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Micropoemas do infortúnio - 1
Quando as águas baixam,
a bruma se desfaz
e a todos é revelado o caminho das pedras:
um santo suspende a sua função
de andar sobre as águas.
TRAGO
Atrás de toda essa fumaça,
trago a esperança.
Depois de tanta dor,
trago o esquecimento.
O passado me preenche
Me arde a garganta
Perfura meus pulmões
Me foge pela boca.
Enquanto isso o presente queima em minhas mãos,
Virando cinza, me escapando entre os dedos
Fugindo para se fundir ao vento
Usando duras palavras para se guiar.
E nisso trago
Trago dores e amores
Trago a vida
Trago o tempo
Deixo-me queimar
Se a poesia é o que não cabe no poeta
Por que então escrevo sobre você?
Que cabe em mim
Mas não caibo em você
Então me escreva
Já que não caibo na sua vida
Que caiba no papel
Que o papel caiba no seu bolso
E que eu caiba em você
Reflete em meus olhos a imagem da desgraça
A desgraça de um dia eu ter olhado para seu rosto
A desgraça que me lembro bem o nome que me levou até tal estado
A desgraça que hoje me faz degenerar meus pulmões e meus neurônios
A desgraça que a todo custo eu busco o esquecimento.
Alguma vez coisa parecida aconteceu com você?
A sombra de mãos entrelaçandas em direção oposta
O olhar de adeus que te faz cair em um rio, cuja águas são serenas e sem fim
Logo após a cena, sinto que ela traz as ondas no rio, correntezas e uma queda
Cabeça que bate nas pedras imperfeitas. Aliás, após a desgraça, o perfeito não existe mais.
Faço no meu crânio um vaso de flores mortas
Na minha alma um quadro negro com uma poesia de Augusto dos Anjos bem ao centro
Nos meus dedos, caros dedos, sentem a dor de ter que escrever por uma desgraça.
Será eu a desgraça, será eu que errei em uma abstração?
Minha desgraça não sou eu, sou a causa
As mãos entrelaçadas a consequência.
Mentiras ditas
Verdades cuspidas
Lagrimas em um rosto de uma menina
Que apenas se iludia
Branco era sua cor preferida
Chegava a usar todos os dias
Usou tanto que acabou com feridas
Ficou internada por sete dias
Perdeu uma vida
Quinze anos tinha
Infancia não teve morava sozinha
Teto, asfalto, chão, pontilhão sua moradia
Mais devia
A cor branca consumia
Fiado pedia
Em uma solução pensava ali aquela menina
Como pagar sua divida
No dia da cobrança pagou com sua vida.
Nas turbulências do dia dia,o amor prossegue,
na dura realidade de que feliz é o que menos
poderemos ser. Se os corpos não se tronarem
uma só pele e as almas serem cúmplice
Por todos os dias que eu caminhei sem ao certo saber para onde estava indo e por todas as lágrimas que eu derramei por um motivo ou outro, eu escrevo. Porque perceber um olhar de um "Eu te amo" é libertador. Eu posso ver tudo através dele, sinto a doçura e escuto alguém sorrir por mim, sinto também o toque de alguém que não quer me perder. Apenas um olhar e, eu sou capaz de notar. Será que por um acaso o meu também diz o mesmo? Se apaixonar é estar no meio de uma tempestade elétrica e rezar para que os raios te atinjam, mas amar é outra coisa. Não sei muito bem o que é. Mas, para dizer a verdade, acho que ninguém sabe mesmo. E, ainda sim só de olhar um estranho pode-se concluir se ele está amando ou não. No amor, já começamos sabendo que temos que deixar o outro ir, porque ele sem você é melhor do que, com você. Somos fortes para aceitar, não para abandonar. Somos egoístas também, oras! Guardamos para nós todo esse amor puro pela vontade que temos de fazer aquele alguém permanecer na nossa vida, caso contrário é muito mais provável que essa pessoa fuja à pé se sentir essa sinceridade no nosso coração. E, por todos àqueles que amam alguém, de verdade, mesmo que morram de medo, mesmo que neguem que possam amar, mesmo querendo estar enganadas, mesmo.... imaginando que nunca poderão fazer essa pessoa ser feliz ao seu lado eu cruzo meus dedos. Peço para as estrelas, assopro uma vela de aniversário e deixo uma moeda afundar n'água. Somos todos iguais querendo procurar algo que já temos, somos todos os mesmos quando amamos alguém de verdade.
Lacônica.
Hoje acordei
Em preto e branco.
Deve ser a chuva
Meio atônita,
Tonta, no entanto,
No chuveiro canto.
Irônica,
Visto branco,
Calço tamanco
Cai como luva
Um tanto desarmônica
No carro me sento,
Guarda-chuva no banco
Afônica.
No rosto, o vento.
Entre solavancos
A caminho de Juva,
Meio tragicômica
Juva! Onde? Quando?
Em algum canto
Numa fração de segundo.
Ela me serviu um café
Amargo e frio
Sem sorriso ou poema,
Disse que eu tinha partido
Não dividira o pão,
Nem me olham os tascos...
Um velho bolo insosso grudado
No céu da boca de pecados,
Sem doce, luz negra
Bom dia, tchau.
Sentado no banco lá do fundo
percebi um alvoroço logo à frente.
Era até de se estranhar,
pois não acontece isso normalmente.
De-repente um homem bruto
venho em minha direção,
e foi logo me dizendo:
"Passe a bolsa agora agora mesmo,
não me tire a paciência,
pois eu tive um dia duro,
vida de criminoso não é moleza.
Pode levar Sr. assaltante,
tudo o que couber na sua mão.
Leve celular, dinheiro, balinha e
até o chaveiro de coração.
Só por favor, seja generoso
não que eu queira ser pretensioso
me devolva o chip e minhas poesias do bloquinho de anotação.
Porque você é o texto que eu não escrevi,
A mensagem que eu não decifrei.
O sentimento que eu não senti,
Artefato que não guardei.
É a ardência da pela fria
Rachada por ventos fortes,
Cachoeira desviada sem destino
A bússola perdida que aponta só para o norte.
Dor que acelera e corre direto para o coração..
Você não está ..
Vento que bate no rosto...
Brisa leve suave que encanta..
Vai e vem a vontade o desejo de olhar..
Sabes então onde fico ?
Se queres vai saber encontar o caminho....
O tempo passa rápido,tu sabes...
Mas és teimoso e não tens pressa...
Pra que? sabes que tens a eternidade....
Ela é perfeita... É sim, eu acho!
É tudo aquilo que sempre quis e desejei. Seu senso de humor me faz pular carneirinhos em plena luz do dia.
Fico eufórico, completamente bobo.
Na boa, ela é demais.
Tá, sei que exagerei um pouco. É que essa “tonta” me deixa assim. Perco a noção de raciocínio e fico só elogiando-a.
Que coisa!
Estou em suas mãos, em seus pés, braços... Sei lá, sou dela... Hoje, amanhã, ou na porcaria do dia e do ano que for.
Aliás, ela foi esperta. Lógico que irá murmurar e salientar que não. Mas cai entre nós...
“Cê ganhou um presentão hein garota”?
Tirou-me de minha mãe e nem se quer agradeceu... Sem embrulho, sem laço e muito bem educado. Um tremendo Chefe de Cozinha. Especialista em saladas sem tempero, arroz insonso e café fraco.
É... prontinho... Não precisou nem gastar dinheiro com pilha ou bateria.
Tá vai, sei que tenho defeitos. E não adianta ficar escondida com esse sorriso bobo e com esse olhar sacana.
Quer que eu diga né?
Então tá, vai zombando...
Vou contar pra vocês...
Ela vive reclamando. Deve achar que sou um robô ou um “Power Ranger”... Salienta que vim com defeito de fábrica. Sem aquela porcaria de “botão de liga e desliga”.
Veja só, viram como sofro né?
E além de tudo tenho que ficar aturando essa “bobona”, zombando, “tirando uma palhinha da minha cara de besta”.
Ah, querem realmente saber o que penso sobre ela?
Então tá, senta aí, vou lhe dizer.
Nossa casa vive bagunçada, de “pernas pro ar”. Eu tento arrumar ( Tá... é ela quem arruma tudo, haha), porém cinco minutinhos pós-brilho, coberta dobrada e roupas arrumadas, tudo vira uma “zona” que “cê” nem imagina. Uma tremenda loucura. Divertimo-nos feitos loucos ( os vizinhos não aguentam mais, pobre sindico, passa por apuros conosco. Um beijo seu João! ).
Ah, ela vive derretendo chocolate. Até hoje não entendi direito o motivo. Sempre pensei que fosse por causa da TPM, mas não é não. Deve estar querendo virar uma bola charmosa e elegante só pra desfilar nesse tal evento de moda famoso; São Paulo Fashion Week, deve ser isso, sei lá. Porém, sou eu sempre quem “pago o pato”. Fico com o rosto todo “melecado” com esse açúcar nojento e ainda tenho que esfregar a panela que ela faz questão de deixar suja na pia e com o chocolate derretido seco... Ó CÉUS, eu mereço!
Se eu amo ela?
Eu até queria responder, mas não vou não.
Preciso ir...
Preparei algo especial.
Não conta pra ninguém tá?
É hoje...
Vou pedir essa doida em casamento.
(Eí, garçom... prepara a mesa, as velas e o pianista. “Tô chegando, sô!”).
Psiu, depois te conto tudo... Não saia daí...
Dedicado ao amigo Teimoso.
Ah! essa saudade...
Que vem devaraginho e se aloja bem aqui...
Em tudo no céu no mar no infinito...
Quem sabe no canto dos pássaros...
Ou nos sons de cada rádio que toca....
Aquela saudade do tudo e do nada...
De você de mim de nós...
Ou será que já fomos nós ou ainda somos nós....
Hum esse sol queimando meu rosto...
Me lembra aquele mesmo sol daquela tarde...
Eu bem ali...
E você onde está?
Estou bem aqui juntinho do teu coração no meu pensamento.
Será que é ? palavra mágica
Brilho de raios solares que emanam do Divino..
Tocam suavemente a pele e deixam um calor interminável..
Infinito desejo de te encontar...
Quem sabe esse vento suave murmurando sonhos.....
Respiro na cálida tarde de Junho...
Um,dois,três,quatro e cinco ......
Voar .... voar .... então sentir .
Somente o desejo de um dia te encontrar..
Mas onde ?
Meu amor, eu sei que sempre que eu começo com meu amor, tu já sente, assim, do nada, uma espécie de pavor; e pensa, logo, ai meu deus, vai com calma, por favor; lá vem ele de novo já sei, mas sou eu que te digo, seja lá, como for, presta um pouco de atenção, sente o cheiro do nosso amor, e o sabor da saudade, não, eu não tenho sido muito coerente, eu sei; tenho sido ciumento de pouco assunto e muito orgulho eu sei, e outro dia quando você falou que eu era o único na tua vida; eu fiquei te observando e pensando, é isso mesmo que eu quero, eu te disse que eu não sei, milhares de vezes, se valeria a pena, que eu mal vivo, e que eu não duro; te disse que eu não sou uma dessas coisas que chega e fica por metade; eu sou quem erra, pra acertar; quem quer sem desistir, enfim to aqui, metade de mim pode ser chata mais a outra metade você já completou, não, eu não vou começar novamente, não precisa pensar ''para'' , por favor; eu sei que o cafofo ta distante da tua presença a tempos, eu sei, minha coberta e o travesseiro, meu corpo almeja tua presença; sente isso? e o sabor? é amor com rancor, magoas, intrigas, desejos, incertezas, com tudo isso e misturado, sente só é amor
não aguento e não aturo; não disfarço e não seguro; transborda em mim muito de ti, verdadeiramente, sinceramente lhe digo, saudade, vontade é fato que não sai daqui, de mim enfim acho que, nem sei, no fundo; o que dizer, já te disse; me desculpa, mas é isso; sendo curto, raso ou profundo, sou só eu; sussurrando, falando, gritando, só presta atenção, sente isso é o gosto do nosso amor mergulhado profundamente na saudade.
Não Diga palavras em vão
Não Diga que é dificil
Não Coloque barreiras em meio às situações
Não diga apenas não.
Coloque na sua vida um bocado de sim,
Coloque na sua vida um bocado de mim,
Coloque na sua vida um olhar pro céu,
Adoce tua vida com um pouco de mel.
Não sou teu parente nem ao menos teu esposo,
Digo apenas que goze à vida sem olhar a vida do outro,
Viva cada dia intenso, pois cada minuto é um importante momento,
Não diga que és forte, porque não serás forte o bastante,
Desista do errado e viva o certo mais constante.
A madruga ás vezes parece uma imensidão perdida no tempo, é como se os segundo virassem séculos. Eu tô tentando - eu juro, eu tô fazendo o possível para ser forte. Dessa vez eu preciso ser capaz de esconder tudo o que eu sinto por você, não por mim, mas pela tua felicidade. Eu não posso destruir o seu único motivo de ter esperanças de um futuro. Olha, eu sei que sou a pessoa mais egoísta e medíocre do mundo, mas você me ensinou a consertar o que eu ainda acho quebrado em mim. Hoje eu acordei sufocada e - mais uma vez, morrendo de vontade de te ver, seus olhos me acalmam e seu abraço me é seguro. Provavelmente eu esteja louca, porque consigo ver que você sente o mesmo - ou pelo menos sente alguma coisa (será?) Fala pra mim. Diz que sou maluca! Só assim eu largo essa ideia de que você é a pessoa que eu amo, de verdade. Eu me apaixonei por algumas pessoas, mas nunca amei nenhuma delas. Já faz algum tempo que prometi para mim que só diria “Eu te amo” se fosse sincero e verdadeiro, e de repente, assim do nada, eu acabei dizendo isso para você. Desculpa, me desculpa por isso, e por tudo que eu tô fazendo e sentindo. Me perdoa por começar a desmoronar a nossa amizade, nossa relação forte, mas é que dói demais ser só sua melhor amiga. Fere aqui dentro, tá conseguindo ver o buraco? Eu quero que você siga com sua vida, que seja feliz, e que faça de tudo para ficar com essa garota, porque mais do que ela vai ter fazer feliz, você a fará feliz, e você é muito bom nesse assunto, vai por mim. Não liga pra mim não, eu vou ficar bem, só tive um dia daqueles, sabe? E por isso decidi abrir o jogo. Por favor, não tente se explicar, não arrume uma desculpa para não me magoar, não me olhe com pena, só aceite que eu vim aqui para me despedir e que preciso de um tempo de você, mesmo não conseguindo passar um dia sem querer te ver sorrir e saber que você sorri por mim.
São duas da manhã e não importa que eu esteja do outro lado da cidade, no subúrbio de New Orleans, porque me sentir livre desse jeito não me faz querer voltar para casa. Meus dedos dançam no ar e o luar me acompanha nesse tedioso verso. Meu celular? Não adianta me ligar, atirei-o no muro dos hipsters. Meus sapatos? Afundo meus pés descalços no caos. É uma perfeita madrugada para se caminhar com as mãos atadas. Eu entro em um taxi qualquer e caio no sono ali mesmo, o motorista me sacode e diz " - São cinquenta pratas, moça”, não faço questão de perguntar onde estou, só desço cambaleando e tento desembaçar os olhos. O topo de uma colina me espera pacientemente. É laranja e rosa…e amarelo e violeta. O nascer do sol me imobiliza e quando você pensa que não pode ficar mais estranho, fica e eu volto a caminhar pelo subúrbio.
Eu tinha me esquecido como era esquecer aquele olhar. Já se passara muito tempo desde que me senti assim. Não era novidade o cintilar no sorriso, o encanto do riso frágil e o coral das bochechas, então por quê meu coração tilintava como nunca antes? Me sentia um pouco embriagado, e não me leve a mal, mas você me dá dor de cabeça. É quase impossível te entender, e mesmo que eu tivesse todas as peças do quebra-cabeças seria uma palavra cruzada te desvendar, você é meio que doida, sabe? Só que eu sou mais. Sou muito mais louco neurótico pinel das ideias para tentar me fazer de cego-surdo-mudo diante da atual situação. Eu nego a mim mesmo o que não pode ser negado a si mesmo. Você pode ser doida, irritante, dramática, repetitiva só que o fraco da parada não é você, sou eu. Não sou fraco! Entenda, que já passei por isso com você, já te amei demais por um tempo, mas deixei para lá porque percebi que era mais vantajoso te ter como amiga, do que como nada. Imagina se você soubesse e acabasse com tudo? Nosso companheirismo valia mais do que tudo, então fiz com que o assunto morresse. O seu abraço faz ventania se transformar em calmaria, seu jeito de me olhar acalma meu coração, suas palavras poéticas me fazem querer ser uma pessoa melhor, sua determinação me faz perceber que você é a única pessoa para quem eu corro quando preciso, de todos os modos possíveis é sempre você. É você com quem eu falo das minhas fraquezas, é você que eu encontro na rua, é você que nunca mudou comigo, é você que me dá conselhos, é você que me faz ter esperanças de construir uma família. Olha a loucura da coisa, até então eu fingia que não via, não sabia, não sentia….Era fácil mentir para mim mesmo, achar que era só um sentimento momentâneo, que era só um desejo qualquer, que eu estava imaginando coisas e não era mais do que parecia ser. Era melhor não pensar para não sentir, mas as coisas não funcionam assim, porque o que eu tanto procurava havia encontrado em você sem perceber, tinha algo ali - bem na minha frente - raro e verdadeiro. Uma mulher real que me fazia sentir realmente completo e feliz por ser exatamente quem eu sou.
É domingo de manhã e eu escuto pedrinhas na minha janela, vou correndo com passos delicados até a cozinha e escuto uma risadinha abafada. Dou duas olhadas antes, para me certificar que é tudo real. Faça um pedido, eu me lembro como se fosse ontem você sussurrando no meu ouvido enquanto tapava meus olhos. Foi naquele dia que você, finalmente, percebeu que tudo que mais procurava estava bem ali, na sua frente. Me sinto boba por ter deixado você escapar tantas e tantas vezes por entre meus dedos, mas sinto que você é um tremendo babaca por ter me amado e mesmo assim ter mentido para si mesmo. Me apoio no batente da porta e pego a xícara com café pronto da bancada. Eu reservei os melhores momentos para você. Nossas histórias sem sentido às três e cacetadas da manhã me tiram um sorriso ou outro. Como somos infantis e idiotas juntos, consegue se imaginar fazendo todas essas coisas com mais alguém? Consegue se ver sem me ter do seu lado? Independente do tipo de relação que nós temos, a minha vida sem você seria boa, mas tediosa. Minha barriga dói de tanto rir, minhas manhãs são monótonas sem você me chamando de preguiçosa, meus abraços são sem graça sem você neles. Ainda escuto as pedrinhas na janela, termino meu café e vou para o quintal. Lá está a razão da risadinha abafada. Uma garota linda de fralda e vestido rosado que me olha e grita “- Papai, a mamãe finalmente acordou, bem que você disse…ela é uma preguiçosa!” O papai está de costas e pega a menina no colo. Posso reconhecer aquela silhueta, reconheço aquela voz e aquele cheiro. Ele se vira e eu falo aliviada ” - Bom dia, babaca. Cadê meu abraço?”
O tempo está mudando, bem devagar. O amor vai sendo substituído aos poucos por uma bebida aqui, um lance ali e, aos poucos nos tornamos seres desesperados por atenção. Estamos nos baseando em algo material, algo desse mundo imoral, por isso estamos cada vez mais perdidos. A fé hoje é em vão, a compaixão já não existe, e o amor por Deus se omite. A verdade é que nos sentimos vazios , a cada dia que passa e não temos mais para onde correr. Se parássemos para pensar, veríamos que não há nada impossível, nada tão perdido que não possa ser salvo.
Ritmo novo, nunca sentido. Riso fácil, mundo incoerente. Não fui convidado para nenhuma festa. Hoje em dia para onde olho só vejo gente estranha e esquisita. Essa droga de século nos faz sentir autossuficientes para tudo. Realidade sucumbida, desejo explícito e ilícito. Desvantagens em ser meramente moralista, ativista, passivista. Eu vou procurar quem quando precisar correr? Estamos presos nessa cela ilusória onde a inteligência é um prêmio de consolação. Os sábios estão cada vez mais calados, enquanto os estúpidos não param de querer espalhar sua opinião contaminada pelo mundo. Inversões de papéis, pequenos fiéis, sinônimos valendo meros vinténs. Segundo uma pesquisa recente estamos chegando ao fim e, não é do universo que estou falando.
Em um rancho do Mississípi, eu me perdi. A estrada era longa e o número das placas se embaçavam na neblina do outono. E, mesmo que se continuasse a doer eu percorreria milhas e milhas até naufragar num pedacinho de terra abandonado. Eram vários modelos de couro legitimo nas botas, os cinturões refletiam as luzes dos lampiões e “Bette Davis Eyes” tocava. Um banjo me envolvia numa dança nada rítmica, mas mesmo assim tudo me divertia. Era maravilhoso começar a passar por mudanças, já estava na hora da minha vida dar um salto, e não digo um salto daqui-ali, digo um salto dos grandes. Sentia cheiro de lavanda e ao fundo uma garotinha perseguia alguns vaga-lumes. O coração sempre dá um jeito de recomeçar e encontrar uma razão nada racional para tentar de novo. A vida é como uma ampulheta, as coisas acontecem, num determinado tempo, e tudo que vai…volta. Valia a pena morar naquele lugar, e valia a pena lutar mesmo que eu tivesse que percorrer mais um milhão de milhas até encontrar você.
