Seus Devaneios
Os últimos devaneios não me caberiam assim tão épicos líricos. A cada gota que me faço, desfaço-me em migalhas, aquelas quais espalhei pelo chão para saber o caminho de volta a casa, regressar não vem ao caso. De cretinices em cretinices aquelas quais diluo-me em prazeres impudicos fodidos e mentirosos de outrem, encontro-me cheia de más intenções e discursos vazios - a felicidade cheira a shampoo barato. Chamaria plenitude se vago não fosse o emaranhar das línguas de mesmo sabor e textura - sabe, não há atrito. Desconfio que só ele ame minhas insanidades e as aprove e desfrute como se fossem saborosas feito mel. - Não me julgues assim, não podes desejar-me tão apaixonada. - Estive a pensar nisso “minhas últimas utopias ainda me batem forte a cara” e quando menos percebi, estava a criar peixe nos olhos. Recordo que enquanto dormia eu desenhava palavras de amor invisíveis no corpo dele. Eu o tocava naquele espaço grandioso que era meu futuro na constelação de pintas de seu ombro. Mas ele não entendia os meus signos. E de repente eu não me basto, há tempos nos despedimos sem tom de fim. Faz alguma diferença eu tentar explicar? Preciso de mim, dele, de nós, não sei, preciso. De nós, aquele nós que nunca foi a gente. Eu, então, faço-me inverno, declaro-me Sibéria.
Estou
A ouvir devaneios
A falar sinceridades
Já não tenho
A infinita devoção
De um ídolo, um herói
Foi tudo perdido
Em cinco minutos de palavras
Entre trovões e lágrimas
Perdi minha identidade
Meu refúgio
Nem ao menos minha fé resta
Um vazio
A sensação de não pertencer a lugar algum
Preenche
A certeza de que nada será perdoado
Mágoas infinitas
Alfinetam a minha alma
Memórias
De um passado que só existiu pra mim
Pura ilusão
Nebulosa em meus sonhos
Criei um presente
Imaginei um futuro
Sem alicerces, sem estrutura
E a primeira trinca tudo foi ao chão
Mas não há como juntar os pedaços
Ele está lá
Fechado em seu mundo
Escondido atrás da montanhas da religião
Onde orar não é oração
Nos limites da deficiência e do egoísmo
Egoísmo de sentimentos, egoísmo de consideração
Deficiência dos sentidos
Escolheram quando não deviam escolher
Cavaram um abismo
E a cada dia a distância aumenta
Longe, longe, longe...
Entrego-me todas as noites aos meus devaneios e viajo até casa dos meus sonhos, numa colina com vista para mar e imagino uma leve brisa de maresia a envolver meu rosto.
Devaneios do trabalhador dedicado
Dou um tapa em quem denegrir a imagem do senhor
Sem o senhor não teria emprego, minha família estaria na miséria
Não sei o que seria!
Eu agradeço a compaixão do senhor
Oh, meu deus, não me imagino sem a ajuda do Sr patrão de cada dia
Sem ele, para ajudar não comeria
Sem ele para me proteger não teria teto nem telhado
Não teria restos para engrossar o caldo
Sou grato eternamente pelo suor de cada dia
O senhor me proporcionou a leitura, a luxúria do copo de vinho
Deu-me anos a mais de vida... Tenho 25
Em tempos de escravidão, seria avô de senzala
Uma vida farta dessa e alguns jogam fora, que pena
Prefiro trabalhar de sol a sol a me aventurar pela vida
Fartura para quê? Pra mim está muito bom!
Faço até bico nos dias de folga, uma horinha extra
Lá... Na vila dos pássaros escuros
Eu chamo assim, outros chamam de lixão
Vê se pode? Povo grosseiro é assim mesmo!
Bem, aqui na vila tem de tudo, até lanche de rico. Reclamar de quê?
Comemos vegetais, cereais, até iogurte eu já comi por aqui.
Bom demais da conta, sô!
O novo mundo
fulgura por detrás dos devaneios
à mercê da loucura
ou uma mera alienação,
que confundem o ser
em uma imensa tensão
e no fim torna-se um prazer
de uma forte emoção.
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Devaneios ao vento...
em ponteiro de setas que
me impedem de seguir,
então fico aqui...
Quando etésios me
anunciam o calor do verão
em alísios me alisando
as velas da imaginação
fugindo dos amores
em tormentas que
tornan-se nuvens negras
ciclone das paixões violentas
que nos rodopiam até cessar...
quando parece que nem existiu
se não pelo estrago e
virão brisas das ilusões.
Sigo de vento em popa
com minhas fantasias de
furacão deste meu amor
impetuoso por ti
que me vê como um
fenômeno típico do tempo.
O que faço...
para soprar pra ti
esta minha manifestação abstrata
e perceberes que estou aqui...
Nesses estranhos devaneios diários,
Que tenho em todos os horários,
Acabo olhando pro nada.
E na frente dos meus olhos surge uma escada,
Vinda de uma inexplicável estrada...
Não sem como chego a essa estrada...
Só sei que o caminho dela é calmo,
E seguindo devagar de palmo a palmo,
Passo por cidades frias e caladas.
Então chego numa gélida porta,
Que parece ser o fim dessa paisagem morta.
E ao passar pelo portal tenho uma surpresa,
Estou numa paisagem amplamente acesa.
Cheguei ao perfeito lugar para descansar,
Lugar em que em sonhos venho relaxar,
Mas belo que qualquer paisagem,
Que meus olhos tiveram em vida passagem.
Só que com um grande solavanco,
Percebo que cochilo num de ônibus banco.
E sorrio, por estar a ver navios...
Pois ainda estou muito distante dessa paz,
O único lugar que eternamente me satisfaz.
ESPERO A MINHA VEZ
Então escrevo,guiada pelas estrelas do longe.Por devaneios e pensamentos,que vão e vem,e me fazem ininterrupta,agora.Apesar de tudo que tenho vivido,são acontecimentos que vem me amadurecendo,e nem sei se eu mudaria.Hoje não sei.Porque ainda assim,é bonito olhar o que sinto.Mesmo sem ter,eu tenho,entende?Melhor que não tivesse tido,pra que não fosse tão ínvio.Chega a ser interessante minha tolerância.Tenho falado de coisas repetitivas,mas é só uma fase (eu creio).Uma situação,um foco,um momento.Ando obcecada por um só desejo,em meio a outros.É que esse me completaria mais (eu acho).E completa dele,não precisaria de tantos.Compreende?É,isso é mesmo complicado pra quem não sente.Mas vou mudar.Vou colher-te na tua estação e não na minha.Que não demore muito,mas ainda assim te dou tempo pra mudar -Está vendo?Começo a falar com ele (sentimento)- Então continuo:Deixando claro,nesse jogo,que todas as chances ainda estão ao teu favor.As vezes preciso assim,te expor,te tirar do teu anonimato,não pra causar comoção,mas pra que perceba o gigante,sedento que pusera em mim.Me defendo com minha calma.Me amordaço,pra só falar á alma.E assim que tem sido meus dias:um silêncio jus de digitar.Temperamental.Ando tão sensível,mas todo amargor faço clandestino,porque sei que sou doce.Então,por hora,nada posso,mas também nada é o fim.Vou levando como dá:recebendo bem a falta,que não deixa de ser companhia.Né?É forte demais pra desistir,e eu frágil demais pra suportar.Estou numa balança,instável,deixando acontecer.E ela está me movendo pra coisas que nunca senti.Será qual meu destino?Olha,eu estou tentando,mas se um dia tudo der errado,você leva isso contigo:não importa o quanto foi ausente,porque até assim você foi lindo.
DEVANEIOS FRIOS
Entrego-me a devaneios frios!
Tão sombrios...
Turbilhão de paixão e ódio
E em espaços vazios,
A dor sentida desta solidão!
Queria eu estar vestida de ouro
E, no entanto, estou aqui tão só!
E ter você agora, meu maior tesouro,
Do que ter meu sonho
Se transformado em pó!
Você fez com que eu me perdesse. Me perdesse em pensamentos, devaneios, palavras, sentimentos, dores, sorrisos, lembranças de você...
Nada mais justo que, depois de tanto fazer com que eu me perdesse você me ajudasse a me reencontrar ao seu lado não é?
Posso sentir que você também se sente perdida. Afinal, aprendi com o tempo que sem amor estamos todos perdidos. Perdidos todo dia, sem uma razão, e que por mais que haja felicidade em várias outras coisas da vida, nenhuma felicidade é maior que a do amor.
Eu estou triste. E só você pode me tirar essa tristeza
Devaneios de uma universitária
Embora eu resida longe da minha família há alguns anos, dedico as minhas férias da faculdade a eles. A essas pessoas que me ajudam e me amam tanto. Guardo esses dias para relembrar, passear, visitar e me encontrar criança, novamente.
A volta das férias é um momento complicado. Apesar de já estar acostumada em conviver com a distância da família e dos amigos, acabo por sofrer um pouco com o retorno. A mudança de realidade choca um pouco. Não se tem o pai e a mãe me mimando todos os dias e nem o meu irmão incomodando. A vida de universitária longe da família vem à tona e com ela todas as responsabilidades que me são exigidas.
Porém, essa data também se torna um marco. O momento de enfrentar os meus medos e anseios, de eu continuar a sonhar e a lutar pelos meus objetivos, de crescer e de me fazer adulta. Por isso, ela se torna tão especial e tão complicada ao mesmo tempo.
A volta das férias também carrega consigo o cheiro do fim do verão, o ritmo do Carnaval, a ânsia do outono por aparecer, a lágrima de partida das pessoas que vão buscar oportunidades em novas terras, a certeza e a esperança de um ano letivo cheio de novidades, o brilho no olhar das crianças que adentram a vida escolar, o novo suspiro do trabalhador que retorna aos seus serviços.
Tantas cores, sabores e sensações diferentes que esse momento nos oferece nos mostram o quanto não importa nossa idade, nossa cor, nosso trabalho ou nosso estudo, o que a gente vive e o que a gente sente é muito maior do que aquilo que a gente tem e das diferenças que a gente enfrenta.
Cada vez que alguém escrever sobre a volta das férias significa que há mais crianças nas escolas e jovens nas universidades. Assim, uma nova página da história começa para o Brasil e para cada um de nós.
Não se permite mais viver emoções não forjadas, e devaneios incomuns, sonhos banais invadiram as mentes.
Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Acho que um dia eu irei descobrir que me perdi entre meus devaneios e ilusões e mesmo assim fui capaz de levar a vida como se eterna fosse.
Tempo
O tempo cumpre sua lei
A lei que me aprisiona
O tempo que me crava devaneios.
O tempo escassa minha alegria
Fico sem razão.
Sou a ilusão encarnada.
Tempo que cumpre
A missão da ilusão.
Tempo que cumpre em mim
A ilusão predita em minha mente.
Tempo.Ilusão da sina.
Combater com meus próprios sentimentos? Distraída por devaneios que assombravam minha mente, sem resultados, me perdia em perguntas sem respostas e memórias fotográficas. Talvez a história ficasse mais fácil! Não estava dando prioridade á mim e ainda forçava um sorriso torto.
- Alô? No silêncio, um suspiro aveludado. Não sabia se desmoronava ou me edificava, mas insisti: - A alguém ai? Nada suave, uma voz rude e nada siguinificativa pra mim:
- Valentina dessa! Alguém há espera.
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