Coleção pessoal de bodstein

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Quando o medo é o motorista, a certeza é que o carro siga em direção ao abismo.

Religiões odeiam insurgentes. Sua estrutura montada essencialmente sobre verdades dogmáticas e submissão irrestrita precisa de ovelhas que nada questionem.

O pensamento crítico invariavelmente impõe distanciamento gradativo e irreversível em relação ao pensamento osmótico de massa, mas traz ao ser pensante um justificado orgulho da sua solidão.

Eu me arriscaria a contrariar Einstein ao dizer que a tecnologia transformaria os jovens de agora numa geração de idiotas. O que se vê vai além de pura idiotice: ela forjou uma geração inteira de aloprados que converte o mundo deles próprios em uma ópera bufa, e o nosso em uma impensável distopia pela ausência absoluta de referências.

Se existir essa Inteligência Superior que lhe descreveram, certamente lhe diria, ao perceber seus medos, que parasse de orar para se concentrar na bússola, e segurar ainda mais firme o timão do barco!

A verdade é uma ficção. A alheia é apenas uma versão pessoal dos fatos, e a nossa é aquela em que precisamos acreditar para fazer valer nosso lugar no mundo.

Você revela sua importância a todos com uma postura, ao mesmo tempo, altiva e educada que não se confunda com subserviência. O ativismo raivoso só revela que ainda não é tão grande quanto pensa, por conta de seu passado de opressão que insiste em estender a todo mundo.

Num mundo dominado por algoritmos e ‘influencers’, o poder de autoconstrução passou, de virtude, a ato de resistência.

Defenda com unhas e dentes sua liberdade enquanto você tem forças para lutar por ela.

Quando o medo é o motorista, a estrada sempre o levará em direção ao abismo.

Vivemos numa guerra insana na qual insistem em nos transformar em mastros de bandeiras alheias, e cobrar-nos lutar em trincheiras que não são nossas.

A liberdade é abstrata, enquanto o prazer é concreto. Daí de sempre sair vencedor se não houver a ética a lhe servir de freio.

Sua coragem não o tornará imune à sanha dos covardes: estes apenas mudarão de tática. Mas como os dois lados nunca usam as mesmas armas, a coragem precisará ser redobrada e a vigilância também.

O acúmulo de conhecimento, puro e simples, é irrelevante, já que não agrega valor algum. É feito o saber atribuído à Esfinge, que não é útil a ninguém e nem a ela mesma. O “conhecimento de esfinge”, portanto, reflete o hermetismo simbólico do histórico monumento: uma testemunha apática do tempo que não gera transformação nem crescimento – propósito maior do saber – e que existe apenas para ser vista, não para ser ouvida.

Não escrevo para massas humanas, mas para cérebros que pensam. Odiaria ter um livro meu na lista de “best-sellers”, pois meus escritos têm dois propósitos viscerais: desafiar meu próprio pensamento crítico e descobrir pérolas entre milhares de ostras estéreis. Um dia uma dessas pérolas raras topa inadvertidamente com um texto meu, e pensa nele como uma fonte escondida entre rochas cobertas de limo. É pra elas que escrevo.

São os rebeldes – não os conformados – que movimentam o mundo!

Se ser mãe é padecer no paraíso, ser pai é trocar um paraíso limitado por outro tão rico em descobertas que nenhum dos dois conseguiria explorar sozinho.

Quem prima pela Justiça não temerá os próprios equívocos, mas quem quer apenas estar certo vai odiar que lhe mostrem a verdade.

SER INDOMAVEL


Sou qual cavalo selvagem: lépido, livre, indomável,
que jamais aceita freios,
Que não permite os arreios ou sela sobre a pelagem.
Sou mesmo esse ser rebelde contra antolhos
Que me imponham sobre os olhos
Direcionando-me o andar, retendo meu cavalgar…


Sou esse ser sempre arisco que não teme correr risco
Quando o preço é a liberdade…
Um ser que faz da verdade e da luta o desafio,
Que se faz sempre arredio ao menor som de chibata
Pois que tal som nunca acata, por mais que lhe custe a vida
Já que não mede a ferida
Causada na retomada da busca pela saída


Contra a rédea que o revolta,
Contra o estribo entre seus dentes
Contra todas as correntes
Que o impeçam de ser livre e correr pela campina
Sentindo o vento na crina.


Mas esse ser indomável sabe ser doce e suave
Se tratado com açúcar…
Sabe ser o mais amável, mais terno do que uma ave
Quando lhe coçam a nuca.
Ele se faz meigo e brando se não for subjugado…
E, mesmo sem ser domado, se deixa ser amansado
Ao perceber-se acolhido!


Ah! Esse ser destemido se aconchega com um afago…
Se aquieta como a imagem que se faz calma, serena,
Na superfície de um lago…
Sabe ser tal qual um servo por toda a sua existência
Se lhe passarem a certeza de respeito à natureza
De se dar sem ser servil…


E que, se houver dependência,
Que seja um acordo gentil, opcional, desejado,
Nunca subserviência…
Pois que deve ser tratado com tal zelo e consciência
Como um presente ofertado a quem não só conquistou
Como se fez conquistado.


Mas, se sentir-se oprimido sob o peso do selame
Se sentir que, de parceiro, passou a ser propriedade,
Por mais que o peito reclame, rechaça a ponta da espora:
Já ficar não tem sentido!… e bravio faz-se inteiro
Enquanto não se faz tarde! Corcoveia, rompe o reio,
Transpõe a última cerca e – pra sempre

A aparente inexistência de vinculo com um crime não significa exatamente “falta de provas”, mas apenas que o criminoso pode ter sido esperto o bastante para apagar todos os seus rastros. E é quando o acusador devera se mostrar mais cientista que juiz para focar no “horizonte de eventos”, que afasta qualquer hipótese de não vinculação.
O vicio dos elementos acusatórios só ocorre quando o juiz forja um horizonte de eventos, que sabe ser inexistente, para retirar do réu as possibilidades de provar sua inocência.