Ruído
SAUDADE
Na melancolia da escuridão quando a noite avançava e os sons entoados eram regados de ruídos únicos, Ela mais uma vez se entregou aos pensamentos. Buscou recordar-se em que momento do caminho havia se perdido, achava ter se distanciado de sentimentos que a transportavam para um passado distante e impudor. Ela queria o poder de descrever com palavras a saudade embebida de amor.
Então cerrou os olhos, tentou imaginar como reproduzir minuciosamente com palavras a saudade. Induziu seus pensamentos a mover-se como o vento nas paisagens mais distantes de sua imaginação, relembrando momentos que pudessem expressar tamanha exatidão.
Descrever a saudades é tentar esquecer o impossível. É imaginar os desejos como um sonho que se esvai, em meio a um mar de sentimentos e palavras que nunca foram ditas. É como um abraço ambicionado, desejado que nunca aconteceu. É como o impulso repentino e avassalador do último encontro. É como estar novamente encurralada nos braços de um amor que acabou. É lembrar-se de um grito desejado e entoado no ápice do devaneio, a princípio acanhado, no meio desinibido e no fim arrependido. É a tristeza que invade a alma ao término de todo encontro. É pairar sem equilíbrio na imensidão do amar exprimindo particularidades que só coração pode perfazer, narrar. É contemplar disfarçadamente sem querer mirar, mas os olhos de quem ama estar destinado eternamente a observar. É o amor quando transcende o olhar e integra o mais lindo limiar do desejo de querer e não poder tocar. É o turbilhão de sensações que torna ébria a alma e faz todo ser pleitear ser observado eternamente por um único olhar.
Abriu os olhos, e descreveu a saudade como uma tarefa inglória, sem o charme de uma conquista constante, sem o glamour das promessas, só com o lado obscuro da despedida que antevê sempre sufocado no silêncio das palavras nunca ditas, ficam lacunas, hiatos de vontades não realizadas e de quimeras que lentamente se transformam num oceano de lágrimas que se dissipam em meio uma torrente, no vai e vem da vida, que nunca será esquecida.
Ela nunca se despediu. Por fim, sorriu ternamente e partiu...
A bala caiu no chão, nocauteou o piso e produziu um ruído agudo.
Outra.
Mais outra
E outra.
Continuava em pé, me encarando no espelho, e com aproximadamente 10 balas alojadas na minha cabeça.
Você ao menos poderia ter dito que iria doer.
o ruído da porta rangendo
ecoa vindo do fundo da mente
mesmo de olhos fechados
há o fato irreversível inegável
é preciso coragem
para encarar a entreaberta
porta seu feixe de luz
suas infinitas possibilidades
e da minha visão
metade é escuridão e
metade é amanhecer e
muito me faz falta a fé
para crer sem ver
nos contornos do invisível
Portas fechadas
Janelas trancadas
Nenhum ruído se ouve do lado de fora
Dentro da casa um eco do nada
Eco do vazio dos que ali ainda viviam
Somente o ruido de suas mentes inquietas
Inseguras e temerosas sobre o futuro incerto
Alimentando-se da esperança de ouvir alguém bater à porta trazendo boas novas para seus corações exaustos
Ninguém bateu...
Às vezes estamos tão preocupados com nosso cotidiano, vivemos no meio de tanto ruído, que não há tempo para vermos as conexões, para ver o invisível, para prestar atenção aos detalhes, para ler nas entrelinhas.
Susto é o medo causado por um fato ameaçador súbito e inesperado, um ruído forte, uma visão terrível.
SUSTO
Sobressalto inesperado bateu forte e atormentou
Foi um choque que mãos trêmulas ficaram
O corpo inteiro estremeceu e empalideceu
O contexto do que se faz se perdeu ao vento, ficou ao léu
Caído no chão não é possível erguer
Tamanho susto levei
Abalo sísmico na química humana a sentir
Notícia repentina de forma alarmante se pronunciou
O espírito não preparou para receber, trágico se tornou
Tranquilidade sumiu, não houve um suspiro, o ar faltou
Perfeita inquietação transformou a minha consciência
Pânico presente e incontrolável surgiu
Tamanho susto levei
Aos poucos volta a si, estamos a pressentir
Respiração equilibra no meio da transição
Ameaça sofrida vai passando, que sensação
Pavor se afasta retoma atitude, entra a ação
Com firmeza, olhos fixos, rosto corado vem a reação
Que apenas um susto levei
Passou! Ufa! Que medo....
Cassia Guimarães
Transformação
Ouça a chuva que cai...
Seu ruído confunde-se
com o pulsar do coração
que se enche de esperança.
Como uma força bruta,
veio de repente
trazendo uma mensagem:
Chega de mansidão!
Chegou o momento de vida,
de a vida dar movimento...
Chegou o tempo de tirar
As barreiras da mesmice.
De amar e deixar-se inundar,
se desprendendo de tanta idiotice,
exacerbando a coragem
de quem se permite arriscar.
Deixe a chuva, teu corpo molhar,
se inebriando sem restrição,
sem medo de se afogar...
Interiorizando, uma transformação!
O silêncio, esse estado de quem se abstém ou pára de falar, essa cessação de som ou de ruído, essa interrupção de correspondência ou de comunicação, essa omissão, essa quietude, essa calma, esse desassossego, esse estado de letargia amordaçada, que continua a constranger os valores da liberdade, apenas e só, única e exclusivamente, para continuar a dar guarida a todos aqueles que desejam que se faça silêncio, através do medo que difundem e do peso das palavras que não suportam.
Você sabe o que eu nunca entendi? Por que mudar o ruído da sirene? Quando eu era criança, sempre foi "waaaaah waaaaah" e agora é "woo woo woo woo woo". Por que eles fazem isso? Quero dizer, eles fizeram alguma pesquisa? Será que descobriram que "woo woo" é uma sirene mais eficaz do que "waaah waaah"?
(George Costanza)
Eu sou louca de te amar?
Devem me acharem louca,
Eles tem razão,
Eles houvem esse ruído do meu coração,
Sou louca,
Mas sou a louca do teu amor.
Silêncio
O ruído ensurdecedor
afeta meus ouvidos
bagunçam meus sentidos
O barulho tão comum
oculta minha voz
sou mais um
O som, doce harmonia
outrora trouxeram alegria
hoje, esse silêncio
já não acalma
fere a alma.
Meu ouvido, ta tao ruim agora, ta fazendo um ruido na minha cabeça, eu sinto o meu coração bater tao forte que parece que vai quebrar minha costela, e eu queria parar de ser tao indeciso, nunca sei se a cor da parede ta boa, ou se seria melhor mais escuro, isso tudo ta tão chato, toda noite quando deito, sinto meus olhos muito pesados, muito mesmo, tenho que me esforçar bastante pra manter eles abertos as vezes fico com preguiça, então eu fico só com um olho aberto, meu corpo também fica pesado, eu gosto de beber água e pegar coisas pra comer antes de deitar, a casa toda escura, com aquela mesa no meio do caminho, a casa ta toda bagunçada, obra sempre é cansativo, nada está onde deveria, então eu esbarro sempre, minhas pernas estão tão moles. Mas ficar deitado na cama assim, nesse estado, parece tao reconfortante, a luz branca da pagina inicial do YTB clareando sutilmente o meu quarto, e eu procurando algo pra assistir, mas eu nunca saio da tela inicial, eu não consigo escolher algo pra assistir, mas não fico tao chateado com isso, porque eu ainda me sinto bem com a cama me engolindo como de fosse areia movediça. Mesmo estando deitado, fazendo esforço pra manter os olhos abertos, eu não sinto vontade dormir, eu ainda quero encontrar algo pra assistir. Eu fico tentando arrancar essa ***** da minha cabeça, tento até com alicate, eu sei que não vou conseguir arrancar de uma vez, mas parece que isso virou um passa tempo, quando percebo, já são 5 horas da manha, e eu não fiz nada, além de afundar mais e sujar meus dedos de sangue. EU NUNCA VOU CONSEGUIR ME LIVRAR DISSO. Eu não sou muito popular com as pessoas, não são muitas que procuram saber de mim, mas as que procuram, são importantes pra mim, gosto delas, mas eu não sei o porque, mas quero ficar sozinho, mas eu também queria alguém pra ir a um bar, conversar com alguém, mas não queria ter que me preocupar com as palavras que eu deveria usar. Eu ainda tento encontrar alguém pra conversar, só que o lugar no qual eu procuro, só encontro pessoas igual a mim, não que eu ache isso ruim, mas eu me olho no espelho, e nunca me sinto confortável, eu sou um problema e lá só tem mais problemas, então eu fico só, e isso as vezes é tão bom, mas ainda não é que eu realmente quero, por enquanto eu quero a solidão, porque por mais que seja ruim, eu ainda não consegui decidir o que dói mais, ficar sozinho ou acompanhado.
O que fazer quando nem você se conhece?
Não existe amor impossível se as batidas do coração de quem ama forem mais fortes que ruido dos inconformados.
O ruído de sair da principal freqüência é alto. Ninguém que está na principal freqüência está satisfeito e o ensaio máximo de coragem dos inertes só lhes permiti apontar o dedo.
O cego e a guitarra
O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.
Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.
Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.
Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.
Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.
Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.
Do livro "Fernando Pessoa - Obra poética - Volume único", Cia. José Aguilar Editora, Rio de Janeiro (RJ), 1972, págs 542/543. (Fonte: Projeto Releituras)
Uma noite chuvosa,
o cheiro da relva molhada,
o ruído do mar,
o sol batendo contra a vidraça...
Em tudo há a presença Daquele
que nos deu gratuitamente o presente maior
- "A VIDA"
Cika Parolin
