Ruído
Cabeça pequena, ruído forte
e costas cor de esmeralda
ciscando pela trilha assim é
o Jacamim-de-costas-verdes
ingênuo pela floresta adentro,
De vez em quando me vejo
parecida com ele quando vou
caminhando pelo desconhecido
num mundo onde muitos não encontram mais nenhum sentido.
A pergunta não é minha:
"Ruído de sabres?"
Não me arrisco em afirmar,
Dizem que suspenderam
a parada militar;
Preferia ouvir
brados de liberdades,
Serão 3 meses de agonia.
Com as marcas
nos corpos dos sete
comandantes torturados,
Ao redor de mim estão
presentes os caídos,
Serão 3 meses de agonia.
O oficial com o melhor
rendimento acadêmico
recebeu como prêmio
o seu desaparecimento,
Serão 3 meses de agonia.
Mais mil historias também
por sebastianas letras,
Desta estrela na escuridão
me aproprio do brilho,
Para que você
não se esqueça:
Mais uma obra de arte
do Inferno de cinco letras,
Serão 3 meses de agonia.
E pelo General preso
injustamente sigo
insistentemente a procurar,
Serão mais 3 meses de agonia:
por quem está desaparecido
pelas mãos que tinham
o dever de notícias dele dar,
E nem sequer por um dia
aprisionar e tampouco isolar,
Serão três mais meses de agonia.
Quem dá ouvidos ao próprio ego amplifica o ruído interno da vaidade e ecoa uma versão distorcida de si mesmo.
Quando vi separar-se do tronco a cabeça do condenado, caída com sinistro ruído no cesto, compreendi, e não com a razão, mas com todo o meu ser, que nenhuma teoria pode justificar tal ato.
Sem fazer nenhum ruído
Um corpo foi despido
Diante do espelho,
Para arrancar um suspiro
De desejo lascivo,
Há de ser um belo bailado
No território [conquistado;
Será um pecado bem cometido.
Esse teu olhar discreto
Arranca de mim sem ruído
Uma mistura de prazer
Com um carinho proibido
Ouço o barulho do mar
Tenho o teu corpo para amar
Tenho a maior riqueza do mundo
O seu coração para me amar
Sem mais nem menos
Tudo sempre é motivo
Para sermos obscenos
Nós somos o sentido
Vamos dando cores e tons
Para o tempo e para o amor
Sigo contigo para onde for
Por mim e por ti persisto
O nosso amor é obra do destino
O PESO DO SER
(Entre o ruído e a desconexão)
Dentro de mim ouço ruídos pesados como chumbo. São nesses gritos, que ecoam um som metálico e se arrastam por dentro da consciência, que o mundo lá fora se apaga. Eles ocupam os espaços onde antes "por lapsos de instantes habitava o meu silêncio".
É uma gravidade particular; cada pensamento que surge não flutua, ele cai, sólido e frio, exigindo um esforço absurdo para ser levantado novamente. Tento traduzir o que dizem essas batidas surdas, mas o chumbo não fala, ele apenas me desconecta, impedindo que eu esqueça o peso de estar aqui.
Viver e conviver assim não é drama; é um estado de suspensão onde não há compreensão, apenas o peso de ser. E mais nada.
Lu Lena /2026
