Tecido
Chorei, porque amar é sentir que o teu tecido é costurado
pela beleza grandiosa do universo.
Poema Amor Imortal - Incondicional
Tudo que preciso agora é sentir a brisa leve de uma tarde de calor, com apenas um tecido leve e diáfano cobrindo meu corpo, os cabelos ao vento e os pés descalços correndo livres pelos campos dourados de trigo. Sem amarras e sem ressentimentos deixando para trás todas as pessoas egoístas, frias e materialistas deste mundo insano. Isto não é um convite e sim, uma ordem.
Às vezes... sei lá, acho que minha alma está encoberta por um tecido impermeável, pois quando olho para o espelho vejo apenas o reflexo de dias de trabalho, de relacionamentos frustrados, dinheiro contado, mas eu não sou isso que está refletido: há uma pessoa melhor, feliz, linda aqui dentro. Estremeço em cogitar a hipótese de nunca saber quem realmente sou, de nunca conseguir enxergar além de aparências.
[Invisível ao toque - Nat Bespaloff]
A minha alma sente-se desnuda diante de tamanho vazio, e não há tecido que consiga cobri-la neste instante de intolerável dor!
Maquiagem photo shop e tecido podem mudar quem você é por fora, mais o que você é por dentro ninguém é capaz de mudar.
“Como o tecido do universo é o mais perfeito e fruto do trabalho do mais sábio Criador, nada acontece no universo sem que alguma lei de máximo e mínimo apareça.”
"...quando os fios se entrelaçam você pode estar se unindo ou se prendendo, o tecido da vida será construído de qualquer forma..."
Estendo o tapete com o tecido
com os pedaços de ninhos,
contendo essências
de canto de pintassilgos.
Um canto que torna
minha fé inabalável, pois emudece
o mundo, inundando-o de beleza.
Protelei a ligar, vinte e duas
chamadas perdidas,
logo retornei, linha muda:
A cor do tecido,
a vista do horizonte,
o trajeto do trem,
o destino de um homem.
Meia-noite
"Quando entrei em meu quarto, me deparei com uma luz que transpassava o tecido da cortina imóvel de uma noite quieta, havia sons que não eram externos"
“O Inferno é uma fábrica que veste os puros com um tecido irresistível, onde eles são gradativamente corrompidos pelo tecido que vestem.”
"Portais "
Portais Interdimensionais são passagens, fendas, rasgos no tecido do espaço-tempo, algumas tão antigas quanto o universo e outras que duram apenas durante um evento energético que originou essa ruptura para logo em seguida fechar.
Portais podem ser muito úteis ou prejudiciais em nossas vidas, dependendo da ligação que estabelecem de um lugar para outro e a direção do fluxo de energia.
Saber o funcionamento de abertura e fechamento destes portais quando se utiliza a Geometria Sagrada, é o ponto chave para entender com o que se está trabalhando, sem acarretar danos.
A Geometria Sagrada abre portais, mesmo que inconscientemente, e este é o grande agravante. Para quem os abre propositalmente, lembre se que, o mais importante não é aprender a abri los, e sim saber como fecha los, não há garantias do que foi aberto.
A CRIAÇÃO ATORMENTADA
Por baixo do fino tecido que envolve o meu travesseiro, ouço os ensurdecedores brados das letras que me perseguem incessantemente. Fragmentos de vozes fantasiosas, segredos do invisível e confidências do desconhecido, em falas soletradas pelo próprio sussurro do vento, fecundam-se no vago silêncio da madrugada, tornam-se vivas, constrangem os meus quereres, compelem a minha alma, dominam o meu corpo e clamam por liberdade. Frases anotadas no breu da memória, e blocos de anotações riscados dentro do meu multiverso letrado. E entre o mexido remexido do meu corpo contorcido, textos lidos, relidos e cravados, como quebra-cabeças rabiscados permeando as dobras do meu lençol amarrotado.
Rendo-me então aos gritos de vogais, aos ecos de consoantes, aos advérbios de tantas formas, e as mil formas de orações. Beijo a tortuosa face da noite, despeço-me do assossegado aconchego do meu cobertor, e entrego-me ao martírio mediúnico de trazer todo o desconhecido à tona.
Divido-me em infindáveis interrogações, espantosas exclamações, e escudo-me atrás dos imorredouros reticenciados três pontos, que se forjam dispostos paralelamente em uma linha, ladeando uma expressão qualquer. Entretanto, no vácuo apressado de parir vidas letradas, a perfeição do ensaiado faz-se sempre aberrante ao intento do parto: escrevo em tempos inexistentes, crio adjetivos fantasiosos, e nem sempre recorro aos artigos. Açodado, mastigo ditongos e anseio vômitos de tritongos, entre soluços de hiatos. Engulo vírgulas, regras e normas. Cuspo exclamações, pontos finais, reticências... Mas, sigo em jorros gráficos, emudecendo todos os traços fônicos que ressoavam dentro de mim até desvelar o desbalizado limite da criação.
Normalmente, é quando as mãos doem, a coluna grita, a vista embaça, e as ideias se decompõem na fadiga mental. Inobstante, adiante do esgotamento da carne, existe ainda o além. O ilimitável impulso de seguir adiante da digladiação física e extrafísica. Pois, quando se reduz aos apelos do corpo, não é o suficiente para os anelos da alma, e os músculos costumam se vingar em espasmos inquietantes na cama, formigamento nos pés, e pontadas finas na parte inferior do abdômen, envoltos ao reavivamento das vozes conclamando por novas palavras.
Vai-se o sono, o cigarro, o café e o sossego, enquanto a verve retorna ao oriundo centro do nada, e tenta – a cada afronte da tela em que os olhos ainda entreabrem – uma nova palavra. Vencido o cansaço, as pupilas reabrem, as ideias ressurgem, o dia clareia e o corpo inteiro em uma junção milimétrica dos dedos fazendo letras pelas mãos, e delas nascendo histórias, tornando-se uma extensão continua e sem emendas entre a fantasia, as palavras, a magia e o mistério divino do prazenteiro ato sofrível de escrever.
