Ruído
Quando nos desconectamos do "ruído" externo passamos a nos ouvir e daí em diante o entendimento, a compreensão, preenchem todos os espaços vazios.
Nosso silêncio interno não pode se corromper ao ruído externo que insiste em nos invadir, sequestrar.
O ruído dos bairros e aldeias que hoje visitei fustigam a mente, por saber que amanhã aqueles aldeãs continuarão a viver a mesma vida que hoje.
Há um ruído na fala dos beligerantes da nossa vida, que em meio a inquietude não conseguem perceber porque razão não falamos da vida dos outros, mas, ainda assim, nos consideram arrogantes e convencidos por apenas sabermos falar de nós.
O eco nunca retorna como ruído, mas com um imenso impacto exato, das minuciosas palavras que foram reverberadas
Quando o ruído do mundo for maior que a brandura do teu silêncio, lembre-se que os dias mais felizes foram aqueles nos quais logo depois da tormenta despontou o raiar do sol
Superficial e frágil é o silêncio do mundo
basta pouco, um ruído insignificante
para que ele esvanesça.
Ela era a luz e desligou.
Apagou sem ruído.
Sem eco.
Só ausência ficou .
Disse pra eu entender,
como se sentir fosse opcional.
Como se o peito fosse máquina,
feito de lonsdaleíta,
imune ao impacto com a terra.
Arquivou a gente
em um triste adeus .
Simples assim.
Um comando.
Uma pasta nova.
Sem passado.
Mas aqui…
nada foi deletado.
Os sonhos continuam rodando em loop.
Os sentimentos em arquivos corrompidos,
impossíveis de abrir sem dor.
Ela seguiu.
E eu fiquei sozinho
nesse intervalo estranho
entre o que acabou
e o que ainda insiste em existir.
O amor morreu nela.
Aqui, não morrerá.
Em mimrespira baixinho,
como sistema antigo,
que ninguém usa mais…
mas nunca desliga
permanecendo em stand-by ..
Não existe pior ruído, do que o provocado pelo nosso próprio silêncio interior, quando não encontramos a palavra certa para o quebrar.
Tratado Silencioso acerca de todo Ruído
Convencidos de que o melhor
Nunca foi tão bom,
Mesmo no auge os descuidos,
Firmaram honesta empatia.
Rompemos a crosta rupestre,
Langorosos e mortificados,
Afogados na vã companhia,
Milênios nesta quarentena.
Se abandonarmos nossa integridade,
Para alcançar algum objetivo,
Objetivo algum terá valido a pena.
Vivemos sugando os acervos,
Direções que confundem os nervos,
Afogados na estiagem sedenta.
Sufocante intuição perdigueira,
Lúcidos nos damos conta,
Os melhores momentos vividos,
Projetaram-se em meio à tormenta.
Vivemos de um jeito ou de outro,
Aceitando ser subtraídos,
Novos terços na velha novena.
Quadrilheiros, vagados, perdidos,
Libertinos, guerreiros lascivos,
Por milênios nesta quarentena.
Somos puritanos vencidos,
Infames, reles bandidos,
Monarcas do amor e do mundo,
Românticos desconhecidos.
A verdade não grita. Ela sussurra.
E só é ouvida por quem silencia o ruído do mundo.
A vida não cobra explicações, cobra consciência. Cada encontro é um espelho, cada dor um chamado, cada queda um portal. Nada é acaso, tudo é convite.
O despertar não acontece quando se acumula respostas, mas quando as máscaras caem. Quando o buscador percebe que a chave nunca esteve fora, nem nos céus, nem nos livros, mas no olhar que finalmente se volta para dentro.
Quem desperta deixa de lutar contra a corrente e aprende a lê-la. Entende que a noite ensina tanto quanto o dia e que a verdade não liberta por ser doce, mas por ser real.
Poucos veem. Menos ainda atravessam.
Mas quem atravessa… nunca mais dorme.
Marcelo Viana
