Quando eu estiver preso, com as mãos... Gabriel Parice Lopes

quando eu estiver preso, com as mãos amarradas, camisol de força lona grossa
o eco do silêncio batendo nas paredes internas
do que a gente chama de consciência, localizado em alguma parte do funcionamento esquisito o cérebro
quando não restar mais nada, somente eu
e a minha vontade excomungada nada reprimida de continuar existindo em algum plano, dimensão essa que interpretamos como quiser nada disso importa.
quando tudo for branco, em cima baixo lado outro, quando o despertar não vier, a expectativa morta, esperança é só uma palavra a mais no dicionário, quando isso acontecer
estarei tocando guitarra imaginária, sem os movimentos é lógico, aquela música vou estar cantando em looping até minhas cordas vocais alternarem entre acertar e errar o tom, o olhar fixo pra baixo, nada enxergo no meu quadrado, apenas escuto a melodia enquanto minha caixa vazia aumenta o volume, bebé. bebé. não estarei em tormento, pelo contrário, encontrei a liberdade em lar próprio
onde tudo e nada acontece ao mesmo tempo. onde nada poderá machucar como o dano que a projeção feita nas pessoas me marcou um dia. só eu e os backing vocals de fundo, livre de qualquer propósito criado pelo status quo. agradeceria antes do delírio pela forma que decidiram me proteger
de mim, do mundo
das razões pela qual me levam a questionar o sentido de tudo
bebé. bebé. D maior compasso a 76bpm
C - Am - G - F
- o que te fez pensar que eu me importava de verdade?
como posso me sentir tão errado levando o caminho certo. o que me custa acreditar em sonhos não vividos¿ bebé.
como faz tanto sentido reverberar e colocar em câmera lenta tudo isso, eu ainda estou com os braços amarrados, babando enquanto tento acertar as notas no meu eterno descanso mental. bebé.