Se Nao for para Voar Nao Tire meus Pes do Chao
FILHOS DO BRASIL
Eles já foram milhões
Os donos do chão brasileiro
Sem lutas, sem mortes, sem medo
De um mundo com explorações.
Hoje restou a história
E a preservação da cultura
Danças, comidas, pinturas
De um povo que anseia a vitória.
No meio do “descobrimento”
Na rota de uma viagem
À vista de muita coragem
Sem ter mais reconhecimento.
A tribo, a canoa, a oca
O arco, a flecha, o cocar
Tacape, brinco, colar
E o gosto da mandioca.
A força de uma tradição
Que vive para os animais
Perdeu o direito de paz
Pois não é “civilização”.
Você já se imaginou sendo “água”? Você já parou para pensar que tem muito chão precisando dessa “água” por aí? Que tem muita gente com o coração com sede de amor? E que há pessoas que vale a pena matar a sede? Então, não se derrame na pedra regando-a, porque pedra é pedra e terra é terra.
É nesse momento de nostalgia e SOLIDÃO,...Um foguito bueno de CHÃO,...Na luz tímida do GALPÃO,...Iluminada por um antigo LAMPEÃO,...Um trago de canha pura me brota a INSPIRAÇÃO,...Assim pego o meu VIOLÃO,...E escrevo e canto esta CANÇÃO,...Com a voz embargada pela canha e a EMOÇÃO...
Roubei muitos amores por aí,
Outrora brinquei muito de ser feliz,
Bati muito com a cara no chão,
Errei tanto nesta vida, mas acertei também,
Relembro bem dos meu caminhos escuros,
Tive medos mas fui obrigado a ter coragem.
Fui muito feliz, fiz muitas festas,
Estourei muitos balõezinhos,
Realizei sonhos que não eram meus, que esqueci de mim,
Realmente a vida nos ensina de verdade,
E infelizmente há quem se queixe dela,
Referência de quem sabe vivê-la,
Sensatez, chatice tem em mim um pouco,
Melhor eu sou mais distante do que perto,
Íntimo de quem gosta de mim, e me aceita como sou,
Também não desprezo não guardo mágoas de ninguém,
Honestidade, caráter é tudo que gosto em mim.
Quando sopra o minuano,
No meu pampa é de arrepiar,
Mas um fogo de chão e uma canha,
É muito bueno pra enfrentar,
Este friozinho danado,
Que vem pra encarangar,
Mas o vivente se enrola no poncho,
Se atira nos pelegos pra bem de se agasalhar.
"MEU RIO GRANDE MEU CHÂO"
Campos verdejantes
Minha terra meu pampa
Vales e montes
Estão na estampa
Do meu Rio Grande meu Chão
A hospitalidade do seu povo
É a essência do rincão
O amargo do mate
Esquenta a alma
A saudade me bate
Me tirando a calma
Saudade campeira
O rancho rondando
E a solidão traiçoeira
Vem se acomodando
Ainda há brasas no fogão
E o sono tá chegando
Já chega de chimarrão
O minuano tá golpeando
Com fúria o galpão
E já estou me ajeitando
Pra sair daqui quando se apagar o último tição.
Automóveis, lixeiras, lixo no chão
E alguma forma vegetal,
Flores num canteiro, um bueiro,
Caixotes, tubulações em geral.
"Arraiá da Minha Infância"
Lá no sertão da lembrança, num cantinho do meu chão,
há um arraiá danado que mora no coração.
Era fita, era bandeira, era milho na fogueira,
e o céu, todo enfeitado, de estrela e brincadeira!
Tinha cheiro de canjica, de pamonha e de baião,
e o som da sanfona velha mexia com o coração.
Menino de roupa xadrez, chapéu de palha e alegria,
corria feito passarinho, até a noite virar dia.
A quadrilha era um encanto, com noiva toda enfeitada,
e o noivo, suando bicas, com a cara atrapalhada.
"Anarriê!" — gritava o moço — "Alavantú, minha gente!",
e o povo dançava junto, todo mundo tão contente!
Tinha pau de sebo e sorteio, tinha forró no terreiro,
e um velho contando história de um santo milagreiro.
Tinha reza e tinha riso, tinha fé e brincadeira,
e o céu era um véu bordado por Deus a noite inteira!
Hoje, quando fecho os olhos, volto logo àquele lugar:
vejo meu pai com a risada, mamãe a me abraçar...
É o tempo que vai passando, mas dentro da alma alcança
o arraiá tão bonito da minha doce infância.
Tu estás inundado de insolência felina,
Dopamina, endorfina, doce serotonina,
Mas fique no chão, não se levante.
A tantas galinhas no quintal que cisca o chão
São tantas galinha que chega ser uma galinhada ciscadeira que cisca cacarejando de um lado pro outro e o galo que longe parece que toma conta e só quem acorda com as galinhas desperta quando o galo canta bem cedinho começa o dia a galinhada inquieta sai pro terreiro cisca cisca atrás de comida pra encher o papo o dia vai passando e o galo cantou cedo na primeira hora do dia pra dizer que ali é ele quem manda se precisa até briga
Mas é tanta galinha que no terreiro parece até formiga cisca o dia inteiro e quando a noite chega é hora de tocar a galinhada pro galinheiro onde todas inclusive o galo dor no poleiro agora só amanhã bem cedo quando o galopante outra vez
Até a queixada de um burro é capaz de olhar o chão ressecado e rachado sob todo o calor do sol nordestino, sonhando com um broto de esperança emergindo das fendas do chão ressecado e sedento
Cheio da fé de um nordestino valente
Quem consegue ver além da secura da terra uma promessa brotando com uma anunciação de prospero sertão nordestino.
Anunciação
Ansiedade é sentir um frio na barriga, no peito uma explosão, o chão fica molhado por uma goteira na mão, um nó na garganta travando a respiração, falta de ar, parece até sufocamento, a mente fica a milhão, um carnaval nos pensamentos, dor muscular, aí você pensa que acabou, mas neste jogo, tudo apenas começou.
Gotinhas de amor caem no chão,
brotam carinho no coração.
Onde a infância encontra calor,
nasce sempre um mundo melhor.
#ASAS
Reparto-me entre as flores...
Entre as folhas caídas ao chão...
Sopradas pelo vento...
Sem destino certo, ao léu...
Reparto-me entre as estrelas...
No brilho do luar...
Que clareia minha estrada...
Para eu poder passar...
Reparto-me entre as taças de vinho...
Em olhares de encontros inesperados...
Entre sorrisos...
Em tudo que sinto...
Tudo me envolve...
Sonho a sonho...
De minha alma a vida foge...
E o que mais posso esperar?
Quando assim me divido...
Crio asas para voar...
E as asas que Deus me dá...
Feliz, fazem-me mais sonhar...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
