Ruído
" Seja poesia em meio a tanto ruído. Seja calmaria em meio à tempestade e se nada disso der certo faça de mim seu verso preferido."
Que a cada sinal eu entenda.
Que a cada decepção eu aprenda.
Que a brisa seja ruído pro meu som.
E que os motivos só aumentem pra crer
Que Ele continua sendo bom!
" Ouvia-se um ruido, antes da luz chegar,
era a fumaça do candelabro já desgastado pelo tempo
erguendo-se feito nuvem disparando o olhar
tantos apocalipses prenunciaram essa estrada
amanheceu e não consigo partir
preso a uma imagem que a mente não decifra
no que pensar se não em saudade
o que viver caso não necessidade
te olhar mais uma vez
quando ainda és melodia
antes da luz acabar
passo sorrindo
é só o que me resta fazer...
O que queres de mim essa manhã?
Me acordaste com seu ruído
És tão misteriosa suas vestes,
E teu desconhecido sorriso.
Ó senhor, o que desejas?
O que posso oferecer-te mais uma vez?
Sois tão ambicioso em cada passo,
Que não veis o perigo que há de enfrentar.
Não tires a vida de meu semelhante,
O nosso vínculo hoje vai acabar
Veja em meus olhos a pura inocência
De uma india cheia de amor pelo seu lar
Estarei aqui amanhã de manhã,
Gostaria de poder ajudar,
Mas talvez eu não possa mais abrir meus olhos
Se tudo que é nosso tu decidires tirar.
Silêncio
Difícil manter-se,
constantemente o inconstante tenta ser quebrado
Do ruído, a falta, o vão, inação
Mistério, intriga, suspense, inquietação, tudo pela ausência
Efeitos colaterais acima do esperado.
Momentos, dias, estações, vidas
Continuar ou parar
Segredo esse desvendado a cada expectativa de som
Uma pausa no comum, no esperado, no questionável
Silêncio absoluto, tortura, medo, doramor
Intrigante para ambos: silencioso e o silenciado
Fatal para todos, silêncio mortal.
BARULHO
no silêncio, e apenas nele
eu ouço um barulho
o ruído suave e contínuo
da vida que não silencia
Juntos
Passemos juntos
tu e eu, bem devagarinho
sem ruído nenhum
sem quase nenhuma suspeita
Passemos juntos
tu e eu, tão mansos
feito sombras que acompanham os nossos passos
para que o sol que ilumina os nossos caminhos
não acorde e se vá esconder
nos deixando no escuro e sem poder te ver
Passemos juntos
tu e eu, vagarosamente
para que o tempo não nos fuja
nos deixando para atrás
para que a vida não nos separe
destruindo os nossos corações
machucando as nossas almas
Passemos juntos
tu e eu, felizes com a vida
gritando te amo um ao outro
para que tudo seja feito com amor e carinho
o que a vida tem feito por mim e por mim fará para ti 4
A cultura é um ruido de fundo que não me deixa ver a vida tal como é. A cultura não faz ninguém feliz. Quero ser alguém ignorante, ou um camponês sábio que adivinha quando choverá e se deita e levante com o sol.
SILÊNCIO É...
O ruído do sossego,
O presente ausente,
O recurso da recusa,
O graúdo viés miúdo,
O futuro do passado,
O imaturo divergente,
O indiferente diferente,
O discurso do segredo,
A coragem do covarde,
O mudo mundo do surdo,
A muda do medo em flor,
O humor do ódio no amor!
Guria da Poesia Gaúcha
Queria no lugar do ruído da chuva,
Estar ouvindo teus sussurros, e tua doce voz.
Queria nesse momento, no lugar da brisa fria,
Estar sendo o seu calor.
Queria poder estar ao teu lado, e falar de como é grande o amor que sinto,
Embora tudo pareça tão distante, mais nunca impossível.
Queria poder sentir o perfume da sua pele, e dela lembrar-me todos momentos.
Queria poder carinhos te dar em quanto você repousa sua cabeça no meu ombro e descansa como uma inocente criança.
Queria poder te olhar, para que nossos olhos trocassem raios de luz que somente eles entenderiam.
Mais que nos fariam com certeza entende-los.
Queria poder sentir o pulsar do teu coração,
A tua emoção e poder dizer EU TE AMO
Queria que pudesse sentir,que minha crença no futuro és tão grandes quantos os altos picos de neves eternas.
E tão mais fortes ventos da tempestade.
Queria que soubesses que a alegria de ter você comigo,só encontra equivalente na esperança de que um dia estaremos juntos pra sempre.
Ouço cântaros a darem gargalhadas enquanto anéis
em ruído fincam-se nos violinos calados. Nada
real acentuará ser isto, lógico que a poeira que
piso desamarrará tal malha com isco. A
civilização é clandestinamente isto.
Transformando
Por onde andei
Era chão atapetado
Não havia ruído
Mas o corroído da alma
Era mais barulhento
Por onde andei
Palavras sussurradas
Pois não há suturas
Para emendar
Sonhos impossíveis
Por onde andei
Vaguei
Fui tateando
E o impossível
Se despiu
Por onde andei
A poesia tingiu
E fugiu
Por onde andei
Fui sobrevivente
De minhas escolhas
E da minha coragem
Por onde andei
Minha voz
Virou você
Um barco de estações escritas
Com seu nome
Que naufragou
Por onde andei
Na vida
Resisti, escapei
Me salvei
De mim mesma
Das horas
De lagarta
Nas horas de borboleta.
Livro: Pó de Anjo
RENASCENDO NA TEMPESTADE
Surgistes sem fazer nenhum ruído ou qualquer alarde, sem fazer nenhum sentido,
Colocando cada qual no seu devido canto, na esquina da vida no vértice do mundo.
Recolhendo cada um no seu espaço particular para aprender a lhe dar com as escuridões da sua própria companhia, tumultuada de lembranças e agitada com pensamentos consequentes da falta de distração que a vida agitada evitava.
Reaprender a ser alegria, ser paz, nos longos dias mergulhado em solidão,
Incitando a desejar um olhar, um gesto, uma palavra, uma companhia. Dando sentido e entendimento daqueles que estão ao redor da nossa vida.
Fazendo filtrar o que nos faz bem e o que arruína as energias da nossa vida.
Depois que a tempestade passar, depois que tudo isso acabar alguéns saberão dar sentido, a vida o que somos e temos no nosso dia a dia.
Arrastados ao autoconhecimento e testados na fé, para aprender a transmutar pois tudo é cíclico e passageiro.
E a cidade permanece silenciosa ,um amontoado de casas inanimadas com longas ruas desertas, nas praças esfinges de bronze de benfeitores esquecidos retrata uma imagem degradada do que fora o homem do passado.
