Texto Sobre Silêncio

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A brasa acesa consome a noite fria, enquanto o teu silêncio me devora por inteiro. O amor que ontem nos aquecia hoje é apenas fumaça no cinzeiro.


Resta o filtro marcado pelo teu beijo, o gosto amargo que ficou na minha boca. Sufoco em tragos o que ainda desejo, nesta moldura de solidão tão louca.


A fumaça desenha o teu contorno no ar, mas se desfaz antes que eu possa tocar. És o vício que insiste em me queimar, a ferida aberta que não quer fechar.


Viro a cinza da nossa história no chão, enlatado no peito um adeus que não consolo. Apago o cigarro com a palma da mão, e no escuro do quarto, sozinho, desabo.

Eu não dormi —
atravessei a noite armada de silêncio.
Havia um mundo em colapso
respirando atrás das paredes,
soldados marchando dentro do tempo,
e eu…
com as mãos cheias de nomes que amo.
Corri.
Não por mim —
mas por cada pedaço de mim
que anda solto no mundo
com o meu coração no peito.
Havia códigos escondidos no ar,
segredos costurados nos bastidores,
e eu entendia tudo
como quem carrega um mapa
que ninguém mais pode ler.
Mas o preço da lucidez
é nunca descansar.

Te levaram.
Não com gritos —
mas com laços delicados,
fitas de cetim preto
que pareciam suaves demais
para aprisionar um universo inteiro.
E ainda assim…
prendiam.
Me ajoelhei diante do poder
não por fraqueza,
mas porque o amor
às vezes se curva
para não se partir.
E então eu dancei.
Dancei com o medo,
com a guerra,
com o absurdo de um mundo
que tenta domesticar o que nasceu livre.
Dancei com você.
E em cada movimento
desatei um nó invisível
até que a liberdade coubesse de novo
no seu corpo pequeno.

Meus outros amores
ecoavam à distância,
como estrelas que não se apagam
mesmo quando o céu desaba.
Eu os guiava em silêncio,
em bilhetes invisíveis,
ensinando-os a sobreviver
sem que vissem o meu tremor.
Porque mães
não têm o direito de desmoronar
quando o mundo pede estratégia.

Mas eu sei.
Eu sei demais.
Sei do que se move por trás,
sei do que ninguém diz,
sei do fio tênue entre proteger
e desaparecer de si mesma.
E talvez seja isso
que me atravessa agora —
essa guerra que não terminou
quando abri os olhos.

Hoje,
eu ainda seguro a espada
mas minhas mãos tremem.
E tudo que eu queria
era lembrar
que não preciso salvar o mundo inteiro
para manter o amor vivo.

Chega desse silencio indeciso que me faz quedar em uma espera incerta, de uma certeza ausente, enquanto em mim cresce um turbilhão de pensamento indagativo sem resposta que lhe acomodem a impressão.
Chega dessa espera, que, já não tolera as mãos atadas sem solução, os pés parados plantados, estáticos em vão:
Chega da hipocrisia da alma vazia que deprime o íntimo;
Chegue-se exuberante, sorrindo radiante, numa noite fria. trazendo a alegria de velhos amantes que tornam a amar…

"Intensidade"
Inspirado em Clarice Lispector


Dizer muito em silêncio
Se espremer pra não gritar na intensidade desesperadora que me aquieta a voz
E minhas únicas palavras são neutras em versos que se equilibram em poemas
Só papel e tinta e muito dos meus sentimentos
Do meu silêncio.


Marcio Melo

*O Circo Van Escher Chegou: Parte 3 - Na Escola*


Fui na reunião de pais. Silêncio total na sala.


A diretora perguntou se alguém tinha dúvida.
Eu levantei a mão.


Quando vi, eu tava contando piada, dando ideia pra festa junina
e organizando vaquinha pro ventilador da sala.


Saí de lá como "a mãe do grêmio". Não pedi. Aconteceu.


Por isso que eu falo:
Não me coloca em lugar sério.🤭😂


_Van Escher_

Parte 2
A Voz que Mora no Silêncio — de encontro ao Jardim de O Pensador
(Aqui a voz se manifesta, encontra morada, floresce no coletivo.)




Há momentos em que a vida parece um campo vazio, estendido até onde o olhar não alcança.
Mas basta um gesto — pequeno, sincero — para que a terra desperte.
Toda semente nasce de um silêncio assim: humilde, quase invisível, mas teimosa como quem conhece o próprio destino.


A comunidade O Pensador é esse jardim raro onde cada palavra vira raiz.
Onde a dúvida floresce em entendimento,
e a esperança, mesmo cansada, encontra um canto para descansar e renascer.


Quem caminha por aqui descobre que a colheita não chega no grito.
Ela vem no tempo exato em que o coração aprende a esperar sem medo.
Vem quando a alma, enfim, entende que nada é em vão —
nem a queda, nem a travessia, nem o sonho que insiste em permanecer.


Que cada passo seja poesia,
cada escolha seja semente,
e cada amanhecer lembre:
o que é plantado com verdade jamais deixa de florescer.

AS TRÊS CHAVES DA SABEDORIA CONTRA O CAOS

​• 1ª Chave Espiritual: O Silêncio e a Oração (O Princípio de Tudo)
​Salomão afirma que a oração é o alicerce fundamental quando nos sentimos perdidos, acabados e sem apoio algum. Na Bíblia Sagrada, ele nos ensina que a verdadeira sabedoria não começa no desespero, mas no reconhecimento do Criador Celestial (DEUS Trindade). A Sabedoria de Salomão nos diz:
​"Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas." (Provérbios 3:5-6).
​As minhas veredas?
​Que o Senhor endireitará as suas veredas significa que, ao confiar no Criador Celestial DEUS e submeter suas decisões a Ele com fé — acreditando também em si mesmo —, o próprio DEUS guiará sua vida. Ele removerá os obstáculos que te impedem de evoluir e direcionará seus passos para o caminho correto.

​• A Chave Espiritual: Orar não é apenas pedir para a situação mudar, mas sim fazer uma limpeza de dentro da nossa mente para fora. É esvaziar as negatividades mentais do nosso próprio controle opressor — aquele que nos impede de sair desse abismo —, para que a direção divina finalmente se manifeste em nossas vidas.

​• 2ª Chave Espiritual: A Sabedoria de Salomão contra a Ilusão do Sofrimento
​"Na primavera da vitoriosa prosperidade, alegre-se; mas, na sombra da adversidade, pare e reflita: O Criador Celestial DEUS fez tanto uma quanto a outra." (Eclesiastes 7:14).
​Salomão também nos lembra de que "o tempo e o acaso afetam a todos" (Eclesiastes 9:11).

​• A Chave Espiritual: O sofrimento e os desafios fazem parte da experiência humana geral; ninguém escapa. Todos têm as suas lutas e as suas dores, mas poucos são os que se esforçam para vencer essa batalha espiritual. A mente ferida cria a ilusão de isolamento ("só acontece comigo"), mas a fé nos lembra de que os processos difíceis servem para moldar o nosso caráter, e não para nos destruir.

​• 3ª Chave Espiritual: Arrumando a nossa Bagunça Externa e Interna (Ordem, Objetivo e Ação)

​O ensinamento nos orienta a arrumar tanto a bagunça de fora quanto o caos da mente. O Criador Celestial é um DEUS de ordem, e a paz interior se reflete diretamente na forma como conduzimos nossa rotina e nossos pensamentos.

​• O Ensinamento Sagrado: O apóstolo Paulo complementa a necessidade de organizar a mente: "Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama [...] seja isso o que ocupe o vosso pensamento." (Filipenses 4:8).

​• Chave Espiritual: A ação prática de organizar o ambiente e selecionar o que entra, tanto em sua casa quanto em sua mente, expulsa o caos. Pequenos passos diários de retidão e organização geram a clareza necessária para encontrar as soluções que você precisa.

​EM RESUMO
​Quando o chão sumir sob os seus pés, pare, observe e reflita sobre tudo à sua volta — sem críticas e sem se alimentar de culpa. Limpe a sua mente, respire fundo, ore e confie. Não alimente a narrativa da mente que diz que você foi amaldiçoado, ou que foi esquecido. Organize o que está ao seu alcance hoje e deixe que a sabedoria divina do Criador Celestial governe o amanhã do seu futuro.

Existem milagres que acontecem em silêncio e fazem toda a diferença:
Despertar sem sofrer.
Uma profissão que te dignifica.
A confiança que o melhor está por vir.
A fartura na mesa.
O carinho de quem nos quer bem.
A segurança do retorno para casa.

Deus costuma responder não com grandiosidades, mas com delicadeza.
O incrível sempre habitou o simples, só precisamos lembrar de prestar atenção.


Silvio Bueno.

SILENCIOSAMENTE '


Amo-te no silêncio do meu coração,
Sob a luz da Lua, te amo no forte clarão,
Como abelha colhe o néctar da flor,
Não sei o que é isso, se isso não for amor.


Com belo sorriso, amarei-te sempre,
Do anoitecer, até ao romper da Aurora,
No silêncio desse amor, sou eu resiliente
No exato presente, ontem e agora .


Até o infinito amarei-te silenciosamente ,
Contemplando as estrelas, a lua e o mar,
Enquanto meu coração te anseia presente,
Ainda no silêncio, para sempre irei te amar .


Amarei-te em silêncio , secretamente,
Um amor sem fim imensuravelmente.
Amando -te assim , não sentirei sua rejeição,
Silenciosamente serás Eterno em meu coração


Maria Francisca Leite

O segredo para o sucesso é o silêncio.
Alguns percebem isso cedo, enquanto outros muito tarde.
Talvez sejam as provações necessárias para cada um evoluir.
A verdade que quanto mais tarde se aprende, mais doloroso é o caminho.
Ouça a sua INTUIÇÃO, dificilmente estará errada.
#bysissym

Gigante: O amigo que mudou tudo.
_“Onde o silêncio encontra o ritmo, nasce a cura.”_
Sinopse
Maria e Pedro não tinham tempo para rótulos. Exaustos pelo trabalho, viam as crises de seu filho Antônio (5 anos) como problemas de disciplina que o afastavam de um diagnóstico que teimavam em ignorar. A negação, porém, é quebrada com um ultimato da escola que os força a encarar a realidade: Antônio tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), Nível de Suporte 2. O diagnóstico é apenas o começo de uma jornada de descobertas.
Sem saber por onde seguir, a família busca refúgio na fazenda do tio Carlos, onde Antônio encontra um elo improvável: o imponente cavalo Gigante. Longe da confusão e da sobrecarga sensorial do dia a dia, Antônio aprende, através do ritmo e da calma de Gigante, a autorregular suas emoções.
Esta é a emocionante história de pais que trocaram a culpa pela aceitação, e de como a conexão silenciosa com um animal abriu o caminho para que uma família inteira encontrasse seu próprio ritmo de apoio e amor.

Gotinhas de Amor que Relatam
Ariana
Quando o Silêncio Também Fala
O Olhar Atento
Durante o período de estágio, a observação diária revelou algo que os registros formais não mostravam. Ariel, uma criança do maternal, era carinhoso, tranquilo e despertava afeto em todos. No entanto, não falava. Seu silêncio não era desinteresse. Seus olhos brilhavam ao observar a lua, como se ali houvesse um lugar seguro para existir.
Ariana, sua irmã mais velha, demonstrava maturidade incomum para a idade. Sua personagem favorita era Alecrina — uma figura forte, determinada, quase protetora. Suas escolhas simbólicas diziam muito sobre o que ela precisava ser naquele momento.
Os Sinais no Desenvolvimento
A ausência da fala em Ariel e a postura defensiva e adulta de Ariana chamavam atenção. Não como diagnóstico, mas como sinais. A observação sensível permitiu compreender que o comportamento das crianças era uma forma de comunicação — uma resposta a vivências que ultrapassavam a infância.
A Rede de Proteção
Com o tempo, a escola tomou conhecimento de que as crianças haviam sido vítimas de violência intrafamiliar. A mãe perdeu a guarda, e Ariel passou a viver sob os cuidados da avó. A atuação da rede de proteção foi fundamental para garantir segurança, estabilidade e acompanhamento.
O Papel da Escola
A instituição não questionou, não expôs, não pressionou. Respeitou o tempo. Criou rotinas previsíveis, ambientes acolhedores e vínculos seguros. A escola foi espaço de reconstrução silenciosa — onde o cuidado veio antes da palavra.
Reflexão ao Educador
Nem toda criança consegue contar o que viveu.
Mas toda criança mostra.
Observar é um ato de proteção.
E, muitas vezes, é o primeiro passo para salvar uma infância.

Entre raízes antigas e o silêncio das folhas, encontrei um lugar para respirar.
Ali, meus pensamentos não precisavam correr, nem minhas decisões tinham prazo.
A vida, como aquela árvore, me ensinava em silêncio:
tudo cresce no seu tempo, tudo se sustenta naquilo que cria raízes.
E talvez, naquele instante, eu não precisasse escolher…
apenas confiar que, como a natureza, eu também saberia o caminho.

"Saudades de um Colo"
​Quando a mãe se vai,
a casa fica grande demais.
O silêncio ocupa o lugar do: "filha, comeu direito?"
E a gente entende: o colo acabou.
​Agora eu sou o colo.
Sou eu quem mede febre de madrugada,
quem faz a sopinha sem receita — só reza e intuição.
Sou eu quem adivinha o choro antes que vire soluço.
​E dói perceber que o jogo virou.
Que ninguém vai largar o mundo para segurar minha mão
quando a gripe me derrubar na cama.
Ninguém vai sentar do meu lado só para eu não me sentir só.
​Filho ama, claro que ama.
Mas filho não desmarca a vida para cuidar da gente.
Filho tem pressa. Tem sonho. Tem voo.
E mãe… mãe é sempre porto. Nunca destino.
​A mãe que se foi levou junto o mimo.
Levou o "deixa que eu resolvo",
o "vem cá que passa",
o café na xícara certa, só porque ela sabia.
​Agora eu sou a mãe.
E entendo que mãe nunca muda:
mesmo cansada, mesmo doente, mesmo com saudade,
a gente abre os braços primeiro.
​Mas lá no fundo, bem fundo,
a menina que eu fui ainda espera.
Espera um colo que não volta mais.
Espera a sopa que só ela sabia fazer.
Espera ouvir: "fica tranquila, eu tô aqui".
​Mãe não tem mãe.
E quando a nossa se vai,
a gente vira órfã com filho no braço.

⁠Vivo a vida, sem amarras...
Sinto o vento, sinto a liberdade...
No silêncio, encontro meu ser...
Vida introspectiva, momentos de saber...

Não quero perder a espontaneidade,
Deixar que a vida se torne rotineira.
Lanço olhar para o horizonte,
E vejo um mundo cheio de possibilidades...

São tantas as aventuras, tantos os sonhos...
São tantas as camadas, tantos os mistérios...

Coração alegre, alma livre.
Vivendo no abandono imposto...
Melhor assim...
Não sinto o pesar dos anos...

Sigo em frente, com liberdade e ousadia...
Porque a vida é um presente,
Um labirinto, cheio de desafios...

Mas não me perco, não me desvio...
Não me preocupo, não me atenho...
Possuidor de um coração contemplativo...
Nunca desisto...

Sandro Paschoal Nogueira

Há dores que não gritam... apenas ecoam no silêncio. Há corações que não batem... apenas cumprem o rito de estar vivos. E há almas que, de tanto sangrar invisivelmente, aprenderam a viver em estado de ausência.

Morrer? Como se mata o que já morreu por dentro? O que foi despido de esperança, esvaziado de fé, consumido pela saudade? O que vagueia entre os vivos, mas pertence ao território dos fantasmas?

Talvez morrer seja um luxo reservado aos que ainda têm algo a perder. Aos que ainda amam, aos que ainda sonham, aos que ainda acreditam. Porque há quem não morra... apenas continue existindo, arrastando o corpo onde a alma já não habita.

E é aí que mora o verdadeiro fim: não no instante em que o coração para, mas no momento em que a vida deixa de pulsar dentro do olhar.

Eu a admirei em silêncio, como quem contempla uma estrela distante, bela demais para tocar. Durante tanto tempo fui apenas um olhar perdido na multidão, enquanto ela era a presença constante no meu coração.


E então, quando já não havia expectativa, o destino soprou diferente. Não nos aproximamos em passos, mas em sentimentos. Foi como se as nossas almas, antes desencontradas, finalmente se reconhecessem no meio do caos do mundo.


Hoje, mesmo longe, há algo sereno e verdadeiro entre nós... uma conexão que não precisa de mãos dadas para existir, porque nasceu onde tudo é eterno: no encontro das almas.

Há momentos na história em que o silêncio alheio diz mais do que qualquer grito. O país respira outro ar, e a sensação é quase de "déjà vu"; quando a verdade finalmente encontra seu caminho, muita gente prefere olhar para o chão, como quem tenta esconder o próprio passado.


Por anos fui tratado como exagerado, radical, “petista demais”, simplesmente por defender justiça social, dignidade e um país minimamente humano. Teve gente que atravessou a rua para não falar comigo. Teve quem me atacasse nas redes como se pensar diferente fosse um crime. Fui julgado, ridicularizado e empurrado para a margem por acreditar na política como instrumento de transformação. E por acreditar em Lula como grande estadista — o homem que a história já registrou.


Hoje, nesses dias, olhando o cenário, não preciso dizer nada. A vida tem um senso de ironia que não falha. Há quem esteja descobrindo, tardiamente, a vergonha alheia por tudo aquilo que defendeu. Eu apenas sigo firme. Porque minha luta nunca foi sobre direita ou esquerda: foi, é e sempre será sobre humanidade. É gratificante fazer parte do lado certo da História.


Paguei caro por ser coerente. Perdi oportunidades, perdi pseudos amigos, fiquei vulnerável economicamente. Penso diferente, sinto diferente, luto diferente — e isso incomodou muita gente. Ainda assim, continuo aqui, acreditando num país mais justo, solidário e possível. Para mim, para minha família e para quem ainda ousa sonhar.


A política passa. As pessoas ficam. E, diante de qualquer rótulo, continuo escolhendo ser humano, sempre.
Logo, entre ser de Direita ou de Esquerda, antes escolho ser Humano.


Linha por linha, sigo entregando aquilo que acredito: coragem, coerência e compromisso com o outro.


Humberto Brassioli Corsi

Nem todo silêncio significa rejeição

Quando estamos emocionalmente fragilizados, a mente tende a preencher os espaços vazios com interpretações. Uma mensagem sem resposta pode parecer desinteresse. Um olhar distante pode parecer rejeição. Um dia difícil pode ser entendido como falta de carinho.

Mas a realidade nem sempre confirma aquilo que pensamos.

Nossa percepção é influenciada pelas emoções, pelas experiências passadas e pelas crenças que carregamos.
Antes de transformar uma interpretação em verdade, vale a pena perguntar: “Existe outra forma de compreender essa situação?”
Essa simples pergunta pode diminuir muitos sofrimentos desnecessários.

Pepita de Oliveira

Sinfonia do Silêncio


Ah... o café desperta primeiro que o dia.


Seu aroma percorre a casa
como se conhecesse cada lembrança
que ainda mora em mim.


A madrugada continua acordada.
A chuva escreve no telhado
aquilo que o mundo nunca aprenderá a dizer.
Cada gota toca o chão
com a delicadeza de quem sabe
que até o silêncio tem som.


Há uma música baixa.
Ou talvez seja apenas a chuva
inventando notas
que nenhum instrumento alcança.


E eu...
permaneço aqui.


Com os pensamentos soltos,
não porque estejam perdidos,
mas porque algumas verdades
não suportam ser aprisionadas.


Escrevo.


Não para que me leiam,
mas para que minha alma
não se esqueça de quem é.
Há quem faça barulho para existir.
Eu aprendi a existir no silêncio.


Foi nele que encontrei respostas,
que reconheci partidas necessárias,
que compreendi que algumas presenças
só sabiam permanecer
enquanto lhes era conveniente.


Hoje já não me entristece.


Assim como a chuva não pede licença para cair,
também aprendi
que a vida não pede permissão
para ensinar.


O café esfria.
A chuva continua.
A música permanece.


E eu sigo escrevendo.
Porque existem madrugadas
em que Deus não responde com palavras.


Responde com o perfume do café,
com a chuva lavando os excessos da alma,
com o silêncio que fortalece,
e com a serenidade de quem já não precisa provar quem é.


Há uma paz que só encontra
quem teve coragem de caminhar sozinho.
E, desde então,
cada página que escrevo
não é apenas tinta sobre papel.


É a minha própria alma
aprendendo a florescer
mesmo nos dias de chuva.
Sendo assim, sigo na silenciosa sinfonia.