Suzy_rochaa
O pior luto é aquele de alguém que ainda está vivo.
Porque não existe enterro, despedida ou fim definitivo.
Só o silêncio ocupando o lugar das conversas,
a ausência disfarçada de presença,
e a dor de ver alguém existir no mundo…
mas não mais na sua vida.
Tem amores que não morrem.
Só deixam de voltar.
E isso destrói devagar.
É estranho sentir saudade de alguém que ainda respira,
que ainda acorda todos os dias,
que talvez até sorria…
mas que morreu dentro da nossa história.
O luto de um amor vivo não tem flores,
não tem velório,
não tem pessoas dizendo “vai passar”.
Porque ninguém entende a dor de perder alguém
que continua existindo por aí,
como se nada tivesse acontecido.
E enquanto o mundo segue,
a gente tenta juntar os pedaços
de uma versão nossa
que só existia quando aquele amor ainda ficava.
Dói aceitar que alguém pode virar lembrança
mesmo estando vivo.
Que existem pessoas que a gente perde
sem funeral,
sem última despedida,
sem chance de dizer:
“fica”.
E talvez seja por isso que machuca tanto.
Porque o coração não sabe lidar
com ausências que continuam respirando.
Eu chorei por alguém que não morreu.
E isso parece loucura para quem nunca sentiu.
Mas quem viveu sabe:
existem partidas silenciosas
que deixam marcas mais profundas
do que muitos adeuses definitivos.
Porque a esperança demora para morrer.
E enquanto ela respira,
o coração continua esperando
o que já não vai voltar.
Você se tornou o tipo de saudade
que aparece do nada.
No meio do dia.
No meio de uma risada.
No meio de uma música qualquer.
E por alguns segundos,
o mundo inteiro perde a cor,
porque meu coração ainda procura
um lugar onde você costumava estar.
Eu precisei fingir que estava tudo bem,
enquanto uma parte minha
morria em silêncio.
Porque ninguém percebe
o tamanho da dor
de perder alguém aos poucos.
Primeiro acabam as conversas.
Depois os cuidados.
Depois a presença.
E quando você percebe,
só restou a lembrança
do que um dia foi amor.
Ainda dói.
Mesmo depois do orgulho,
do silêncio
e das tentativas de seguir em frente.
Porque certos amores
não acabam de verdade.
Eles apenas aprendem
a morar escondidos dentro da gente,
em um lugar onde ninguém vê,
mas onde tudo ainda pulsa.
O pior luto que existe, tchê,
é aquele de um amor que segue vivo,
mas longe dos teus braços.
Porque no fundo,
a gente fica campeando lembrança
igual quem espera cavalo voltar sozinho pra casa.
E dói…
dói ver que a pessoa ainda existe nesse mundo,
ainda toma chimarrão,
ainda ri por aí,
mas já não senta mais ao teu lado no fim da tarde.
Tem partida que não precisa de adeus.
O silêncio já faz o serviço de destruir tudo.
Bah…
tu virou saudade antes mesmo de virar passado.
E eu sigo aqui,
tentando ser forte igual gaúcho aprende a ser,
mas tem ausência tua
que nem o vento minuano consegue esfriar.
O coração até tenta seguir estrada,
mas toda vez que lembro do teu jeito,
é como se a alma parasse na cancela
esperando alguém que não vai mais voltar.
Dizem que gaúcho aguenta tudo.
Frio,
distância,
solidão.
Mas ninguém fala do homem
que perde um amor ainda vivo
e precisa fingir firmeza
enquanto desmorona por dentro.
Porque existem pessoas, prenda,
que vão embora sem morrer.
E deixam um vazio tão grande
que nem campo aberto dá conta de carregar.
Bah…
tem saudade que nem mate amargo adoça.
O luto de um amor vivo é coisa triste, vivente.
Porque a gente segue andando,
sorrindo nas rodas,
arrumando o cabelo,
fazendo tudo certo…
mas por dentro o coração fica parado
na última vez que aquele amor olhou pra nós com carinho.
E pior que ele ainda existe.
Respira o mesmo céu,
anda pelas mesmas ruas,
mas já não pertence mais ao nosso abraço.
Eu aprendi cedo a ser forte,
dessas prendas que seguram o mundo no peito
e não desmontam na frente de ninguém.
Mas tu foi diferente.
Tu me deixou vivendo um luto silencioso,
desses que ninguém percebe,
porque não tem enterro,
não tem despedida,
só um vazio quieto tomando conta dos dias.
E mesmo tentando seguir,
tem partes minhas que ainda esperam teu retorno
como quem espera chuva boa depois da seca.
O amor acabou pra ti.
Mas em mim,
ele virou saudade.
E bah…
que saudade dolorida.
Da tua voz,
do teu jeito,
das conversas demoradas,
das promessas simples
que eu jurava que iam durar uma vida inteira.
Hoje eu entendo:
tem gente que não morre na nossa vida.
Só vira ausência permanente dentro do peito.
Bah…
depois que a dor acalma um pouco,
a gente entende uma coisa importante:
nem todo amor nasce pra ficar.
Alguns chegam só pra ensinar.
Ensinar que coração forte não é o que nunca sofre,
é o que sofre
e ainda assim continua acreditando na vida.
Porque perder alguém
não pode significar perder a si mesma.
E uma gaúcha de verdade pode até chorar escondido,
mas nunca deixa de seguir estrada.
O luto de um amor vivo me mudou.
Antes eu achava que amar alguém
era permanecer custe o que custar.
Hoje eu sei:
amor bonito também é saber soltar
o que já não floresce.
Tem ausência que dói,
mas também acorda a gente pra vida.
E foi depois da tua partida
que eu aprendi a me escolher,
a cuidar do meu coração
e a nunca mais aceitar migalha
onde eu oferecia o mundo inteiro.
Com o tempo,
a gente aprende que certas despedidas
não vieram pra destruir,
vieram pra amadurecer.
Porque nenhuma dor é eterna, tchê.
Até o inverno mais rigoroso do sul
um dia dá lugar pro sol.
E talvez essa seja a maior lição:
não endurecer o coração por causa de quem foi embora.
Continuar sendo alguém que ama,
que sente,
que acredita…
mas agora com mais coragem de colocar a própria paz em primeiro lugar.
