Rotina
(1,00) elevado a 365 = 1,00 = Fazer nada durante o ano
(1,01) elevado a 365 = 37,78 = Esforço pequeno e consistente no decorrer do ano
(0,99) elevado a 365 = 0,03 = Declínio lento e consistente irá destruí-lo
A canção desafina,
O retrato cai e se esmiúça,
As flores murcham.
Outrora, desabrocham
Em novos vasos,
Ocupando velhos espaços.
Na esquisitice,
Estranha
Mesmice.
Somos grandes e pequenos,
Furiosos e amenos,
Sonhos, palavras e pensamento.
Um rápido sopro do vento.
Você me lembra um dia de domingo
tão depressivo eu quero me cortar.
A minha segunda chega em algumas horas
queria dormir e não me acordar.
Deixa o tempo congelar
não aguento mais a rotina.
Acho que eu já derreti
essa é a minha vida.
Deixa eu passar
acho que estou presa
me perdi nesse vazio
o pior lugar da minha cabeça.
Sabadou com S de Sem paciência! Estou precisando urgente de umas férias da minha vida e da minha rotina!
Não faz sentido ser feliz todos os dias, faz sentido ser feliz hoje, porque o hoje se repete todos os dias!
Existe um glamour imaginário sobre o aniversário do outro. Esquecem que é também dia de trabalho, de faxina, de cuidar de doente e ser feliz apesar da rotina.
20012020
Sempre se disse, e não há como desmenti-lo, que a criatividade é uma das mais importantes qualidades do ser humano. Mas seu excesso produz como efeito colateral um impacto paralisante sobre as rotinas obrigatórias, que lhe é contrária, mas que se prestam a garantir a estrutura onde a criatividade floresce. Se abrirmos espaço somente para o novo trazido por esta, a rotina que a sustenta entra em arriscada paralisia que acaba por inviabilizar a ambas. Há que encontrar tempo, portanto, para não tratar a uma como tortura e a outra como compulsão.
PROTOCOLO
De uma hora pra outra
Assim sem deixar escolha
A situação ficou torta
O vinho ficou com a rolha
Então o mundo parou
Vida virou protocolo
Tudo que sempre almejou
Ficou na lona e no solo
Esse flagelo contágio
Que há muito contamina
Vai prenunciando o naufrágio
Na estúpida rotina
Remoe aquilo que fala
Até que muito bonito
E na inércia se cala
Pois atitude é o grito
Dessa cólera desperta
Com audácia de Davi
A porta está sempre aberta
E a chave está em ti.
MISTER
E foi ali: mergulhado no firmamento
Bem Te Vi: no apelo de um pareamento
No exato Fiel entre a noite e o dia
Algum gosto de fel na rotina vazia
No balanço da vida algum feito é preciso
E diante de Ti não há que ter indecisos
Muita Força e Coragem a sina requer
Justificar a existência se faz mister.
Asas
Me ensinaram a ser chão,
a ser reto, a ser horário.
E eu fui —
fui sem vírgulas, sem desvios, sem fé,
sem delírios.
Nem andor passava por mim.
Desaprendi de voar
quando adulteci
e virei funcionário da rotina.
Guardei minhas asas na gaveta do
esquecimento,
junto de papéis amassados e promessas
vencidas.
Me acinzentei — mas os olhos, não.
Eles cansaram de ver histórias de aluguel.
Anseio por uma história que ainda não construí.
Meu conto.
Meu próprio folclore.
Quero subir novamente,
nem que seja feito um passarinho de metal,
avião de lata.
Cair para cima.
Acredito que ainda tenho tempo.
Sonhar é verbo com hélice.
Ontem, me lembrei que nasci para o alto.
Reabri a gaveta com dedos de menino.
Achei minhas asas caladas, mas inteiras.
Borrifei esperança nas penas,
reacendi o desejo pelo voo na pele.
E fui.
Voar é desobedecer o peso.
Mesmo que o vento se esqueça.
Mesmo que as asas tremam.
Alcançar os ares é importante —
reaprender a sonhar,
mesmo que o mundo diga: não.
Em um mundo de relações tão liquidas só pode se sentir realmente realizado aquele que;
• descobriu a importância de se perseverar,
• que se alegra com o que já tem,
• que não desistiu de observar,
• que não ignorou a teimosia d'uma flor em brotar,
• que ainda se encanta em procurar, novidades na sua rotina.
Beleza é o que fica depois que aquilo tudo que nossos olhos capturaram e nos embriagou é consumido e peneirado pela frieza da rotina, pela insistência do tempo e pela verdade dos atos que "falam" mais alto que palavras.
Medida
Ah... transborda meu pensamento da fragilidade de nossos intentos
Como podemos acorrentados de rotina negligenciar a emoção?
Como anestesiados pelo materialismo induzir a felicidade a interpretar essa versão tão fugaz?
Todavia, a eterna esperança estremece os alicerces dessa crença mundana
Na canção de Legião Urbana a receita para vencer nossa fraqueza cotidiana:
“É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã”
Precisamos trocar os pesos e medidas
Já tinha dito, mas não atentastes para minha tentativa de equilíbrio...
Será o Amor a medida?
Depende de cada um os ajustes naquilo que chamamos de vida
No entanto, os resultados do que se faz ou se deixa de fazer ecoam como uma onda,
se propagam até outras vidas.
É particular a consciência
Mas coletiva a existência!
Esse é o meu mal: não viver, só sobreviver. Esse é o mal desse século, temos tempo para tudo, menos para VIVER
Hoje acordei e durante quase duas horas, fiquei olhando para o teto branco do meu quarto, e não era um olhar de admiração, não era. Era um olhar para o nada ou para tudo. Faltava-me força para levantar. As dores eram horríveis. Não sentia firmeza nas pernas, meu coração batia descompassado e num ritmo tal qual a bateria da Mocidade Independente. Meus olhos ardiam. Calafrios sequenciais. Sentia minha boca seca e meu corpo queimando em brasas. Resolvi consultar um médico, e lá fui eu sentar em frente ao computador, porque, afinal de contas, quem tem Google, não precisa de um médico real, ou precisa? Então, sentada com meu “médico”, disparei as pesquisas na página de busca, coloquei todos os sintomas, e ele, o Google, ou meu doutor, em segundos me deu inúmeras possibilidades: Chikungunya, dengue, zika, malária, pneumonia e tantas outras. Acreditei ser meu fim. Voltei para a cama e achei que chamar um padre para a extrema-unção seria o melhor a fazer, não custa nada estar preparada, mas, não o fiz. Por alguns instantes parei para pensar na vida, na minha vida, vida essa que não me deixa viver. Que me faz refém da rotina que eu mesma criei. Rotina essa que me consome dia após dia; falta de tempo ou de uma organização que não me deixe tempo hábil para fazer coisas prazerosas das quais preciso tanto: dançar, ir ao parque, cinema, teatro, rever amigos. Coisas que, por conta da correria, acabo deixando para depois, só que esse depois nunca se torna agora. Após essa breve análise, descobri que não tinha doença nenhuma para aquela imensa fadiga, desânimo, dores da alma. Realmente não era nenhuma patologia. Eu não estava doente: o que eu tinha era vida. Ou não tinha! Esse é o meu mal: não viver, só sobreviver. Esse é o mal desse século, temos tempo para tudo, menos para VIVER
Anda, anda, anda
Para onde afinal?
Seus caminhos já estão
traçados, seus pés já andam
automaticamente.
Vá, vá la na frente
diga o que querem ouvir,
e o que não querem,
guarde!
Veja, veja por de trás desses
cabelos. Há uma multidão lhe observando, mas na verdade eles nem viram você ali.
Caminhe por esse longo corredor
e tente não cair e deixar suas pernas firme.
Contudo ande, ande até
chegar ao seu fim.
