Quente
O bafo quente liberado pelos meus lábios embaçam meu espelho. Procuro no reflexo de meu olhar alguma coisa que me motive a continuar. Algo ou alguém. Meus olhos verdes não me dizem nada no momento. Vejo apenas que fico mais velha a cada dia. Sou tão jovem para ver a velhice. Pareço ter pena de mim mesma, mas não tenho. Não tenho nada de mim. Algumas pessoas envelhecem tão devagar... outras tão rápido. Creio que faço parte da segunda opção. Dizem que o segredo da beleza é a alegria. Está explicado o porquê de minha acelerada velhice. Minhas pálpebras estão murchas. Eu não sei por que estou escrevendo sobre minha física aparência. Ela nunca me pareceu importante...
Tenha calma, rapaz. A moça tem sangue quente mas não é impossível. Ela é meio diferente, eu compreendo. Você tem receio de perder todos os jogos pra ela, e eu também compreendo. Provavelmente você vai acabar perdendo mesmo. Por azar no jogo, ou por querer ver o sorriso dela se abrindo quando anunciar sua vitória. Deixa ela pensar que ganhou. Mas sabe, rapaz... quem vai ganhar mesmo, é você. E eu estou falando sobre coisas muito melhores que passatempos. Você vai ganhar o coração dela. Mas você precisa ter paciência, entendeu? Ela anda melindrosa, e todas as feridas levam um certo tempo para cicatrizar. Talvez você seja a cura para o coração dela, mas também não posso te garantir. Você vai ter que pagar para ver, e sentir.
Ainda posso sentir o cheiro quente de cravo da índia, canela e gengibre.
Da vitrola só se escuta o surdo chiado fora do ar que toma conta de todo o quarto, como se o universo fizesse um motim para derrubar as paredes de gesso desse ambar.
Da janela entre aberta amanhecem alguns poucos raios de luz que a tudo observam minuciosamente. As manhas são verdadeiras fofoqueiras que adoram evidenciar a tudo e a todos o que a noite insiste em esconder: Nossos vícios, nossas lágrimas, nossos gritos, nossos sonhos..
"Entre sem bater". Eis o que está escrito na porta do meu recanto, onde todos ouvem esses chiados mudos que gritam pela quebra das paredes, pela fronteira sem fim.
Aos meus verdadeiros amigos, que entraram sem bater ou perguntar o por que, eu sou o homem na caixa.
Carreguem com cuidado
É loucura e é minha cura,é um pedaço da minha carne quente, quase pecadora.
É um copo meio vazio de vinho barato, é meu vício, meu cansaço, meu deslize, meu esforço, minha culpa, meu mau, minha ironia, minha heroína, minha traidora, meu abrigo, minha amiga, minha fuga, meu mau humor, minha ansiedade, meu café frio, meu resto de domingo e minha sexta preferida, meu meio, meu clímax, meu epílogo, minha utopia, meu plano modificado, meu dia adiado, meu consumo excessivo, minha abstinência, minha exigência, minha passagem, minha passageira, minha desistência, minha doença, minha diversão, minha tristeza, minha confusão, minha frieza, meu tédio, meu desamor, minha decadência, meu medo, meu segredo, minha paciência, minha mentira, meu desafino, minha permanência, minha lua minguante quase inexistente, meu sambinha bom, meu poço de qualidade e defeito, minha saudade, meu orgulho idiota, minha criança, minha idosa.
É tudo, menos minha.
Minha poesia mais prosa.
PAPO QUENTE
Existem pessoas que só observam coisas de seus próprios interesses.
Nem sempre somos tão interessantes, mas por muitas vezes somos bastante observados.
Abandonaste !
Abandonaste o alma meu corpo
Que outrora foste quente.
Hoje e gélido.
Gélido também ficaram o sorriso do meu amado
A qual deixei quando parti.
Sozinho e desamparado sem o meu amor.
Somente lembrancas frias atormentam sua mente,
Amor. Amor . Amor.
Que outrora meu corpo aqueceu,
Hoje peço te.
Aqueça o sorriso teu .
Minha alma vê o em profundo vazio onde deixou habitar o frio.
Este frio que a mim pertence .
Os teus lábios precisam se aquecer em outros lábios .
E novamente olhar para frente .
Quarto quente
Cortina velha ao vento.
Quarto de tábuas corridas.
Pedaço de um longo pano.
Resiste a paixão na madrugada.
Revelando-me os contornos do teu rosto.
Da nossa noite de amor.
Perde-se nas horas, nos dias.
Terno abraço de carinhos e beijos.
Perpétuo entrelaçar de corpos.
Sonhos fiéis dos nossos dias.
Quarto de tábuas corridas.
Janelas com as cortinas soltas ao vento.!
Sinto o seu corpo
Quente e vibrante
exuberante
Tocar o meu
Sinto o teu beijo
Doce e molhado
Meio apimentado
roubar o meu
Vejo os teus olhos
De longe sinistro
De perto malícia
É incomparável
Sinto o teu toque
A tua pegada
Teu jeito bem forte
De bicho do mato
Sinto você
Todinho meu
Todinho meu
Todinho meu
A todo instante
Seja noite, dia
Quente, fria
Em algum lugar
Uma dor há.
Deseje bem
Sem saber quem
Para que? por que?
Poderia ser você!
A minha rima eu reparto
Onde a palvra sofre o parto
Criando a poesia no dia a dia
Em tarde quente ou noite fria
A lua me lembra do seu rosto e sol do seu corpo quente, a chuva as lágrimas que por ti eu derramei e o arco íris o nosso amor!
Sergio Fornasari
Sonhos em agonia, em desespero
corpo quente, quando penso em ti...
boca colada, beijos sedentos de amor
delírios ensandecidos, tomados por momentos
loucas fantasias, paixão assolapada..
pelos desejos inflamados de amor..!!
Sobra tudo que falta...
Sobra abraço quente, café doce, afago, aperto de mão.
Sobra saudade, carinho, conforto, amor
Sobra pensamento, sentimento, confusão
No lugar do sorriso, a estante acumula pó
Os pedaços indicam que alguém esteve aqui
Não vi ninguém, não achei ninguém, nem mesmo a mim.
O cigarro virou cinza extensa no cinzeiro até se apagar.
As roupas sobre a escrivaninha ficaram amareladas, a televisão eu tive que desligar
O copo na beira da cama, parecia mesmo que você iria voltar.
As lembranças emaranhadas, embaraçadas de um “nós” difícil desatar.
Perambulando pelos cômodos encontrei na poltrona da sala a angústia acordada.
Viu a porta aberta para você e resolveu entrar
Eu a mandei embora, não deixei ficar
Tomou-me nos braços e ali esperamos, aflitas
Eu adormeci e ao despertar não tinha sol, não tinha café, não tinha você
Tudo estava exatamente igual, monocromático e sem emoção
Ainda sobra tudo que falta
Sigo andando por aí a mercê da sua razão.
Trás-os-montes terra fria ..quente....
Andam os lobos perdidos nas grutas escuras...
ocas do nosso desalento, serras feitas de fragas..
Montes desconcertantes, silvas que invadem a nossa alma
picam o corpo, rasgam a carne, corrompem os sentidos..
Devoramos os sentidos perdidos esquecidos feitos em emoções..
terra fecundada, quente, fértil, fria, nevoeiro na serra, no monte.
Quimeras na penumbra da solidão, noite escura feita na escuridão..
onde a inquietação nos corroí, nos ecos do nosso pranto.
Somos feitos de barro perdidos nas grutas escuras sofridas..
onde andam os lobos esquecidos na penumbria da nossa escuridão..!!
Dia chuvoso...
Como meus olhos molhados por ti.
Dia quente...
Como o calor do meu amor.
Dia com brisa...
Que me faz lembrar da nossa.
Dia com certeza..
Que no amanha teremos os nossos dias todos pra nos.
Amo voce...
Noite e dia louca de amor...
vem meu amor com tuas mãos
loucas de desejo, corpo quente
junto ao meu, boca do meu beijo
vem amor faz-me insana, profana
louca pelo teu corpo como aroma do meu
atiça-me, provoca-me, chama-me
inflama-me, queima-me, é tudo teu
Geme comigo, com paixão,
que meu corpo seja teu e o teu
se una sempre ao meu amor
vira-me do avesso, faz-me delirar
Sem medo, sem reservas, sem pudor
ao ouvido dizes-me que sou todo teu,
quero-te, desejo-te e amo-te...!!!
DOIS EXTREMOS
E lá fora a vida aflora...
Um céu limpo, um sol quente...
Corre feliz toda a gente
Antes que se acabe a hora,
Antes que o relógio pare
E leve a vida embora.
Mas o dia lá de fora
É reflexo d’um instante,
A loucura mais distante
D’um inconstante “agora”,
Porque aqui dentro chove,
Aqui dentro ninguém mora...
