Solidão

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Até quando suportar???
Até quando suportar dor constante
Solidão presente a todo instante


Abandono e o choro
Que não me escolhe quem eu escolho
A dor dos outros eu acolho,
E a minha... eu que cale o choro.


Uma vida sem sentido
Não que não tenha valor,
Mas onde só a dor parece provar que estou vivo.


Carrego aquilo que me fere e causa dor
Pra acolher aqueles que amo, mesmo sofrendo.
Deixo minhas tristezas e mágoas de lado
Pra apoiar a quem amo e não deixar abandonado.


Mas e eu? Quem me acolhe?
Todos esperam que eu sempre seja forte
No mundo em que o homem não pode sentir dor
Só temos deveres e um peso árduo


Abandonado na infância, ainda hoje me vejo
Chorando sozinho como aquela criança
Os traumas do passado se repetem
E vivo pesadelos dos quais, por mais que tente,
Jamais desperte!


(ÁG)

BARCO À DERIVA
(Entre Ondas e Solidão)

Dentro de mim
navegas como um barco
incerto, à deriva...
Ondas gélidas e enfurecidas
que vêm e vão...
Nesta turbulência em que me
fecho em ostra, esboçando
um sorriso esmaecido.
Açoita em minha alma essa
solidão...
Momento insone em que lágrimas
ardem em minhas retinas...
Gotículas que ferem, agulhas
no meu coração...
Num choro compulsivo desta
lembrança de dor que ainda sinto
daquela partida...
Desmoronando em cada arrebentação.

Lu Lena / 2026

SOLIDÃO INTERNA

É quando a gente imergi dentro de si mesmo
e enxerga um corredor longilíneo e afunilado
Nas paredes rebocadas de cal esmaecido…
Sonhos crivados em retratos amarelados
em nossa memória em forma de mosaico.
Em sintonia com ruídos de nossos passos
Seguimos em atos como uma peça de teatro…

​TERRITÓRIO ESTRANGEIRO
​(Quando a extensão oscila...)

​A maior solidão é quando não se consegue alcançar a sua própria extensão; vivemos num território limitado. Somos estrangeiros de nós mesmos. É um estado de hibernação, tentando puxar para dentro de si, novamente, aquele cordão umbilical que se esvaiu... E parece que sempre fica oscilando.

​ Lu Lena / 2026

​O EXÍLIO DE VIDRO
(A solidão como refúgio e o esgotamento da entrega humana na era digital) 📲


​Desde que as redes sociais estouraram, percebi o quanto nos sentimos sós, mas acho que as usamos como barreira para não sermos invadidos. É nesse silêncio que nos vemos cercados de gente que não conhecemos, mas que, muitas vezes, é quem nos acolhe.


Por isso, esse isolamento digital se torna um lugar seguro.
​Dizem que as telas nos roubaram os olhos, mas a verdade é mais complexa: há uma solidão que não nasce da falta de sinal, mas do cansaço exaustivo de ser apenas vitrine.


A gente valida o ruído e os murmúrios inaudíveis da era digital quando o barulho ensurdecedor da realidade se torna uma mente fadigada.
​Preferimos a proximidade fria da tecnologia não porque ela supere o calor de um abraço, mas porque o abraço exige uma entrega que já não temos no "estoque da alma". O mundo dos algoritmos e das curtidas é atraente, mas superficial; tornamo-nos fios invisíveis, marionetes de um tempo que parece retroceder à era Matrix.


​Nesse exílio voluntário, sentimo-nos "livres" porque não precisamos sustentar o personagem que a família espera ou o sorriso que os amigos cobram. Entramos no Exílio de Vidro: um lugar onde é mais confortável estar preso do que ter que sair dessa zona de conforto e ter que encarar o nosso lado de dentro.


​ Lu Lena /2026

ABISMO PROFUNDO

​Alma que afunda,
Pranto em ondas de aperto,
Mar de solidão.

Lu Lena / 2026

exaltar e exultar a solidão e o individualismo é de tal cretinice que até para fazê-lo, você precisa de alguém para ouvi-lo (lê-lo).

É na solidão que os pensamentos surgem.

Tudo o que amei, amei sozinho. A solidão é o estado original da alma quando ela não negocia consigo mesma. É nesse espaço sem plateia que o amor existe inteiro, sem função, sem utilidade, sem promessa. Só somos nós quando estamos sós. O resto é adaptação ao olhar alheio, ruído social, sobrevivência simbólica.
Sou um completo desconhecido para os outros. O que chega até eles são fragmentos, gestos toleráveis, versões aceitáveis. O essencial não atravessa. A identidade real não circula, não se presta, não se oferece. Ela permanece recolhida, densa, silenciosa. A alma humana não se deixa tocar sem perder forma.
Minha canção nasce no silêncio. No silêncio onde se cria o absurdo. Onde o impossível se organiza. Onde a palavra não explica, apenas existe. No silêncio onde se esconde o medo. O silêncio sustenta aquilo que não pede tradução, aquilo que não aceita clareza.
Essa é a autópsia da alma humana. Amar sozinho. Pensar sozinho. Existir sem testemunha. Permanecer inteiro longe da compreensão. O que importa não se anuncia. Não se justifica. Não se resolve. Fica. Em silêncio.

Dizem que gaúcho aguenta tudo.
Frio,
distância,
solidão.

Mas ninguém fala do homem
que perde um amor ainda vivo
e precisa fingir firmeza
enquanto desmorona por dentro.

Porque existem pessoas, prenda,
que vão embora sem morrer.
E deixam um vazio tão grande
que nem campo aberto dá conta de carregar.

Solidão é sentir o peso do mundo sem ter a quem dar a mão.

A solidão também fala.

Quem apenas por si e pelos seus se indigna, colherá a solidão.

"Se você quer paz, tem que saber conviver com a solidão."

A casa emudece, o ar se condensa,
Onde o silêncio é quem dita o lugar.
A solidão se torna presença,
Nesta vontade de apenas escutar.
Lá fora, o grilo em nota constante,
Vigila a noite que não tem mais pressa.
O som de um carro, num brilho distante,
É o único elo que ainda resta.
O cachorro avisa que a rua está viva,
Num latido seco que o vento conduz.
Enquanto a minh'alma, de forma passiva,
Se perde no vácuo que a noite produz.
É um mundo lá fora, de asfalto e ruído,
Aqui dentro, a paz que o vazio traz.
Entre o que é visto e o que é ouvido,
Sou só o silêncio que o grilo refaz.

Já galopei muitas vezes na garupa da solidão, no deserto onde só escutava o pulsar do coração, para encontrar assim da vida, sua verdadeira razão!

Às vezes precisamos nos encontrar no deserto da solidão, onde deparamos com o nosso interior e Deus fala através dos nossos pensamentos. As dores que às vezes penetram nosso corpo ou alma fazem com que lembremos que somos frágeis e só assim lembramos de que nada somos sem o Senhor. Na maioria oramos quando a tristeza e dor invadem e buscamos refúgio e consolo em Jesus nosso Salvador.

SOLIDÃO

Um livro misterioso
Se faz por encanto
Por ser tão sigiloso
Coberto divino manto
Uma vida de surpresas
Vezes como caçador
Outras somos presas
Assim entre dor e amor
Passageiros de lua e sol
No momento revelador
Se encontra ou se perde
Nas veias do próprio sangue
Ou no deserto da solidão
Onde a procura de coração
Se encontra pedaços
De um livro antes razão
Agora vazio em solidão!

A solidão busca muitas vezes reger e organizar o seu interior. Mas não se isole demais, para que possa colocar em prática tudo aquilo que no deserto da solidão, o Senhor deseja que você realize na sua vida e para o mundo.

Minha solidão não é ausência de companhia. É ausência de testemunhas.