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A única certeza que tenho é a de que se existir um deus, certamente esse não será como a descrição da divindade judaico-cristã.
Desde o momento que você nasceu a escolha é sua, ansiar por estar ou perseverar para eternamente existir.
É tão especial viver em uma situação difícil, talvez você possa rir e sentir liberdade enquanto canta de modo que você esteja existindo na resolução de problemas...
Quanto mais procuro entender
O sentido da vida,
Mais concluo que não há sentido
Em procurar entender, pois
A vida, na sua essência,
É a negação da inexistência, logo
Buscar o entendimento no que
Nega o não existir,
é disperdiçar tempo na busca
Ao invés de empregá-lo ao viver.
Temos tão pouco tempo, mas estamos de maneira constante preocupados com o amanhã, esquecendo que ele pode não existir.
Os sonhos só seriam concretizados se o amanhã existisse mas infelizmente até aqui esperamos pelo amanhã.
Pela Janela
Da minha janela vejo o céu.
Vejo a lua e o amanhacer.
Vejos os carros passando.
Vejo crianças indo para escola e voltando. Prontos para mais um pouco brincar.
Vejo a vizinha lavando a calçada, o senhorzinho esperando a amada que nunca mais voltará.
Vejo a chuva caindo, as aves dela fugindo, buscando abrigo, repousando e depois prontas para novamente voar.
Pela minha janela vejo também a vida com sua sutileza, levando de nós o tempo, os sorrisos, o fôlego, o caminhar.
Vejo o percurso da trilha.
Vejo os pontos de paradas.
Vejo as feridas se fechando.
Vejo-me soltando as amarras.
Meu coração se libertando.
E eu mesmo me olhando.
Vejo os sonhos que me habitam, dizendo à todo momento para eu confiar.
Que me fazem querer acordar amanhã mesmo quando ainda nem me recuperei do dia anterior. Mesmo que mais um seja um a menos.
Me recordo então do amor que move meu ser, que me dá fôlego e ao mesmo tempo me impulsiona, sem deixar de avisar de novo que não existe corrida alguma, que não precisamos ter pressa.
E para um novo dia me levanto.
O que você dá sua janela?
Talvez pudesse viver sem escrever, mas não creio que pudesse viver sem ler. Ler – descobri – vem antes de escrever. Uma sociedade pode existir – existem muitas, de fato – sem escrever, mas nenhuma sociedade pode existir sem ler.
Todos somos viajores da Vida, não temos uma direção a seguir e nem algo maior a conquistar, a Vida já é Tudo.
Kairo Nunes 08/07/2021.
Trazer o objeto de amor à existência é como tocar a dor do sujeito deprimido e quebrar um cristal vazio.
Quanto de amor poderei eu guardar? Nenhum! Se o amor fosse pra guardar, ele deixaria de existir. Mesmo sendo algo de dentro, amor é porta aberta, vontade exposta, passarinho que voa; faz morada, mas não se prende. Porque amor é liberdade. O que a gente guarda mesmo é o sentir. Amor a gente liberta pra voltar. E ele sempre volta pra gente, pode acreditar.
O dia em que olhei nos seus olhos pela primeira vez foi quando deixei de existir para mim, e comecei a existir em nós.
No dicionário de qualquer Ser de Luz, não existe a palavra DESISTIR, pois ele sabe que desistir nunca será uma opção!
"Criador e Criatura, Artesão e Obra, Deus e Homem são as duas extremidades do fio que sustenta a vida; será impossível atar o laço que abraçaria o Cósmico, para sempre, sem que essas duas extremidades se toquem e juntas, realizem e consagrem o milagre de existir!"
Comprei um par de cadeiras de praia
Na sala vazia, sem propósito, caiu bem seu lugar no cenário
Fiz o convite.
Elas vieram, sentaram-se confortavelmente, sem cruzar as pernas, e…
tomando banho de lua, no reflexo da porta de vidro,
decidiram deitar ao chão.
Lunáticas que são, era de se esperar.
A conversa deu lugar ao silêncio que escutava a música
Minha playlist "23:45" ecoava na sala cheia de vazios
Elas, as cadeiras vazias, os corpos no chão, o brilho lunar invadindo a sala…
Contemplamos, existimos, sem função, a sala não tinha propósito
Da gente, só se esperava existir…
livres, descruzadas, juntas, deitadas e enroscando as mãos em nosso cabelos
Elas foram embora.
Comprei uma poltrona caríssima para duas deitarem
A poltrona se acostumou, e eu me acostumei com seu conforto vazio, também sem propósito
Era ela para nada.
Para o mesmo que as cadeiras de praia
Mas para ser nada, custou muito e fiquei brava.
Comprei uma luminária, para iluminar seu costume na sala.
Agora existia um propósito…
a luminária, clarear a poltrona
a poltrona, ser iluminada
Mas também era para nada
Comprei uma vitrola, e era para ecoar sons na sala que já não estava vazia.
E percebi que também era para nada se não houvesse nela um vinil cambaleando
Comprei o vinil, e este era para alguma coisa.
Era para fazer funcionar a vitrola e dar a ela propósito.
E, cambaleando, percebi que também me acostumava.
Comprei um vinho para encher a taça
E enchendo a taça, a esvaziava em mim, que agora cheia dele, via alguma proposta
Eu é que estava iluminada, mesmo sem ligar a luminária na tomada.
Olhando para a sala, desci os degraus saindo de casa.
Deitei na rede, e olhando para a sala cheia, percebi que não me cabia lá.
Era tudo para nada.
Todos nós estávamos acostumados.
Tudo era para nada.
Então, desistindo de ter, existi!
DESISTIR é abrir mão de si mesmo, sem mais possuir a nobreza de EXISTIR, tão plenamente, tentando mais uma vez...
Age como se não houvesse Deus, lembrando-te porém que Ele existe.
