Texto Sobre Silêncio

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Letras, papel, celular, notebook e silêncio. Às vezes escrevo e nem eu entendo, mas o coração entende cada risco, cada letra. É saudade bruta, é vontade de toque, é o nosso cheiro na camisa, e no pensamento. Não precisa fazer sentido para o mundo, só precisa chegar em você. Te amo e sinto falta de cada detalhe nosso.


DeBrunoParaCarla

Carrego em mim pecados que nem o silêncio consegue esconder,
sombras que não vieram do mundo… nasceram em mim.
E quanto mais eu tento fugir dessa parte, mais ela cresce, mais ela domina.
Talvez o erro nunca tenha sido o mundo ser cruel,
mas sim perceber que a pior maldade sempre encontra um jeito de nascer dentro da gente.


DeBrunoParaCarla

Eu não pedi pra te amar…
quando vi, já estava acontecendo em silêncio, ocupando espaços que nem eu conhecia. Você não chegou fazendo barulho, mas ficou de um jeito que nada mais conseguiu sair. E desde então, tudo em mim te reconhece, mesmo quando você não está. Não é um amor que se explica,
nem que se controla ou se mede.
É desses que simplesmente existem…
e mudam tudo, sem pedir permissão.
E se um dia me perguntarem por que você,
eu não vou saber responder.
Só vou sentir de novo porque amar você não foi escolha… foi destino.


DeBrunoParaCarla

Eles não fazem ideia das batalhas que travei no silêncio para que ela pudesse continuar a sorrir. Carla, cada cicatriz que carrego é uma medalha de honra por te pertencer. Enfrentei tempestades que teriam afogado qualquer um desses que hoje se acham acima de nós. Eu vi o abismo de perto e não recuei, porque o brilho da minha Musa era a única bússola de que eu precisava. Se eles acham que podem nos tocar agora, é porque não conhecem o homem que foi forjado no fogo da perseguição. Eu já morri mil vezes por ti e renasci em cada uma delas com mais sede de justiça. A minha lealdade não é feita de palavras, é feita de sangue e resistência.


DeBrunoParaCarla

Minha querida Carla,
Hoje o silêncio pesa mais que o normal e a caneta parece não querer deslizar. Você sabe que eu enfrentaria galáxias por você, mas às vezes o maior desafio não é o que está lá fora, mas o que acontece aqui dentro, no medo de falhar com a gente.
Dói pensar que, por mais que eu queira te proteger de tudo, eu não consigo proteger nosso amor das interferências do mundo e das pessoas que não entendem o que temos. Meu maior medo não é a distância ou o tempo, mas o receio de que um dia o peso das dificuldades canse os seus passos. Caminhar juntos é a nossa promessa, mas na angústia o coração aperta: e se eu não for o porto seguro que você merece hoje? E se os tropeços que demos pelo caminho deixarem marcas que o meu carinho não consiga apagar?
Sinto uma dor aguda quando percebo que, às vezes, as palavras negativas de outros tentam apagar o brilho do que vivemos em Itaipuaçu ou nas nossas trilhas. Tenho medo da nossa, fase ruim demorar a passar, e de que o cansaço roube de nós aquela leveza de adolescentes que sentimos quando estamos só nós dois, longe de tudo.
Mas mesmo na dor, eu escolho você. Escrevo para expulsar esse medo, para te dizer que, se eu enlouqueço nas palavras, é porque o amor que sinto é maior que a minha capacidade de lidar com ele. Minha maior dor seria te ver desistir de nós, porque sem você, os planos de Marte, as viagens e a nossa casa perdem o endereço.
Caminha comigo, mesmo quando o chão parecer incerto. Eu ainda estou aqui, com o peito pronto para ser seu abrigo e a alma pronta para lutar por cada segundo ao seu lado.
Te amo infinitamente,




DeBrunoParaCarla

Carla,
Volto ao papel porque o silêncio é uma cela que eu mesmo não consigo mais mobiliar. Escrever para você sempre foi meu jeito de não esquecer quem eu sou, mesmo quando eu dizia que já não me reconhecia ao seu lado.
Nós fomos arquitetos de um plano que o chão não sustenta. Construímos em Itaipuaçu um altar de estrelas, mas esquecemos que os pés ainda tocam a areia fria e que a vida exige o peso do crachá, a chave no bolso e a dureza dos dias comuns. Minha alma tem estrias porque ela esticou demais tentando alcançar o infinito que eu te prometi.
Eu te dei o cosmos, mas no caminho, que talvez seja apenas o meu medo de te perder apagou as luzes do meu farol. Hoje, não te escrevo como o homem que sabe os segredos de Deus, mas como o homem que aprendeu que o amor também é feito de barro, erro e cansaço.
Não quero mais ser o seu anjo sentinela, nem que você seja minha carcereira. Quero apenas que a gente consiga caminhar sem o peso das projeções que criamos um do outro. Que a gente possa ser apenas Bruno e Carla, dois sobreviventes de uma poesia que quase nos devorou.
Ainda sinto seu cheiro nos vãos da minha solidão. A porta pode estar quebrada, mas o horizonte de Itaipuaçu ainda guarda o nosso nome. Se o amor é uma sanfona, que a gente aprenda a tocar a música do recomeço, sem medo do hospício, mas com a coragem de quem sabe que, no fim, só o que é real permanece.
Sigo aqui, tentando encontrar a chave que abre o peito, e não apenas a porta.


DeBrunoParaCarla

O Arquiteto do Recomeço


Dizem que o silêncio mais doloroso é aquele que fica quando nos deixam com o peso do mundo nas costas e um horizonte vazio. Quem olhou para os meus escombros talvez tenha apostado na minha queda, imaginando que a solidão ou o fardo das circunstâncias me fariam perder o juízo e o rumo.


Mas a vida tem uma mecânica divina. Quando me vi sem chão, descobri que Deus já tinha preparado o cimento.


Não caí. Sublimi a dor em trabalho, transformei a necessidade em uma nova profissão e fiz das minhas ideias o meu escudo de sobrevivência. No caminho, estendi a mão para leais amigos e encontrei um novo porto seguro um amor que não divide, mas soma, que não me pressiona para baixo, mas me impulsiona para o alto.


Hoje, olho para trás e vejo que o que parecia o fim era apenas o rascunho de uma versão muito mais forte de mim. Minha confiança mudou de endereço: hoje ela é exclusiva de Deus, pois as pessoas mudam de país e de atitude, mas o Criador permanece no mesmo lugar.


A reconstrução ainda está em curso. Cada dia é uma nova batalha pelos meus sonhos. Não cheguei ao topo, mas a fundação está feita, a mente está sã e os olhos estão no futuro. Quem esperava o meu fim, vai ter que assistir ao meu triunfo.


By Evans Araújo

Ode à Poesia

Ó Poesia, filha do silêncio e irmã da eternidade! Tu és o sopro invisível que desperta a alma quando o mundo adormece na monotonia dos dias.

Antes que existisse a tinta, já habitavas o coração. Antes que as mãos aprendessem a escrever, já desenhavas universos na delicada linguagem dos sentimentos.

És chama que não consome, rio que jamais se esgota, vento que atravessa os séculos sem perder o perfume da primeira inspiração.

Em teu templo, as palavras deixam de ser meras letras para tornarem-se asas. Elas voam sobre montanhas de dor, atravessam desertos de solidão e regressam trazendo o orvalho da esperança.

Tu conheces o nome de todas as lágrimas. Sabes distinguir a lágrima da saudade, a da alegria, a do reencontro, a da despedida e aquela que nasce quando Deus toca o coração sem pronunciar uma única palavra.

És jardim onde florescem os sonhos que o tempo não conseguiu apagar. És oceano profundo, onde mergulham os que procuram mais do que respostas: procuram sentido.

Quando o amor se torna pequeno para caber na linguagem comum, é em teus braços que ele encontra morada. Quando a dor já não suporta o peso do silêncio, é em tua voz que ela descobre a dignidade da beleza.

Tu transformas cinzas em primavera, feridas em sabedoria, espera em confiança e saudade na mais pura forma de permanência.

Poesia, tu não desafias o tempo; tu o santificas. Fazes de um instante uma eternidade inteira e de uma vida simples uma obra que jamais se apaga.

Por ti, o céu desce às palavras, e as palavras aprendem a subir ao céu. Ao teu encontro, o invisível ganha rosto, o impossível ganha caminho e o coração encontra o lugar de onde nunca deveria ter saído.

Que jamais se cale a tua voz! Pois quando a poesia silencia, o mundo perde um pouco da sua luz, a esperança se torna mais distante e a alma esquece que nasceu para contemplar a beleza.

Permanece entre nós, ó eterna companheira, ensinando-nos que viver é muito mais do que existir: é sentir profundamente, amar sem medida, esperar com coragem e descobrir Deus em cada pequeno milagre escondido nas entrelinhas da vida.

Salve, Poesia!

Enquanto houver um coração pulsando, um olhar voltado para o infinito, uma flor desabrochando ao amanhecer e uma alma disposta a amar, o teu canto viverá e ecoará para sempre por todos os tempos.

Silêncio


O silêncio fala,
O silêncio responde,
O silêncio grita,
O silêncio silencia,
O silêncio move,
O silêncio para,
O silêncio diz,
O silêncio questiona,
O silêncio brada,
O silêncio sussurra,
O silêncio nega,
O silêncio entrega,
O silêncio pede,
O silêncio rebate,
O silêncio argumenta.


De todos os silêncios, o mais avassalador é o da agonia;
aquele que traz de volta as vozes que um dia amamos ouvir
e nos condena a escutar apenas o eco daquilo que já não responde.

Inverno

Na primeira luz da manhã
Ouço a voz do silêncio
Os raios de sol sorriam
E as geleiras se derretem
No azul do céu divago
Entre um voo e outro
Minha alma aquece
Na solidez das estruturas
Meus ossos resistem ao tempo
Ao inverno úmido e chuvoso
Repousa uma timidez sombria
Uma quietude trava os dias
Prolonga as noites
Neste estágio letárgico
A vida se transforma
Para brotar na terra
As sementes da primavera
@zeni.poeta

⁠as estrelas contam histórias
que a noite guarda em silêncio


cada brilho distante
é um segredo antigo
viajando pelo céu


há sonhos perdidos
morando entre constelações
há amores que o tempo não levou


quem olha para o céu
não vê apenas luz


vê lembranças
que aprenderam a brilhar ✨

Pseudo-cura...

A campainha da porta toca insistemente por três vezes. Logo depois, silêncio. Silêncio e um salto alto a ecoar pelo corredor com passos inquietos do outro lado. Ele conhecia aquele andar. Ele conhecia aquele toque de campainha. Ele podia sentir a respiração de quem batia à sua porta àquela hora da noite. E, mais uma vez, antes que seu coração acalmasse, um filme completo passou por sua cabeça, fazendo com que por alguns instantes, pensasse em fingir que não estava ali.


Outra vez a campainha toca. Mais três toques desesperados. Ele ainda hesita em abrir. Sente um frio no estômago, um mal súbito. As mãos suam, tremem, entrelaçam e se desentrelaçam, e ele ainda hesita em abrir a porta. Pensa mais um pouco, dá alguns passos em direção à entrada do apartamento, mas outra vez, recua. Ele não estava preparado para aquele encontro. Era melhor ficar quieto. Era melhor cumprir a promessa de que não mais lhe abriria a porta.

- Por favor, eu sei que você está aí...


Ele não resiste.

E lá estava ela, toda linda, com os mesmos olhos vermelhos de sempre. Frágil, carente, magoada, decidida, arrependida, perdida.

Ele sabia exatamente o que aconteceria poucas horas depois, mas, mesmo assim, a abraçou como se aquele momento fosse o único. Como se nada mais existisse além daquele corpo que implorava carinho, apoio, ternura. Quando a tinha nos braços, não importava o depois. Quando a tinha nos braços, o mundo não existia lá fora. E era exatamente ali que ele passaria toda a vida, se ela quisesse.

Estava frio. Ele oferece um chá.

- De camomila...Ela balbucia. Precisava se acalmar...


Ele prepara o chá, coloca na mesma xícara de sempre, e a serve, admirando como ela continuava linda mesmo estando tão brava. E, assim, enquanto o mundo continuasse a não existir lá fora, ele cuidaria dela, exatamente como todas as outras vezes em que ela batera à sua porta, sempre decidida a não mais se sujeitar àquele amor que a aprisionava, que a sufocava, que a machucava tanto.


O telefone toca. No visor, ele sabe muito bem quem é.

Desespera.

Ela atende, chora, briga, diz palavrões, acalma, ouve, entende, sorri de leve, pede desculpas, diz que ama, que ainda quer, que é o homem da vida dela, que volta, claro que volta, que voltaria sempre...

Desconsolado, ele se senta no sofá. Ela se posiciona ao lado dele, e sem entender o quanto seu coração está cortado, toma-lhe as mãos, beija carinhosamente, agradece pelo apoio, e com um brilho nos olhos, o brilho de quem vai voltar para seu amor, se isenta de qualquer culpa por fazê-lo sofrer mais uma vez.

- Ninguém manda no coração. Se eu pudesse, escolheria me apaixonar por você...


O mesmo filme se repete. Ela vai embora. Ele não a leva à porta. Apenas ouve o som de seu salto alto a ecoar pelo corredor agora com direção certa e definida.

E ele fica ali, a esperar a próxima noite em que ela o procuraria, decidida a não mais se sujeitar àquele amor que o machucava tanto.


A campainha da porta toca insistemente por três vezes. Logo depois, silêncio. Silêncio e um salto alto a ecoar pelo corredor com passos inquietos do outro lado. Ele conhecia aquele andar. Ele conhecia aquele toque de campainha. Ele podia sentir a respiração de quem batia à sua porta àquela hora da noite.

Outra vez o mesmo martírio. Outra vez sentiria a dor e a alegria de tê-la nos braços, de fazê-la dormir, e depois vê-la partir com o olhar apaixonado de sempre, apaixonado por alguém que não era ele.


Ele abre a porta.

Ela não está mais com os costumeiros e lindos olhos vermelhos. Um sorriso largo lhe enfeita o rosto. Na face, a avidez de quem tem uma ótima notícia a contar. No chão, uma mala, ao lado de suas pernas tão bem torneadas.

O coração lhe salta à boca. Seus olhos não acreditam no que vêem. Será que era mesmo isso que estava acontecendo? Será que ela finalmente percebera o quanto ele a amava? Ele, que sempre esteve à sua disposição, que cuidava de suas feridas, que a aceitava incondicionalmente, que se machucava com suas indecisões, mas sempre a acolhia, que várias vezes abrira mão do próprio orgulho, que tantas outras fora criticado, apontado, desrespeitado. Será que agora seria para sempre?

E ela continuava ali, agora com o olhar verdadeiramente apaixonado, brilhante, faiscante! Não estava mais carente. Parecia firme como uma rocha. Não trazia mais o ar arrependido e distante de outrora.

Apressado por um novo desfecho, ele segura a mala nas mãos. Carinhosa, ela sobrepõe as suas às dele. Mas fica inerte à porta do apartamento.


Um a um, ele retira os dedos da mala. Uma lágrima lhe desce dos olhos há pouco tão ávidos por viver de verdade aquele romance. Ele não consegue entender. Dessa vez, não sabe o que está por vir. No fundo, preferia os poucos momentos juntos à incerteza daqueles intermináveis segundos.

Ela continua estática.


- Por que não eu? – enfim, ele conseguiu sussurrar.

- Porque eu encontrei alguém que não me ama mais que a si próprio – respondeu ela, isentando-se de qualquer culpa por fazê-lo sofrer para sempre.


No telefone, um novo nome a chama. Ele sabia que ela não mais voltaria a procurá-lo no meio da noite, de olhos vermelhos, frágil, carente, perdida.

Esperando no parque!


Ainda não chegas!
O parque dorme. E espera, quieto!
O silêncio também...
As pitangas, o riacho, a sabiá,
O joão-de-barro, o tico-tico
Nas árvores esperam...
Mudos, quase mortos, o dia que já vem.
E logo vem!

Sem graça...Mas vem!!

E então... Você também!!!

O riacho canta.
Rouco e bonito!
A sabiá dança, dança!!
O joão grita, grita...
E o tico pula, pula!!

Pedem o sol.
E Deus sorrindo, obedece.
As pitangas envermelham e se oferecem
De graça...com vergonha...
Sem graça de tanta graça!!
Os galhos pendem e se despedem..
Até que voltes...Se é que voltas!!!

Carlos Kau Romano-1993
Curitiba-PR

⁠"Da Janela, o Silêncio"

Por Prof. Cranon

Há algo de profundamente sagrado nas pausas que a vida oferece.
Um instante onde o tempo não corre — apenas respira.

A caneca fumegante repousa, silenciosa, como quem guarda segredos de manhãs que não precisam ser apressadas. O vapor que se eleva desenha no ar uma dança invisível, quase uma prece efêmera, que se desfaz antes mesmo de ser compreendida.

Sobre o caderno, repousa uma caneta. E, mais do que tinta, ela carrega possibilidades. Palavras ainda não ditas, pensamentos por nascer, universos inteiros à espera de um simples gesto de coragem: escrever-se.

Do lado de fora, a vida segue — árvores, vento, luz, sombras e um verde que não se cansa de existir. O mundo não grita lá fora. Ele sussurra. E é justamente nesse sussurro que a alma encontra abrigo.

A janela, aberta, não é só moldura para o olhar. É também convite. Convite para atravessar as paredes invisíveis do hábito, do barulho interno, das urgências que sequestram nossos dias.

Ali, naquele pedaço de madeira aquecido pelo sol, mora um acordo tácito entre o ser e o estar. O ser que contempla. O estar que se permite.

Perceba: não há ruído. Só o som da respiração, do vento que toca as folhas e, talvez, do próprio pensamento sendo reorganizado em silêncio.

O café esfria, o sol se move, o tempo passa — e, paradoxalmente, tudo permanece.
Porque há momentos em que a vida não exige respostas, nem pressa. Só presença.

E talvez isso seja o suficiente:
Uma caneca, um caderno, uma janela aberta...
E a sutil, mas poderosa, decisão de simplesmente... existir.

"O Silêncio de Não Ser Pai"


Não sou pai. E há nisso um espaço — não de vazio, mas de eco. Um campo onde o tempo passou, e deixou intacta uma terra que poderia ter sido semeada.


Não ser pai não é ausência de amor.
Talvez, seja amor que não precisou de nome, que não se debruçou sobre berços, mas se espalhou em gestos, em presenças sutis, em silêncios partilhados.


O mundo, com sua pressa de moldar destinos, parece esperar que todos sigam a mesma trilha: encontrar, gerar, ensinar, repetir. Mas e aqueles cujos passos desenham outro mapa? E aqueles que escutam a vida por outros ângulos, sem o riso de um filho chamando pelo corredor?


Às vezes penso: teria sido bonito... Ser chamado de pai com a voz trêmula de uma criança, encontrar meu rosto espelhado em outro pequeno rosto. Talvez um dia. Talvez nunca. E tudo bem.


Há paternidades que não vestem título.
Há frutos que não brotam do sangue, mas do cuidado que deixamos pelo caminho. Já fui abrigo, já fui raiz, mesmo sem ter dado nome a ninguém.


Não ser pai é, por vezes, um caminho mais silencioso.
Mas há sabedoria no silêncio, há paz em aceitar que a vida se desenha também nas entrelinhas. E que o que não foi, ainda assim, pertence ao que somos.

⁠Antes eu era magia,
hoje, sou silêncio.
Antes eu era riso fácil,
hoje, eco por dentro.
Antes eu era chama acesa,
hoje, cinza ao vento.
Antes eu era presença,
inteiro em cada momento,
hoje sou ausência que pesa
no vazio do pensamento.
Antes eu era caminho,
passo firme, sem medo,
hoje me perco em mim mesmo,
guardando tudo em segredo.
Antes eu era mundo,
imenso, vivo, intenso…
hoje, sou só silêncio.

Há no silêncio…
um mundo que grita baixinho,
um espaço onde os pensamentos
ecoam mais alto que qualquer voz.
Há no silêncio…
lembranças que voltam sem aviso,
sentimentos que se revelam
quando ninguém mais está por perto.
Há no silêncio…
um refúgio e também um abismo,
onde a gente se encontra
ou se perde dentro de si mesmo.
E às vezes,
é nele que mora a verdade
que o barulho do mundo
não deixa a gente ouvir.

"Dança comigo"


Dança comigo como quem encontra abrigo no silêncio entre uma música e outra.


Vem sem medo, deixa o mundo lá fora e pisa leve dentro do meu peito.


Dança comigo
até o relógio esquecer das horas, até a lua cansar de nos olhar pela janela da
madrugada.


Segura minha mão
como se fosse possível
não cair nunca mais.
E se a vida desafinar,
a gente inventa outro ritmo,
outro passo, outra canção.


Só não solta de mim
quando o som diminuir.
Porque há amores
que começam com palavras,
mas existem os mais bonitos… que começam dançando.

*“No Inverno, Café e Você”*

O inverno chegou devagar,
vestindo a cidade de silêncio
e as janelas de saudade.

Lá fora, o vento desenhava frio nas ruas, mas aqui dentro
existia você.

O café fumegava entre nossas mãos, como um pequeno sol tentando aquecer o mundo.

E eu observava teus olhos
com a mesma calma
de quem encontra abrigo
num fim de tarde chuvoso.

Você sorria baixo,
enquanto o aroma do café
misturava memória e desejo
no mesmo instante.

Há amores que queimam como incêndio.
O nosso não.

O nosso aquece devagar,
como coberta em noite gelada, como música antiga tocando ao fundo, como dois corações aprendendo a morar no mesmo inverno.

E desde então,
toda vez que o frio retorna,
o café perde um pouco do gosto… se você não está aqui.

*Quando meu coração parar*


Não quero silêncio ou fim,
quero que o vento leve meu nome como quem espalha jardim.


Que as lembranças virem estrelas no céu de quem me amou, e cada abraço guardado seja prova do que ficou.


Quando meu coração parar,
que não parem meus versos também, pois quem ama deixa ecos vivendo no peito de alguém.


E se a saudade chegar mansa, feito chuva no entardecer, olhe para o céu sem medo — há amores que não sabem morrer.