Reflexão de Vela
PORTO SEGURO
Vento passa
Tempo amassa
Brisa mansa
Gente cansa
Ascende vela
Rumo a ela
Mar aberto
Prumo incerto
Sai da sala
Porto e mala
Frio no peito
Dê seu jeito
Sem demora
Vida implora.
"O que desejar aos invejosos ? Muita luz,desde que não seja eu a pagar a fatura electrica. Posso recomendar uma vela? Onde a queiram acender, não tenho nada a ver com o assunto. É por causa disso que eu não sou invejoso"
Vela não altera a potência da oração ou reza. A vela é uma ambientalização, um meio, um canal para concentração da fé provocando um direcionamento daquilo que me é preciso, segundo o meu entendimento.
A vela representa a finitude da nossa experiência terrena. Somos luz finita que se ascende outra vez.
Se for perfeito e realmente acima do mediano, deve colocar-se no local adequado para receber os resultados requeridos, caso contrário, é o mesmo que colocar a vela acesa debaixo da cama.
Vovó,
Queria te dar uma história bonita para você se orgulhar de mim.
Um livro que se abrisse, perfumado, com o cheiro jasmim.
E no fim, mesmo que triste, tu avistasse um jardim.
O que posso dizer, vovó?
Histórias não gosto de ler
Nem trabalho a as inventar
Eu sei mesmo as viver,
Mesmo que me façam chorar
Mesmo cansado
Meu coração, resistirá.
A vista do mundo sozinha é bonita,
mas é tão triste não ter para quem contar.
Há tanto tempo fico quieta
Aprendi a não incomodar.
Quem quer saber? Quem quer saber?
Ninguém quer dialogar.
Converso sozinha com Deus
A Ele, não sinto incomodar.
Mas é triste, não é?
Esperar em Deus a cumplicidade que o ser humano não dá.
Amar incomoda,
Incomoda mais não amar.
Só você quer saber
O que vou rabiscar.
Quem acende uma vela para Deus e uma outra para o diabo, o seu pavio é muito curto e ainda aborrece a ambos.
O vento que apaga a vela é o mesmo que impulsiona um incêndio. E muita gente acreditando que o problema é o que vem de fora!
"Não dê voz e notoriedade ao malvado. Não gaste a vela se perceber que não existe nada de bonito a ser visto na escuridão.
Há uma grande diferença entre um ignorante e um idiota convicto."
"Não existem atrasos para felicitar alguém, porque cada abrir de olhos no amanhecer, é mais um dia de vida, e que vem nos mostrar, que todos os dias acendemos a velinha de nosso bolo diário"
A musicalidade expressada com uma veemente emoção, dá uma voz atraente à alma, gera uma exultação transformadora, por meio da qual, a inspiração se propaga e afaga o coração com o calor emocional presente em cifras, notas e palavras.
Imponência amável, mágica que faz com que uma simples ocasião noturna seja transformada numa noite grandiosa, aconchegante, oportuna à luz de vela, cujo fogo aparenta ser eterno com um esplendor de romantismo que desacelera o tempo.
O equilíbrio que se alcança em um momento como este, quando a sonoridade é simplesmente marcante por atingir um certo nível de conectividade, acarretando uma sensação familiar muito agradável, um impacto bastante peculiar e tão estimável.
Mais amor e empatia com seu semelhante porque a vida é um sopro...e o tempo é uma vela acesa que o vento sopra e não diz a hora...
Toda vela acesa está sempre a chorar, as lágrimas que mais tarde farão parte da sua própria reconstrução
Entram noites...
Entram dias...
O pó e a rotina...
As coisas repetidas...
O café requentado...
O pão amassado...
O dia que começa...
O galo cacareja...
Varrer o quintal...
Tirar as folhas mortas...
A justiça no fio da espada...
Pátria mal-amada...
Com a corrupção amasiada...
Ah essas ruas...
De pedras mudas...
Cães velhos e doentes...
As mesmas pessoas...
Dia a pós dia...
Um desejo de não sei o quê...
Quando a lua toca-me o rosto...
Na noite escura e fria...
Lembrando de um dia ter sido amado...
Tão distante o passado...
Os amores foram poucos...
Morreram sem cuidados...
O tempo apagando...
A marca dos meus passos...
Os dias embraquecendo meus cabelos...
Agora já tão escassos...
Não passa o tempo da saudade...
Passa um nada meio acontecido...
Vivemos e morremos feridos de silêncio duro e violento...
Insistindo em dizer...
Que tudo é belo...
O ano passa, e breves são os anos...
Poucos a vida dura...
Dar sem ter...
E ter sem tirar...
Fazer por merecer já que a ruína compreende tudo...
E eu conheço bem pouco desse mundo...
Demoro demais...
Ao óbvio perceber...
Vês aqui alguma figura? Ninguém vê...
Minhas tardes envenenadas...
De um vazio por dentro...
Único a me encher o tédio...
O meu cão...
Abanando o rabo...
Construí um labirinto...
E nele me perdi...
E também nem sei...
Se dele quero sair...
Ontem eu era o mesmo...
Amanhã também serei...
Não mudo...
E nada mudarei...
Meto-me para dentro...
Fecho a janela...
Apago as luzes...
Ascendo uma vela...
Rezo pedindo uma graça...
Que amanhã seja melhor e diferente...
Mas se não for...
Saúde já me basta...
E sem pensar em mais nada...
Como e vou dormir...
Minha alma...
De tudo está cansada...
Entram noites...
Entram dias...
O pó e a rotina...
As coisas repetidas...
Sandro Paschoal Nogueira
