Se Nao for para Voar Nao Tire meus Pes do Chao
“Quando Até Deus Se Cala”
Sento no chão...
e o mundo inteiro perde a cor.
Só existe eu,
o silêncio…
e esse vazio que me mastiga por dentro.
O peso nas minhas costas
é de coisas que nem deveriam ser minhas.
Culpa, cobrança, expectativa,
como se eu, só por ser mais novo,
não tivesse direito de cair,
de doer,
de quebrar.
O amor que dei...
foi embora nas mãos de quem nunca soube cuidar.
Me humilhei pra ter migalhas,
e no fim, só ouvi:
“Não é mais pra ser... me desculpa...”
Desculpa?
E depois... silêncio.
Sumiu.
Me deixou refém de memórias que só eu carrego,
sentindo falta de alguém que não sente de mim.
E eu?
Fiquei.
Ajoelhado...
gritando pra um céu que parece surdo,
orando por 37 dias...
e Deus?
Deus não me respondeu.
Não veio um sinal,
não veio uma resposta,
não veio nada.
Só o eco do meu próprio desespero
rebatendo nas paredes do quarto,
nas paredes da alma.
E eu me pergunto:
"O que eu fiz de errado?
Por que sou sempre eu?
Por que até Deus se calou pra mim?"
A cabeça pesa, o corpo treme,
a mente grita:
“Acaba com isso. Some. Desaparece.”
E por um segundo… parece até que seria paz.
Mas, mesmo destruído,
com o peito rasgado e a alma quebrada,
uma voz fraquinha, bem lá no fundo,
ainda teima em sussurrar:
“Se você ainda respira…
é porque não acabou.
A dor não é o fim.
Você não é o fim.”
Talvez… só talvez…
mesmo quando até Deus se cala,
Ele ainda tá aqui,
só esperando eu levantar,
nem que seja rastejando,
nem que seja só pra provar pro mundo…
que eu não vou morrer aqui.
"Refém do Invisível"
Sento no chão, olhos no nada,
o mundo em preto e branco,
e eu… desbotado.
Culpa que não é minha,
peso que não é meu,
mas me jogam, me culpam,
como se ser mais novo
me fizesse de ferro,
me fizesse imortal.
Amei até doer,
me humilhei pra ter migalhas,
e hoje sou refém
de um amor que me acorrenta,
de uma vida que me arrebenta.
Queria sumir, desaparecer,
não pra fugir...
mas pra saber se alguém sentiria minha falta.
Se alguém olharia pro vazio e pensaria:
“Ali existia alguém... alguém que só queria ser amado.”
O que eu fiz de errado?
Por que sempre eu?
Por que meu grito ecoa no nada
e ninguém ouve, ninguém vê, ninguém sente?
Talvez... talvez me atirar no silêncio
seja mais fácil do que continuar implorando
pra existir, pra ser visto, pra ser ouvido.
Mas… entre o abismo e o chão,
talvez exista uma mão.
Talvez exista um recomeço,
talvez, só talvez...
exista vida além do peso,
exista cor além do cinza,
e eu aindanãoenxerguei.
SÓ EU
Só eu sentí o peso de uma lágrima
Molhar o chão
Só eu chorei o oceano que inundava meu coração de tristeza
Vivenciei um aperto no peito rasgando a alna
Chorei choro e vou chorar
Pois o silêncio é profundo
Fiz de mim uma tempestade de lágrimas
Um meteoro de saudades
Caindo sobre o chão...
É alegria contagiante
O bom menino sonhador
O curumim de pé no chão
Com um futuro promissor
É felicidade esbravejante
De uma infância verdadeira
É um sonho de toda criança
Brincar nas brincadeiras
áh um reflexo no sorriso
Puro e encantador
Um brilho forte no olhar
A felicidade contagia
Espalhando essa magia
Que infância boa de lembrar
Sou curumim anticorpus
Sem limites parar sorrir
As curvas da alegria em meu rosto
Brincar na terra, era de divertir
O sonho de cada criança
Um dia crescer vira gente e progredir
Realizar o realizado
Ter um futuro bom e abençoado
E um caminho para seguir
O sonho de toda gente
Um dia voltar a ser criança
Ser feliz é ficar contente
De ter uma grande infância
Mínimo inocente
Eu já fui um curumim.
Folhas secas no chão.
Flores vivas que caem.
Nos caminhos por onde sigo,
Elas Querem nos dizer alguma coisa.
Mas não consigo entender o que elas falam.
Mas como posso esquecer aquele sorriso, que por um instante me tirou o chão, e com um só olhar me traz a paz que tanto esperava, que me faz esquecer o caos que está lá fora?
Me faz feliz, ó, doce Aurora
Sobre a Paixão
Esse sentimento avassalador
que vem e nos tira o chão
E nos leva às nuvens como teletransportador
numa fração de segundos, como uma explosão
Esse sentimento que nos tira a razão
Que causa entrega de corpo e alma,
Que acelera o nosso coração
tirando toda nossa calma
Esse sentimento que nos toma por inteiro
Não há maturidade que resista
Transforma nosso espírito em aventureiro
por mais juizo que ali ainda exista!
Esse sentimento que nos encoraja
a fazer coisas inexplicáveis
Que com o pensamento viaja
à lugares inimagináveis
Esse sentimento que nos faz faltar o ar
quando encontramos esse alguém
que desejamos o tempo todo com ele estar
E quando estamos juntos, estamos muito bem
Enfim, esse sentimento, avassala, tira o chão
Transcende, desnorteia, acelera o coração
Mas quando não correspondido, mata
Fere nossa alma, nos arrebata!
CHORO CONVULSO
Velhinha casinha, meu ninho
E chão do meu pão,
Hoje, somente uma visão.
Ai, aquela chorosa ramada
Fresquinha
E também velhinha,
Onde à sombra minha avó catava
Os meus piolhos da miséria
Nos verões de canícula séria
E depois, adormecíamos os dois
De barriga tão vazia
Como quem cava nas hortas
O silêncio das horas mortas.
Hoje, nem telhados e paredes
Ou janelas, nem sequer portas...
A vida, é um circo de redes
E trapézios tão fatais
Onde há luzes e sons e ais,
Mas quando morrem os mortais
Morre tudo como vedes,
Levados num remoinho
Como a velhinha casinha, meu ninho.
(Carlos De Castro, In Poesia Do Meu Chorar, em 21-07-2022)
AMOR DE SALVAÇÃO
Vem, amor de salvação - ao nosso ninho
Que construimos no chão - de mansinho,
De penas, musgo, paixão - tão maciinho,
Como pássaros doidos sem perdão.
Vem, amor de salvação, alivia então
Esta dor saudosa e assaz magoada,
Faz do nosso ninho
Já velhinho ,
A nossa cama, a nossa morada,
Com rodas de algodão
Para percorrer a estrada,
Rumo ao planeta da ficção.
E se as rodas
Tão melindrosas,
Furarem pelo caminho,
Não faz mal:
Ficaremos sempre no nosso ninho,
Esse destino fatal!
Vem, amor de salvação!
(Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 03-10-2023)
A MAÇÃ
Era outono.
Havia uma maçã no chão,
Caída da árvore cinquentenária.
O homem, esfomeado, vergou-se
No ranger dos ossos castigados
Por longos jejuns lazarentos,
De uma vida de naufragados
Num barco de pobres assinalados,
Pelas misérias dos tempos.
Tinha já a podre maçã
O bicho que a carcomia,
Fruto de macieira arraçada
Também velha e corcovada,
Triste por não ser sã,
Nos ramos em agonia.
Prestes a pegá-la do chão
Pousa um passarito aflito
E o homem com prontidão
Diz ao pássaro com emoção:
Come, come tudo sem parar,
Pois assim me capacito
Que minha fome pode esperar.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)
Rolamento Afinado
Na
Impossibilidade
De fazer
Os caminhos
De
Asfalto
De
Chão, cimento e piche
no alçar do giro
Caminhou
Dentro
De si
Ser Tão Nordestino
Andano
De pé
Descalço
Andano
De pé
No chão
Pisano
Terrinha
Fria
Ou quente
Se é
Verão
Saudades
Sentiu
E muito
Do tempo
Em que isso
Era bão
Bem bão
Era bão
Como era
Bão mesmo
Danado
De bão
O menino que Vendia Palavras
Na esquina,
Nesta pedra de Assuntá,
Rabiscava o chão
Escrevia em muros
Vendia versos
Por trocados de lua
Palavras miúdas
Que o vento dispersava
Quem compra um sonho?
Gritava à tarde
Enquanto a cidade
Passava sem ver
Nas mãos,
Só lhe restavam sílabas gastas
E o eco das frases
Que ninguém levou.
Mas ele, teimoso,
Escreveu letras no chão
E assim,
Entre riscos e poeira
O menino poeta
Se fez eterno
Num dia quente de sol, eu vi nevar no verão e senti a cura da doença que nunca tive. Do chão eu pude ver o mundo como se estivesse na montanha mais alta. Bebi a água da fonte mais pura e me entreguei aos pensamentos soltos,perdendo-me dentro do meu próprio desejo. Todos meus instintos voltam e eu sei que os seus vieram também. Logo vão arder, misturando-se com o medo e a vontade de ver tudo acontecendo outra vez!
Índia Cigana
Filha do Sol e da Lua
Na noite e no dia da vez
Que toca no chão que alimenta
De encontro de frente com os ventos
No verde e azul que sustenta
Vigora nas trilhas dos tempos..
Meu coração é como vidro quebrado no chão
Cada pedaço traz sua própria dor
Reconstruí-lo não é uma opção
Cortes, sangue, agonia
É tudo que sinto quando tento, outra vez
Ter meu coração.
Ultimato
Nada é novo
Todos os dias são iguais, tudo é igual
O céu, o chão, os carros, as pessoas
Tudo se repete diariamente
Estou cansado dessa monotonia, quero um mundo diferente
Por isso hoje invoquei meu lado inconsciente
Hoje eu acabarei com a monotonia, hoje é o dia
Que o mundo vai se entreter com as mais terríveis notícias de jornal
Raça humana, aqui vou eu, me tornar o mais cruel animal.
