Quando chegar a hora de eu partir, não... RAFA16

Quando chegar a hora de eu partir, não quero que o silêncio da minha ausência se transforme em tristeza eterna, nem que as lágrimas dos que amo sejam a única lembrança da minha existência.
Quero que se lembrem de mim nas pequenas coisas, nas orações silenciosas nos abraços sinceros, nas palavras que chegaram ao coração e até nos momentos em que mesmo sem saber, fui abrigo para alguém que estava prestes a desabar. Talvez eu tenha carregado dores que ninguém percebeu, travado batalhas que nunca contei e chorado escondido para não preocupar aqueles que amo.
Mas, em meio às minhas fraquezas encontrei na fé a força para continuar caminhando, mesmo quando meus pés já não suportavam o peso da estrada.
E se algum dia minha voz deixar de ecoar pelos corredores desta casa, não pensem que todo o amor que ofereci morreu comigo, Há sentimentos que não se enterram, lembranças que o tempo não apaga e laços que nem a morte consegue transformar em esquecimento. A sepultura poderá guardar meu corpo, mas não terá poder sobre aquilo que deixei plantado em outros corações. Por isso, quando a saudade apertar e vocês olharem para o céu procurando respostas, não se prendam apenas à dor de não me terem mais por perto. Agradeçam pelo tempo que compartilhamos, pelas risadas que dividimos e até pelas lágrimas que nos ensinaram a amar com mais profundidade. Não tenham medo de seguir em frente, pois o amor verdadeiro não exige que vocês parem de viver para provar que nunca esqueceram alguém. E, se Deus permitir que nos encontremos novamente na eternidade, quero chegar a esse reencontro com a paz de quem finalmente descansou de todas as guerras que precisou enfrentar. Porque partir não significa que tudo acabou. Às vezes, a despedida que mais nos fere é apenas o limite entre aquilo que nossos olhos conseguem ver e aquilo que a nossa fé nos permite acreditar. E, até que esse dia chegue, vivam, amem, perdoem e abracem aqueles que ainda estão aqui. Pois a maior tragédia não é partir deste mundo, mas descobrir tarde demais que passamos a vida inteira adiando o amor, como se o amanhã tivesse obrigação de nos esperar.