Ruas
A gente tropeça com tanta gente nas ruas da vida.
Algumas a gente guarda na memória, com outras a gente faz história.
Algumas são momentos, outras são eternas.
Algumas ficam na terra, outras a gente leva para o céu!
Haredita Angel
07.-09.25
NADA COMO ANTES
De onde eu vim,
Lembro com muita saudade.
Ruas e quintais não são mais como antes.
Por lá eu cresci, vi muitas flores se abrindo
No raiar das manhãs. Quantas vozes eu ouvi.
Atrelado ao ar do lugar, Timbó está incravado em mim.
Suas praças me recordam bem, profundas lembranças
Que o tempo marcou.
Não posso esquecer dos amigos que um dia
Comigo sorriram. Aqueles que foram,
Os que me disseram, os que propuseram, os que se fecharam,
Os que se abriram e aqueles que nunca mais vi.
Meu nome é Marcos Kamorra.
Tudo começou nos tempos em que eu era MC nas ruas. Precisava de um apelido que impusesse respeito, que carregasse aquela energia de quem não baixa a cabeça, de quem encara o mundo de frente. Escolhi “Kamorra” inspirado no significado informal em espanhol e português: briga, confusão, atitude de rua, aquela postura de guerreiro que não leva desaforo pra casa. Era perfeito pro rap — forte, direto, marcante.
Passei anos rimando com esse nome, batalhando em duelos, construindo minha identidade nas letras e nas quebradas. Kamorra era o cara que lutava, que resistia, que enfrentava tudo.
Mas um dia, por acaso, me deparei com um termo hebraico antigo: “Mi Kamocha” (מִי כָמֹכָה), que significa “Quem é como Tu?”. É uma frase do Êxodo, um louvor à singularidade absoluta, à ideia de que não existe ninguém igual, de que cada um carrega uma essência única, irrepetível.
Na hora, senti um choque. Era como se duas partes de mim que sempre existiram se encontrassem: o guerreiro da rua, cheio de garra e atitude, e o buscador que entende que a verdadeira força vem de ser fiel à própria essência, de ser único no mundo.
Aquele apelido de batalha ganhou um significado muito maior. Não era mais só sobre brigar com o mundo — era sobre lutar POR si mesmo, pela própria verdade, com coragem e princípios.
Aí tomei uma decisão que mudou tudo: registrei “Kamorra” como meu sobrenome oficial.
Hoje, quando alguém pergunta de onde vem meu nome, eu respondo com orgulho: vem da rua e vem da alma. Vem da atitude combativa que me forjou e da revelação de que sou único, como ninguém mais.
Kamorra não é só um nome. É minha história inteira: do MC das batalhas ao homem que escolheu ser rei da própria verdade.
Sou Marcos Kamorra.
Guerreiro.
Único.
Incomparável.
#Kamorra #FilosofiaKamorrista #Autenticidade #Singularidade
NOSTALGIA.
Tarde nebulosa com previsão de chuva forte, ouço uma canção e observo as ruas vazias e chego a pensar que apenas eu sinto essa nostalgia. As horas horas passam tão rápido quanto os meus pensamentos que ao embalo da canção buscam encontrar você.
Na melancolia da minha imaginação, encontro destino para os sonhos não realizados,caminhos desencontrados,amores passados e tomo uma decisão:continuarei aqui de mãos dada com a nostalgia.
Lá fora está frio e chuvoso e as ruas se encharcam de silêncio. As gotas escorrem nas janelas como se fossem lágrimas antigas que o céu já não consegue conter.
Noite fria, chuva martelando o telhado, vento que uiva nas copas. As ruas estão vazias, a cidade ilumina apenas o que é frio, que não tem vida, não vejo ninguém, como se a cidade tivesse recuado para dentro de si. Caminhar nessa chuva é rasgar-se por dentro, poucos têm estômago para esse abandono.
Eu a procurei nas praças e nas ruas, não a achei nos lugares comuns, mas sim no jardim fechado que reservamos para o nosso reencontro secreto.
Eu caminhei sozinho por ruas estreitas, sentindo o frio e a umidade sob o halo da lâmpada, buscando fugir dos sonhos inquietos
A cidade tem lembranças afiadas como cacos de vidro. Passo descalço por algumas ruas e sinto as marcas. Cada cicatriz urbana me conta quem já soube amar. Há um consolo no reconhecimento das próprias falhas. E, por isso, volto ao lugar que me fez aprender.
Tem pessoas que passam
e deixam o mundo torto.
Depois delas,
as ruas não sabem mais ser só ruas.
O lago não sabe mais ser só água.
Os lugares viram armadilhas
para a memória.
Eu ainda te procuro
onde você não está.
Na igreja.
Na academia.
Nas esquinas da cidade
que aprenderam o seu jeito de andar.
Eu quase fui.
Quase deixei um bilhete.
Quase atravessei meu próprio orgulho
para te desejar feliz aniversário.
Quase me esqueci
de tudo o que me feriu.
Mas eu não fui.
Porque algumas pessoas
ensinam a gente
que amor também pode ser silêncio.
Eu lembro de coisas
que talvez você nem lembre mais.
De caminhadas sem destino.
De risadas que não precisavam de motivo.
De um jantar simples
que virou casa.
De um dia em que você acordou
nos meus braços
e, por um instante,
o mundo ficou quieto.
Eu sei que erramos.
Eu sei que doeu.
Eu sei que você não soube me cuidar.
Mas o que eu senti por você
foi limpo.
Foi inteiro.
Foi verdadeiro.
E talvez isso seja o que mais machuca:
ter amado alguém
que não soube ficar.
Eu carrego uma marca na pele
que não é vaidade.
É memória.
É prova de que existimos
em algum tempo do mundo.
Às vezes penso
que eu não significo nada pra você.
Que eu fui só mais um trecho da sua vida.
Uma página dobrada.
Um nome esquecido.
Mas eu sei o que eu vivi.
E isso ninguém apaga.
Você não está mais aqui,
mas tudo ainda sabe o seu nome.
Mesmo que eu não diga.
E dói.
Dói porque foi real.
Dói porque eu ainda sinto.
Dói porque eu não soube te esquecer...
Entre caminhos desertos e ruas escuras, vou dando os meus passos a espera de um dia encontrar a luz de que eu preciso para me encontrar
Degusto um bom vinho,
em uma taça antiga,
que me lembra as antigas ruas de Viena,
lembrando-me, por algum acaso, do brilho das doces moças das peles claras e olhos claros,
sem ter nada contra, é claro, das índias brasileiras, doces também, de fato.
Escrevo com delicadeza, estas letras sensíveis,
para que teus olhares, as vendo, sejam puros e delicados,
como um fino papel, não resistente a nem uma gota de mísera chuva,
e muito menos, as lágrimas de uma moça vítima de adultério.
Sonho em apenas imaginar teus olhares emaranhados em minhas linhas neste poema,
linhas singelas que pretendem alterar seus sentimentos somente para te tê-la em meus braços,
delicada donzela,
dona de meus pensamentos, mesmo que esteja lúcido ou com os olhos fechados,
pois mesmo assim, estarei ligado e sonhando com ti.
NASCE, CRESCE, FILHO DA RUA
Desde o ventre da minha mãe que conheço as ruas. Minha mãe é zungueira de profissão, já desde o ventre que tenho acompanhando-lha nas suas zungas. Presenciou as caminhadas que ela faz para nos sustentar, as muitas corridas que faz e sofre dos fiscais e os senhores policiais para não perder o negócio que nos é rentável. Outras vezes ela não escapa e é nos cassumbulado o negócio, fonte do nosso sustento. Muitas vezes chicoteada por reivindicar que até sinto a dor da chicotada.
Fui gerado na rua porque até aos nove meses a minha mãe zungava a necessidade é enorme, para completar o enxovalhe e a panela em casa não entrar em greve. Esqueceu-se do dia, mês, hora que vinha ao mundo, acabei por ser gerado na rua e assim me familiarizei com a rua.
Três, quatro mês depois comecei a gatinhar minha mãe decidiu que já era o momento oportuno de acompanhar-lha na zunga, não há dinheiro para mim, ir a creche e ela não pode ficar parada ou seja ficar em casa. Apesar de requerer ainda muitos cuidados materno, porque se não morremos de fome.
Passo toda a minha infância na rua ao lado da minha mãe, sem crianças a minha volta porque as deixei todas no bairro em que vivemos e assim vou crescendo.
Sou da rua, alimentam-me, tomo banho, vestido na rua ao céu aberto ou seja ar livre.
Deste modo vou familiarizando com a rua, conhecendo-as do musseque à cidade. Quando completo os meus 5, 6 anos. Já sei fazer o mesmo trajecto me é familiar. Conheço-o tão bem que perco o medo de andar sozinho, criança que só. Esquecendo que as ruas são tão violentas e perigosas, criança e inocente. Mas como posso ter medo se presenciei as mesmas muito antes de andar nelas, sozinho.
Com os meus 10, 12 anos as ruas adoptam-me e passo a vida a lavar carros. Os grandes jipes, carros que só via nos filmes. Hoje tenho o prazer de os lavar e ver o seu interior fico fascinado com o que vejo, lavo para ganhar algum trocado.
Se puder depois vou para à escola aprender alguma coisa, de momento aprendo mesmo aqui, na rua mal ou bem. Essa é a vida que levo, prioridade para mim, agora é mesmo kumbo. Porque tenho que ajudar a velha com as despesas no cúbico.
Tenho os meus irmãos, mas novinhos que precisam encontrar outro cenário, talvez estudem para saberem alguma coisa para contornarem o caminho que segui. Terem um futuro, destino diferente do meu. Porque se tivesse escolha talvez não é esse o destino que queria para mim.
Olhe em minha Face
Olhe em minha Alma se possível
Olhe meu andar pelas Ruas
E pergunte pra Deus o porque estou assim tão triste
E ele te respondera:"Olhe o amor da sua vida
não deixe ele passar.Pois obstáculos
e brigas sempre haverá
Mas grande é o amor que permanecera".
"...Estrelas caem ao meu redor e sua luz quente incendeia as ruas com seu fogo dourado e vermelho. Derrepente eu sinto um irônico frio apesar do fogo e sinto um tremor incontrolável em minhas pernas. Meus olhos hesitam a se abrir. O meu coração começa a bater mais rápido do que eu acreditava ser possível,num ritimo desgovernado e involuntário..."
(Eu e a minha velha mania de tentar descrever o indescritível, algo como a sensação de ser beijada por voce)
O flautista e seus versos – Rafael Rocha
15/09/2012
Essas ruas são tão perigosas
Não sabemos quem está nos olhando
Quem está nos vigiando
Os carros vão correndo
Enquanto pedestres vão caminhando
Os loucos são tratados em locais fechados
Protegendo a sociedade
Loucos que sofrem calados
Seria mais justo proteger os loucos
De toda essa seriedade
Somos inocentes
Essa é a verdade
Pois o mundo é perigoso
Vamos cuidar dos nossos filhos
Num lugar melhor
Onde a loucura seja um dom
E assim não me sentirei tão só
O problema de alguns líderes
É saber de todo o seu poder
E assim eles governam
Dizendo o que querem dizer
E nesse governo
Não há espaço pra você
Perfeição não se baseia
No que deveríamos ser
E sim no que somos de melhor
Eu sempre fui mais perfeito
Que você
Mas nunca foi meu direito
Isso dizer
E sábio aquele que não precisa
Ser valorizado pra saber seu valor
Vive fortemente na luta e na dor
Ninguém precisa dizer
O quão importante é você
O ódio é um sentimento alternativo
Para quem nunca aprendeu a amar
E uma especialidade
Para quem sabe enganar
Eu estou mudo
Eu posso falar
Mas ninguém pode me ouvir
Não importe o quanto eu grite
Não posso pensar em fugir
Eu conquistei o passado
E mereço o futuro
Não, isso está errado
Vigie á sua esquerda
Vigie a sua direita
Veja quem está do seu lado
O passado lhe mostra
Quem merece sua confiança
Porém tolo é quem quer ter confiança
Unicamente pelo passado
Vigie á sua esquerda
Vigie a sua direita
Veja quem está do seu lado
E as ruas ainda são perigosas
Devemos olhar para os dois lados
Antes de atravessar
Devemos correr antes de andar
E devemos não ter medo de amar
E nossos filhos estão crescendo
Na terra prometida
Um paraíso sem saída
Uma ilusão boa de ver
Uma vida inteira pra te amar
Um mundo perfeito
Para eu e você.
