enferruja.
Primeiro deixa de sentir o mendigo.
Depois deixa de sentir o velho.
Depois a mulher espancada.
Depois a criança.
Quando percebe, já não sente nem a própria dor.
Só o vazio.
E chama isso de maturidade.
Que piada.
Passei tempo demais em bares para acreditar em gente iluminada.
Conheci bêbados mais honestos que muitos santos.
Pelo menos eles admitiam que estavam quebrados.
Os outros escondem a podridão atrás de sorrisos bem escovados e frases motivacionais.
A espiritualidade, se existe alguma, nunca esteve nos altares.
Ela aparece quando a dor de um desconhecido estraga o seu sono.
Quando você não consegue terminar o café porque uma notícia ficou presa na garganta.
Quando percebe que nenhuma fronteira impede um coração de reconhecer outro coração.
Nesse instante você entende uma coisa terrível.
Nunca existiram "eles".
Sempre fomos "nós".
E essa é a pior notícia que alguém pode receber.
Porque acaba a desculpa.
Acaba Deus levando a culpa.
Acaba o governo.
Acaba o destino.
Sobra você.
Você e a escolha ridiculamente simples que a maioria evita fazer.
Importar-se.
Não para parecer bom.
Não para ganhar o céu.
Nem para aliviar a consciência.
Importar-se porque, no dia em que a dor do outro deixar de atravessar o seu peito, você continuará andando, falando e pagando contas...
...mas a única coisa realmente viva dentro de você já terá ido embora.

A Face do Silêncio que Deve Ser Quebrado

O silêncio certamente tem mais de uma face: a tranquilidade distante dos conflitos, a omissão de um sofrimento, o desconhecimento de uma triste realidade, a melodia que a alma precisa ouvir em um determinado momento, uma zona de conforto atraente e inapropriada ou aquela sensação confortável que não deixa a mente ficar esgotada.

E quando uma paixão desenfreada toma conta, uma das consequências é a falta de amor-próprio — que pode resultar em uma prisão silenciosa devido a uma inconsistência de reciprocidade e uma frequência de angústia numa falsa tradução de felicidade, onde sempre apenas um dos lados luta e faz a sua parte.

Nesse caso tão danoso, o quanto antes, em alguma oportunidade, o silêncio tem que ser quebrado, o desgosto do desrespeito deve ser reconhecido e logo ser rejeitado, caso contrário, será cada vez mais destrutivo. Portanto, não deve permanecer camuflado debaixo de migalhas de afetos ou de sentimentos fingidos.

Não é nada fácil ter seus princípios e valores violentados, principalmente por quem tanto se ama, mas é exatamente isso que faz ser um privilégio encontrar paz na violência, enxergar o conforto verdadeiro: o reconhecimento da própria existência, da importância da mutualidade, que um laço sadio não tem prisioneiros e que os sinais estão nos detalhes.

Sobre o que diríamos se o silêncio finalmente falasse


Imagine o instante em que o ar se despede de você. Não o ar que entra e sai distraído, mas aquele último fôlego, o que carrega o peso de todos os outros. Quando o corpo entende que já contou sua história e a linha tênue entre o que fomos e o que seremos começa a se romper, o que escapa dos lábios? Não vale o discurso ensaiado, a teologia decorada, a pose de cético blindado pela vida inteira. No último suspiro, a alma fica nua. E ela reza. Mesmo quem nunca rezou, reza, ainda que seja com o gemido mudo de um coração parando. A pergunta não é se, mas o quê.


Qual seria a sua última oração?


Você pediria salvação a um Deus que passou a existência rejeitando? Daria as costas para a coerência de uma vida construída sobre a ausência d'Ele, só para sussurrar, no breu do fim, um "me acolhe" que contradiz cada debate vencido, cada altar derrubado, cada "não preciso" repetido como mantra? Há um tipo raro de coragem que só o desespero concede, ou seria apenas medo cru, disfarçado de fé tardia? Seria justo com você mesmo, com suas certezas cultivadas em terrenos de orgulho, implorar por um colo divino que a vida inteira jurou não existir? Mas quem, na iminência do apagar das luzes, consegue se importar com a justiça poética do próprio orgulho?


E se a prece não fosse por você? Se, na fronteira derradeira, o ego, esse animal ferido que urrava por atenção, finalmente se calasse, e o amor falasse mais alto que o instinto de preservação? Você pediria que Deus cuidasse de quem fica? Abriria mão de qualquer súplica por si mesmo para que o luto da sua partida não os destruísse? "Protege meus filhos. Aquece o colo da minha mãe. Coloca alguém bom no caminho do meu amor. Não deixa que a minha ausência seja um buraco negro na vida deles." Que poder estranho é esse, que transforma o último fio de voz em escudo alheio? A morte, dizem, é o ato mais solitário. Mas a última oração talvez seja o gesto mais coletivo que um ser humano pode ensaiar, o eco de quem finalmente entendeu que o amor é a única posse que não se perde quando se perde tudo.


A pergunta dói porque ela nos despe. Não há como respondê-la da plateia, assistindo à peça do lado de fora. É preciso sentir o ar rareando, o palco vazio, a luz diminuindo. É quando descobrimos se amamos alguém a ponto de fazer da despedida uma entrega. Se a nossa vaidade teológica ou ateísta é maior que a saudade antecipada de um rosto. Se a ideia que fazíamos de Deus era apenas uma roupa que podíamos despir na hora da verdade, revelando uma súplica crua, sem nome, sem forma, mas pulsante como o próprio sangue que está indo embora.


No seu último suspiro, não haverá plateia. Não haverá testemunhas para aplaudir a coerência ou vaiar a contradição. Haverá apenas o silêncio que antecede o mergulho. E, dentro dele, uma pergunta que você mesmo fará, não com palavras, mas com o sumo da sua existência inteira se derramando em um único pedido.


Então, eu lhe devolvo a faca com a lâmina voltada para o peito da alma: qual seria a sua última oração? Não a resposta bonita para postar. Mas o murmúrio que brotaria da rachadura mais íntima do seu ser, quando até o tempo pedisse licença para sair. Pense. Porque a resposta não cabe no agora, mas define tudo o que você está adiando sentir.

De vez em quando eu ainda ouço
No silêncio da madrugada
Um misto de passos na calçada
e um som de sinos distantes
Que soavam nas torres das Igrejas
que existiram na minha infância
Chego a sentir o perfume
daquelas madrugadas
Iluminadas pelos vagalumes
Isso sempre me traz
um sentimento confuso:
Tristeza e alegria entrelaçadas
Eu corro abrir minha janela
Não vejo e não ouço mais nada
Somente as Estrelas no firmamento
dão atestado
de que eu um dia
Realmente tenha estado lá
Naquele tempo e lugar
Que o próprio tempo arrastou
Pra um lugar
Chamado nunca mais
Fecho a janela ciente
de que a minha vida
assim como as madrugadas
Nunca mais serão aquelas
Novamente.

Era somente o silêncio
De um tempo que se foi
Era noite
Todo mundo queria
E um dia eu também quis
Amanhecer distante dali
Porque pensei
Que poderia voltar lá
A qualquer instante
Percebia em meus ouvidos
O ruido mágico e único
Na paz do silêncio
Que de longe vem
Naquele mágico momento
Que o silêncio a tudo diz
E tudo faz sentido
Era o encanto do não saber
Que a brisa a soprar lá fora
Depois de ir embora, não volta
Era um pensar inocente
Que tudo aquilo nos pertencia
Era da gente
O silêncio em silêncio ficou
Pediu ao tempo que dissesse
Que a vida ao redor
Tem vontade própria
E nos convida a viver
Mas o viver da vida
Obedece
À sua própria vontade
E não a nossa.

Edson Ricardo Paiva.

MADRUGADA DE NATAL


Ouve -se ao longe gemidos
O silêncio no corredor impera
A vida, a morte em atritos
Mas é o bem que se espera.


Noto pessoas, famílias, fatos
Cada um com seu problema
Somos complexos mas fracos
A soberba: nosso maior dilema.


Do maior ao dito desprezível
Desejamos a mesma sorte
Aqui não existe status nem nível
Toda máscara cai diante da morte.


Levy Cosmo Silva

"Silêncio que arde"


Guardo teu nome no espaço
entre um suspiro e outro,
onde a voz não alcança
e o gesto fala mais alto.


Meu peito te reconhece
antes mesmo que eu pense,
mas o mundo exige calma,
exige que eu me esconda.


Então te ofereço o que posso:
um toque breve,
um olhar demorado,
um cuidado que finjo ser acaso.


É assim que te amo —
sem palavra alguma,
mas com tudo que treme
no silêncio das minhas atitudes.


E ainda que eu não diga,
meu coração te chama.
Tu não ouve, talvez,
mas eu sigo cantando baixo.

Preocupação

A preocupação bate à porta, sem pedir permissão,
faz morada no silêncio e aperta o coração.
Inventa tempestades antes mesmo de chover,
faz a alma se perder sem nada acontecer.

Mas a vida é sábia e ensina, mesmo na escuridão,
que nem todo pensamento merece atenção.
Respira, segue em frente, sem medo da direção,
pois a esperança floresce onde existe o coração.

Salário não deveria ser um tabu. Silêncio nunca foi sinônimo de valorização.

Quem discute salário não está, necessariamente, colocando um “preço” em si. Está reconhecendo o valor do que entrega.

Afinal, trabalho tem custo. Propósito tem valor. E quando ambos caminham juntos, negociar deixa de ser constrangimento e passa a ser coerência.

Salário se negocia. Valor se constrói.

Quem conhece apenas o “próprio preço” entra na conversa olhando para a tabela. Quem conhece o próprio propósito entra olhando para o impacto que é capaz de gerar.

No fim, a remuneração ideal não nasce do quanto alguém pede, mas da distância entre o problema que resolve e a transformação que entrega.

Porque currículo abre portas. Propósito mantém portas abertas.

Carlos Eduardo Balcarse

13/07/2026

MEU SILÊNCIO GRITA
Oh silêncio ensurdecedor!
Oh burburinhos que vem da alma!
Quando os pensamentos ardem dentro crânio;
Quando os verbos são alfinetes na boca;
E as palavras ferem mesmo sem serem ditas.

Quando se entra falando, mas mudo;
Quando se sai mudo, mas se sai gritando;
Quando os passos criam
O som de um exército.

Quando os olhos discursam,
Elaboram sermões
E lança m rajadas de verbos.

Quando minha inteligência dar conselhos
Conselhos de vida abundantemente.
E a felicidade não vem com regras
Mas na cautela de ser.

Quando os conselhos são rejeitados
Como se fossem insultos...
O meu silêncio grita...
Grita os gritos dos acertos
Nas experiências vivenciadas.

É o barulho que sei fazer
Diante da insanidade de gente
Que quer ser feliz na dependência do outro.
Silêncio... silêncio

O Preço do Silêncio e o Valor de uma Vida🖤


✍️

O mal não é uma força abstrata que brota do nada; ele é uma planta que se alimenta do silêncio. Muitas vezes, justificamos a dor do mundo dizendo que Deus a permitiu, quando, na verdade, fomos nós que deixamos a solidão reinar no lado do bem. O egoísmo humano e a injustiça crescem como ervas daninhas, sufocando a empatia. E o pior tipo de cumplicidade não é o que empunha a arma, mas aquele que ouve o pedido de socorro e escolhe calar-se.
Dizem que o silêncio é ouro, mas em uma sociedade doente, ele é moeda de troca. Quantos aceitam a lógica da escravidão moderna apenas para manter um emprego? Quantos desviam os olhos quando o colega ao lado é roubado, lesionado ou injustiçado? Há uma ilusão covarde de que, ao ignorar o lobo devorando o vizinho, seremos poupados. Esquecemos que a injustiça não sacia sua fome; ela apenas ganha tempo. Amanhã, a vítima será você.
A prova de que a ganância perdeu qualquer freio moral atende hoje pelo nome de Berenice Ramos de Aguiar. Uma mulher de sessenta anos, cujo crime foi exigir o que era seu por direitos. Esse era o preço da sua rescisão trabalhista. Esse foi o valor que a patroa, dona de uma pousada em Ubatuba, colocou na vida de quem lhe servia? Para economizar uma quantia irrisória, escolheu-se o assassinato, a mentira e a ocultação do corpo.
O caso Berenice é o espelho de um Brasil onde a desigualdade econômica se transforma em um tribunal de vida ou morte. Quando uma empresária se sente no direito de tirar a vida de uma funcionária por dinheiro, ela o faz porque acredita na impunidade, porque confia que o poder e o status falarão mais alto que o sangue. A indignação que corre pelas ruas, o medo de um favorecimento por amizades e a revolta contra a falta de uma prisão perpétua são os sintomas de uma sociedade que já não aguenta mais ver os bons sendo omitidos e os maus sendo protegidos.
Não podemos nos calar. Se a Constituição nos nega a prisão perpétua jurídica, que a sociedade aplique a perpétua memória do erro. Que o clamor dos filhos de Berenice não seja abafado pelo barulho do cotidiano. O mal cresce quando os bons se isolam. Que a tragédia de Ubatuba nos lembre de que a única arma contra a barbárie é a união indestrutível daqueles que ainda se importam com a justiça.🙂‍↕️🇧🇷🤢

Me perdoa por te procurar mais uma vez, mas tem hora que o silêncio vira um fardo pesado demais para eu carregar sozinho. Senti que precisava deixar o meu coração falar, nem que seja a última vez na minha vida. Com o tempo, a pancada da vida me ensinou que amar de verdade não é prender, nem lutar contra um amor que o destino resolveu redesenhar. Amar, de verdade, é ter a grandeza de deixar o outro ser feliz, mesmo que essa felicidade seja longe de mim.
O amor de verdade é silencioso, ele aguenta o tranco. Ele não morre com a distância e nem se apaga com os anos que passam. Ele muda de forma; vira memória, vira o único lugar onde eu consigo descansar quando os meus dias estão cinzentos e vazios. Ninguém esquece um grande amor. A gente só aprende a conviver com o buraco que ele deixa, como se a gente aprendesse a respirar com menos ar.
De vez em quando, o passado vem e me dá um soco no peito: eu lembro da sua voz e daquela única foto que a gente tirou... você sabe muito bem onde foi. Você estava com um sorriso tão lindo, e os seus olhos brilhavam mais que as estrelas daquela noite maravilhosa. Aquela foto se perdeu porque, naquele tempo, a resolução do celular era ruim, mas a nitidez do que eu senti quando olhei para você continua intacta aqui dentro.
Sabe, ainda existe aquela música... a nossa música. Toda vez que os primeiros acordes tocam no rádio, o mundo ao meu redor fica mudo e, por alguns segundos, eu só consigo enxergar nós dois. A letra parece que foi escrita lendo a minha alma: "O tempo passou, só que nada mudou / O mesmo vazio de antes / Sua voz eu ouvi, nosso mundo eu senti / E a mente vem recordar..."
E, meu Deus, como a mente recorda... Eu me pego pensando naquela sexta-feira maravilhosa em que a gente se encontrou no Parque 13 de Maio. Aquele dia foi simplesmente mágico. A gente rindo de bobeira, andando de mãos dadas no centro de Recife feito dois adolescentes que não ligavam para mais nada no mundo. Foi ali, olhando no meu olho, que você mesma me disse que nunca tinha acontecido algo assim na sua vida, que nunca tinha sentido aquilo por ninguém. Aquelas suas palavras grudaram na minha mente para sempre. Como é que eu esqueceria o dia em que o mundo foi perfeito do seu lado?
Eu passei anos te evitando, morrendo de medo de mexer em cicatrizes que nunca fecharam. Escolhi sumir porque achava que o silêncio ia me curar, mas a verdade é que ele me corroeu por dentro, me matou aos poucos. Desde a última vez que a gente se falou, eu te disse e vou repetir até o meu último suspiro: você sempre vai ser o grande amor da minha vida.
Se um dia me perguntarem qual é o maior arrependimento da minha vida, a minha mente vai voar direto para aquela viagem a Petrolina. Eu nunca deveria ter ido. Aquele foi o começo de uma despedida que eu nunca quis aceitar. O tempo é um rio que não corre para trás, mas eu saio deste silêncio com uma certeza que ninguém pode me tirar: você nunca, em toda a sua vida, vai poder dizer que eu não te amei. Se eu não te amasse, eu não teria passado por cima de tudo e ligado para a casa da sua patroa. Mas já era tarde, né? Você não quis mais saber de mim.
Eu fui muito moleque, fui orgulhoso demais e falei um monte de besteira que hoje me causam nojo de mim mesmo. Me perdoa pelas palavras duras, me desculpa pelo meu orgulho idiota que estragou tudo. Você não faz ideia de como eu me senti naquele tempo, do tamanho do meu desespero. Até hoje eu me culpo. Você não sabe como meu coração ficou destruído, ficou em pedaços no chão.
Eu tentei te procurar pelo Facebook um milhão de vezes. Eu digitava o seu nome toda semana e nada, até que um dia eu conheci uma mulher que morava na sua rua — nem lembro o nome dela. Foi fuçando o perfil dela que, de repente, eu achei você. Naquele segundo, as minhas pernas tremeram e os meus olhos quase escureceram quando eu vi a sua foto ali. O resto você já sabe... o medo e a vergonha do que eu fiz falaram mais alto.
Eu tentei o impossível para te esquecer. Lutei contra cada lembrança, mas a única forma de apagar você de mim seria perdendo a memória ou arrancando a minha própria alma fora. Como isso não dá para fazer, eu aceito que você foi o meu sonho mais mágico — daqueles que só acontecem uma vez na vida e nunca mais se repetem, deixando um perfume de primavera eterna no meu peito. Eu só tenho a te agradecer por ter me dado a chance de conhecer o amor puro, obrigado por ter existido na minha vida, mesmo que por pouco tempo.
Você é igual a uma pedra preciosa: difícil demais de encontrar, mas impossível de não amar para sempre.
Eu vou seguir o meu caminho agora, levando comigo tudo o que a gente viveu de bom e tentando deixar para trás essa dor que me rasga. Eu desejo, do fundo da minha alma, que você seja a mulher mais feliz desse mundo. Adeus, meu eterno grande amor. Eu só queria de verdade que você me entendesse e não me julgasse mal... mas, se você me julgar, eu também te entendo.

Vem, meu anjo. Eu chamo no silêncio que me veste,
Não com a voz, mas com a dor que me consome.
Sou um naufrágio à espera da maré celeste,
E em cada lágrima, sussurro o teu nome.
​O amor que arde em mim não é brasa, é ruína;
Um fogo que devora, mas não aquece.
Se és a salvação, por que a sorte é tão mesquinha
E me oferece o céu apenas quando anoitece?
​Eu te construí no altar da minha insônia,
Um relicário de promessas e prantos,
E agora, sem teu toque, sou só a autonomia
De um coração quebrado em mil recantos.
​Vem, meu anjo, venha me salvar da queda
Que me separa do calor do teu abraço.
Sou o drama vivo, a tela despedida,
Que implora pelo brilho do teu traço.
​Chega de manso e rasga esta mortalha de saudade.
Pois sem o teu olhar, sou apenas sombra fria;
A melancolia veste o manto da verdade:
Viver é te esperar em eterna agonia.