Texto Pro Homem que te fez Sofrer
A mesma terra que dá frutos
também dá flores e sarças
a mesma lua dos poemas
traz maremotos e problemas
as mesmas flores que as abelhas
beijam pra fazer o mel
produzem espinhos
enquanto recolhem
inocentemente
os raios de Sol que vem do Céu
na mesma noite em que
alguns descansam
outros, felizes, dançam
alheios àqueles
que em outros cantos
nada mais esperam
somente se desesperam
a mesma terra que alimenta
muitas mulheres e homens
muitas vezes traz a fome
e no final, invariavelmente
recobre tudo isto
alegrias e tristezas
embaixo da terra somem.
Olho pro Mundo, hoje há chuva
No silêncio deste mágico momento
Eu tento entender a lógica
Que faz a Terra girar pra um lado
e a gente caminhar pro oposto
É mês de novembro
e eu respiro um ar de mês de agosto
Só não sei de qual ano ele é
Parece que igual a mim
Muita gente que se encontra nesta Cidade
Simplesmente perdeu-se no tempo
O coração se deixa invadir
Por uma estranha alegria tristonha
Houve dias em minha vida
Em que as unhas do tempo
arranhavam minha porta, que eu abria
Entravam sonhos
dos mais variados tamanhos
Eu os mesclava à realidade e vivia
da maneira que o Mundo deixasse
Alguns estéreis e fecundos
Outros profundos
O Mundo e os sonhos
Também foram me deixando aos poucos
Agora, nestes loucos dias que correm
O tempo anda pra trás
O Mundo parece parado
De vez em quando
as águas chovem
E eu ainda vivo
os poucos sonhos que me vem
Enquanto eles também não morrem
A tarde me convida a fazer nada
Olho pro Mundo, obra mal acabada
Esse convite tem um sentido profundo
é chegada a hora dos noves fora
Meu conhecimento, muito raso nesse assunto
Mesmo no Céu, nada se move
O dia todo eu passo à toa
A noite perde a validade
Este tempo sem qualidade
Não permite ao menos que a garoa
Que vejo cair distante
Me possa servir de distração
Fazer desenhos com a ponta dos dedos
Nos vidros da janela
de maneira singela
Disfarçar esses meus medos
Ledo engano
Nem mesmo a água de todos os mares
Seria capaz
de convercer-me a desistir
de todos aqueles planos
Ano a ano, a cada dia mais longe
Perto de mim, somente a tarde
Que me faz lembrar
Que agora é tarde
Pra fazer desenhos
Fazer planos
Pintar vasos
De repente a chuva vem
e nesse caso
Haverá de ficar por anos
Por não saber voar
de vez em quando
Eu voo de amor
E quando sinto calor
Eu volto pro ninho
E procuro
Um abanador de carinho
E saio mais tarde
Pedalando amizades
é muito leve fazer isso
Nas rodas da sinceridade
E quando minhas pernas se cansam
Eu uso meu estoque de abraços
É isso que eu faço
Para otimizar o torque
Meus braços se abrem
E abarcam o Mundo
Desde os pássaros no Céu
Até o plâncton esquecido
Lá no fundo do Oceano
Com meu abraço de menino
Eu acolho até aqueles
Que não constavam nos meus planos
Pois eu sei
Que não pode haver enganos
Nos desígnios do Divino
Eu quis fazer uma canção
que trouxesse alegria pro seu coração
eu procurei palavras e lugares e motivos
pra fazer você sorrir
Eu quis achar motivo, causa ou porquê
de trazer felicidade a você
Eu sonhei com o momento em que
você, deixando de chorar
Dissesse que mudei a sua vida
E eu só tenho a te dizer
Que neste mundo
Pra ser feliz é preciso
Ser criança, burro ou egoísta
E a minha alma de artista
Me disse: Desista!
E eu larguei a minha pena
e arranquei as cordas do meu violão
uma a uma
E não fiz canção nenhuma
Você olha pro Céu
de vez eu quando
e a claridade
a vista ofusca
há coisas que a Luz oculta
e depois nem vai saber
Se foi rápida ou lenta
essa busca
Senta-se em frente
a um pedaço de papel
não sabe se desenha
ou escreve
viver
simplesmente tornou-se
uma espécie
de doença sem cura
Uma empreitada sem ganho
Uma janela onde se olha
e a paisagem é muito escura
Não há mais
porque prosseguir
na infinda procura
pela alegria sem tamanho
que sabes não existir
assim como a busca
Pelo lugar
onde nascem os sonhos
levou-te então a encontrar
apenas e tão somente
O ponto
Aonde morre a esperança
Você olha para o Céu
e descobre simplesmente
haver chegado finalmente
ao dia
Em que novamente
nasce o Sol
Porém
Não nasce alegria.
Cada coisa em seu lugar
Pois, cada qual tem seu tempo
Somente a dor não tem par
Mas pro erro, há comparação
A todo mal, seu lamento
Lentamente
A folha amarela no outono
O plano antigo de viagem
A chance de ir lá
E ter como certo a miragem
O vazio do deserto
Anda propenso a estar por perto
Penso, que apesar de imenso e frio
É um lugar que não me cabe
A própria vida que se sabe
Uma ilusão
Olhares pra além do horizonte
Além de horizontes, verão
Há, pra cada espera, o momento
Cada flecha lançada, aflição
Para todas escolhas, colheita
A doçura do mel, talvez não
Para toda falsa luz
Existe a sombra da verdade
E, pra toda liberdade, uma prisão
O alento é na outra estação
Quiça, cada luz tem seu Sol.
À boca de meias-verdades
Um ouvinte que se foi
A batalha que você não vence
Era sua e sequer lhe pertence
Na página seguinte
Todas as imagens belas
Mas alheias
A cada mar o seu vento
E pra toda nau sincera
Procela, escuridão, a vela sem direção
À goteira, o telhado que não desabou
O ás do baralho perdido
O curinga que se esconde ao lado
A palavra que faltou
O desconto no mercado
As fases da Lua
Para a frase o ponto final.
Nuances de uma mesma face
A escada que ninguém galgou
Estrada pouco iluminada
O lugar da partida, o adeus
No cume de qualquer montanha
Há o início da descida
No passado de qualquer memória
Vaga lento um vaga-lume
Num canto esquecido, uma noite qualquer
Mas o tempo vai trazer dezembros
Para tantos janeiros quanto houver.
Edson Ricardo Paiva.
Um dia de descanso
Olhar pro céu cinzento
Outrora azul, tão manso
Mansamente desejar
Somente
Que Deus desse pra gente
Uma hora sequer de descanso
Olhar pra escuridão do céu
Pro céu da vida e ver voltar
Um balão colorido
Que um dia na distância
Aquela pobre e doce infância
Julgou que se dava perdido
E que agora, por ora se avulta
Um minuto qualquer de descanso
Eu pediria, combalido
Se pudesse
Antes...feliz que se fosse
Durante a partida
Trocar de lugar com o balão colorido
Que a vida me trouxe
Em forma de lembrança
Outrora azul, tão mansa.
Edson Ricardo Paiva.
Ventania
Era dia de vento lento
Até que soprou
Soprou até
Sobrou até pro pé de ipê
Levou até não sei o quê
Que não se vê
Ventou até
Levou a paz e o pensamento
O tanto faz e eu tô atento
E eu tô à toa e eu vou até
Até que eu não fosse mais
Não dá mais pé
Assim, de momento
Levou-me a fé num pé de vento
Deixou-me aqui, por enquanto
De tanto que trouxe o vento
Pelo tanto que ele levou
Hoje é doce o desencanto
Surge um pranto que doeu
Doeu-me um tanto
e eu sozinho
Sentado ao pé do caminho
Parado
Procurando espinho. ou mais
e foi-se...foi-se até
Foi-se até não ser esquecida
Depois de ensinar a vida
Doer, sem mostrar onde é.
Edson Ricardo Paiva,
A vida só faz sentido
Se a gente puder vivê-la
Dizer o que há de bom e bonito
Gritar pro mundo sem medo
Quando, na verdade
Felicidade é ter
Um ouvido...e um lindo segredo
O tempo perdido e passado
Arrepender-se de todo e qualquer pecado
Até mesmo dos que nem sonhou
Só falar pro espaço, estrelas, nuvem
A noite posta no céu, janela aberta
O véu que se abre, mas você não olha.
A vela acesa, que tem hora certa pra apagar
Falar pra quem nem as ouça
Os pés no caminho, essa vida descalça
Tá tudo bem, não tem problema
Eu faço mais um poema
Vou novamente me recolher
Ao silêncio dos meus pensamentos
E tem sido assim desde o princípio
Pra depois sentir arrepios
Porque não há nada a ocultar
Além da ausência
de uma tão sonhada paz
Que, às vezes é tanta, que faz ruido
E me abraça com seus braços frios
Sonhar, quisera tivesse um sonho
Divagar, sumir, recolher as folhas
Coração só sabe bater
e é isso que ele bem faz.
Edson Ricardo Paiva.
Quando ele voltar, depois da chuva
Abra aquele litro de bebida
Apele pro teu resto de bom senso
Lá fora o mundo é grande e o frio, imenso
Quando ele voltar, depois da vida
Abra teu sorriso, porventura houver guardado
Aquele desgastado, penso nunca, jamais visto
Sequer por teu olhar sem amplitude
Guarde teu orgulho costumeiro
Esse, que acompanha a tua sombra o dia inteiro
Descobre teu olhar de todo argueiro
Se acaso sentir medo
Feche as mãos, esconda os dedos
Quando, então, se revelar detrás do espelho
Donde há de voltar, depois de tanto tempo
Um resto de lembrança, um traço de esperança
Um espaço que estava vazio
Outro pedaço de passado
Cacos de vida lado a lado no presente
Ilusão de tempo dilatado, embora inexistente
Bem diante dos teus olhos, logo após o estio.
No mesmíssimo lugar que se encontrava
Antes da chuva.
Edson Ricardo Paiva.
Como criança
Você lança a pedra pro alto
E ri de alegria incomum
Aquela que só tem quem desconhece
Taca fogo na floresta imaginária
E pula de felicidade e dança
Dança como quem dança na chuva
Chuva cai como uma pedra
Apaga a chama da floresta
Lança pro alto a fumaça
Qual criança, desconhece a direção
Deixa por conta dos ventos que levam palavras
Elas vão como a fumaça
O destino da pedra era o chão
Quem sabe, uma vidraça
Não te cabe a direção dos ventos
Não se sabe a profundeza da lagoa
Onde se lança a pedra a saltitar mil vezes
As águas sempre se evaporam
E as nuvens choram de comum tristeza.
Edson Ricardo Paiva.
A verdade da alma é como o vento que sussurra entre as folhas, invisível aos olhos, mas sentida profundamente por quem se permite escutar.
Não importa como me vejas, pois a verdade da minha alma não se revela no reflexo fugaz dos espelhos, nem nas máscaras que vestimos para o mundo. Ela vive além do que é dito, além do que é visto.
É nos silêncios, nas pausas do coração, que a alma fala suas palavras mais sinceras.
Ela conhece a dor e o êxtase, o medo e a coragem. A alma não se prende a rótulos ou julgamentos, pois sabe que somos mais do que a superfície das nossas histórias. A sua verdade é a luz que persiste em brilhar, mesmo nos dias mais sombrios.
Assim, minha alma dança com o mistério do ser, abraçando o desconhecido com a mesma força com que acolhe o que é familiar.
E na vastidão desse eterno movimento, ela se encontra — despida de máscaras, livre de expectativas.
Quisera ser possível expressar nas mais rebuscadas palavras e viscerais poesias o encanto que é próprio da exclusiva luz que emites.
A vida é mais valorizada, o dia fica iluminado e fresco a cada sorriso teu, platônico... decoroso... tão teu, mas que sequestro intimamente em meu coração, furtiva e amorosamente, acreditando em um encontro, só possível em meus sonhos juvenis.
Senhor Jesus,
me ensina a caminhar olhando pro Céu,
a suportar as lutas com os olhos na coroa,
a viver como quem já Te vê.
Quando chegar minha hora,
que eu entre com louvor,
não por merecimento,
mas pela graça do Teu amor.
E que minha história cante no Céu:
Valeu a pena viver por Ti.
Amém.
Aos olhos humanos, podes parecer falho,
Mas ao olhar de Cristo, és raro, és trabalho.
Obra em processo, barro nas mãos,
Joia lapidada por Suas próprias mãos.
Jesus não apenas perdoa o caído,
Ele senta à mesa com o arrependido.
E o que o mundo tentou descartar,
Ele chama de filho, e começa a restaurar.
Paz e Amor
Te amo demais, nunca se esqueça,
Pro que der e vier, cê sabe, eu tô aqui,
Levante a mão, sorria e agradeça,
Positividade cura a dor, a dor de cabeça,
Achar o que te faça rir,
É a chave pra fugir dos seus problemas,
A bondade que cê vê, é o espelho de você
E o mal que faz pro outro te envenena,
Somos filhos da mesma esfera,
Quem ama de verdade não faz guerra,
Quem no mundo não quer paz e amor?
Te desejo muita paz, meu amor!
Palmas para eles, digam hey, digam how,
+ 22 personagens pro Chico Anísio Show.
Mensalão: Supremo condena 12 réus ligados a partidos da base por compra de apoio “Dos 37 acusados do processo do mensalão, 22 já foram condenados. Para ministros, está comprovado que houve corrupção no Congresso.” (02/10/12)
Que esse Novo Ano seja pra você novo e de coragem
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Desejo que nesse Ano Novo você esteja aberto para o novo, realmente.
Porém, feche a porta pra tudo que te machuca, que te faz sofrer, pra quem não gosta de você. Queira por perto pessoas que te ama de verdade.
Não tolere alguém ao seu lado, ao qual você também não gosta, como companhia pelo medo de ficar sozinho.
Porque não existe melhor companhia no mundo do que aquela que te faz bem, ainda que seja só você com você.
Não que isto seja uma forma egoísta de viver, mas apenas uma proteção, um escudo, respeito consigo mesmo.
Que esse Novo Ano seja pra você novo e de coragem, pra dizer basta pra tudo que não faz bem a sua vida e ao seu coração.
Luto materno
Juventudes são roubadas
E os dias ficam tristes
Mães são abandonadas
É um fim que persiste
A vida sofre por não existir
O amor não tem significado algum
A violência invade até banir
A piedade não vem de jeito nenhum
A saudade vem em forma de improviso
E não basta o medo aliviar
As lágrimas chegam sem dar aviso
É preciso ser vivo pra chorar
O mundo leva sua prole embora
E seu dia fica sem cor
A dor ocupa toda a hora
Enquanto a ausência mata o amor
Fotos e lembranças abraçam seu corpo
Enchem o coração carente
Perder um filho não há conforto
Seu mundo se torna ausente
Se ela pudesse, o mal derrotaria
Pois o branco não veste a paz
Se ela pudesse, sua cria protegeria
E sua perda esquecerá jamais
