Texto de Reflexão de Amor
Vida Vivida
Não se iluda.
Todo mundo muda.
Pra melhor.
Ou pra pior.
Essa é a vida.
Que é pra ser vivida.
Pessoas choram.
Pessoas amam.
Elas mentem.
E se arrependem.
Fazem loucuras.
E bravuras.
Em vão.
Ou não.
Cair e levantar.
Agir sem pensar.
Palavras bonitas alegra o coração.
Entram nos ouvidos como uma canção.
Palavras negativas e pesadas.
Pessoas tristes e magoadas.
Temos que crer.
Algo bom há de acontecer.
Felicidade combina com a gente.
Rosto saudável e contente.
Inevitável é a dor.
O remédio é o amor.
Ter a vida por um fio.
É um tremendo desafio.
Nunca viva de aparência.
Sempre haverá uma carência.
Atenção é a principal.
Levanta até seu astral.
Existem pessoas.
Ruins e boas.
Covardes e valentes.
Iguais e diferentes.
As que fingem gostar.
E as que fingem amar.
Pessoas que ainda tem lucidez.
E aquelas que perderam de vez.
O ódio corrói.
E a inveja destrói.
Nossa mente é o nosso lar.
Quem você quer hospedar?
Amor, compaixão e tolerância?
Ou rancor, egoísmo e ignorância?
Esta é a vida.
Agitada e corrida.
Dela eu sempre serei um aprendiz.
Se tiver um final, que seja final feliz...
Quão o mal meu mundo pode criar
Pelos meus olhos cheio de cólera
Por imaginar partes indesejadas
Neste labirinto esquecido pelo Sião
Morre o sol sobre minha nudez
E o céu sangra babas de dor
Na gangrena do templo poente
No negro caixão podre de ilusão
Que fundara na cova do oceano
Dando a mão ao véu macerado
Pelo desgosto traços franzinos
Do silencioso verso do infinito
Há alguém esperando por mim
começa lá onde não se espera
Em algum lugar tenta me alcançar
Através de cada esquina que viro
A cada passada vejo um rosto
Vazio sem retrato sem palavra
Fazendo lembrar-me de alguém
Que conheço não sei de onde
Posso senti-lo se aproximando
Pelos guias das minhas pernas
Na estrada que me leva para casa
Onde o segredo determina a jornada
Mas tenho-o na presente memória
Vejo-o se não um sobejo engano
Enroscado sem presa na minha alma
Nessa natureza escura de confusão
Estou cansada.....
Triste....
De sorrisos forçados.....
Conversas onde ninguém ouve
Ou quer ouvir....
Onde todos queixam-se e ninguém tem razão....
De máscaras
De fingimentos...
Mentiras....
Choros.....
Paranóias...
De aparências ilusórias....
Realidade construída.....
De sonhos.
Desilusões....
Da crueldade...
E da curiosidade mórbida alheia....
Orgulhoso desmedido
Sem vergonha...
Estou cansada.....de gente falsa....
Sem sentimentos....!
Vida
Fale da vida; mas fale baixinho, murmurando mesmo. Fale da vida! Mas fale pouco, sem magoa ou ressentimento. Fale da vida, sem citar nomes ou rótulos e quando ela fizer você ou alguém de vítima haja com sentimento de aprendizado, pois quem está de fora vai ver tudo com outros olhos. Falar da vida tem sempre quem queira usar uma expressão ridícula, por não entender, mas denota-se ai apenas sua opinião, porém entende-la que é o fator principal para começar analisar suas trajetórias poucos são os catedráticos onde vivem mero paradigma e suposições válidas certamente não tem, são simples opinião. Portanto fale pouco, viva apenas; e fazendo isso observe em um dia de cada vez que se chegará ao aprendizado. Que a paz esteja sempre em sua mente, ou quem sabe em seu coração.
Perguntas!
Porque há perguntas?
Quantas perguntas temos em nosso dia
Quantas perguntas sem respostas
Porque se ama?
Porque se odeia?
Porque choras?
Porque se alegra?
Porque de tantos por quês
A vida se complica em sua própria questão
Porque viver sabendo que vai morrer?
Porque Perguntamos
Uns Dizem: " É para conhecer,
saber, conviver".
Outros dizem: " É para complicar"
Complexa Vida Bela
Em nossa complicada vida
noto, sinto e valorizo
os mais variados sabores
nessa maravilhosa existência.
É vida à flor da pele,
na ponta dos dedos,
brilhando nos olhos,
dilatando nas pupilas,
salivando na boca,
sorrindo nos lábios,
degustando na língua,
GRITANDO na garganta,
odorizando no nariz,
enchendo o pulmão,
palpitando o coração,
correndo nas veias,
suando pelos poros,
soando nos ouvidos,
arrepiando os pelos
dos pés à cabeça,
beijando a consciência
(por vezes inconsciente)
tão belas palavras
e bons sentimentos.
Subtraia-me de mim.
Some-me em ti.
Divida-se de ti.
Exponencie-se em mim.
Multiplique-nos em nós
em nossa complexa
matemática que me
vale a mais bela vida.
Percepção
Um lindo amanhecer pode ser o pior de todos os dias.
E um iluminado florescer, a mais nefasta de nossas agonias.
O instrumento que fere, o mesmo que nos salva. E o alimento que fortalece, o mesmo que nos mata.
Na vida tudo sempre terá sentido, tudo tem suas razões.
E a interpretação cabe a cada um de nós para que assim possamos compreender e perceber o significado de cada uma de nossas emoções.
Tanto para se fazer
Acordo e durmo com vontade de
Parece-me tão necessário
Mas continuo sem saber por quê
Quando próximo do fogo estou
Um frio congelante sinto
Quando fico longe
Sinto que para mim mesmo minto
E nessa falta de respostas
Meus dias, seguindo, vou
Procurando uma morada
Sem mesmo saber onde estou
Vivemos intensamente os momentos mais que as vezes não enxergamos o que iria ter realmente um valor significativo em nossa vida, sempre existira algo que nos faz irmos em busca de renovações; sonhos, confiança, esperança, porque é esse o propósito, é o que nos mantém vivo, a certeza de que tudo vai mudar. E o que fazemos hoje agora e o que define o que somos e o que vamos ser, porque a nossa maneira de viver a vida esta sempre girando em torno de nossas escolhas; é como decidimos de que forma levar há vida. Ai em tão percebemos que; o que nos move não é o simples fato de estamos vivo, e sim a perspectiva de conquistas.
A nossa vida muda quando agente muda.
Por que?
Fatos da vida
Por que?
Surpresas boas
Surpresas ruins
Algumas dá pra reverter
Outras são pra sempre
Por que?
Não escolhe cor
Não escolhe classe
Vem como uma avalanche
E deixa seu rastro
Bora juntar os pedaços
E recomeçar
Cabeça erguida
Sempre há esperança
Proibido desistir
Uns conseguem
Outros se entregam
Cada um do seu jeito
Continuam
E vão vivendo
Ou fingindo viver.
Quando éramos dependentes da vontade de duas pessoas, quando saímos de um projeto para a realidade, terminados de sermos formados, começamos literalmente a existir, chegada a hora de abrir nossos olhos para o mundo, para encarar o mundo, creio que cada um de nós tinha dentro de si um propósito, qualquer finalidade característica, um destino, um dom, uma missão.
Inútil pensar que somos desprezíveis dentro da multidão, que nossos atos são inertes dentro da sociedade, que nossa força é nula em meio a imensidão, que nosso sorriso é tão simples que não pode transformar o dia de alguém, que não somos capazes de mudar o que até hoje é intacto, que nossa parte não tem poder de transformar onde vivemos em um lugar melhor.
A verdade é que o destino existe, e acontece, e nos levou a conhecer quem conhecemos hoje, nos levou a passar por tudo o que passamos, e aprender com todos as nossas quedas, que sem elas, nada disso seria possível.
A verdade é que nossa força é tão grande que não temos capacidade de medi-la, e que sua intensidade nos presenteia com o poder de mover, construir, formar, moldar.
A verdade é que sem nossos defeitos e desequilíbrios não seríamos insubstituíveis, da mesma forma que nossas qualidades e gestos nos fazem chegar a mesma conclusão: somos insubstituíveis. Sei que quando alguém escuta seu nome, milhões de memórias vem, memórias próprias de você, e que ninguém causará da mesma forma que você causou.
A verdade é que somos constantemente tomados por tudo em nossa volta, coisas boas e ruins, que em interação é nada mais do que a tal da vida. A tal que é tão difícil, a tal que é única, a tal que é somente sua, a tal que não sabemos ao certo quando, mas sabemos que vai acabar. Iai, o que tem feito antes que ela passe? já parou para pensar na sua missão? e que ela pode estar associada não aos seus problemas, mas aqueles que batem na sua porta e você ignora? tem demonstrado o quanto ama alguém? o que tem feito além de existir? o que faria se soubesse que hoje pode ser o seu último suspiro? Eu não sei o que eu faria, mas o que estou fazendo agora é uma boa, tentando tocar o coração e quem sabe mudar com as minhas palavras a vida de alguém.
E você ainda acha que sua existência é desprezível? Porque se você chegou até essas últimas linhas e ainda não consegui te provar o contrário, agora te provo: porque cada palavra que escrevo é com intenção de te fazer chegar até o último ponto final, e se você conseguiu: sinta-se importante pra mim.
Um dia
De tudo o que já vivi só aprendi uma coisa: Nada dura para sempre. Promessas nascem e morrem, amigos vem e vão, alegrias mal chegam e já estão partindo. O tempo está além do que podemos entender, só sabemos que ele não pára. Tudo acontece e tudo se vai, coisas boas acontecem e coisas ruins também. Sei que um dia lembrarei do hoje, e o hoje será passado. Confesso que tenho medo, medo de não me aprovar no futuro, medo de preferir o meu eu do passado. Nada é da mesma forma o tempo todo, até o mais sólido dos metais um dia sofre danos. O que nos aguarda no amanhã? Quias surpresas esse tempo nos reserva? Certo estou de apenas uma coisa: Um dia vai chegar o amanhã e querendo ou não temos de estar prontos para ele. Devemos vivê-lo com garra até que se torne apenas uma "boa lembrança". Um dia o amanhã chega, o hoje se torna ontem, e você, você ganha uma outra oportunidade do senhor tempo. Nada será eterno, mas nós temos a chance de repetir aquilo que nos agrada. Só não devemos desonrar nossa condição de ser vivente vivendo de maneira como se estivéssemos mortos.
MULHER
Bela. Imponente. Singular. Expressiva. Em cada curva, uma dúvida... Em cada linha uma certeza... Qual musa, mesmo calada explode em nossos sentidos, queima fundo em nossa carne, arde forte no coração do escravo, cativo das formas, da textura, do tato, da paixão avassaladora... Assim a arte, assim a vida, as pessoas, nosso tempo...
(Juares de Marcos Jardim)
DESTINO
Sendo mesmo o destino
Que escolhe e decide
Quem entra na tua vida,
É a atitude que define
Quem logo vai embora
E quem mais tempo fica.
O destino não pergunta
Se você quer, se lhe convém.
Empurra, bate e decide
Soca lá dentro alguém.
Depois some, desaparece.
Não consulta, te esquece.
(Juares de Marcos Jardim)
Eles pensam que chegaram ao ápice da evolução
Mal sabem eles que outros também pensaram, antes da extinção.
Esse Capitalismo sedento, que contabiliza o mundo
Por uma liberdade comprada
Meu valor medido por lucro/hora.
Sou uma cor em um gráfico de rendimentos.
Será que valho o investimento?
Vendemos vida por salário minimo,
No Mercado quanto valem os sorrisos?
Vivemos em sociedade, seres da razão.
Enquanto os animais vivem em grupo,
Para própria proteção.
Vivemos cada um por si nessa selva de distinção.
Troco esse poema por um pedaço de pão,
Um arroz com feijão, porque pra quem não tem nada,
De nada adianta alimentar o coração.
Essa liberdade sai cara,
tantas vidas acabadas.
Será que ainda cabe perguntar,
Se a minha felicidade cabe no orçamento?
Pranto para o homem que não sabia chorar
Havia quitandas naquele tempo. Vendiam verduras, legumes, ovos, algumas chegavam a vender galinhas em pé, quer dizer, vivas, mas eram poucas, pois todas as casas tinham quintal e todos os quintais tinham galinhas. Ia esquecendo: as quitandas mais sortidas tinham à porta, bem visíveis aos passantes, um feixe de varas de marmelo.
Para que serviam? Fica difícil explicar, mas serviam para os pais comprarem uma delas e a guardarem em casa, num lugar à mão e bem visível aos filhos. Quem nunca tomou uma surra de vara de marmelo não pode saber o que é a vida, de que ela é feita, de suas ciladas e enigmas. Há aquela frase: "Quem nunca passou pela rua tal às cinco da tarde não sabe o que é a vida". A frase não é bem essa, mas o sentido é esse.
Uma surra de vara de marmelo era o recurso mais eficaz para colocar a prole em bom estado de moralidade e bom comportamento. Acima dela, só havia o recurso capital de ameaçar o filho com um colégio interno da época: Caraça! Ir para o Caraça, a possibilidade de ir para o Caraça era uma pena de morte, uma condenação ao inferno, um atestado de que o guri não tinha jeito nem futuro.
Houve a tarde em que o irmão mais velho fez uma lambança com umas tintas que o pai comprara para pintar a casa de Segredo, o cachorro, que era solto à noite para evitar que os amigos do alheio pulassem para o quintal e roubassem as galinhas -repito, todas as casas tinham galinhas.
E "amigos do alheio" era uma expressão, uma metáfora civilizada que os jornais usavam para se referirem aos ladrões de qualquer coisa, inclusive de galinhas.
Pois o irmão foi surrado com vara de marmelo e chorou. O pai então proferiu a sentença que ele jamais esqueceria:
Homem não chora!
Em surras seguintes e sucessivas, com a mesma vara de marmelo (ela nunca se quebrava, por mais violenta que tivesse sido a surra anterior), o irmão tinha o direito de gritar, de urrar, de grunhir como um leitão na hora em que entra na faca, mas não de chorar.
Por isso, mesmo sem nunca ter tomado uma surra daquelas, ele sabia que um homem não pode chorar, nem mesmo quando açoitado por vara de marmelo. O vizinho do Lins, que tinha um filho considerado perdido, percebendo que a vara de marmelo era ineficaz como um remédio com data de validade vencida, adotou uma tira de borracha que servira de pneu a um velocípede desativado. Tal como a vara de marmelo, era maleável mas inquebrável, deixava lanhos nas pernas do filho -que mais tarde chegaria a ser capitão-do-mar-e-guerra, medalhado não em guerra nem em mar, mas por tempo de serviço.
Homem não chora e, por isso, ele decidiu que seria um homem e jamais choraria. O irmão, sim, era um bezerro desmamado, chorava à toa, nem precisava de vara de marmelo. Chorou no dia em que Segredo morreu envenenado -um amigo do alheio, antes de pular no quintal, jogou-lhe um pedaço de carne com arsênico.
Chorou mais tarde, quase homem feito. Esquecido de que homem não chora, ele chorou quando o Brasil perdeu para o Uruguai no final da Copa do Mundo de 1950. Não era homem. Atrás do gol, viu quando Gighia chutou e o estádio emudeceu e logo depois chorava, seguramente o maior pranto coletivo da história da humanidade, 200 mil pessoas que não eram homens, chorando sem vergonha de não serem homens.
Ele não podia ou não sabia chorar? Essa era a questão. Volta e meia forçava a barra, lembrava as coisas tristes que lhe aconteceram, o dia em que o pai o colocou de castigo, atribuindo-lhe a quebra de uma moringa. A perda da medalhinha de Nossa Senhora de Lourdes que a madrinha lhe dera, uma medalhinha de ouro que, segundo a madrinha, o livraria de todo o mal, amém. Não chorou nem mesmo quando, naquela primeira noite após a morte de sua mãe, ele se sentiu sozinho na vida e perdido no mundo.
Daí lhe veio a certeza. Poder chorar até que podia. O diabo é que ele não sabia mesmo chorar. Chorar é como o samba que não se aprende na escola: ou se nasce sabendo, ou nunca se sabe. Bem verdade que ele desconfiou de que os outros chorassem errado, misturando motivos. Por exemplo: o irmão, que era um Phd na matéria, quando chorava, fazia um embrulho de coisas e desditas, um mix de quebrações de cara e obtinha um pranto copioso, sincero, lágrima puxando lágrima, soluço puxando soluço.
Quando perdeu uma bolada num cassino de Montevidéu, foi para o quarto do hotel, bebeu meia garrafa de uísque e, tarde da noite, telefonou dizendo que, passados 40 e tantos anos, ainda estava chorando pela morte de Segredo.
Tivera ele essa virtude, aquilo que os ascetas chamam de "dom das lágrimas"! José, vendido por seus irmãos ao faraó do Egito, tornou-se poderoso e um dia recebeu os irmãos que o procuraram para matar a fome. Os irmãos não o reconheceram. José perguntou-lhes sobre o pai e retirou-se a um canto para chorar. Depois, sim, deu-se a conhecer e matou a fome dos irmãos que o venderam.
Jesus chorou quando soube da morte de Lázaro e o ressuscitou. A lágrima é um dom, e ele não mereceu esse dom nem mesmo quando Débora foi embora de seus sonhos e, como nos tangos, nunca mais voltou.
Visão do Pobre Viver
Quanto vale viver?
Como contamos o tempo?
Mês a mês conta o pobre,
Vendo o seu pagamento,
Fruto do trabalho nobre,
Que dura só um momento.
Que reza tomara que sobre,
dinheiro e não sentimento.
Nascendo envelhece a cada dia,
Mas pobre de grana aumenta a agonia,
Dos pais que falam, gostaria!
De ter grana, ser rico um dia.
A família cresce assim mesmo,
Por datas se mede o tempo,
Às vezes com vencimento,
Chega logo, meu pagamento!
Não sabe ele que vive,
Que mais velho fica e perto da morte,
Enquanto pensa em dinheiro e sorte,
Não curte o bom de ser livre.
Quanto vale deixar de viver?
Quanto custa pensar em morrer,
De fome ou doença algum dia,
Enquanto aumenta a agonia,
Aumenta o valor a perder.
Talvez a riqueza da vida,
Não esteja nesta comida,
Mas na fome de ver, um novo amanhecer.
Marcelo ULisses
Flores mortas
Deixa chover, deixa molhar; lavar ; regar; destruir; purificar...
O mundo ensina e o mundo gira.
As engrenagens da vida e o abraço do tempo sufocam a humanidade.
Mas sempre foi assim...
Artificiais são essas flores que não envelhecem ? Cárceres da resplandecente natureza mãe somos nós, feitos de carne e osso...
A substância da vida é a renovação pela morte. É isso que trás purificação ?
Flores mortas se esquivam dessa brisa com sensação de renovação.
Flores artificiais.
NO BARCO DA VIDA
Sentado às margens deste negro rio.
Observo a negritude da noite
A cair fleumaticamente.
Ouço o farfalhar das folhas
Se enamorando com o vento.
Sinto o frio gélido e sereno
Da noite sombria que se aproxima.
Tento soerguer-me não consigo.
Sair de onde estou, não posso.
Um espectro se aproxima
Me assusta e aterroriza.
Não, não é a morte.
É apenas uma brisa.
Um arrepiante e gélido zéfiro.
Desses que te sobem
Pela espinha dorsal
E adentra as entranhas da alma.
O rio segue lentamente
Em seu curso silencioso e monótono,
O seu eterno caminhar.
Leva consigo para além-mar
Os sonhos, as quimeras
E todos os tipos de visagens,
Utopias e ilusões.
As alucinações e devaneios,
Não são da alma humana,
Mas, da vida dos mortais vivos.
Traz em si as vicissitudes da existência.
Por ele os nautas peregrinos,
Singram com suas naus.
Não há, para o rio,
Entre eles distinção.
São todos iguais.
Não há pretos novos,
Nem brancos velhos.
Não há mestiços, nem crioulos.
Não há bons, nem maus.
São todos iguais.
Estão todos no mesmo barco.
Estrangeiros não há
Forasteiros também não.
No barco da vida,
Onde vive a ilusão,
São todos iguais,
Somos todos irmãos.
