Superfície
A gota d'água que se espalha ao tocar uma superfície.
O balanço que causa a batida do prego no martelo.
O fiapo de madeira que sai quando a chave de philips gira o parafuso na mesa.
A borracha do chinelo que se contrai e volta ao seu estado normal após receber peso.
O impacto e o estrondo que causa a porta ao bater.
A espera da caneta que gira para soltar tinta.
O tum-tum do coração.
O tic-tac do relógio.
O abre e fecha dos olhos ao longo do dia, da vida.
Os músculos, nervos e vasos sanguíneos que fazem a máquina corporal funcionar.
A maioria das pessoas se contenta com relacionamentos que sequer arranham a superfície do ser. Intimidade tem mais a ver com a alma do que com a pele.
"Poema dedicado a minha querida mãe"
Passeando pelos campos
De superfície plana
Procurava uma flor
Porém, nessa savana
O bosque não tinha cor
Nem muito menos o calor
Do abraço de mãe Juliana.
Só se desce uma vez, só se vive uma vez na superfície, acredito que aqui ainda seja apenas a sobra, o que está por vir, nos deslumbrará, tudo e todos serão guiados para o caminho que lhe trará a felicidade plena e eterna.
Mesmo com a chuva cantando a calma sobre o telhado e o frio acolhendo minha superfície, a minha alma se derrete pelo calor da ansiedade. Os olhos abrem e fecham, tudo um sonho, tudo real. O asfalto me acompanha na minha plena insegurança de todos os dias com a estrada do amanha paralela ao meu caminho agora é o fim.
Não seja tão superficial, lembre-se de que sob a superfície árida dos desertos estão as mais preciosas jazidas de petróleo.
Beleza na superfície
sutileza bem pouco uma armadilha,
de lindas fotos,
sendo o perigo virtuoso,
sonsa ilusão,
flui o desatino do sofrer
derradeiramente nas profundezas
a verdeira intensão que se diluí...
nas sombras da natureza cruel.
as obras do encanto
defere se em caos aparente teu amor.
nos extensos sopros da esperança
agonia reata numa flor que desabrochou,
quando se percebeu o tempo passou...
E os livros, livros por todos os lados. Cada superfície plana era ocupada por um livro. Tampo da mesa, armário, criado-mudo, mesinha de cabeceira. Nenhum bibelô, Nenhum suvenir. Nenhum porta-retratos. Só restaram os livros. Para que ele soubesse quem fora realmente a mãe, teria de abri-los e ler. Teria de ler cada página de milhares, milhões.
"As velhas rivalidades não se dissipam de um dia para o outro. Repousam sob a superfície, como as feridas de uma infidelidade, os aniversários esquecidos e as necessidades emocionais não satisfeitas."
Um guerreiro pode ser sempre ferido, jamais ofendido. Podem feri-me a todo instante na superfície, jamais em profundidade e de forma alguma em meu ser.
Lembrem sua verdadeira divindade e origem. A densidade está sendo trazida à superfície. Portal de Leão.
Não havia verdade mais profunda na mundanidade da violência. Essa verdade estava na superfície e não exigia nenhuma mineração.
Tenho a crença inabalável e angustiante de que é nas aberrações que o Ser penetra na superfície e revela sua verdadeira natureza.
O mais importante é não desistir das dificuldades da superfície, porque caminhos fáceis nos levam a destinos difíceis.
