Mensagens sobre solidão e silêncio que tocam a alma
É preciso aprender ser só
É preciso aprender
Ser só
Estar só
Não é o que queremos
Não é o que sonhamos
Mas se temos que passar por isso
Então façamos ser da melhor forma possível.
Em meus dias de ilha
Em tempos repletos de abismos
Visto a minha fragilidade do avesso
Para que a vida retorne aos meus olhos
Isso com muita sutileza
Para não ferir meu silêncio.
Careço também dele
Mas demarco fronteiras
Enclausuro a dor em lembranças.
E na brusquidão destes dias
Dou-me o direito de ser imensidão
Dou-me o direito der ser fenda
Para que escoe de mim
A aversão que sinto pela solidão.
Enide Santos 01/01/15
O que eu peço é que você seja sempre de verdade também. Que me queira assim, imperfeito e cheio de confusões. Que saiba os momentos em que eu preciso de uma mão passando entre os fios de cabelo. Que perceba que às vezes tudo o que eu preciso é do silêncio e do barulho da nossa respiração. Que veja que eu me esforço de um jeito nem sempre certo. Que veja lá na frente uma estrada, inteiramente nossa, cheia de opções e curvas. E que aceite que buracos sempre terão. Aqueles dias em que todos os nossos pensamentos se voltam contra nós, todas as tristezas são relembradas, todas as idiotices que já fizemos e vem em nossas mentes, todas as ilusões, todas as decepções, todos os sonhos perdidos, todos os sonhos reconstruídos, cada lágrima, cada sorriso, cada gesto falso ou verdadeiro, cada dor… Tudo vem simplesmente a nós, não há como deter esses pensamentos nem como nos livrar deles, eles sempre estão ali esperando a hora do seu show, e são nesses momentos que eu vou precisar de nós, Sei que minhas atitudes não são as mais corretas, por isso gosto do meu silêncio, ele me conforta e nesse vazio consigo completar o vazio que há dentro de mim, mas mesmo co esses sentimentos confusos peço que você fique, pois meu silêncio com você ao lado é mais suportável. O que eu peço é que você fique para que eu possa cuidar de você, e te mostrar que aos meus olhos você é perfeita, não há nada que eu mudaria, e mesmo se houver, que eu também mude. O que eu peço é que me deixe te fazer entender que eu ficaria, apesar das brigas, apesar dos problemas, apesar das dificuldades, da distância, nada disso me importa, pois são detalhes impossíveis de se evitar , eu ficaria, e é a você que eu peço, que eu sempre irei pedir. Aguentar minhas loucuras, minhas confusões, meus defeitos, são apenas detalhes que eu lhe peço, detalhes da vida que segue.
O silêncio já foi bom,
Já me trouxe a paz,
Mas ele não satisfaz,
Quando o coração não é capaz,
O silêncio já me aperta,
Não trás mais alegria,
Com ele a cada dia,
Minha alma mais vazia.
SONETO PERDIDO
Eis-me aqui no silêncio do cerrado
Longe de mim mesmo, na dúvida
Extraviado na incerteza da partida
Sem amparo, com o olhar calado
A solidão me assiste, tão doída
Pouco me ouve, pouco civilizado
Tão tumultuado, vazio, nublado
São rostos sem nenhuma torcida
Dá-me clareza de que não existo
Numa transparência de ser misto
No amor e dor no mesmo coração
Como um roteiro no imprevisto
Sem saber como se livrar disto
Velo por aqui sentado no chão...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
Na ponta dos pés eu me abrigo até no abismo mais próximo. O medo do silêncio, não tenho mais. Mas algo me diz que se não ouvir a voz que preciso adentrarei um vale que me destruirá, e ainda assim me deixar com vida, apenas para sentir a dor de estar estilhaçada como um vidro que corta nuvens.
Minhas mãos soam,estão geladas; boca fechada, mordida forte; meus pensamentos atropelam uns aos outros. Está tudo descontrolado. Minha emoção pulsa cada vez mais forte. Estou lutando ao máximo para me controlar. O silêncio e a solidão estão sendo meu escape para não deixar meu eu machucar alguém.
Abandonado pelo sono
Sufocado pelo silêncio
No vazio da madrugada
Vagando pelos pensamentos
De mãos dadas com a solidão
Tudo tão igual. Todas as ações tão ensaiadas e repetitivas... o tédio das promessas feitas em momentos de alegria... palavras... palavras... palavras vazias, sorrisos vazios. Lágrimas cansadas dos mesmos motivos não servem mais para lavar os olhos, que já viram como tudo isso acaba. Lágrimas cansadas não servem mais para lavar a alma. Nada surpreende, nem mesmo a gestação do canguru. Nada é mais feliz de fato. Agora são só tentativas de faíscas alegres, com fotos e vídeos para as redes sociais. Quando não poder falar, quando suas lágrimas sua alma não poder lavar, sorria e se cale.
uns se fazendo de coitado aqui, outros se lamentando lá. e eu? bem, eu não posso reclamar, se não sou dramática,chata, irritante... por isso fico calada. é melhor. ou não...
O peso do silêncio
Dizem que nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Dizem isso como se fosse uma verdade fria, científica, quase um aviso. E talvez seja. O que ninguém diz, ou talvez finjam não perceber, é que, entre o começo e o fim, a solidão também aparece. E não é aquela que se resolve com companhia, é outra, a que mora dentro.
Chega uma hora em que o tempo desacelera. As visitas ficam mais raras, os telefonemas cessam, e a casa vai ficando grande demais para quem já viveu nela cheia de vida. Os móveis guardam mais memórias do que utilidade, e a alma, essa danada, começa a tropeçar em lembranças que insistem em não morrer.
Sinto-me como um velho pilão esquecido no canto de uma varanda. Já fui força, já fui utilidade, já fui indispensável. Hoje sou história que quase ninguém pergunta, silêncio que quase ninguém ouve.
As mãos tremem, a visão falha, a juventude se foi, mas o que mais dói é o espaço vazio na rotina, como se o mundo seguisse em frente e eu tivesse ficado preso em algum ontem que não volta.
Conto os dias, sim. Não com tristeza, mas com certa dignidade de quem sabe que ainda está aqui. E se ainda posso escrever, lembrar e sentir, então ainda sou. Mesmo que meio apagado, mesmo que decorativo, ainda sou.
E quem ainda é, ainda pode ser. Nem que seja só abrigo para uma saudade, ou um canto sereno onde a vida, mesmo em silêncio, continua a respirar.
Entre o Silêncio e o Vento
No fio da tarde, o tempo se dobra,
carrega lembranças no sopro do ar.
O mundo respira, mas quase não fala,
tudo que importa começa a calar.
Os passos se perdem nas sombras do chão,
mas dentro de mim, há fogo e caminho.
Mesmo na dor, renasce a esperança,
feito uma flor brotando sozinha.
O olhar se levanta, encontra o infinito,
não pelo céu, mas pelo sentir.
Pois quem já caiu, aprende o segredo:
é no silêncio que a alma decide existir.
"Está acompanha de vozes, gente, multidões - Há um silêncio que grita dentro de mim - é desta solidão a qual eu me refiro.
Sem a coreografia dos lábios e o encanto dos sorrisos as palavras se distorcem, só ouvimos murmuras e mesmo mergulhados nas profundezas dos olhares continuamos sem compreender ninguém. A solitude, que outrora representava caminho da autodisciplina, hoje é uma fortaleza para aqueles não sentem mais nada. Esta onda, justificada pela censura fisicamente imposta, nos envolve em um magnético e denso silêncio que só aumenta. Já não ouço mais nada, nem mesmo as vozes que antes insistiam em sair… parece que tudo se resume em vazio agora.
SONETO DO SILÊNCIO
Ah soneto! Porque do silêncio és um desvario
distendendo as noites cá pros lados do cerrado
dando ao poema o poder dum suspiro sombrio
quieto, maniatado, num ostracismo perturbado
Se a ausência e inação me provocam arrepio
o vento um chiado frio, impassível e agitado
se nada do que inspiro a efeito vale, é vazio
então, que eu não fale, sinta, e fique calado!
E, assim, nestes meus sentimentos impuros
sem perfeição, e no coração tão inseguros
tal uma prece, que oferece, pra atingir-te-á
Faço súplica, compadecido de fé e de fervor
ó solidão, vai-te, assim, de partida com a dor
e a paz voltará e sobre mim de novo descerá... (o amor!)
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
19 de setembro, 2021 – Araguari, MG
Procurando respostas
Na minha íntima alma, há um alguém residente!
A sós, no inóspito silêncio de momentos,
ao confidenciarmos assuntos dos idos da vida,
ele se vai;
para o não sei dos lugares...
~Relatos no silêncio~
O luto de reprimidos
A lástima dos envolvidos
Todos iludidos
Todos perdidos
Desde gritos não ouvidos
Até o sonhos desistidos
A guerra dos desejos oprimidos
A derrota dos pensamentos esquecidos
Atuando os personagens
Na grande vida de viagens
Silenciadores nos tornamos
Diante ao mundo nos calamos
