Frases de esforço e recompensa que falam do valor do sacrifício
HÁ TEMPO PARA TODO PORÓSITO (soneto)
Quero poetar-te assim, num pôr do sol
Cantos dos pássaros e um céu azulado
Inspirado num poético e airoso arrebol
Com retórica cheia de tom apaixonado
Igual ao cântico cadenciado do rouxinol
Quero, também, com emotivo significado
Um olhar intenso tal a um lustroso farol
Quero poetar-te com o sentimento alado
Minha poesia pra te quer mandar flores
Ter teu cheiro impregnado com sabores
Em cada toada, e que não a deixe ao leu
Então, com o aformoseamento na trova
No certo que o amor se refaz, se renova
Lanço estes enamorados versos pro céu.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20/07/2025, 19’50” – Araguari, MG
Ame
Ame enquanto há tempo.
Tudo passa tão depressa...
Os filhos crescem,
Nós envelhecemos,
Os amigos mudam,
As pessoas partem.
Não se prenda aos rancores.
Se reinvente, vá você primeiro.
Se o abraço não vier, estenda os braços e abrace.
Leve um bolo, leve o pão,
Mas, acima de tudo, esteja com quem você ama.
A presença é o maior presente.
Para cada palavra que se lança, há três alvos memoráveis: a arte da curva; o risco do entrelinha; e a beleza do impensável.
FEIÇÃO DA POESIA (soneto)
Amo a poesia pelo que é a poesia
Pela ilusão que há no teor a dizer
Sem importar com a reta simetria
Se tem paixão e na prosa a dor ter
Amo a imaginação, a vária surpresa
O deparar, quando sentimento há
Enchendo o versar com gentileza
Sem se preocupar de como será
A poesia é bela, só saber cantá-la
Pois, a sua soada na alma badala
E a sedução se põe a nos arrastar
Pôr a chorar se o pesar atormenta
Sorrir, caso a magia se apresenta
Afinal é provar, apreciar e delirar...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
21/07/2025, 16’21” – Araguari, MG
Há inclusão de corpos, mas exclusão de ideias divergentes; promove-se diversidade de identidades, mas não de pensamentos.
De fato, há uma convergência do capitalismo contemporâneo com pautas identitárias — especialmente quando essas pautas podem ser convertidas em imagem, marketing, consumo ou pertencimento a nichos.
Essa aderência, por vezes, não se dá por convicção ética, mas por oportunidade de mercado.
Ao mesmo tempo, observa-se uma divergência crescente do mesmo sistema em relação a ideias tradicionalmente associadas à ordem, à autoridade ou a papéis fixos — como os antigos ideais de masculinidade: o homem provedor, alfa, patriarcal, racional, contido.
Essas figuras, antes exaltadas pela publicidade e pela cultura de massa, passaram a ser vistas como símbolos de atraso ou opressão, sendo descartadas ou ridicularizadas nos novos discursos dominantes.
Trocam-se extremos sem espaço para síntese. Sai a rigidez do passado, entra a fluidez do presente — mas o radicalismo persiste, apenas com outra roupagem.
Em vez de integrar valores, seguimos substituindo um polo por outro, como se a sensatez fosse sempre sacrificada em nome da agenda do momento.
Há quem apague sua luz para que você tropece na própria sombra, mas a verdade sempre nasce, mesmo em noites longas.
Há algo que filósofos, sociólogos e cientistas vêm repetindo há séculos:
O mundo se organiza em redes de influência.
Se você joga verdade, compaixão, honestidade na rede — ela se fortalece.
Se você joga mentira, egoísmo, crueldade — o sistema inteiro apodrece.
Isso independe de religião.
É um sistema humano.
É realidade relacional.
Há quem confie em IA como um taumaturgo do século XXI; mas, antes de uma apocatástase linguística, busco a palingenesia na simbiose da escrita.
O Justo Prossegue
Há línguas que sibilam como serpente,
mas o veneno mora no olhar.
Falam de ti não por saber,
mas por desejar o teu lugar.
No coração do ímpio há três vontades:
ser quem és,
ter o que tens,
fazer o que fazes
sem carregar tua cruz,
sem passar por teus vales.
Não querem por força
Mas por inveja do coração
Eles não querem só tua estrada,
querem apagar teus passos,
reescrever tua jornada
e colher de teus frutos.
Senhor é escudo ao teu redo
como fogo ao redor de Jerusalém,
nenhuma arma forjada prosperará,
nem malícia de língua lhe atingirá.
De ti dirão: “É sorte, é fachada”,
mas o Altíssimo vê tuas madrugadas.
Somente ele conhece seu coração
Quando ninguém te aplaudiu,
foi Ele quem te sustentou e escreveu sua lição.
Os que zombam hoje do processo
hão de ver o propósito e o dono.
Pois os que tramam o mal do justo
cavam poço para si mesmos cair,
mas o justo floresce no tempo certo,
como árvore junto às águas a florir.
Não temas as línguas, nem os olhares,
nem os que querem roubar tua missão.
Eles são ecos de um livro alheio
mas tu és o autor da tua canção.
Quando a Revolta Vira Produto
Há uma incoerência gritante — e, muitas vezes, conveniente — nos discursos anticapitalistas que florescem dentro do próprio capitalismo. Militantes e ativistas que dizem combater o sistema usam plataformas como YouTube, Instagram e TikTok para monetizar suas críticas. Vestem-se de resistência, mas atuam dentro da lógica capitalista, lucrando com curtidas, visualizações e parcerias.
O que deveria ser luta virou negócio. O ativismo virou produto. E muitos militantes se tornaram marcas pessoais, embalando a indignação em discursos vendáveis, com engajamento calculado e lucros constantes — exatamente como o mercado gosta.
A pergunta que permanece é direta e incômoda:
Se são genuinamente contra o capitalismo, por que aceitam os frutos do sistema?
A autenticidade exigiria renúncia — abrir mão dos ganhos gerados por aquilo que se critica. Mas coerência ética é artigo raro.
Há dores lancinantes, barulhentas, escandalosas, mas com a mesma rapidez que chegam se vão, passam tão rápido que dias depois nem nos lembramos mais delas.
Há outras sutis, discretas, silenciosas, mas persistentes. Quando chegam ficam ali latejando devagarinho nos dando a sensação de que vieram para ficar, que nunca mais irão embora. E a gente acredita e sofre como se isso fosse verdade, mas não é.
A intensidade e duração da dor não é igual para todos, mas uma coisa é certa: toda dor passa. Algumas deixam uma pequena cicatriz, enquanto outras nem isso.
O discurso é doce, mas o coração é amargo.
Há quem fale tanto sobre amor, empatia e acolhimento, mas na prática carrega pedras nas mãos.
É fácil pregar o amor nas redes, difícil mesmo é estender a mão quando alguém precisa. A hipocrisia mora nesse abismo entre o que se diz e o que se faz.
Amor de verdade não exclui, não julga, não vira as costas. Amar é mais do que palavras é atitude quando ninguém está vendo.
"E com minhas minhas palavras digo amor se ensina sim"
By Evans Araújo
Fazem-se grupos em fartura
para ouvir a voz do povo,
mas há ainda mais censura
do que houve no Estado Novo.
