Pensamentos Mais Recentes

As mulheres não sabem, mas em toda a Bíblia Sagrada há misoginia.

Eu sempre soube ficar.


Pelos outros.
Pela família.
Pelos amigos.
Pelas pessoas que estavam quebradas.
Pelas pessoas que não sabiam pedir ajuda.
Pelas pessoas que precisavam de alguém.


Mas ninguém me ensinou o que fazer quando sou eu quem está quebrada.
Talvez seja essa a grande descoberta:


Algumas pessoas gostam de você.
Algumas precisam de você.
Algumas dizem que amam você.
Mas poucas sabem permanecer quando você deixa de conseguir carregar o mundo nas costas.

💕✨️"...um dia vivido...num tempo esquecido...de saudade tantas...que me faz lembrar...a suavidade do seu andar...flutuar...um perfume florido...no Jardim do despertar..um beijo trocado...me roubou o ar...e naquele tempo...no mais lindo momento...jurei para sempre...te amar."✨️💕

O universo não desperdiça nada tudo é reutilizado formando outra peça, dessa imensa ⁠engrenagem.

💕✨️"...andava pelo mundo...a te procurar...te encontrei...no brilho da lua...no céu estrelar...você...a linda estrela...que meu mundo...veio iluminar."✨️💕

“ELES”

“Eles” promovem quem?
“Eles” escolhem onde?
“Eles” decidem quando?
E quase nunca explicam
quem colocou “eles”
no lugar de decidir.

“Eles” levantam nomes,
“eles” derrubam vozes,
“eles” abrem portas
para alguns escolhidos
e deixam tantos outros
esperando no corredor.

Mas quem são “eles”?

Talvez sejam muitos,
talvez sejam poucos,
talvez sejam apenas sombras
que crescem quando
ninguém pergunta.

E enquanto perguntamos
“quem são eles?”,
a vida continua passando,
o povo continua trabalhando,
o talento continua esperando
uma oportunidade.

Porque existe uma força
que nenhum “eles” consegue controlar:

o tempo revela,
a história registra,
e a verdade, cedo ou tarde,
encontra seu próprio caminho.

Não quero saber somente
quem “eles” promovem.

Quero saber
quem merece ser promovido
pelo próprio mérito.

Porque quando a competência
precisa de padrinhos para subir,
talvez não seja o mérito
que esteja sendo premiado.

E quando “eles” fecham uma porta,
ainda resta ao poeta
uma janela aberta:

a liberdade de pensar.

— Romildo Portes Ferreira

💕✨️"...eu queria ter apenas mais um momento...apenas um momento...junto aos seus braços...um abraço...olhando e te beijando...se declarando...a falta que faz...este momento...guardado no tempo...que não volta mais...não volta."✨️💕

Ninguém nos avisa quando uma despedida comum na porta de casa é, na verdade, um adeus permanente que ficará na mente assim que a ficha cair.

A Vida Não Termina em Nós
Hoje pela manhã, um motorista de aplicativo recebeu mais um chamado. Enquanto se dirigia ao local, recebeu uma mensagem da passageira: “Moço, estou levando minha cachorrinha para a creche. Posso levá-la dentro da casinha dela, no seu carro?”. Ele respondeu que sim. Ao chegar, encontrou a senhora com a cachorrinha dentro da casinha e uma pequena bolsa com biscoitos e brinquedos. Tudo parecia ser apenas mais uma corrida, até que, na porta da creche, algo chamou sua atenção.
A passageira desceu, entregou a cachorrinha, a casinha e a bolsa a uma funcionária e, inesperadamente, começou a chorar. Depois de alguns minutos, entrou novamente no carro ainda emocionada. O motorista perguntou se havia acontecido alguma coisa. Ela respondeu: “Hoje é o primeiro dia em que minha filhinha vai para a creche. Estou com o coração na mão”. Surpreso, ele perguntou: “A filhinha é a cachorrinha?”. Ela respondeu: “Sim. Ela é minha filha do coração”.
Durante o restante do percurso, o motorista permaneceu em silêncio. Não julgava o amor daquela mulher pelo animal; afinal, o afeto era verdadeiro. Mas uma pergunta ficou em sua cabeça: **o que será dessa mulher quando chegar à minha idade, perto dos setenta anos? Quem estará ao seu lado quando precisar de companhia, cuidado e proteção?** E a pergunta, que inicialmente parecia pertencer apenas àquela passageira, acabou levando-o a pensar em algo muito maior: **o que acontecerá com uma sociedade que, por escolha, medo, dificuldades ou comodidade, tiver cada vez menos filhos? Quem dará continuidade às famílias, às profissões, às instituições e à própria sociedade?**
Criar um filho nunca foi fácil. Meus bisavós enfrentaram dificuldades. Meus avós também. Meus pais tiveram as suas, e eu também tive as minhas. Criar uma criança exige renúncia, paciência, responsabilidade e, muitas vezes, sacrifícios que ninguém vê. Mas existe algo que atravessa todas essas dificuldades: a compreensão de que a vida não termina em nós. Antes de nós, outras pessoas caminharam, trabalharam, construíram e deixaram o mundo para que pudéssemos chegar até aqui. Depois de nós, outras pessoas precisarão encontrar esse mesmo caminho.
Sou defensor dos animais e acredito que eles merecem amor, respeito e proteção. Um animal pode ocupar um lugar especial na vida de uma pessoa e proporcionar uma companhia verdadeira. Mas amar um animal e gerar e educar uma criança são responsabilidades diferentes, que não precisam competir. A questão que me inquieta é outra: **será que estamos ficando tão preocupados em preservar nossa liberdade e nosso conforto que estamos esquecendo que a vida também exige compromisso com aqueles que virão depois de nós?**
Foi caminhando que aprendi que ninguém percorre uma longa estrada completamente sozinho. Em algum momento, precisamos de alguém que nos ofereça água, uma palavra de incentivo ou simplesmente um pouco de companhia. A vida também é assim. Recebemos muito daqueles que vieram antes de nós e, em algum momento, precisamos deixar alguma coisa para aqueles que ainda virão. **A vida é uma caminhada entre gerações: recebemos o caminho pronto, percorremos uma parte dele e temos a responsabilidade de não entregá-lo pior para quem vier depois.**
Talvez ter um filho seja uma das formas mais profundas de dizer à vida: **“Eu acredito no amanhã.”** Não significa apenas colocar uma criança no mundo, mas aceitar a responsabilidade de educá-la, prepará-la e ajudá-la a se tornar alguém capaz de continuar a caminhada. É compreender que não estaremos aqui para sempre, mas que aquilo que ensinamos, construímos e deixamos poderá continuar depois de nossa partida.
Naquela manhã, uma simples corrida de aplicativo terminou, mas uma pergunta permaneceu dentro daquele motorista. E talvez ela devesse permanecer dentro de todos nós: **quando chegar a nossa vez de deixar a estrada, teremos apenas vivido para nós mesmos ou teremos ajudado a preparar o caminho para quem ainda precisa caminhar?**
Porque caminhar não é apenas chegar ao destino. **É reconhecer que alguém virá depois de nós e fazer a nossa parte para que essa pessoa encontre um caminho possível de seguir.**
Peregrino Nino Carneiro

💕✨️"...a verdade está lá fora...a mentira também...assim...não basta olhar...observe...reflita...use a luz da razão...o caminho da percepção...o brilho do coração...as vezes...só se enxerga bem... quem traz...suavidade...paz...no coração...não se iluda...o mundo lá fora...é uma grande contradição...não se deixe enganar...use bem...o brilho do seu olhar."✨️💕

⁠Os Inteligentes mudam de ideia o tempo todo, os que Fingem ser, morrem agarrados a ideias que nem são deles.


Mudar de ideia não é sinal de fraqueza; muitas vezes, é a prova mais evidente de que alguém ainda está pensando. 


Só quem se permite confrontar as próprias certezas consegue perceber quando uma convicção deixou de ser fruto da reflexão e passou a ser apenas apego.


Há quem confunda inteligência com a capacidade de ter sempre uma resposta pronta. 


Mas inteligência também é saber dizer: “eu estava errado”, “não sei” ou “nunca tinha pensado por esse ângulo”. 


O pensamento vivo não se sente humilhado diante de um argumento melhor; ele se sente provocado por ele.


O problema começa quando a opinião deixa de ser uma conclusão e passa a ser uma identidade. 


A partir daí, qualquer questionamento parece uma agressão pessoal. 


A pessoa já não defende uma ideia porque acredita nela; acredita nela porque precisa defendê-la. 


E, nesse processo, pouco importa se a ideia nasceu de sua própria experiência, se foi examinada com cuidado ou simplesmente herdada de alguém que ela admira.


É curioso como alguns se orgulham de nunca mudar de opinião, como se a imobilidade fosse uma medalha de inteligência. 


Não percebem que permanecer eternamente no mesmo lugar pode significar apenas que nunca tiveram coragem de recalcular a rota, de revisar o caminho.


Pensar por conta própria exige um tipo desconfortável de liberdade: a liberdade de discordar de quem admiramos, de abandonar aquilo que já defendemos publicamente e, sobretudo, de reconhecer que nossas certezas também podem estar erradas.


No fim, talvez a diferença entre quem pensa e quem apenas repete não esteja na quantidade de opiniões que possui, mas na disposição de submetê-las ao próprio julgamento.


Porque ideias não deveriam ser correntes. 


Deveriam ser ferramentas.


E quem realmente pensa não teme trocar uma ferramenta quando percebe que ela já não serve.

A maior pegadinha da existência é nos fazer acreditar que sempre haverá um amanhã para dizer "eu te amo.

Ecos das Senzalas

Havia um silêncio que gritava nas madeiras,
Um vazio que pesava como corrente ao peito.
Nas senzalas dormiam sonhos e preces inteiras,
Onde a liberdade era apenas um direito.

Paredes de barro guardavam histórias caladas,
Cada fresta um suspiro de quem não podia falar.
Vidas inteiras ali foram aprisionadas,
Corações que batiam só para não parar.

No chão de terra batida, memórias pisadas,
Raízes profundas de uma dor ancestral.
Mãos calejadas, almas acorrentadas,
Resistindo em silêncio ao peso do mal.

A noite trazia cantos de lamento,
Melodias que subiam como fumaça ao céu.
Na escuridão, havia um leve alento,
A fé que nem o açoite destruiu ou vendeu.

Crianças nasciam sem saber de amanhã,
Mulheres choravam lágrimas de pedra e sal.
Homens curvavam sob o peso da sanha,
Mas de pé permaneciam, resistindo ao final.

Nas senzalas morava a humanidade negada,
A dignidade pisada, mas nunca destroçada.
Cada alma que ali sofreu e foi calada,
Merece ser lembrada, honrada, respeitada.

Hoje essas paredes são apenas ruínas,
Mas ecoam ainda gritos que não podem morrer.
São cicatrizes na terra, marcas genuínas,
De um passado que não podemos esquecer.

Que o vento que passa por essas madeiras velhas,
Leve consigo nosso respeito profundo.
Pelas vidas que foram como estrelas vermelhas,
Apagadas pela crueldade deste mundo.

Nas senzalas não viviam escravos apenas,
Viviam pessoas, histórias, canções.
Com sonhos tão grandes quanto suas penas,
Com amor guardado em seus corações.

E quando olhamos para trás com olhar sereno,
Não é pra esquecer, mas sim pra aprender.
Que nunca mais reine sobre nós o veneno,
Do ódio que faz um ser humano outro ser perecer.

Memória é ponte, não é prisão do passado,
É caminho para um futuro mais justo e são.
Cada nome esquecido, cada grito calado,
Merece eco eterno em nossa canção.

Nas senzalas viveu um povo de força imensa,
Que mesmo na dor, não perdeu sua essência.
E hoje carregamos essa herança densa,
De luta, resistência e permanência.

O Espinho da Alma

Você olha o jardim e só vê o que fere,
Julga a rosa tão linda por ter proteção.
Aponta o espinho, diz que não tolera,
Mas esquece que a flor não tem má intenção.

É fácil culpar a defesa do outro,
Quando o seu próprio peito é um campo de dor.
Você rasga as pétalas, faz tanto alvoroço,
Mas no fundo, o espinho é o seu próprio temor.

Quem fala mal do espinho da rosa,
Só quer arrancar o que fere por dentro!
Disfarça a ferida, a alma espinhosa,
E joga na flor o seu próprio tormento!

A rosa não ataca, ela só se defende,
Faz parte do ciclo, do jeito que é.
Mas quem tem espinhos na alma não entende,
E tenta cortar pela raiz, pelo pé.

Olhe no espelho, encare a verdade,
A flor não tem culpa da sua tempestade.
Abrace os espinhos que moram em ti,
E deixe a rosa florescer por aí!

Quem fala mal do espinho da rosa,
Só quer arrancar o que fere por dentro!
Disfarça a ferida, a alma espinhosa,
E joga na flor o seu próprio tormento!

Aqui está a poesia e a música que você pediu!

A Flor e o Espelho

A flor encanta, o toque fere,
O dedo aponta, o medo insere.
Critica o espinho que a rosa sustenta,
Esquecendo a dor que na alma aumenta.

Quer podar o outro, arrancar o perigo,
Mas é seu próprio ego seu maior castigo.
O que te espeta no alheio jardim,
É o seu espinho, brotando em mim.

Quem fala mal do espinho da rosa!
Quer arrancar o que em si repousa!
Quer tirar de si, a ponta afiada!
Numa busca em vão, por estrada errada!

O espelho reflete, a mão se recolhe,
O que o peito esconde, o olhar não acolhe.
Aceite a ferida que a flor traz consigo,
Antes que o espinho se torne o abrigo.

“Ode ao Amor Eterno”

Na vastidão do tempo que transcorre,
Encontrei-te, minh’alma geminada,
E em teus olhos o universo corre,
Constelação de luz apaixonada.
Teu corpo é verso que minha pele escreve,
Poema vivo em cálida prosódia,
Onde cada carícia se atreve
A compor sinfonias de melodia.
És tu o porto da minha errância,
O farol que ilumina meu destino,
Em teus braços encontro a bonança,
E mergulho em êxtase cristalino.
Quando nos fundimos em ardente enlace,
O mundo some em nossa intimidade,
E o tempo, suspenso, já não passa,
Somos um só na eternidade.
Teu sussurro é prece que me embala,
Teu toque é bênção que me consagra,
Em cada beijo, a alma se revela,
Em cada abraço, o amor se sagra.
És a musa que inspira meu viver,
A poesia feita carne e essência,
E amar-te é renascer, é transcender,
É encontrar na entrega a transcendência.
Para sempre serás minha verdade,
Meu recomeço e minha conclusão,
O amor que habita na imensidade
Do mais profundo verso do coração.​​​​​​​​​​​​​​​​

Cisão

Uma de nós escreve.
A outra sangra.
Atrás do vidro
observando a mulher que sou,
de joelhos no chão do quarto,
com a caneta na mão
apunhalando o peito.
Ela chora, eu anoto.
Ela implora, eu rimo,
choro e grito.
Não sei mais quem cuida de quem,
se a poeta salva a mulher
ou se a mulher
é só o que sobra
é só uma nota
depois que o verso já comeu.

Andréa

A mulher é do barro do homem

Dizem que a mulher é do barro do homem.
Eu prefiro pensar
que ela nasceu do mesmo punhado de terra
que ainda pulsa nas mãos dele.

O barro não conhece hierarquia.
Ele só entende de toque,
de espera,
de cuidado.

A mulher surgiu
quando o barro aprendeu a sentir.
Quando a terra descobriu o calor
e decidiu florir em forma de corpo.

Ela carrega nas curvas
a memória da lua,
o ritmo das marés invisíveis,
o segredo antigo de quem sabe
que força também é delicadeza.

Se o homem veio antes no tempo,
foi apenas para aprender a esperar.
Porque o amor não nasce pronto:
ele se molda.

A mulher não é extensão,
é encontro.
Não é origem menor,
é espelho.

Quando ele toca o barro com respeito,
ela se reconhece.
Quando ela devolve o toque,
ele se humaniza.

Não há posse no barro.
Há partilha.
Há mãos sujas de terra
e corações limpos de disputa.

E assim, lado a lado,
do mesmo chão,
do mesmo sopro,
o amor acontece
não como criação,
mas como escolha diária
de permanecer inteiro
no corpo do outro.

“Ao avesso da pele”

Ao avesso da pele,
somos todos feitos do mesmo susto
quando a dor chega,
do mesmo brilho quando o amor acontece,
do mesmo medo de não caber.

Os olhos são iguais.
Choram da mesma forma,
reconhecem beleza do mesmo jeito,
buscam abrigo quando o mundo aperta.

O coração também não muda de cor.
Ele acelera,
falha,
espera.

E ainda assim,
o caminho muda.

Do lado de fora, a pele decide
o que o mundo permite.
Decide quem pode correr sem ser suspeito,
quem pode errar sem pagar caro,
quem é ouvido antes mesmo de falar.

É estranho perceber
que os mesmos gestos
ganham sentidos opostos
dependendo do tom da pele que os veste.

O mesmo silêncio pode ser respeito
ou ameaça.
O mesmo olhar pode ser curiosidade
ou culpa.

Não é o sentir que separa 
é o olhar de fora
que escolhe não ver igual.

Ao avesso da pele,
ninguém nasce grande,
Ninguém nasce menor.
Mas o mundo insiste
em vestir alguns com medo
e outros com privilégio.

A injustiça não está no corpo.
Está na leitura equivocada
que fazem dele.

Talvez um dia
aprendamos a enxergar
para além da superfície,
a escutar antes de julgar,
a permitir que todos
tenham o mesmo direito
ao erro, ao afeto, à existência.

Porque se rasgarmos a pele
só em pensamento, só em verdade 
o que aparece é igual.

E dói do mesmo jeito
quando é negado.

A Rua dos Fracassos


A Rua dos Fracassos guarda os desmemoriados,
minha mãe diz que Deus 
apaga a memória da gente 
porque não quer ver ninguém sofrendo.
Deixa só uma marquinha no corpo.
Eu fico contando as marcas da minha mãe,
pensando no tanto que Deus teve que apagar.


O rosto macilento e enrugado dela exibe
marcas feias do tempo e das coisas que passou.


Depois de ir ao médico,voltou estranha 
e cabisbaixa.Meditativa, calada e determinada
cismou de me ensinar a ler.
Força meus olhos na bela grafia e nada entendo.
Paciente,ela tenta me ensinar mas sou um bicho solto 
e impaciente.Louca para fugir e brincar,invejando 
os colegas que riem à solta na rua lá fora,
enquanto estou presa,sozinha com ela e os
lápis e cadernos.


Laboriosas letras,desenhadas a perfeição,
que me faz repetir 
até doerem os dedos.
Seu olhar perdido,enquanto me diz que um dia 
vou ser uma grande escritora.
Eu detesto,mas fico com medo dela 
estar enlouquecendo 
igual a vizinha que vive penteando 
os cabelos na rua e falando sozinha.
Então consigo rabiscar o meu nome 
e ela me olha tão feliz
Eu me sinto tão culpada e não digo a ela o que fiz.
Assustada com os tremores nas suas mãos.
A dificuldade ao levantar até um copo.
Então,eu chorei...por não conseguir ser 
o que ela sonhou para mim.


As vezes,o fracasso mora junto com a gente.
E não dá para escapar.
O que ela diria,se dissesse 
que vendi o corpo
para comprar o jantar?


Andréa

-Minha tia sempre adoçava
o café com rapadura e me dava as raspinhas para comer com farinha de manhã.Eu ficava rodeando o fogão de lenha,
parecia que tudo acontecia
na cozinha,ninguém ficava
na sala de estar.
As conversas,fofocas da vida
e do dia a dia. A água quente para escovar os dentes.
A bacia de alumínio para o banho.Ainda lembro do tacho de angu e polenta,a galinha caipira,os biscoitos feitos na gamela.Parecia que o dia ganhava cores e vida 
que hoje não existem mais.
Moram só nas recordações que guardamos dentro da gente.


Andréa

"A mentira teme a caneta que escreve a verdade, assim como o crime treme diante da balança que dita o direito. Quem caminha nas sombras,  precisa apagar os faróis da imprensa e quebrar as lentes dos tribunais, pois sabe que a luz do fato e o peso da lei são os únicos espelhos capazes de revelar a sua verdadeira face."⁠

Entrelinhas

Ela diz que não gosta quando escrevo sobre ela.
Diz com a voz firme,
mas com os olhos curiosos.
É curioso isso:
quem não quer ser verso
não pergunta se é poema.
Ela passa por perto quando escrevo,
finge desatenção,
mas desacelera o passo.
Não lê,
mas tenta.
Não pergunta,
mas espera.
Existe nela um desejo discreto
de se reconhecer nas entrelinhas,
de descobrir se o segredo mora em alguma metáfora, se o nome dela cabe em sinônimos,
se o amor sabe se esconder.
Meus segredos ela conhece.
Não os detalhes,
mas a essência.
Sabe que quando escrevo sobre o vento,
é o jeito dela passar.
Quando falo de calma,
é o silêncio que ela deixa.
Quando escrevo sobre amor,
é porque não sei escrever outra coisa
que não seja ela.
Ela diz que não gosta,
mas pergunta.
Diz que não quer,
mas procura.
Diz que não lê,
mas sente.
E talvez amar seja isso:
respeitar o limite que a boca impõe
e continuar falando com o coração.
Se ela se reconhecer,
não foi porque escrevi sobre ela.
Foi porque ela sempre esteve
em tudo que eu escrevo.

Parecia uma casinha pequenina branca redonda de barro caiado. Mas era o forno de assar biscoitos. As brasas incandescentes eram jogadas lá dentro,e as assadeiras colocadas por cima das brasas.Enquanto os biscoitos eram amassados numa gamela.
Um saco fino desenhava nas assadeiras o formato.
Eu nunca entendi como funcionava.Minha gulodice ficava a espreita dos biscoitos quentinhos que devorava.Tem prazeres
tão simples que ficam guardados na nossa mente.
Recordações que se tornam especiais.
Eu lembro disso,das fornadas de biscoitos espremidos e dos bolos guardados nas latas. De tomar café pelando com fatias de requeijão.Das panelas enormes em cima do fogão e as portas sempre abertas para qualquer pessoa da região.
Nunca vou esquecer isso.Nem dos banhos no rio, observando
as lavadeiras batendo as roupas nas pedras cantando melodias.
Carregando as bacias enormes na cabeça. Tudo tinha um colorido que hoje não vejo mais.
Sensações fundidas no coração
que não serão
esquecidas,jamais

A peste chegou
a Rua dos Fracassos
e vem se espalhando.
Até a Rua das Putas está vazia.
Minha mãe cisma que uma boa sopa de legumes cura tudo.
Arrancou todos os que tínhamos na horta e segue levando para os doentes.
Junto vou me arrastando.
Parece que o vírus contamina
o corpo e o psicológico.
E a presença da mãe anima
os doentes, renovam suas forças e alguns até melhoram,mas eu estou arrasada.
Ela trouxe até um maltrapilho, que diz ser escritor,
para morar junto no quartinho.
Nossa casa fede velas e orações.
E seus joelhos ganharam marcas escuras
ajoelhados no chão.
-Deus deve ser surdo,digo a ela, porque nada faz.
As pessoas seguem morrendo,
os corpos enrolados são colocados
em caixões de papelão
na vala dos indigentes.

E a vontade de gritar aumenta, a impotência
e o medo diante do que está acontecendo.
Então faço a única coisa que posso.
Subo no alto do morro
e grito até perder a voz.
Já sentiram o desespero?
Ele fere, marca o coração,
a alma e a pele.

Tem algo que parte
levando pedaços doloridos
a que chamo de arte.
Ferindo a alma e a carne
até que sangre
poesias do íntimo.
Eu não sabia,
que toda vez que escrevia
eu dava forma
ao que doía.

Andréa

"É fascinante a previsibilidade da cartilha da política. Se o candidato é apenas mal-intencionado, o vilão da história sempre será a imprensa livre. Mas se o caso já passou para a esfera criminal, a culpa passa a ser, magicamente, dos juízes e das leis. O culpado é sempre quem investiga ou quem julga; o réu é apenas uma vítima incompreendida."