Texto Sobre Silêncio
Meu silêncio é a saudade de um sentimento intenso que se fez amplo em meu coração.
Minhas mãos se fazem trêmulas com a aproximação de seu corpo que traz a beldade e a certeza do romantismo direcionada á você.
Meus suspiros saltam de meus lábios com palavras sutilmente e carinhosas á você.
Trago uma rosa e um verso inspirado em você que se faz bela e sincera.
Vivo sem saída de te encontrar, mas te desejando no meu silêncio preferindo te olhar nas minhas intensidades;
Tô querendo sua vida e seus passos para te dá um caminho de felicidade e sem demora para vivermos nossa inspiração;
Me perco e me acho para você se satisfazer para que eu ligue em meias verdades;
O medo se vai para se encontrar com a coragem de me declarar, falando de amor com o meu silêncio hesitando em dias que se perdem em chances desperdiçadas;
Nunca deixei de acreditar na minha capacidade de estar em felicidade e plenitude que me cerca;
Mas por não saber viver de forma plena e sim vivendo na dor o tempo não volta do início para tornar acontecer;
Rascunho
Gostaria de ser a voz que o seu silêncio faz ecoar,
A luz dos seus olhos quando resolvesse me olhar.
Ser a escada das conquistas que você alcançou,
E o abraço seguro onde o seu medo descansou.
Gostaria de ser amada, vista e compreendida,
O porto da sua alma, o amor da sua vida.
Ser amparada, protegida, sem precisar implorar,
Ter um amor verdadeiro que escolhesse ficar.
Um amor que nasce na alma antes de chegar à boca,
Onde os poemas não se escrevem... simplesmente transbordam, gota a gota.
Um amor sem máscaras, sem medo, sem medida,
Daqueles que transformam dois corações em uma só vida.
Mas essa não sou eu...
Você enxerga o mundo inteiro com os olhos do coração,
Enquanto para mim reserva apenas a indecisão.
Sou o rascunho esquecido, coberto de rasuras no papel,
Onde você despeja as frustrações, como quem risca um céu.
Você aplaude os sonhos de quem passa pelo caminho,
E faz do meu amor um lugar vazio e sozinho.
Talvez eu nunca tenha sido a história que quis escrever...
Fui apenas a página que você cansou de reler.
Sobre o que diríamos se o silêncio finalmente falasse
Imagine o instante em que o ar se despede de você. Não o ar que entra e sai distraído, mas aquele último fôlego, o que carrega o peso de todos os outros. Quando o corpo entende que já contou sua história e a linha tênue entre o que fomos e o que seremos começa a se romper, o que escapa dos lábios? Não vale o discurso ensaiado, a teologia decorada, a pose de cético blindado pela vida inteira. No último suspiro, a alma fica nua. E ela reza. Mesmo quem nunca rezou, reza, ainda que seja com o gemido mudo de um coração parando. A pergunta não é se, mas o quê.
Qual seria a sua última oração?
Você pediria salvação a um Deus que passou a existência rejeitando? Daria as costas para a coerência de uma vida construída sobre a ausência d'Ele, só para sussurrar, no breu do fim, um "me acolhe" que contradiz cada debate vencido, cada altar derrubado, cada "não preciso" repetido como mantra? Há um tipo raro de coragem que só o desespero concede, ou seria apenas medo cru, disfarçado de fé tardia? Seria justo com você mesmo, com suas certezas cultivadas em terrenos de orgulho, implorar por um colo divino que a vida inteira jurou não existir? Mas quem, na iminência do apagar das luzes, consegue se importar com a justiça poética do próprio orgulho?
E se a prece não fosse por você? Se, na fronteira derradeira, o ego, esse animal ferido que urrava por atenção, finalmente se calasse, e o amor falasse mais alto que o instinto de preservação? Você pediria que Deus cuidasse de quem fica? Abriria mão de qualquer súplica por si mesmo para que o luto da sua partida não os destruísse? "Protege meus filhos. Aquece o colo da minha mãe. Coloca alguém bom no caminho do meu amor. Não deixa que a minha ausência seja um buraco negro na vida deles." Que poder estranho é esse, que transforma o último fio de voz em escudo alheio? A morte, dizem, é o ato mais solitário. Mas a última oração talvez seja o gesto mais coletivo que um ser humano pode ensaiar, o eco de quem finalmente entendeu que o amor é a única posse que não se perde quando se perde tudo.
A pergunta dói porque ela nos despe. Não há como respondê-la da plateia, assistindo à peça do lado de fora. É preciso sentir o ar rareando, o palco vazio, a luz diminuindo. É quando descobrimos se amamos alguém a ponto de fazer da despedida uma entrega. Se a nossa vaidade teológica ou ateísta é maior que a saudade antecipada de um rosto. Se a ideia que fazíamos de Deus era apenas uma roupa que podíamos despir na hora da verdade, revelando uma súplica crua, sem nome, sem forma, mas pulsante como o próprio sangue que está indo embora.
No seu último suspiro, não haverá plateia. Não haverá testemunhas para aplaudir a coerência ou vaiar a contradição. Haverá apenas o silêncio que antecede o mergulho. E, dentro dele, uma pergunta que você mesmo fará, não com palavras, mas com o sumo da sua existência inteira se derramando em um único pedido.
Então, eu lhe devolvo a faca com a lâmina voltada para o peito da alma: qual seria a sua última oração? Não a resposta bonita para postar. Mas o murmúrio que brotaria da rachadura mais íntima do seu ser, quando até o tempo pedisse licença para sair. Pense. Porque a resposta não cabe no agora, mas define tudo o que você está adiando sentir.
MADRUGADA DE NATAL
Ouve -se ao longe gemidos
O silêncio no corredor impera
A vida, a morte em atritos
Mas é o bem que se espera.
Noto pessoas, famílias, fatos
Cada um com seu problema
Somos complexos mas fracos
A soberba: nosso maior dilema.
Do maior ao dito desprezível
Desejamos a mesma sorte
Aqui não existe status nem nível
Toda máscara cai diante da morte.
Levy Cosmo Silva
"Silêncio que arde"
Guardo teu nome no espaço
entre um suspiro e outro,
onde a voz não alcança
e o gesto fala mais alto.
Meu peito te reconhece
antes mesmo que eu pense,
mas o mundo exige calma,
exige que eu me esconda.
Então te ofereço o que posso:
um toque breve,
um olhar demorado,
um cuidado que finjo ser acaso.
É assim que te amo —
sem palavra alguma,
mas com tudo que treme
no silêncio das minhas atitudes.
E ainda que eu não diga,
meu coração te chama.
Tu não ouve, talvez,
mas eu sigo cantando baixo.
Eu Te Amo no Silêncio
Eu te amo.
E escolho te amar no silêncio, porque nele meu amor não conhece rejeição.
No silêncio, posso guardar você sem precisar explicar o tamanho do que sinto. Posso dizer seu nome dentro de mim e imaginar todas as palavras que talvez meus lábios jamais tenham coragem de pronunciar.
Prefiro te olhar à distância.
Não porque queira você longe, mas porque de perto seria impossível esconder o que meus olhos certamente entregariam.
Há uma beleza em você que me desarma.
E quando você se aproxima, tudo aquilo que ensaiei esconder perde o sentido. Minha prudência se desfaz, minhas certezas se confundem e meu coração parece esquecer que prometeu permanecer calado.
Por isso fico aqui, nessa distância pequena para os olhos e imensa para quem ama.
Talvez você nunca saiba.
Talvez algum dia perceba.
Mas existe algo estranhamente bonito em amar assim: sem possuir, sem exigir, sem interromper o caminho de quem se ama.
Eu te amo no silêncio porque ali ainda posso ter você sem perder você.
Mas confesso:
há dias em que o silêncio pesa.
Porque todo amor escondido sonha, secretamente, com o instante em que deixará de ser segredo.
E se algum dia você olhar demoradamente para mim, talvez descubra aquilo que minha boca tanto tentou esconder:
eu nunca estive apenas te olhando.
Eu estava te amando.
Silêncio.
Ele alivia o barulho externo, mas estimula e concentra aquele que é interno.
Podemos ficar em silêncio e eliminar os sons que vêm de fora, mas e quanto ao que pensamos?
Esse é um dos principais motivos que explicam o porquê de ser difícil manter o silêncio: aquilo que pensamos, imaginamos, sentimos, lembramos, às vezes podem ser coisas turbulentas e complicadas de se processar.
E fazer isso em meio à amplitude do silêncio torna a experiência mais densa e profunda.
Nos lembra de quem somos; das nossas inseguranças; dos nossos defeitos; dos nossos fracassos.
Silêncio também é dor.
Silêncio também é espelho.
O silêncio, os pensamentos, os olhares, a postura, aquilo que estiver, ou não, fazendo.
É um teste. Um teste de nós com nós mesmos. Um teste de tolerância própria e individual. Um teste de carregar o próprio peso, sem os outros olhares, sem ninguém observando, avaliando e opinando.
Como você se sente? Bem? Mal? Abra o coração e deixe que os sentimentos mais enraizados saltem para fora.
Está aí. Tudo está aí. Você os conhece, sabe o que significam (ou ao menos o que deveriam, verdadeiramente, significar).
É difícil, duro, cru e por vezes insuportável, mas, também, esclarecedor, maleável, criativo, e, talvez a parte mais importante, necessário.
Consequências
Gritarei.
Gritarei porque o silêncio pesa
mais do que a dor.
Porque há coisas que não deveriam
ser vistas em silêncio,
nem esquecidas com o passar dos dias.
Carrego a raiva dos rios envenenados,
a dor das espécies que desaparecem em silêncio,
a vergonha de uma humanidade
que se esqueceu de ser parte
e escolheu ser dona.
Sou consequência do descaso,
da destruição disfarçada de progresso,
do concreto engolindo o verde
enquanto a humanidade se acredita divina.
Minha existência é dor.
Dor que aprendi a silenciar
até agora.
Cansei de andar leve
para não incomodar.
De apagar minha luz
para não ferir os olhos dos conformados.
Eu sou a sombra dos animais
mortos sem motivo.
Sou o grito das árvores caídas.
Sou o sopro da Terra
sufocada sob a ganância.
E mesmo assim...
Eu respiro.
Eu resisto.
E essa resistência
já é revolução.
Porque minha dor não será mais invisível.
Minha raiva não será calada.
Já tentei enterrar aquilo que sinto,
mas algumas coisas criam raízes
mesmo no escuro.
Então deixo sangrar.
Que minha dor seja ponte.
Que minha raiva seja raiz.
Não posso devolver aos rios
o que lhes foi roubado.
Não posso devolver aos animais
a vida que lhes arrancaram.
Não posso apagar o fogo
depois que ele consome tudo.
Mas posso me recusar
a fingir que não vi.
Posso transformar o silêncio
em palavra.
A palavra em grito.
E o grito em memória.
Talvez eu seja pequena.
Talvez seja passageira.
Talvez um dia ninguém se lembre
do meu nome.
Mas eu estive aqui.
Eu vi.
Eu senti.
Eu não permaneci em silêncio.
Minha existência pode ser breve,
mas não precisa ser vazia.
Porque toda escolha deixa marcas.
Toda presença altera alguma coisa.
Toda vida, por menor que seja,
toca o mundo antes de partir.
E se não posso mudar
tudo aquilo que já aconteceu,
não farei nada
para deixar que aconteça em silêncio.
Gritarei.
Não porque acredito
que minha voz possa salvar o mundo.
Mas porque me recuso
a ser mais uma testemunha
que viu a destruição
e escolheu calar.
Minha raiva não será minha prisão.
Será minha voz.
E aquilo que fizer com ela
será a minha consequência.
Versos de Cada Dia
Todo dia nasce um verso,
no silêncio da manhã,
a poesia abre a janela,
feito luz que vem de longe,
e encontra o coração.
O poeta segue a estrada,
observando o seu caminho,
vê poesia numa lágrima,
num sorriso pequenino,
num abraço com carinho.
Há poesia no café,
na conversa ao fim do dia,
no olhar de quem espera,
na saudade que se esconde,
na singela companhia.
A vida escreve seus capítulos
sem pedir autorização,
cada instante deixa marcas,
cada escolha traz consigo
uma nova reflexão.
Tem poesia na esperança,
mesmo quando a noite vem,
pois depois da tempestade
há sempre um novo horizonte
para quem espera o bem.
O cotidiano ensina
que viver é aprender,
que o tempo passa ligeiro,
mas aquilo que sentimos
fica dentro do nosso ser.
O poeta não procura
somente grandes emoções;
ele encontra nos detalhes
os mistérios escondidos
nas pequenas situações.
E assim vai versando a vida,
com palavras de verdade,
transformando cada instante
numa página de versos,
num retrato da saudade.
Quando a tarde perde a luz
e a noite chega devagar,
o poeta guarda os versos
que nasceram naquele dia
para amanhã continuar.
Porque todo dia é poesia,
todo olhar pode inspirar,
e enquanto houver sentimento,
haverá sempre um poeta
com um verso para deixar.
Poeta Mbra
Tem coisas que a gente guarda em silêncio por muito tempo.
Pequenas expectativas,
daquelas simples…
mas cheias de significado.
Imaginar o primeiro instante,
o primeiro olhar,
o primeiro sentir.
Como se alguns momentos
merecessem ser vividos
com calma,
com presença,
com verdade.
Mas nem sempre é assim.
Às vezes,
quando a gente chega,
o instante já aconteceu.
E fica uma sensação difícil de explicar,
de ter esperado tanto por algo…
e encontrar ele já vivido,
já ocupado,
já passado.
Não muda o que é.
Mas muda o que foi sentido.
E o mais estranho
é que por fora, nada falta.
Mas por dentro,
fica um pequeno vazio,
de algo que a gente só queria ter vivido
desde o começo.
**O Momento que Não Foi**
Guardei em silêncio
um instante que ainda não existia,
mas já tinha forma dentro de mim.
Não era pressa,
nem era urgência —
era cuidado com o sentir.
Eu sabia exatamente
como seria o primeiro toque,
o primeiro olhar,
o primeiro respirar daquele espaço.
Mas o tempo…
ah, o tempo não pediu licença.
Quando eu cheguei,
o momento já tinha passado por ali,
já tinha sido vivido,
já não era mais começo.
E o mais estranho é que, por fora,
nada faltava.
Mas por dentro,
ficou um vazio manso,
daqueles que não gritam,
só permanecem.
Não é sobre quem esteve,
nunca foi.
É sobre o significado
que morava ali antes de tudo.
Sobre o que eu esperei sentir
e não coube mais naquele instante.
Ainda assim, eu sigo.
Com o que restou,
com o que é,
com o que ficou em mim.
Porque nem todo começo
a gente consegue viver…
mas todo sentimento verdadeiro
a gente aprende a carregar.
O banco a árvore e a lua,
O cansaço, a companhia e o silêncio,
A chuva cai, as lágrimas se misturam,
A luz do poste em frente acende e apaga initerruptamente, a árvore é meu apoio é meu consolo,
Já é madrugada, a chuva parou, as lágrimas também, o luz do poste já não acende mais, a lua ilumina, a sombra da árvore me acalma,
O banco agora virou cama, talvez ao amanhecer eu não esteja mais aqui.
Estou cansado de conversar apenas com meus pensamentos e transformar minha verdade em silêncio.
Também não quero ser visto como caos só por dizer o que penso. É só isso.
Não podemos passar o que ainda temos de vida assumindo responsabilidades que não são nossas em nome de uma aliança. A vida pede parceria, não sobrecarga. Pede reconhecimento, não teatro. Pede que o significado de um para o outro seja visto sem máscaras, sem fuga, sem deboche, sem a covardia elegante de fingir que nada aconteceu.
É isso que dita o ritmo da escolha.
Porque permanecer não pode ser apenas resistir. Permanecer precisa ter presença, reciprocidade e verdade.
No fim, o amor não se mede pelo quanto alguém suporta calado, mas pelo quanto duas pessoas conseguem se enxergar sem transformar a dor do outro em ameaça.
Sobre sucesso, silêncio e o que realmente incomoda...
Existe um tipo de desconforto que quase ninguém admite, mas que aparece o tempo todo.
Ele não faz barulho alto.
Não vem em forma de confronto direto.
Mas está ali, nos olhares, nas perguntas, nos comentários atravessados.
Acontece quando alguém cresce.
Não quando alguém ostenta de forma vazia, mas quando melhora de vida de verdade. Quando muda de ambiente, de rotina, de mentalidade.
Curiosamente, isso nem sempre é recebido com admiração.
Às vezes vem uma dúvida disfarçada de curiosidade.
Outras vezes, um julgamento escondido em tom de brincadeira.
E, em alguns casos, um incômodo silencioso, difícil até de explicar.
Não é sobre o carro que alguém comprou.
Nem sobre a casa onde alguém está.
Nem sobre o lugar que alguém passou a frequentar.
É sobre o que aquilo representa.
Porque quando alguém próximo evolui, inevitavelmente surge uma comparação. E nem todo mundo está disposto a lidar com isso.
Alguns se inspiram.
Outros questionam.
E há aqueles que tentam encontrar algum defeito, algum atalho, alguma justificativa que torne aquele crescimento “menos legítimo”.
Como se fosse mais confortável acreditar que não foi mérito.
Isso não é exclusivo do Brasil, mas aqui ganha uma intensidade particular.
Talvez pela proximidade entre as pessoas.
Talvez pela desigualdade.
Talvez pela cultura de aparência que se mistura com a necessidade de validação.
O fato é que muitas vezes o sucesso não é visto como um caminho possível, mas como uma exceção desconfortável.
E quando isso acontece, surgem perguntas que não buscam respostas. Buscam confirmação.
“Será que trabalha com coisa certa?”
“Como conseguiu isso?”
“Desde quando ficou assim?”
Não são perguntas sobre o outro.
São dúvidas internas sendo projetadas.
Em outros lugares, como os Estados Unidos, a reação costuma ser diferente. O sucesso tende a ser associado à conquista. Existe uma narrativa forte de que crescer é resultado de esforço.
Já em contextos mais tradicionais, como em Portugal, o destaque pode ser recebido com mais cautela, às vezes até com certo desconforto silencioso.
Em países como a Suécia, por exemplo, existe uma cultura forte de igualdade social, onde o destaque excessivo pode gerar desconforto, não exatamente por inveja direta, mas por uma pressão coletiva por equilíbrio.
Ou seja, esse comportamento existe em diferentes lugares. O que muda é a forma como ele aparece.
Mas existe um outro caminho. E ele é menos visível.
É o caminho de quem não se preocupa em explicar o próprio crescimento.
De quem não sente necessidade de provar nada.
De quem entende que cada escolha traz consequências diferentes.
Crescer muda ambientes.
Muda hábitos.
Muda prioridades.
E isso nem sempre será compreendido por todos.
Alguns vão chamar de mudança de postura.
Outros vão chamar de distância.
E alguns, sem perceber, vão interpretar como arrogância aquilo que, na verdade, é apenas foco.
Existe também um equívoco comum.
A ideia de que evoluir deveria manter tudo igual.
Mesmas conversas.
Mesmos lugares.
Mesmos comportamentos.
Mas crescimento de verdade não funciona assim.
Ele seleciona.
Refina.
E, inevitavelmente, cria distância de tudo que já não faz sentido.
Enquanto isso, existem dois tipos de movimento acontecendo ao mesmo tempo.
Pessoas que constroem.
E pessoas que observam.
Pessoas que trabalham em silêncio.
E pessoas que comentam de fora.
Pessoas que evoluem pelo processo.
E pessoas que querem o resultado sem atravessar o caminho.
E talvez seja exatamente por isso que o silêncio começa a fazer tanto sentido.
Porque no silêncio não existe comparação constante.
Não existe necessidade de validação.
Não existe disputa disfarçada de convivência.
Existe espaço.
Espaço para viver sem precisar explicar.
Espaço para crescer sem precisar justificar.
Espaço para ser, sem precisar parecer.
No fim, não se trata de rejeitar pessoas, lugares ou culturas.
Trata-se de escolher melhor o ambiente emocional em que se vive.
Porque crescer não deveria incomodar.
Mas quando incomoda, revela mais sobre quem observa do que sobre quem evolui.
CHAMAS
Como pode alguém amar quem só retribuiu com silêncio?
Porque o amo tão intensamente e ele nem imagina...
Nem imagina que passo o dia me lembrando dos seus olhos,
da sua boca, dos seus cabelos cor de fogo e até do sorriso fofo
e do olhar que faz para mim quando quer me provocar.
Eu te amo, amo muito.
Mas, não aguento mais tanto silêncio e me questiono:
Como pode alguém não me amar?
Você fica aí pensativo, no seu trabalho, nos seus medos, na sua insegurança,
no seu mundo e nos seus flertes...
E eu aqui, te amando apesar do tempo, da distância e das tuas falhas.
Sem pedir permissão para amar sigo te amando como uma luz disposta a ser
tudo o que você um dia sonhou ter como mulher.
Como pode você não me amar?
Meu coração esquenta só de pensar no teu nome.
O choro me engasga a alma só de pensar que podemos nunca mais se
reencontrar e essa é uma dor que não sei se vou superar.
Queria ser o teu tudo, porque você foi alguém que me fez voltar a querer amar.
Porque esse amor surgiu das cinzas, do que nem achava ser mais possível
voltar a desejar.
Mas, infelizmente, não é recíproco.
Estamos em tempos diferentes...ou sei lá mais o que se utiliza como desculpa
para não se viver uma linda história de amor.
Se não me ama, eu me amo, me amo por nós dois.
E agora eu que me fecho para o meu autoamor.
Deixo então, para você, o seu silêncio que foi tudo o que me entregou.
A HUMANIDADE MORRE EM SILÊNCIO: A INDIFERENÇA TEM MÃOS LIMPAS
A cidade fede.
Não por causa do esgoto.
É o cheiro da consciência apodrecendo devagar.
Você aprende isso quando passa dos sessenta.
Os anos deixam marcas onde antes havia certezas. O espelho passa a contar verdades que ninguém pediu para ouvir. Alguns amigos viram fotografias, outros apenas silêncio. Os cães que juravam amor eterno descansam sob a terra. Os balcões onde você gastou madrugadas cedem lugar a farmácias e franquias. Algumas mulheres levam consigo os planos que um dia pareciam indestrutíveis. E a vida, insolente, sequer diminui o passo. Amanhece do mesmo jeito, como se nenhuma ausência merecesse um minuto de luto.
O problema nunca foram os assassinos.
Eles são poucos.
O problema sempre foi essa multidão de gente decente.
Os que dizem:
"Não é comigo."
Essa frase matou mais gente do que qualquer exército.
Todo império foi construído sobre ela.
Toda cruz.
Toda bomba.
Toda criança enterrada antes do tempo.
Você quer encontrar o diabo?
Não procure chifres.
Procure conforto.
Ele mora ali.
Na poltrona.
No controle remoto.
No dedo que desliza pela tela para não olhar uma fotografia de guerra por mais de três segundos.
A alma não morre de uma vez.
Ela enferruja.
Primeiro deixa de sentir o mendigo.
Depois deixa de sentir o velho.
Depois a mulher espancada.
Depois a criança.
Quando percebe, já não sente nem a própria dor.
Só o vazio.
E chama isso de maturidade.
Que piada.
Passei tempo demais em bares para acreditar em gente iluminada.
Conheci bêbados mais honestos que muitos santos.
Pelo menos eles admitiam que estavam quebrados.
Os outros escondem a podridão atrás de sorrisos bem escovados e frases motivacionais.
A espiritualidade, se existe alguma, nunca esteve nos altares.
Ela aparece quando a dor de um desconhecido estraga o seu sono.
Quando você não consegue terminar o café porque uma notícia ficou presa na garganta.
Quando percebe que nenhuma fronteira impede um coração de reconhecer outro coração.
Nesse instante você entende uma coisa terrível.
Nunca existiram "eles".
Sempre fomos "nós".
E essa é a pior notícia que alguém pode receber.
Porque acaba a desculpa.
Acaba Deus levando a culpa.
Acaba o governo.
Acaba o destino.
Sobra você.
Você e a escolha ridiculamente simples que a maioria evita fazer.
Importar-se.
Não para parecer bom.
Não para ganhar o céu.
Nem para aliviar a consciência.
Importar-se porque, no dia em que a dor do outro deixar de atravessar o seu peito, você continuará andando, falando e pagando contas...
...mas a única coisa realmente viva dentro de você já terá ido embora.
O que não me serve, não me cabe
Cansei de dar palco
pra quem só fazia silêncio.
Cansei de regar chão seco
e chamar de jardim.
Não dou mais valor
pra o que não tem valor.
Não empresto mais minha paz
pra quem vive em guerra comigo.
Vou crescer.
Vou mudar.
E se doer, que doa.
Mas que seja a dor de quem está nascendo de novo.
Deixo no passado
o que não me acrescenta.
As palavras tortas,
as meias verdades,
o peso que não era meu.
E se acham que estão me derrubando,
que pensem.
Porque eu já entendi:
opinião alheia não paga meu aluguel,
não cura minha ferida
e não constrói meu futuro.
A partir de hoje eu escolho leveza.
Escolho quem me soma.
Escolho eu.
E quem não entendeu,
ficou pra trás.
