Texto Sobre Silêncio

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Perguntaram-me o que é arte. Ouviu-se de mim silêncio; não um, mas o silêncio, do tipo que tanto tememos, mas que, por vezes, é a única resposta que temos.

O mesmo silêncio que preenche o universo em que vivemos, que se esconde nas palavras que não dissemos, que, como um véu, cobre a pureza das estrelas. Sim, foi este o meu silêncio.

O mesmo silêncio de uma árvore que tomba no deserto, sem ninguém para escutá-la; o silêncio que faz da arte, arte para nossas almas.

A arte não pode ser definida, deve-se ser contemplada. Por isso, ouviu-se de mim o silêncio, pois...

Como hei de explicar a arte?

Não espere o grito virar silêncio,
nem a ameaça se tornar agressão.
Quando o medo entrar pela porta,
proteja primeiro o coração.
Medida protetiva não é vingança,
é um pedido legítimo de proteção.
É dizer: “Eu quero continuar viva,
quero ter direito à minha própria direção.”
Helaine machado

Manifesto da Raiva

Não é a raiva histérica que me move,
mas a que nasce do abuso,
do silêncio imposto aos que ainda têm alma.

Raiva de ver os bons engolidos
por um sistema que premia a mentira,
que coroa o disfarce,
que veste a hipocrisia como traje de gala.

A indignação é meu sangue,
me desperta, me obriga a escrever.
Não busco paz interior,
não preciso de frases que anestesiam.

Escrevo para rasgar,
para devolver em fogo
o que tentaram me enfiar goela abaixo.
Minha arte não é gentil,
é necessária.

Porque se eu calar,
se eu aceitar,
se eu sorrir junto,
aí sim estarei perdido.

A raiva me lembra que existo.
A indignação me prova que ainda sinto.
E enquanto isso durar,
ninguém, nunca,
vai me domesticar.

CLARIDADE DO INDIZÍVEL




Tua alma é um pátio antigo onde o silêncio respira,
e por onde passam figuras que não sabemos nomear,
ecos de vidas que ficaram presas na memória,
sussurros que dançam entre luz e penumbra.


Ali, o homem que és se desfaz do mundo,
larga o peso, a pressa, o roteiro imposto,
e caminha como quem toca na própria sombra
com a delicadeza de quem sabe que tudo pode ruir.


O vento te ensina gestos que esqueceste,
a chuva te devolve a inocência da água,
e a noite te veste com a claridade que não fere,
essa luz que não ilumina, mas revela.


E no fundo desse jardim escondido,
onde nenhum ruído do mundo te alcança,
há uma fonte que insiste em murmurar verdades —
verdades que não se dizem,
mas que o teu silêncio entende.


É ali que te reencontras:
entre o eco do que foste
e o lampejo do que ainda virá,
sob o luar que não consola,
mas que te devolve a ti mesmo.

No silêncio da noite serena, o vento murmua, suave e pequeno.

E as estrelas brilham intensamente, o céu é tomado pelo seu brilho, que mostra os segredos mudos guardados por elas.

O tempo passa carregando com elas a força de quem acredita, que a vida, embora aflita, vai sempre florescendo uma nova estação, como esperança no coração.

No silêncio do meu quarto

É no silêncio do meu quarto que me transformo em palavras.
Às vezes, meu caro amigo, meu desejo não passa de aspirações literárias, poéticas talvez, românticas sempre.
Sou um romantismo em botão.
Tenho alma de poeta clássico e coração de donzela sonhadora.
Conheço os doces e amargos do sentimentalismo nato, e já fui provedora de todos eles.
E também, vez ou outra, quando me abasta a solidão cabível ao pungente e lascivo transcorrer do tempo, eu me ponho a combinar palavras,
formar versos, montar textos que quiçá traduzam o que sinto.
Tenho no papel um confidente perfeito, com quem compartilho angústias e alegrias sem medo de ser subjugada.
Ele apenas retém os meus sentidos, e isso já me basta.
Quero fazer conhecer a quem, um dia, porventura, venha ser leitor de meus escritos, que sou a mais sensível e suave das mulheres, me desmancho pelo toque, me recomponho pelo olhar, sou artista e plateia ao mesmo tempo; amante e amada.
Recebi do Criador a aflitiva missão de apenas amar, e dela não me queixo, nem me seria digno apontar um quê de reclamação.
É doce morrer de amor.

Imprevisível


No silêncio da redoma deste quarto
Contemplo os jornais sobre a parede
As caixas espalhadas pelo chão
Valeu a pena mergulhar nesse feitiço?


A resposta da pergunta é quase um parto
Eu bebo pra aplacar a minha sede
Camuflando as ilusões do coração
Valeu a pena desejar um compromisso?


Você é a solidão que eu descarto
A lágrima que cai do olho verde
O beijo desprovido de paixão
Valeu a pena aceitar o seu sumiço?


O passado chegou como um infarto
Rompendo as fortalezas dessa rede
Fazendo-me soltar a tua mão
Valeu a pena me perder por causa disso?

"Dois Mundos...




"Não te esqueça que vivo
No silêncio que me toma
Meu universo é só meu
E você, o sonho que aconteceu


Uma presença amada
Que me abriu horizontes
Que não trás a ansiedades
Dos aventureiros viajantes


Me tirando das mesmices
Que as rotinas de meus dias
Vindos e se apresentando sem modéstia
Vezes em tristezas... ou alegrias


Ser mouco não é nenhum castigo
Não machuca e nem altera realidades
Trás quereres e desejos de viver
Pois é no silêncio que ouço tuas verdades

⁠“Há sentimentos que não têm nome, mas têm raiz na eternidade. São feitos de silêncio, de presença invisível e de um amor que a alma reconhece mesmo sem entender. É assim que a fé começa — onde as palavras não chegam, mas o coração permanece.”
Roberto Ikeda

Citação do Livro: Tobias: O Elo Invisível - por Roberto Ikeda
Capítulo 18.

Quando os bons se calam, os perversos governam.
E o silêncio dos justos abre espaço para a tirania dos maus.
Lutar pela justiça diante das injustiças é dever de todos,
como cidadãos civilizados.
Quem se cala diante da violência contra os justos assume,
para si, a culpa pelas injustiças."

(Furtado, Brunno)
06/08/2025

O Silêncio do Perdão


Se te esquecerem, perdoa. O esquecimento alheio fala muito mais sobre as distrações e os ritmos do mundo do que sobre o seu verdadeiro valor. Guardar mágoa pela ausência de alguém é carregar um peso que não te pertence. Quando você escolhe perdoar o esquecimento, liberta o seu próprio coração para caminhar leve, entendendo que o amor verdadeiro não exige ser lembrado o tempo todo, mas encontra paz na certeza do bem que foi plantado.Título: A Nobreza da Alma

EU E O MAR...


Sol , mar , praia
Tudo é silêncio
Espaço vazio
areia quente ,
mar a me chamar
Prefiro ficar
debaixo do guarda sol
a sós com minha água de coco
Saboreando aquele momento
toque do vento
murmúrio do mar...
Deus a me espreitar
Eu a louvar ..

edite lima , Novembro/2019.

Vencendo gigantes pela fé


No vale profundo, o silêncio ecoou,
Onde o medo de muitos a voz se calou.
Um gigante de bronze, de força e metal,
Erguia-se no alto, um muro do mal.


Mas no passo firme de quem crê no invisível,
O impossível se torna um alvo atingível.
Quando alguém inviável é por Deus o escolhido
Não veio com espada, nem escudo na mão,
Mas trouxe o Altíssimo em seu coração.


Davi, mesmo jovem mas ousado do espírito, se permitiu em frente ao gigante ser guiado pelo divino.
"Tu vens contra mim com a lança e o rigor,
Mas eu vou a ti em nome do Senhor!"


Não foi a estatura, nem o braço brutal
Foi a fé que venceu o gigante afinal.
A pedra atirada no ar se lançou,
E o peso do orgulho no chão desabou.


Que a tua coragem não venha da vista,
Pois é no espírito que a alma conquista.
Na luta diária, não te deixes abater,
Pois o Senhor está contigo, não há por que temer.
A fé é a chama que arde no coração,
Que te ergue e te dá forças, não importa a situação.


Igreja, mocidade tenha a ousadia do espírito
Pois a coragem que te ajuda a vencer o gigante Ela vem do Divino
Não retroceda, vá adiante
Com a certeza de que Deus está contigo.

No Silêncio da Estrada


No silêncio da estrada eu escuto meu ser, Como vento que passa sem nunca prender. Cada passo é pergunta que a vida refaz, Cada dor é semente pedindo por paz.


Se a noite é profunda, mais fundo é o olhar, Pois quem perde o caminho aprende a buscar. E no peito cansado que insiste em bater, Mora um sol escondido esperando nascer.

Oi.

Oi.

Silêncio entre os dois.

Quando eu te vejo, me transformo numa TV.

Com o mute ligado,

Mas também é tudo que eu sei dizer.

Então não culpo você.

Se eu estou bem,

Claro, e você?

Mesmo eu tendo escondido isso para que você não percebesse.

Novidades?

Não tenho

Acabei de lembrar que nunca contei uma para você.

Meu bone relaxa, vou parar de usar.

Já está bastante desbotado com o tempo.

A música está alta, não está dando para te escutar.

Mas é também pela distância que eu estou mantendo de você; daqui é mais seguro.

Mas você me lembra alguém que conheci.

Que espirrava 7 vezes e parava.

Sim, eu contei os espirros dela e montei um padrão.

Se eu vou ficar bem depois que eu partir?

Sim, bom, pelo menos eu espero que sim.

Pelo menos eu nunca tive certeza do que esperar em todas as vezes que coloquei a mochila nas costas.

A voz de Deus.
Senhor, Passei a noite querendo ouvir sua voz, eapenas o silêncio me acompanhava.
No romper da aurora ouvi os pássaros, o novilho nascer, a jandaíra resplandecer seu mel,
o mandacaru florar anunciando a chuva.
No amanhecer, tua tempestade caiu no sertão, e eu não somente o ouvi, mas mostrasse o teu poder!
Perdoa Senhor esse tolo, só tua graça me basta

A Espera da Palavra

Existe um silêncio que pesa no peito, um vazio que se instala enquanto a alma se senta na beira do caminho esperando, apenas, que alguém fale. Esperando um eu te amo que venha sem pressa, um sinto sua falta que cure a distância, ou um simples estou aqui que reorganize o mundo que desabou por dentro. Passamos a vida guardando palavras com medo de parecer fragilidade, sem perceber que o outro pode estar no limite das suas forças, precisando apenas ouvir que a sua existência faz diferença e que o seu lugar no mundo continua guardado com amor.

A única forma de realizar um trabalho em silêncio, num espaço público, sem media, sem televisões, sem redes sociais, sem Facebook, sem TikTok, sem ruído é, paradoxalmente, não o realizar.
Vivemos num tempo em que a informação já não circula num vácuo fechado; ela propaga-se num campo aberto, permanentemente atravessado por acções externas, olhares, algoritmos e interferências invisíveis. O silêncio, hoje, tornou-se uma ausência quase impossível.
Furucuto, 2026

Ontem sonhei com algo que jamais me permitiria reconstruir. Desmoronei em silêncio, como se o amanhã fosse apenas uma invenção distante, dessas que a madrugada costuma esquecer.


Diante do mundo, senti aquilo que talvez pudesse ter evitado. E, ainda assim, permaneci ali, levitando entre pequenas pedras e fragmentos de coisas sem nome, enquanto as ondas devolviam à superfície um reflexo quase insano da lua.


Observei, então, cada passo desnecessário da minha própria alma, vagando por lugares que já não reconheço. Havia uma estranha delicadeza naquele vazio, como se a tristeza tivesse aprendido a se vestir de elegância.


E, no fim, restaram apenas memórias leves quase inexistentes de quando éramos felizes, antes que os dias adquirissem compromissos, antes que nossas vidas fossem condenadas às rotinas e o tempo descobrisse uma maneira silenciosa de nos separar.

O Silêncio de um Coração Covarde


Eu tenho um coração covarde, que só sabe amar em silêncio. Quase tudo o que senti por alguém, guardei para mim, como se conviver com a eterna dúvida de “Em algum lugar do seu coração, haveria sequer uma faísca de amor por mim?” fosse melhor do que arriscar ouvir que o meu amor jamais poderia ser correspondido.


Talvez eu esteja fadada a esse destino: amar justamente aqueles que não conseguem retribuir o que sinto. E eu não estou sendo dramática dessa vez, eu juro. É que, de alguma forma, eu sempre acabo no meio de duas pessoas que se amam. E eu sou a coadjuvante invisível que queria ser capaz de mudar seu destino. Pensando bem.. A culpa é inteiramente minha. Nunca tive a capacidade de olhar para a própria história e tentar reescrevê-la. Eu nunca tenho coragem suficiente para mostrar o que sinto. Por ninguém. E, por você, menos ainda.


E então, foi assim que eu aprendi a me contentar com tão pouco. Com estar por perto, ouvir sua voz, dividir pequenos momentos que, para você, talvez sejam apenas amigáveis, mas para mim, são como lenha para o meu coração. Às vezes, em meio à euforia, eu me fecho. Minha expressão muda quando volto à realidade e percebo que seu olhar está brilhando, mas não é em minha direção.


Mas apesar dessa dor, ainda prefiro ouvir você dizer que o ama enquanto me sufoco com os meus próprios sentimentos, a sentir sua voz se tornar cada vez mais rara depois que eu me afastar, por não suportar a dor de amar sem ser correspondida. Não me julgue, por favor, é o melhor que posso fazer por agora…


Até algum tempo atrás, isso era suportável. Quando eu percebia que estava desempenhando novamente o papel de coadjuvante, apenas colocava meus dois fones de ouvido no máximo e reproduzia 'Heather' do Conan Gray. Cuja letra se encaixava tão perfeitamente à situação que parecia a trilha sonora de uma cena da minha "história". Quando eu chegava em casa, assistia a 'A Noiva Cadáver', filme que acabou se tornando o meu favorito. Principalmente porque, para me igualar ainda mais à Emily, eu só precisava estar morta.


Isso era tudo que eu fazia, e ainda faço: tentava me consolar através de músicas e filmes que eu me identificava. Derramo algumas lágrimas de vez em quando. Questiono o que há de errado comigo mesma ─ “O que falta em mim?”. E então guardo tudo outra vez. Guardo, guardo e guardo, sem cogitar que um dia atingiria o meu limite.


Agora, pela primeira vez, os meus sentimentos parecem grandes demais para continuarem escondidos aqui dentro. São tão espaçosos que sinto que, qualquer dia desses, vou me afogar neles. Quando estou ao seu lado, eles quase transbordam. Um gesto protetivo seu, uma palavra bonita, um olhar demorado, e todas as borboletas parecem se mover dentro de mim, procurando uma saída.


E, mesmo assim, eu continuo neutra. Sendo a pessoa com quem você pode desabafar sobre suas decepções amorosas, enquanto me contorço para não dizer que eu poderia te oferecer o dobro do amor que você tanto deseja. Porque esse coração covarde, que aprendeu a amar em silêncio, ainda acredita que é melhor sufocar com o próprio amor do que correr o risco de perdê-lo.


É assim que me sinto.


━ Yasmin Goulart