Silêncio
Não espere que eu te procure, nem mesmo na calada;
Minhas declarações ficam no silêncio, numa caixa encantada;
Só esse meu olhar teimoso que não esconde quase nada;
Revela os meus medos devastadores e até minha paixão engasgada.
A Voz do Silêncio
(...)
Assim como há roupas para diversas ocasiões, vinhos propícios para diferentes pratos e copos para diferentes vinhos, há também silêncio com os mais variados propósitos e significados, oscilando entre o elegante e o inconveniente, entre os que geram benefícios e os que são nocivos.
Pensando nisso, ofereço uma pequena lista com alguns tipos de silêncio possíveis de serem observados, em variadas situações.
Silêncio Sábio, ou motivado pela prudência. É utilizado quando se percebe que os ânimos encontram-se exaltados, a descompensação se faz presente, o complexo assumiu a posse da consciência, a ira cegou a razão, a lucidez foi apagada, o ego encontra-se divorciado do Eu. Nestas circunstâncias, manifesta sabedoria quem se refugia em amoroso silêncio até que a "tempestade" passe, entendendo que "não havendo maldizentes cessa a contenda". Sabe que muito mais útil do que ter razão é ter bondade; mais importante do que um argumento forte é um coração manso.
Silêncio acolhedor, quando face à dor do semelhante, causada por perdas humanas ou materiais, evita-se argumentar, comparar, justificar, explicar ou aconselhar, restringindo-se a estar perto, em silêncio, esvaziado das pretensas verdades, totalmente disponível, para sentir e ouvir o que o outro experiencia. O silêncio acolhedor abre espaço em nós para que o outro se refugie. Nestas circunstâncias, um olhar encharcado de ternura, um abraço cheio de compaixão, estar presente de corpo e alma, é puro alento.
O silêncio extasiado. Quando, diante do que encanta e arrebata, quedamos em reverente silêncio, em prostração de espírito e de alma. Silêncio que nos assalta diante do mistério da vida e da morte ou da magia da Criação. Silêncio que relativiza todas as vozes e faz cessar todos os argumentos, ao sentir no coração a presença divina, ao ouvir na alma a voz de Deus, quando na mística da fé contemplamos o Eterno Mistério.
Silêncio imposto. Quando pelo uso da força cala-se a voz do mais fraco, do injustiçado, do discriminado, do oprimido, do marginalizado. Silêncio imposto pelo medo, gerado pelas armas do poder econômico, político e religioso que perpetuam a escravidão, a repressão, a culpa, o julgamento e a condenação. Silêncio de quem se tirou a voz e a vez.
Silêncio conivente. De quem se deixa calar por benefícios injustos, de quem possui a consciência estuprada pelo ganho ilícito. Silêncio comprado, fruto do desavergonhado diálogo entre o corruptor e o corrupto. Tem a verdade como mercadoria de troca onde o que é direito é silenciado em benefício da ganância; quando diante da oportunidade ilícita sobressai a falta de caráter e "vende-se a alma ao diabo".
Silêncio covarde. Quando diante da maldade, da corrupção, do estelionato, do desmando e da injustiça praticada nos domínios familiar, econômico, político e religioso, opta-se por manter-se a "língua presa" no céu da zona de conforto na qual medrosamente se abrigou. O silêncio covarde é o silêncio da omissão, aonde o maior dano não vem só dos malfeitores, mas também e sobretudo dos cidadãos de bem que se mantém omissos.
Silêncio que fere. É silêncio motivado pelo ódio, pela indiferença, pelo sentimento de vingança, pela incapacidade de perdoar, de acolher e de amar. Neste aspecto, lembrando Rodovalho, "o silêncio é um recado. É a pior carta que alguém pode enviar para o outro." Tal silêncio é capaz de infernizar e produzir enfermidade em quem o protagoniza, podendo ainda causar muito sofrimento ao alvo da aridez de tal comportamento.
Silêncio Buscado. Lembro aqui do silêncio praticado pelos "Nadistas" que sugerem desconexão de aparelhos eletrônicos por algum período, o que sem dúvida é muito salutar; além de potencializar a criatividade, pode evitar o "burn out", transtorno psíquico que mescla esgotamento e desilusão. O objetivo principal do silêncio buscado, no entanto, é nos conectar conosco mesmos, levando-nos a tomar consciência do próprio corpo, sentir a respiração, o coração, reencontrar a alma, mergulhar no nada grávido de criatividade. Tal silêncio nos liga à essência divina que nos habita, reconcilia o ego com o Eu, faz-nos íntimos de Deus, liberta-nos da aparência, redireciona e suaviza a existência. Harmoniza os pensamentos, sentimentos e relacionamentos, possibilita e potencializa a meditação, dá profundidade à oração, além de ser saúde para o espírito e para o corpo.
Há silêncio e silêncio, carregando cada um sua própria singularidade, linguagem, propósitos e resultados. Há o silêncio altruísta e o egoísta, o que fecha e o que abre, há o que constrói e o que destrói, o que abençoa e o que amaldiçoa, há o que gera paz e o que perpetua o ódio. Há silêncio que cura e que faz adoecer, há o que é fruto de amor e o que é fruto do ódio.
Lançar mão do silêncio, como instrumento abençoador, exige coragem, maturidade, esvaziamento, proatividade, autocontrole, sabedoria e auxílio divino. Que ao silenciarmos o façamos movidos por amor, com o desejo de abençoar sempre. Saúde e Paz!
O silêncio é a arma predileta de dois tipos de pessoas:
as sábias e as covardes. É usada pelo sábio para construir,
edificar, criar ou preservar a paz própria e dos demais. É usada pelo covarde
para omitir, fugir, confundir, destruir, manipular ou humilhar.
O SILÊNCIO QUE INCOMODA
O silêncio meu
está em erupção
e escorreu
pela ilusão
Matou os sonhos
matou a quimera
jorrou dias tristonhos
e vida, em espera
Hoje, um vazio
solidão
tácito e frio
Num silêncio
que incomoda
a mansidão...
Luciano Spagnol
Dezembro, 10 de 2016
Cerrado goiano
Poeta simplista do cerrado
Em meio a tantos ruídos, internos e externos,
Ter silêncio é um dom divino, é a paz em movimento;
Um mover sem forma alguma, sem tamanho, nem proporção;
A paz de estar completo, independente da situação;
É a consciência no controle da mente diante do corpo...
Silêncio. Ferramenta fundamental para uma boa comunicação, tanto consigo próprio como para com outros;
Condição indispensável do saber ouvir, sentir e falar.
Ah! O silêncio... é o templo em constante transformação.
Enquanto fico em silêncio
Sobressalta-me os batimentos cardíacos.
Tornando os ruídos tão ensurdecedores quanto o vento lá fora.
Insuportáveis tornam-se os olhos sobrepostos e recaídos sobre mim.
Anestesiada pelo vazio que habita em mim amontanham-se soberbas advindas de um mundo ao qual eu não queria pertencer.
Paz é estar em Deus! Ouvir Sua voz no silêncio iluminado de cada amanhecer, na Sua fala misturada pelo som do vento, na Sua deslumbrante arquitetura bem-trabalhada das árvores, no Seu jeito único e envolvente tal qual de uma criança. Vida é o amor que nasce dEle e que somos profunda e constantemente amados por sua infinita bondade. Assim, pelo que sou, louvo-te, Senhor! Amo-te, Senhor! Agradeço-te, Senhor! Estou em ti e Tu estás em mim, porque é só assim que sigo o caminho, a estrada, a viagem dessa minha tão abençoada vida.
No silêncio fluem os sentimentos. Um silêncio bom é como ouvir apenas as ondas quebrando na praia. Um silêncio ruim é um mar sem ondas.
#filosofiadosurf
"Não vou olhar pela fresta da janela,
Pra não ver o sol entrar,
Não vou viver mais um dia,
Esperando o outro raiar,
Fecho os olhos e não quero mais abrir,
Vejo o que está lá fora e já não quero mais sair...
Só Deus meu amigo, só Deus!
O mundo está entorpecido.
Enquanto isso,
Mantenho os vícios longe daqui,
Longe de mim.
Eu vou fitar todas as pedras do caminho,
Pra não ter que tropeçar,
Foco na fé meu amigo,
Foco na fé,
Subindo até o céu chegar...
Me dê um analgésico pra dor,
Um sonrisal pra me dar alegria,
E alguma enciclopédia que me explique,
Quando vai chegar o dia?
Acorda meu amigo,
Acorda e para de olhar pro teu umbigo!
Em tempos de guerra, fraternidade; em tempos de ódio, amor; em tempos de dor, solidariedade; em tempos de luto, silêncio.
Tenho o mundo em meus pés, quando a sua presença é mais que uma lembrança em mim. As muralhas se abrem, as rochas se partem e o céu desce, curvando-se ao amor. Tudo é verdadeiro, tudo é bem-feito, tudo é... e nada nos falta. Tom: corpos e mentes seguem o ritmo, adentram em nosso rito; sobrepõem-nos. Nada nos limita! Sabor: olhares e toques alimentam o silêncio, penetram em nossas vontades; misturam-nos. Nada nos basta! E tudo em nós nos completa, porque temos o mundo de amor.
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