Tag psicanálise
A sua escuta é singular, mas as regras do respeito e do não julgamento são coletivas (e irrevogáveis).
O paciente de psicanálise tende a se envaidecer ao mencionar o tratamento, enquanto o paciente psiquiátrico prefere silenciar, temendo o estigma.
A escuta de um trauma
O trauma é uma cordilheira de escombros.
Existe um sujeito soterrado nesse emaranhado de dor?
Existe vida, depois do trauma?
O trauma é afiado, e o trauma falado corta, rasga, craquela o sentido, a fantasia, o imaginário.
E nesse caos subjetivo, a escuta também dói.
A dor de quem ouve o trauma é a dor de presenciar uma avalanche, como um observador distante, de um lugar seguro e impotente, de quem vê a destruição passar, dela não faz parte mas é por ela tocado, e é dela também um sobrevivente.
Como num mar revolto, o terapeuta precisa saber nadar, mergulhar, respirar, numa posição peculiar de quem entra em cena para cuidar de alguém se afoga, sem poder no entanto, salvá-lo ou nadar por ele.
Quando a dor é na alma, não há melhor remédio que aquele presente na fala. A palavra cura. Cura a gente da gente mesma/o...
Cego
E via
Mas não enxergava
Fiquei cego
Fechei os olhos
Que escuridão incrível
Era clara como o dia
Tive medo
Enxerguei pra dentro
Que escuridão horrível
Começou a ficar claro
Quanta bagunça
Preciso arrumar isso!
Que dor terrível
Arrumar dói
Tô tentando
Ele me ajuda
Melhorou, mas as vezes bagunça de novo
Outras bagunças aparecem
Já estavam lá
Embaixo do tapete
Puxei pra fora
Doeu muito
Mas fica melhor
Olhei pra fora
O mundo não era mais o mesmo
As pessoas estão mais frágeis
Que estranho!
Quanto tempo fiquei de olhos fechados?
Um inverno inteiro
Quero olhar pra dentro de novo
Um olho pra dentro e outro pra fora
Idas e vindas: devaneios intrínsecos.
"Ainda que devotado se expresse,
que haja relutância em firmar,
domicilia-se, pois, nas entrelinhas melindrosa maleabilidade,
frouxidão ao históriar fidedignidade
e abunda por fadiga desventuradamente.
Sedicioso, forjado em luta com o sub-reptício pensante, vislumbra.
Visto que vivenciar ressoa sabiamente mais factual.
Ocasionar infortunio para que?
Não obstante, lograr-se, foi a quaisquer anuído.
Mas sabido torna-se-á que deveras mais-querido foi.
Contudo, alanceados ingênuos não terão no remate.
Outorga-se pelejar abatido, aturar escopos sociais, privar-se a deslustrar o cânone,
preservar o cerne na mira e superentender.
Toda ou qualquer fração de seja qual for a tese a cerca desta questão, haja peito para desconversar.
Sorrateiro, ardilosamente e sem que possa perceber, incumbido estará você, um pesado fardo a carregar.
A miúda parte supradita conta.
Súplica emancipação.
Não proclama razão.
Supositício sui generis, tão só".
Se só convivemos com quem tem a mesma mentalidade que a nossa, não evoluímos como poderíamos se nos permitíssemos conviver com opiniões antagônicas.
Aprender a reconhecer a importância da necessária coexistência alegria x tristeza é um sinal de sabedoria.
Frequentemente as nossas críticas sobre alguém não se baseiam na capacidade de leitura sobre a realidade desse outro, mas na incapacidade de fazer autocrítica, na falta de autoconhecimento. Nossas denúncias sobre o outro, muitas vezes, sem percebermos, são denúncias sobre nós mesmos.
A violência não é apenas um problema social. Desdenhamos do discurso político-ideológico, que ganhou o megafone das redes sociais, que em conjunto com outros fatores, amplifica os males das almas sombrias, autorizando-as a colocarem para fora seus monstros.
"Arthur Schopenhauer, disse: 'Se a marca da primeira metade da vida é o anseio insatisfeito pela felicidade, o da segunda é o receio da desgraça, pois, a essa altura, reconhece-se mais ou menos nitidamente que toda felicidade é quimérica, enquanto o sofrimento, ao contrário, é real.'.
Toda realidade, ao ser sentida, já não é -para o homem, na relação com o homem- ela mesma, e sim, uma sensação, uma interpretação sensorial. O homem subjetiva a realidade, 'dosa', dá à ela, 'medidas de intensidade', de maneira que, Shophenhuer, não está plenamente com a razão. A vida é um 'caldeirão fervilhando, resultando em encantamentos, magias..., enquanto bruxas criam suas receitas'. Não se tem garantias sobre 'o que os elementos jogados no caldeirão irão resultar'; coisas boas e coisas ruins podem resultar. Na realidade, o que chamamos de 'coisas boas' e o que chamamos de 'coisas ruins' referem-se, simplesmente, à predominância, do bem ou do mal, pois não há separação, sendo, sempre, uma e mesma coisa, como 'extremidades alcançadas por um pêndulo movendo-se'. Não há como furtar-se a isto: a vida pode ser mais ou pode ser menos saborosa à medida em que, a pessoa, experimenta coisas amargas, e vice-versa.
O novo -independentemente de positivo ou negativo- só pode vir mediante o choque de realidades que, em alguma medida, sejam opostas."
Acreditar na ideia de plenitude pode lhe ajudar a manter-se viva/o, mas é a compreensão de que ela não existe que lhe salvará...
Eu não quero nada do que é seu. Apenas, um pedaço do feliz que é você, pra multiplicar o feliz que já sou...
Se você é acompanhado por um psicanalista, conte os seus sonhos pra ele, seja os sonhos de olhos fechados (o que acontece durante o sono), seja os sonhos de olhos abertos. Ambas as formas de sonhar falam sobre você.
Estudar por si sobre conceitos da psicanálise pode ser mais terapêutico do que participar das sessões de psicanálise, depende de fatores.
O muro é uma construção evitativa entre duas pessoas que burlam o diálogo e que negligenciam o respeito.
Em um mundo de pessoas fake news, quando alguém é de verdade é visto como insano. A inversão de valores é o fracasso da construção da identidade subjetiva do ego.
