Superfície
A maioria das pessoas não saem da superfície. E se tivessem que "aprofundar" na segunda camada, morrem asfixiadas.
Se não quiser que mágoas, dores e medos antigos subam à superfície transparente da memória, não agite as suas águas.
O mito de Narciso é interessante: quando olhamos para a superfície de nós mesmos, não conseguimos ver a profundidade do nosso coração, nem toda a beleza de um mundo a ser descoberto
Somos movidos pelos mais variados desejos que possuímos.
Os mais próximos da superfície são fáceis de identificar e ainda muito influenciados pelas questões instintivas ligadas a matéria.
Existem outros que construídos por experiências além da atual encarnação e que permanecem quase ocultos, sussurrando no inconsciente.
Entre todos, o mais profundo que habita em todos os corações imaturos que ainda residem no planeta Terra, é o de harmonizar com o universo.
Isto é, aceitar nosso papel como filhos de Deus e força ativa na administração da criação.
Eu só queria…
Eu só queria conhecer alguém
que me enxergasse além da superfície.
Que não se assustasse com as minhas feridas,
nem virasse o rosto para as minhas cicatrizes.
Alguém que visse beleza até nos meus defeitos,
e não apenas nas partes fáceis de amar.
Queria poder me despir da armadura,
sem medo, sem receio, sem esconder quem sou.
Mostrar minha intensidade, minha sensibilidade,
minha essência crua, sem filtros.
Sonho com o dia em que vou amar sem medo,
sem me perguntar se serei suficiente,
sem temer não ser correspondida.
Só amar.
Com entrega, verdade… e reciprocidade.
— Priscila De Arau
Carrego um mundo inteiro no peito,
mas vivo cercada de olhares que só enxergam a superfície.
Falam de tudo, mas ninguém pergunta:
“E você, quem é por dentro?”
—Priscila de Araujo
Na Superfície do Ser
William Contraponto
Vivemos tempos em que a superfície parece suficiente. Alguns permanecem nela por alienação: distraídos, anestesiados pelo cotidiano, pelos hábitos repetidos, pelo brilho falso das conveniências sociais. Seus olhos não enxergam além do espelho que lhes é oferecido; caminham sobre o mundo como quem atravessa um lago congelado, sem perceber a profundidade das águas abaixo.
Outros permanecem na superfície por escolha — ou melhor, para alienar. Criam ilusões, distorcem verdades, constroem muros de banalidade que escondem o abismo da realidade. Manipulam, distraem, desorientam. Mantêm os outros na superfície para preservar seu próprio conforto, sua própria sensação de controle, sua própria fuga do que é essencial.
Entre os que se deixam levar e os que conduzem, há a fratura do pensamento: a consciência, quando desperta, percebe o vão que separa a vida plena da vida aparente. E é nesse vão que reside a urgência do questionamento — da busca por profundidade, da recusa em aceitar o mundo tal como nos é apresentado.
Viver é decidir entre ser superfície ou mergulhar. Mas talvez o maior risco seja descobrir que, mesmo mergulhando, a superfície nunca desaparece: ela nos observa, sempre pronta a nos chamar de volta.
Às vezes fico procurando profundidade onde, na verdade, só tem superfície. Às vezes faço uma leitura profunda à respeito de algo que, na verdade, é raso. Quando ouço uma obviedade sobre alguma situação, primeiramente parece não ser verdadeiro mas, algum tempo depois, não em todos casos mas em alguns, a verdade escancarada e óbvia se revela como mais verdadeira.
Sonho de Cristal
Há aqueles que trafegam pela superfície
Explorando corpos por prazer
Ou aqueles que encontram
Um fogo próximo pra se aquecer
Almejo um evento cósmico
Em que corpos se fundem em um só
Que o que importa é a união
E com ela tudo além vira pó
Algo tão translúcido e resistente
Cujo nem as tempestades urbanas lhe afeta
Uma certeza de um amanhã feliz
E uma lembrança de um passado sem cor
A melancolia de meu sonho
Impossibilita de viver outras paixões
Pois de nada adianta ter
E não se satisfazer
A superfície do saber tranquiliza; a profundidade inquieta, mas é só a inquietação que instaura inteligibilidade
Como quem enxerga além da superfície,
Reconhece cada parte minha, até a dor. - Frase da música Olhar que me Vê do dj gato amarelo
Se eu pudesse escreveria seu nome na superficie da lua com letras bem grandes e profundas, assim toda vez que a lua brilhasse no céu, todos na terra saberiam que um dia alguém foi até por você.
Caminho pela superfície fingindo que o sol, em seu contato pífio, não me queima; pois há muito caminhei pelas sombras.
Eu gosto de gente que gosta de gente. Que tem interesse não na superfície do ser, mas no que está além da carcaça social que vestimos no dia a dia.
