Se Nao for para Voar Nao Tire meus Pes do Chao
Contraste
No interior da casa,
em meio as paredes quebradas
e chão empoeirado,
ainda paira a tua presença.
Teus passos estão nos corredores
e a cama que já não tem mais
guarda o relevo do teu corpo.
Quiçá cacos de copos quebrados
esparramados no chão ainda
tragam o batom dos teus lábios.
Talvez ecoem pelos quartos tuas últimas palavras.
Lá dentro, parece que o tempo parou.
Lá fora, a vida continua indiferente.
E, num contraste louco,
tua imagem permanece
num ausência constante
na janela que parou o tempo de dentro.
A primeira arte
arte inicial
arte poética
arte primeira
arte chão da artística criação
arte geradora das outras artes
arte que tudo de bom cria
arte poesia.
Abat-Jour
A lâmpada acesa
(Outrem a acendeu)
Baixa uma beleza
Sobre o chão que é meu.
No quarto deserto
Salvo o meu sonhar,
Faz no chão incerto
Um círculo a ondear.
E entre a sombra e a luz
Que oscila no chão
Meu sonho conduz
Minha inatenção.
Bem sei... Era dia
E longe de aqui...
Quanto me sorria
O que nunca vi!
E no quarto silente
Com a luz a ondear
Deixei vagamente
Até de sonhar...
Irreversível
A vida me sorri, então
Recolho os cacos que deixei no chão
Milhares de recordações transformam tudo em canções
E essa daqui é pra você!
Se eu pudesse desfazer
Tudo de errado entre nós
E apagar cada lembrança sua
Que ainda existe em mim
Eu sei que nada que eu diga vai trazer
O longe pra mais perto de mim dessa vez
Por que gostar de alguém vai ser sempre assim,
Irreversível?
A vida ri de mim então
Percebo o quanto é triste te esperar em vão
Mas acho forças pra cantar
Quem sabe você possa me escutar
Eu só queria te dizer
cada passo que eu dou pra frente
Sinto meu corpo indo pra trás
E a cada hora que vivo sem sentido
Parece me fazer te querer cada vez mais
Eu trago em mim apenas um sorriso
Braços abertos pra te receber
Mas acabo sempre triste e sozinho
Procurando uma maneira de entender
Se é irreversível para mim
Então é reversível pra você
Se tudo tem que ser assim
Então deixa ser
AVE GRANDE, FORTE.
GAROA. NO CHÃO AVOA
PÁSSARO DA MORTE
(IN MEMORIAM)
(17+07+2007)
Às vítimas do acidente da TAM em São Paulo
Mesmo quando a vida embaça
É por que foi aquecida...
Mesmo quando o nosso chão escorrega,
Pode ser por causa da limpesa...
Tudo tem o efeito
mas teve primeiro a causa...
Se meu coração tem certeza
è por que ele ouviu a esperança!
Meu sol, meu mar, meu ar...
fincando bandeira de posse em meu chão
em meu caminhar...
que a mim não me desferez nada além de vocês
partirei em domínio deste território
apossar-me, onde todos pensam ser posseiros
ignorando-me...
Onde deixei a ermo
na minha tradução de vida
se pudessem, levariam-me até meu pensar...
em detrimento de mentalidades que sempre ignorei.
Encontrar forças e retornar ao que a mim pertence
antes que por numa espécie de troféu do domínio
me levem além dos anos, também a alma...
Preciso tanto renascer, ressurgir como a uma fênix das cinzas de mim mesma...
Sozinho encontrar um caminho
onde me arranque das garras do condicionamento
onde me parece tudo perdido e triste...
só falta você além de mim mesma...
Eu faço versos assim.
Como quem respira ou canta.
A poesia nasce em mim.
Como do chão nasce a planta...
Velas espalhadas pelo chão,
Aqui e além …
Um som suave daquela música
Que eu sei que te faz vibrar
Apenas a luz que dança
Lançando reflexos nas almofadas
Espalhadas pelo meu sótão do prazer
Espaço lúdico onde te espero
Na mais perfeita fantasia de amor
Danço, no meio da roda feita pelas velas
Que iluminam o meu corpo ainda vestido
Como uma segunda pele a delinear o corpo
Aquele vestido preto
Que tu sempre dizes deixar-te aturdido
No cabelo apenas um gancho, único acessório que uso
Equilibro-me nos sapatos de salto alto
Enquanto danço ao som da música
Que faz lembrar terras do oriente
Deslizo as alsas do vestido até ao cotovelo
Rodo o corpo e fico de costas para ti
A música continua a soar entre estas quatro paredes,
O cheiro a incenso no ar é cada vez mais intenso
E agora nota-se um cheiro a rosas.
As que me trouxeste porque sabes o quanto gosto delas.
Vermelho escuro, cor da paixão
Levas as mãos às minhas ancas
E começas a fazer descer o vestido por elas
Juntos numa dança de sentidos
Exploras a geografia do meu corpo
Reconheces todos os caminhos
Aspirando o meu perfume de mulher
E como me sinto mulher !
Quantas e quantas vezes eu deixei cairem no chão sonhos, pessoas e sentimentos? Milhares e milhares de vezes. Acho que depois que a ficha caí, tudo muda. E agora? Eu vou chorar, gritar, mofar na cama o dia inteiro ou simplismente ver o teto desabar na minha cabeça? O que eu faço? Tudo bem, escolho mofar na cama e ligo a Tv e fico passando de canal como se algum deles falasse: LAYLA, PARA COM ISSO!
A carta que nunca te escrevi
Nada foi em vão
Desde que te foste e me deichas te sem chão
Nem as palavras nem o tempo que te esperei
Foi capaz de me fazer te esquecer
Mas que no fundo eu sei
O quanto me custou perceber
E deferenciar entre o amar e te esperar
Do andar e desandar do correr e não chegar
Da ecencia de que somos feitos
Do principio de que não somos perfeitos
Da vida que nos separa
Ao decair da noite que me ampara
O sonho que pelas galaxias navega
O mesmo que por vezes o nosso coração cega
E o unico meio que tenho pra me lembrar de ti
E perceber que não te esqueci.
Me arrasto em meio aos destrosos do meu coração e aos poucos tento juntar pedaços que estão no chão.
De repente você percebe que circulo afetivo é como um espelho. Quando ele cai ao chão, se parte em vários pedaços, os grandes são as pessoas, que tem uma maior resistência, e os pequenos caquinhos são os sentimentos, que se desprendem de todos os grandes pedaços. No final não sobra mais nada, além de pedaços de espelhos faltando algumas lasquinhas, mas que seriam essenciais remontar esse espelho.
