Tag pensamentos
Nesse mundo,
Nesse mundaréu de hipóteses!
Imundo,
Inundado de dúvidas,
De dívidas,
Devida a falta de atenção.
Atenção pois é promoção,
Te promovem o consumo
Em troca de escravidão.
Carro luxo,
Produção lixo.
"Vidão"?
Acho que não!
Mas um hipótese na cabeça
E um medo no coração.
E quando tudo der errado.
Quando nada for ao seu favor.
Quando a sombra te incomodar
E no sol arder de calor.
E quando perder no caminho da volta.
Quando esquecer e chegar atrasado.
Quando o ponteiro do relógio parar.
Quando tropeçar no cadarço desamarrado.
Quando ninguém mais se preocupar.
E quando o amor te causar muita dor.
Quando a fumaça realmente for fogo.
Quando alguém vencer o seu jogo.
Quando chover quando for ver o mar.
Quando com a espinha de peixe engasgar.
Não se preocupe meu amigo,
Isso é nenhum jogo de azar.
Veja o lado bom disso tudo
Quando o "quando" chegar!
A gente cresce a cada instante...
Abre espaço pra brincar com as nuvens que desenham o céu e colorimos de forma imaginária nossos pensamentos, dando contornos aos nossos sonhos de mais um dia que ao fundo, finda!
Enquanto os pensamentos de desistência e fracasso ocuparem sua mente não haverá espaço para novos projetos. Mude de rotina, converse com pessoas inteligentes e confiáveis, discuta suas ideias, abra mão de velhos paradigmas, deixe-se questionar. Esses não são conselhos, são caminhos já percorridos por quem sabe onde está e aonde quer chegar.
Vi da vidraça,
Vida vi praça.
Vivendo de graça
Morando com traças
Esquecido me fui.
Faltando peças
Como nessas
Garças de jardins
Aliás,
Não voo mais.
Não vou mais.
Esses encorajados
Encorujados,
Que vira e mexe
Revira e remexe
Me fazem de condenado,
De poeta mal falado.
A mão que aponta
Volta sempre três pontas
Para o próprio nariz.
Nesse momento migratório,
Hora penso no velório
Outrora no senatório.
Mas vida se passa!
Pela chance de uma nova escolha
OFICINA VAZIA
[Por Marina Silva]
Na varanda do quintal, tenho a pequena oficina em que faço minhas joias, com sementes que os amigos trazem da floresta. Em silencioso trabalho, vou polindo também pensamentos, palavras, sentimentos e decisões. Nas vésperas de grandes momentos da política de que participo, encontro nesse trabalho inspiração e calma. Comparo-o à gravidez, quando precisamos de tranquilidade em meio a grandes esforços.
Às vezes, não há tempo para o artesanato, apenas o breve olhar saudoso para a oficina ao sair na pressa de viagens e reuniões. Resta o consolo do caderno onde desenho, num avião ou numa sala de espera, colares que um dia fabricarei.
Em dias mais agitados, nem mesmo o caderno. O tempo é semente preciosa e rara.
Mas consegui --em madrugadas de oração-- ver que há, instalado na alma, um dispositivo da fé que nos dá "calma no olho do furacão" e a esperança de que tudo sairá conforme uma vontade superior à nossa.
Essa conformidade exige condições. A primeira é a consciência tranquila de ter feito tudo o que estava em nossa capacidade de acreditar criando, não só cumprindo as regras, mas dedicando alma e coração.
Numa régua nos medimos. O chefe do governo sabe se faz tudo pelo direito republicano dos cidadãos ou só propaganda para manter o poder. O líder da oposição sabe se defende o bem do país ou torce por erros do governo para tirar votos. O empresário sabe se produz responsabilidade socioambiental ou só transforma prejuízo público em lucro privado. O magistrado sabe se busca justiça ou formalidades que condenam inocentes e absolvem culpados.
Por isso, a ética é base da sustentabilidade, espaço público e íntimo em que cada um encontra sua verdade e a segue ou a trai, ocultando-a sob uma consciência opaca.
Agora, revendo anotações para um artigo, acho desenhos e poemas em velhas páginas. Ergo os olhos para a oficina vazia. Nada lamento. Versos feitos noutro tempo de difícil transição política voltam hoje, quando espero justiça de mãos dadas com milhares de idealistas que superam boicotes e empecilhos para dar ao Brasil chance de uma nova escolha. Possa a poesia, que o tempo há de polir, encher o espaço entre esperança e realidade:
Sei não ser a firme voz que clama no deserto/ Mas estou perto para expandir seu eco/ Sei não ter coragem de morrer pelos amigos,/ Mas guardo-os em recôndito abrigo/ Sei não ter a doce força de amar inimigos,/ Mas não me vingo ou imponho castigo/ Sei não ser sempre aceito o fruto de minha ação/ Mas o exponho ao crivo d'outra razão.
Voz, coragem, força, aceitação/ Tem fonte no mesmo espírito/ Origem no mesmo verbo/ Lugar onde me inspiro/ E a semelhança preservo/ Na comunhão com meu próximo/ No Logos que em mim carrego.
[Publicado na Folha de S.Paulo, 27 de setembro - A2]
A única coisa que posso fazer...
Não sei..
Acho que não posso fazer nada!!
Somente olhar como sorri...
Olhar seus movimentos..
Fixar-me no seu olhar,
Em seus olhos...
Ver seu sorriso,
Seus irresistíveis lábios..
Fazer o que!!!
Imaginar o que eu quiser...
Que aconteça..
São as únicas coisas que eu posso fazer...
COM VOCÊ...
..
A parte ódio do amor é a sinceridade; É correr o risco de perder a quem se ama, dizendo as coisas como são e não somente como ela quer ouvir.
Aquilo que é bom ou ruim é amplamente subjetivo, ainda mesmo que pautado pela ignorância ou imposições modistas, mas abençoado seja o mal feito, que faz com que saia do âmbito das opiniões pessoais ou coletivas e inegável e incontestavelmente se torna factual; E contra tudo aquilo que é fato, é um fato não haver debates.
Para os não laboriosos, o desejo da posse é como um estigma na alma, e a inveja, é o câncer que os incapacita.
Quando se conhece bem as situações extremas, corremos um grande risco de quando existir a possibilidade de poder fazer todas as coisas, não querer fazer absolutamente mais nada.
Às vezes alguns anos são necessários para dar alguns passos à frente, e somente um passo em falso pode fazer a gente ficar parado por diversos outros anos.
