Tag barro
Por acaso pedi a Ti, ó Criador, que do barro
Me moldasses Homem, por acaso solicitei a Ti
Que da escuridão me resgatasses?
(Paraíso Perdido)
Quando a energia da Terra
é trabalhada pelas mãos de artistas,
surgem peças repletas de
bom gosto e sofisticação.
"(...) E se não fosse uma raiz de mucunã arrancada aqui e além, ou alguma batata-branca que a seca ensina a comer, teriam ficado todos pelo caminho, nessas estradas de barro ruivo, semeado de pedras, por onde eles trotavam trôpegos se arrastando e gemendo”.
( in "O Quinze".)
Neste mundo nada nos
pertence.
Deus nos presenteia com
jardins cheios de flores.
Mas temos que entender
que flores teem espinhos.
Ele nos dá a brisa para
suavizar nossa caminhada.
Que pode ser de calmarias,
mas, as vezes nos tornamos
tempestades, furacão para
defender as pessoas que
moram em nosso coração.
Por muitas vezes silenciamos
para não causar confusão.
Nossa alma busca a diferença
entre o sim e o não.
Mas Deus é maravilhoso, pois
nos fez libertos para escolher
o queremos ser.
Nos tira do barro e nos levanta
do chão.
Em meio a todo esse turbilhão, a única coisa que te peço, devagar com o andor que o santo é de barro.
Eu digo Morena, vale à pena ponderar o tempo, cada qual no seu lugar.
Os detalhes memoráveis, nada pode apagar.
Não disseram minha morena, que quando é para ser, os ventos sopram a favor? Então, por que não acreditar? Aproveite o sopro forte, ali no canto tem mais um remo, pegue e venha cá. Olhando à frente, sem cansar.
Sempre JUNTAS minha pequena, que a maré de coisas boas eu já consigo avistar.
João de Barro
Sujeito da cor marrom,
Simpático e trabalhador,
Pra conquistar sua companheira
Dedica-se com fervor.
Arquiteto e engenheiro
Trabalha o dia inteiro
Não perde de vista seu afeto
Nem seu objeto.
Sua maior riqueza e aquisição
Vem de baixo, do chão.
E é transformada em casa
Seu lar de coração.
Agora com sua amada
Juntinhos na sacada...
Felizes estão.
E esse é só mais um pássaro,
Seu sobrenome é barro
Mas todos lhe chamam de João.
ser de barro
ser de vidro
ser despedaçado
ser quebrado
o barro se molda
o vidro se corta:/
escolhas apenas escolhas
Se a religião e a filosofia, e todas as outras certezas do mundo nada fazem senão me distanciar de minha própria natureza, fico com a poesia,
Que faz de mim o próprio barro confuso que sou.
Todo vaso quando é feito ainda está flexível, e por isso precisa passa pelo fogo; pois do contrário, qualquer um que colocar as mãos sobre ele pode mudar a sua forma.
Somos vasos frágeis de barro, muitos de nós rachados, alguns remendados e ainda outros sentem que lhes faltam um pedaço, mas algo temos todos em comum, dentro de nós floresce uma alma eterna.
Pra chegar no meu coração
Pega estrada de barro
E ele é cercado de arame farpado
Por questões informais e de brasileirismos, o homem foi feito do barro. Para alguns, nada mais verdadeiro.
Pedi a minha amiga lua
Que ilumine a fria estrada de barro
Coberta pelo lençol azul do céu
Onde as grandes árvores dançam como bailarinas
Seguindo os passos do vento que sopra em meus ouvidos
Notas de piano coloridas e enternecedoras
Cravando em minha pele diversos tipos de emoções
Fazendo os sentimentos unificarem-se a minha alma
Como a vista do topo da montanha que eternizou-se
Igual ao brilho dos meus olhos que comandaram meus pensamentos
Como o beijo das estrelas naquele oportuno momento.
SURDINA
No ar ressequido o joão de barro canta
Um joão de barro no ar do cerrado
Encanta, na madrugada que se levanta
Que encantado!
Um joão de barro canta. Um rosário
Longe, entre o mangueiral, tece...
Operário, que trabalha solitário
Musicando a sua prece.
Que encantado! Soa na sua sina
De poético, de pássaro bravio
Tomando a sua amada, inquilina
No seu covil!
Silente. O sol no seu nascente
Vazado pelo canto de tua benesse
João de barro, que cantas docemente
Musicando a sua prece
Que belo, na magia em oferta
O olhar melancólico e vazio
Desperta a alma tão deserta
Aos ouvidos este canto luzidio
Já tanto ti ouvi! Já ti ouvi tanto!
Coração, por que estais emocionado?
Por que chora, ao ouvir-te o canto,
João de barro que musica no cerrado.
E com que júbilo o joāo de barro canta
No ar sossegado, no ar do cerrado
Encanta, na madrugada que se levanta.
Que agrado!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
ÉGIDE
Manhã úmida após
um dia de tempestade.
Pássaros contemplam
A calmaria do domingo,
Bem como, admiro um
João-de-Barro construir
De bico em bico o seu lar.
O bom dia tranquilo de um
Desconhecido
Contribui com a sensação serena
Que paira no ar.
Entre as nuvens, a luz surge
Aconchegando o ser de
Alguém que crê em uma
Aurora após a outra.
Estamos cansados de saber
Que a paciência é a égide para viver
Um dia de cada vez...
Sofrimento é barato como barro e duas vezes mais comum. O que importa é o que cada homem faz com ele.
Nunca zombes dos outros
perdoe se possível os erros alheios
ninguém neste mundo é perfeito
somos feitos do mesmo barro e anseios
Não entendo a soberba do homem, e muitos não acreditam na existência de Deus , sendo estes formados pelo barro que o próprio Deus criou.
Ah, joão de barro, se tu soubesse o quanto me dói ver-te voando pra longe de mim com estas asas machucadas. Dói ter de te ver assim, cabisbaixo, voando sozinho sem poder te acompanhar. Eu lembro quando tu era um pássaro livre, voando por aí, sendo aparentemente tão feliz como um pássaro pode ser, as vezes eu até achava que tu eras o pássaro mais feliz que já conheci. Radiante, livre, cantando aquele canto que contagiava. Ah, joão de barro, tu nunca me contaste que na verdade estavas desmoronando por dentro, eu nunca quis tanto trazer felicidade pra alguém. Nunca antes de ti, joão de barro. Nunca antes de ti. Eu queria seguir-te em todos os seus vôos, te ajudar a voar quando tuas asas estivessem cansadas, eu te amei mais do que achei ser possível, caber tanto amor assim em um coração tão pequenino. Eu te amei mais que se pode imaginar, a ponto de querer ficar até o fim da vida voando contigo, aonde quer que tu fosses; escutando teus cantos, dos mais alegres as melodias mais tristes, olhando teus olhos de pássaro ferido ou observando como eles pareciam sempre sorrir junto contigo. Ah, joão de barro, mal sabia eu que um pássaro não sobrevive a amarras. Tu não estavas preso a mim, é claro, não de forma literal. Eu não me atreveria a colocar-te em uma gaiola apenas pra manter-te comigo. Mas apenas a gaiola do meu coração já foi demais pra ti. Eu te amei, ou talvez ainda ame, mas talvez jamais saberei. Não importa. Eu deveria saber que um pássaro deve ser livre. Eu deveria saber que um dia tu irias ficar sufocado na minha pequena gaiola de amor, eu sabia que isso ia te machucar, mas fui egoísta. João de barro, tem dias que a primeira coisa que penso é em como eu queria que tu tivesses ficado. Mas isso iria impedir tuas asas de baterem livres por aí. Eu só quero que sejas feliz. Sem clichês. Me dói, e talvez eu nunca tenha tido escolha, ela sempre foi sua, mas quero que você vá, voe pra onde quer que seja, voe até pra bem longe de mim, mas siga teu caminho pra ser feliz. Bata suas asas pro rumo da felicidade, e não o contrário. Como em uma canção dos Beatles, "pegue teus olhos cansados e aprenda a ver. Toda sua vida, você estava apenas esperando por esse momento para ser livre." João de barro, voe...
(Eu ainda posso escutar tua melodia em meus sonhos, então por favor, nunca deixe de cantá-la)
João-de-barro , meu amigo
Queria na tua casa morar
Certo é que ali estaria seguro
Seguro na certeza de ter um lar
João, reforma tua casa
Aumenta as paredes, faz tudo bem certo
Me dê um quarto, serei teu inquilino
Ao menos, terei sobre mim um teto
João, é bom contigo morar
Nem me importo com você viver
Aqui é quentinho, aqui é gostoso
Aqui vou ficar e aqui vou morrer,
Mas não se mude e me deixe só
Pois morrerei a não mais te ver
João é o ser mais próximo da humanidade
Para inicio, carrega o parecido no nome
E se houve inspiração humana em João
Houve inspiração de João no homem
João estava aqui desde a moradia das cavernas
Viu a formação da primeira cidade
E antes mesmo de “criarem” o elevador
Ele já subia, mostrando sua superioridade
Inspirou desde a mansão até a cabana
Modelo europeu , tendência americana
É o responsável pelas estruturas que temos hoje
Mesmo nunca tendo levado um pingo de fama
Mas a fama até que não te interessa
O mais importante é o barro, o trabalho
É a proteção, pois lá vem a chuva
Sei que não gostas de estar molhado,
Mas também é esteticista
Muito preocupado com o formato
És o João-de-barro Niemeyer
Ou faltou em Niemeyer o sobrenome de João-de-barro
João-de-barro que tudo faz pelo trabalho ,
Mas também faz pelos filhos seus
João-de-barro, o segundo engenheiro do céu
Atrás apenas e somente de Deus.
João-de-Barro , o “faz tudo” da natureza.
O “faz tudo “ ,sim senhor!
João-de –barro engenheiro , arquiteto voador
João-de-barro aviador , compositor e pai protetor
João, o divino
Facilmente associado aos santos
João não é limitado como os humanos
João voa, João é anjo
Ele tem tudo o que alguém quer
João tem instinto, tem engenharia, tem alturas
Ele é naturalmente e por vocação
Perto de Deus e próximo das criaturas
Isso mesmo,João, o perto de Deus
Até no barro há o que se comparar
E se um se ocupou e com ele fez a sua obra-prima
O outro usa como matéria-prima para se ocupar
Pro João-de-barro só presta o barro
Molhado, ligado, pesado
Com dor, com esforço, com entrega
Aos muitos, aos poucos, revezados .
Não dói e nem reclama
Nem ao menos ele sai aos berros
João-de-barro pra fazer o que é de barro
Precisa se transformar em João de ferro
João das classes sociais
João, o falso-verdadeiro
João rico , é arquiteto
João pobre , é pedreiro
João, reforma essa tua casa
E aprende a alicerces colocar
Pois daqui há um tempo não muito distante
Não acharás altura onde morar
João , reforma tua casa
E nem precisa mais nela eu caber
Se apenas couber a ti
Conseguirás então sobreviver
João , reforma tua casa
Mas tente fazer tudo bem certo
Não quero te olhar e perceber
Que agora transitastes para João-sem-teto
João, reforma essa tua casa
Se quiseres, podes comigo morar
Pois pelo que és , seria a coisa mais triste
Se eu visse o João-de-barro sem lar.
O casebre do João
Sou feito o João de barro
Tenho asas para voar
Aonde a vontade me dar
O céu inteiro à disposição,
Mas prefiro construir minha casinha
Nesta árvore sozinha
Enchê-la com tudo que me agrada
Aconchegar-me em seu interior
Vê o sol se pôr
De lá só sair
Para a saudade vir
E retornar logo depois.
"Contemplo-te"
Da costela de Adão nunca vieste;
Pois não podes provir de uma parte tão insignificante à vida
Também não vieste de nenhuma explosão cósmica;
Pois o pó das estrelas já é natural de ti.
Não vieste de qualquer ventre humano;
não vieste de qualquer acaso;
também não vieste de religiões por dois motivos:
Religiões são incertas e tu vens de emoção.
Definir de onde vens não é trabalho para um simples leigo,
mas aqui vai meu simplório achismo:
Tu vens do mais nobre e detalhado desenho;
vens do mais engenhoso e incidente projeto deliberado.
Cabe agora às autoridades da ciência, explicar-me de onde vens tu.
Mas independente de onde vens uma certeza tenho:
És sinônimo de benevolência, simpatia, ternura e afeição...
És complexa, mas acima de tudo, és você.
